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Dois ou três dias depois, conversando com o Sá Carneiro, quando fui visitar, ele estava com dificuldades de recuperar de uma cirurgia. E eu fui visitá-lo e ele diz: "Artur, não fica. Eu vou embora pra Inglaterra. E o Artur, quando quiser sair, não vai conseguir sair." E eu o aconselhava a não ficar cá.
Não teve o dilema de sair? Não pensou-
Não, não tive. Não tive, sinceramente, nessa altura, de forma alguma.
O que lhe dava confiança para ficar?
Não, era eu sentir que o país era um país que não tinha nada a ver com o quadro radical.
Olá, bem-vindos ao "A Vida em Revolução". Eu sou Rui Ramos, historiador, e comigo está o Pedro Jorge Castro, jornalista. "A Vida em Revolução" é um programa em que vamos falar com pessoas que viveram a revolução em Portugal em 1974 e em 1975, para tentar perceber como foi o seu cotidiano nesses tempos de mudança e de confronto político, e o que pensam hoje, 50 anos passados, sobre essa experiência.
Neste episódio vamos falar com Artur Santos Silva, ficou muito conhecido como banqueiro e como administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, mas que, em 1975, foi secretário de Estado do Tesouro do sexto governo provisório, liderado por Pinheiro de Azevedo. Rui, pontos altos deste conversa.
Bem, vamos começar pelo fato de ele ter passado o dia 25 de abril de 1974 no Porto, em casa de Francisco Sá Carneiro, a acompanhar os acontecimentos, telefonando pra Lisboa e, no fim, comemorando com uma garrafa de champanhe. Mas essa é apenas uma das muitas coisas que ele tem pra nos contar.
Sim, depois também nos conta muita coisa sobre os bastidores do que era um governo provisório nesta altura.
Também, e o que foi também ser banqueiro durante essa época de incerteza na passagem do ano de 1974 pra o ano de 1975.
Vamos então ouvir Artur Santos Silva na primeira pessoa.
Estamos aqui com o doutor Artur Santos Silva, que em 1974 fazia parte da direção do Banco Português do Atlântico. Muito obrigado por vir aqui à Vida em Revolução.
Com todo o gosto.
Nós também. Em 1974, ainda antes do 25 de abril, estava à espera de que acontecesse alguma coisa? Eu sei que tinha na família uma longa tradição de oposição, que o fazia estar completamente distanciado, digamos assim, da ditadura que existia em Portugal. Mas estava à espera que ela fosse derrubada nesse ano, em 74?
Eu francamente, não. E sobretudo depois do insucesso. Eu por acaso vim a Lisboa no dia 16 de março, porque foi o enterro de um grande amigo da nossa família, que era o almirante Jorge Ramos Pereira, que era de Âncora, praia para onde fomos durante uns anos e onde o meu pai desenvolveu uma amizade grande, aprofundou uma amizade que já tinha com ele, que era um militar da Marinha não afeto ao Estado Novo, por algumas vezes tinha sido considerado como possível candidato à oposição a presidente da República. Mas o que é certo, ele tinha conseguido ter tempo de navegação para ser promovido a contra-almirante. E ele foi enterrado no dia 16 e eu e o meu pai viemos ao funeral dele, à altura em que soubemos, logo no princípio da manhã, que tinha falhado o chamado Golpe das Caldas. E depois disso eu calculei que ia haver um reforço das medidas que evitassem uma coisa semelhante. E, portanto, pensei: o regime tem muitos aspectos que está a mostrar que não está para durar. Havia uma grande especulação nos mercados, na bolsa portuguesa, que nos meses que precederam o 25 de abril já tinha havido um arrefecimento, mas de qualquer maneira, uma situação de grande especulação numa bolsa muito irregular. A nossa bolsa era muito irregular, havia imensas transações de rua e manuais, porque os papéis existiam, as ações em papel existiam. E, portanto, por um lado, sentíamos que o regime já não acreditava muito nele por uma série de indicadores. Havia uma situação complicada desde o primeiro choque do petróleo, que foi em setembro, e em que os preços do petróleo aumentam muito rapidamente quatro vezes, o que desequilibrou totalmente a nossa balança de pagamentos correntes, como se chamava na altura. Nós tínhamos uma balança de bens e serviços muito desequilibrada, mas depois tínhamos as remessas de imigrantes que mais ou menos equilibravam, não só equilibravam, como deram importantes excedentes. Mas, portanto, a situação desde setembro era uma situação mais complicada, numa intervenção do professor Marcelo Caetano, que diz: "Espera-nos o tempo das vacas magras."
