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Ora muito bom dia, bem-vindos a mais uma triangulatura do Paralelepípedo, o debate mais fraturante da rádio portuguesa e quem sabe até do mundo. Que exagero. Temos conosco os nossos habituais peleadores, os turbulentos Januário Canutilho e Arménio Paulo. Olá aos dois.
Ora vivá todos os ouvintes e às minhas companhias de programa. Nunca fui apresentado como um lutador de boxe. Enfim, eu acho piada, embora não esqueçamos aqui os temas que envolvam a troca de sopapos. Pelo menos até hoje.
Olá ao coletivo de ouvintes. Olá também aos meus camaradas de programa. Somos combatentes, sim, mas sem recurso à violência física. As nossas batalhas ficam-se pelo campo das ideias e assim é que é bonito.
Ainda bem que assim é. O mundo precisa de paz como de pão para a boca. Bom, na semana passada falou-se de António Guterres, mas na altura vocês compararam-no ao bardo de Asterix, aquela personagem a quem ninguém ligava. Entretanto, as coisas mudaram bastante, não é assim?
Mudaram porque o António Guterres finalmente decidiu dar sinal de vida e dizer qualquer coisa de importante e acertado. Só para variar. Ele deu a entender que o que o Hamas fez foi reagir a décadas e décadas de ataques indiscriminados de Israel. Afinal, o Guterres não é bem o bardo do Asterix, é antes o chefe da aldeia. Ou seja, manda pouco, mas ainda manda qualquer coisa.
Januário, António Guterres é o bardo, é o chefe ou é outra personagem qualquer?
Eu acho que o António Guterres, a única coisa que mandou foi uma laracha infeliz para o ar. Para já, legitimou todos os ataques terroristas passados, presentes e futuros, porque um ataque terrorista nunca acontece no vácuo. Pelo menos para eles. Para um terrorista há sempre uma boa razão para matar inocentes, portanto nunca é no vácuo. Isto é legitimar a lógica deles.
Grande disparate pegado. Parece que dizer a verdade sobre Israel agora é pecado. De onde é que isso vem? Na Cabala? Na Tora? Por amor de Deus, vá pentear iguanas, ó Januário.
Arménio, deixe só o Januário concluir o seu raciocínio, por favor.
Eu deixo, mas não considero um raciocínio, considero umas larachas também. Mas pronto, deixo. Força.
Em segundo lugar, Guterres usou uma velha máxima socialista para justificar a ação do Hamas. O clássico: quem se mete com o PS, leva. Neste caso concreto foi: quem se mete com o Hamas, leva. Enfim, foi uma boa oportunidade para estar calado. Eu até gosto do António Guterres, mas se calhar prefiro então o bardo Guterres. Volta bardo Guterres, estás perdido. Ou seja, calado era um poeta.
E este percalço diplomático entre a ONU e Israel pode contribuir para uma escalada do conflito, Arménio?
Toda a postura do Netanyahu e dos seus capangas americanos é de provocar. Tudo o que eles querem é obrigar os outros a sair do saloon e a fazer um duelo na rua principal da cidade do Oeste. Quer dizer, eles querem uma cowboyada das antigas, que os americanos adoram. Por isso, a situação pode efetivamente descontrolar-se. E eu sinto que a paciência do Irão está por um fio, e é um fio da barba do Aiatola, e portanto aquilo qualquer dia, não tarda nada, está tudo pegado. É uma tragédia.
A esquerda parece que às vezes gostava que um dia a Europa e o Ocidente se tornassem no Imên-Irão. A Europa era o Irão, o novo Irão.
Que raio de ideia é essa? Por amor de Deus.
Sim, é verdade. Só para dar uma lição à América. Vocês adoravam isso. E nesse dia, no dia que isso acontecesse ou que isso acontecer, eu seria provavelmente condenado a 99 chicotadas na via pública por não concordar com a maneira como o Irão lida com os direitos, liberdades e garantias. E o camarada Arménio poderia finalmente comemorar disparando uma Kalashnikov para o céu. Ficava tudo bem.
Você não andou a tomar a medicação, pois não? É que o Januário hoje está a alucinar e não é pouco. Eu tenho um camarada que é chefe de psiquiatria no Júlio de Matos, ali na Avenida do Brasil, em Lisboa. Quer que lhe marque uma consulta? É aqui perto. É só virar a esquina, aqui perto do Observador.
Consulta? Precisam todos os que querem branquear o terrorismo. Olhe, o The Rock também foi branqueado no Museu de Cera em Paris e já mandou uma boca para virem corrigir a situação. E vocês todos também deviam fazê-lo. O terrorismo tal como o The Rock não podem ser branqueados. Ponto.
Passou-se. João, o camarada Januário está a precisar de férias, é oficial. Metam-no de baixa. Baixa sem vencimento.
Baixou, baixou, o T-T-T-T-Ténis.
Estamos todos. Muito obrigado aos dois. Foi mais uma triangulatura do Paralelepípedo com o Hamas, Netanyahu e o The Rock, ou seja, um verdadeiro filme de ação. Adeus e até domingo.