Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Ora, ora.

Cuidado. Aparece!

Bom dia a todos os ouvintes. Aqui estamos nós na Rádio Observador, com o excelente motivo de ouvir a triangulação do Paralelípipedo e os seus comentadores. Um revolucionário de peito feito, um pavão da revolução, o Arménio Paulo, e o conservador com muito mundo, o Januário Canutilho. Olá aos dois.

Olá ao colectivo de ouvintes, olá também aos meus camaradas de programa, o João e o Januário. Gostei muito da minha descrição. Sou de facto um revolucionário de peito feito e mais, sou dos que dá o peito às balas e sem querer usar aqui o imaginário pop capitalista, eu sou um super-homem da revolução. Por isso, não é só a minha capa e as minhas cuecas que são vermelhas, é tudo vermelho, tudo, excepto no que toca ao clube de futebol. Aí somos Porto, carago.

Acredito. Januário, também se identifica com a descrição que fiz de si?

Sim, totalmente. Sou um conservador com algum mundo, vamos dizer assim. Aliás, como é sabido, tenho dois livros de viagens publicados, com um deles o mais vendido. São duas obras de referência. Tenho muito orgulho nisso.

É verdade, sim senhor. E aproveito justamente para dizer que o último desses livros, de nome Hemisférios Esconsos, acaba de ganhar o prémio Gonçalo Cadilhe 2023, um prémio que é atribuído precisamente ao melhor livro de viagens português do ano.

Parabéns, Januário, fico genuinamente feliz e orgulhoso com essa distinção. Como eu já disse, você é incrivelmente brilhante para um direitolas.

Obrigado. E você tem um fair play excepcional para um esquerdalho, também.

Eu sei. E mais, tenho a teoria que um dia você tira o disfarce e se assume também como revolucionário. Isso é que vai ser.

Isso é que já é mais difícil. Porque isso não é um disfarce, isto é mesmo a minha pele. A menos que me tirem o escalpe, nada feito.

Talvez seja impossível, mas eu tenho essa esperança. Mas caso eu esteja enganado e isso nunca aconteça, é um orgulho na mesma tê-lo como camarada e amigo.

Obrigado, Januário. Retribuo as palavras, exceptuando talvez a palavra camarada, que eu substituo por uma palavra com menos carga ideológica ou partidária.

Muito bem. Eu queria aproveitar para ler aqui as palavras do presidente do Grémio Literário, Fagundes Neto, em relação ao prémio. E diz Fagundes: "Januário é, sem margem para dúvidas, o Toyota Hilux da literatura de viagens portuguesa."

Começa bem. Era preferível se fosse um Lada, mas Hilux é de facto uma pickup granítica.

"Desde as cataratas do Chupacabra, no Chile, até à vrilha de Goiás, em Porto Alegre, seguindo pelos jardins duvidosos de Baku, no Azerbaijão, passando pelos arrabaldes da bigorna fértil na Pérsia e acabando na axila de Cleópatra, no Cartago, o livro de Canutilho é uma viagem salvífica, etérea, gutural e malandra pelas catacumbas da Terra."

Bonitas palavras. Esse Fagundes sabe trabalhar o verbo.

Sabe, sim senhor. Continuando: "Este livro é incrivelmente mágico, maravilhoso e pesado, mesmo na versão de bolso. Há uma literatura de viagens antes de Hemisférios Esconsos e há outra depois. E apesar de não haver diferença nas duas, o marco está lá." Que livraço. Januário, concorda?

Que remédio. Mesmo que eu não concorde, também já não vai valer de muito.

Sim, mas concorda ou não?

Por acaso concordo. Concordo e agradeço a distinção e as palavras. Agradeço também, já agora, à minha editora, a Andarilho Edições, e ao Sacadura Peralta, o meu paciente editor, e também ao meu primo Júlio, que me dá boleia para o aeroporto cada vez que eu vou de viagem. Todos eles são igualmente importantes e têm um bocadinho deste prémio.

Muito bem. Tínhamos de fazer aqui referência a esta situação. Era da mais elementar justiça.

Eu aproveito este dia de festa para vos convidar para uma caldeirada absolutamente olímpica. É uma caldeirada de pitinga no restaurante, que é talvez o melhor restaurante do Hemisfério Norte, que é o Tolan, que fica ali no Samouco, ao pé do Alcoceber.

Eu alinho nisso, até porque fica logo perto de casa.

Eu também alinho. Eu sou como o presidente Marcelo, eu estou sempre no verbo ir. Aliás, até digo mais: hoje pago eu. Vamos embora.

E assim, nos despedimos de mais uma triangulação do Paralelípipedo. Até para a semana.

Ora, ora.

Cuidado. Aparece!