Exato.
Ou acabaram as vacas gordas.
Sim, uma conversa em família.
Uma conversa em família, daquelas comunicações. E, portanto, nós já estávamos com uma situação de desequilíbrio externo complicada, ia haver um consumo mais rápido das reservas cambiais Portanto, por um lado, a economia estava com esses problemas do desequilíbrio externo. Tinha havido uma abertura de uma série de setores e estavam a ser instaladas empresas que vieram quebrar o monopólio que havia nos cimentos, nas cervejas, na pasta de papel. Havia uma série de empresas que tinham sido autorizadas e que estavam a abrir setores que até aí estavam numa situação de quase monopólio.
Sim, condicionamento industrial.
Mas que com o Rogério Martins como secretário de Estado, tinha havido uma abertura bastante grande a esse processo, e esse processo estava em curso de arranque das empresas e investimentos relacionados com arranques dessas empresas. Mas a circunstância de Marcelo Caetano não ter ficado candidato a presidente da República, eu acho que nos retirou a esperança de que pudesse haver uma evolução de dentro para fora com uma legitimidade diferente, porque o Marcelo Caetano estava condicionado pela circunstância de ter sido investido como presidente do Conselho pelo presidente da República.
O almirante Américo Thomaz.
E há um movimento que conduz a que ele seja o candidato a eleger naquele colégio eleitoral que tinha a Assembleia Nacional, a Câmara Corporativa e penso que uns representantes do poder local. Mas era um colégio que era essencialmente estes dois órgãos e, portanto, uma vez ele aceitando, ia ser eleito com certeza. E ele foi dar satisfações ao presidente da República e o presidente da República: "Não, eu quero um terceiro mandato e, portanto, eu estou interessado nisso. Não é você que vai aceitar." Eu estou a dizer isto, não sei.
Sim, não se sabe como é que foi a conversa, mas terá sido. Portanto, a partir daí, no seu caso, deixou de ter esperança.
A partir daí eu deixei de ter esperança de que houvesse uma evolução de dentro para fora. Realmente, com esse incidente do Golpe das Caldas, calculei que ia haver um reforço de segurança que adiasse durante algum tempo a situação, sentindo-se que havia uma grande incomodidade nas Forças Armadas, sobretudo naquelas que estavam no terreno. O livro do General Spínola, "Portugal e o Futuro", mostrava claramente que o regime já não encaixava o poder militar, o poder político propriamente dito, e portanto, esse foi um sinal pouco antes. Portanto, eu acho que é fevereiro, março de 74. Portanto, com esse incidente, talvez isto demore mais, mas alguma coisa vai acontecer desse tipo, calculava. Mas não estava à espera que acontecesse uma coisa com a expressão que teve o 25 de Abril.
O 25 de Abril foi uma surpresa.
Foi uma surpresa e muita gente dizia: "Isto será um golpe da linha mais à direita do Caúsa, o que é que isto será?" Como é que soube? Eu soube, uma irmã minha, que trabalhava no consulado americano no Porto, teve uma informação: "Estejam atentos à rádio porque há um golpe militar contra o regime". Pronto, e ela avisou-me, eu passei a seguir aqueles comunicados. Embora no Porto tinha havido a recomendação para as pessoas não saírem, mas eu saí na mesma, vim para o banco com o objetivo de, com alguns dos meus colegas, prepararmos a reabertura do banco, porque os bancos tinham sido fechados e quando reabrissem, era natural, perante uma revolução militar ou um golpe militar, que houvesse quebra de confiança e levantamentos maciços. E portanto, eu fui para o banco, contactei também o meu pai, que já sabia, porque a minha irmã lhe tinha contado também.
Como é que encontrou as ruas do Porto?
Muito vazias. Não havia nada do que se passou em Lisboa, porque no Porto foi um golpe arrumado, palaciano. O Carlos Azeredo, que era a figura da linha da frente da equipe no Porto, que tomou conta do quartel-general e que prendeu o anterior, com quem tinha ótimas relações, mas teve que prender o comandante, que vivia lá no próprio quartel-general. Não sei nessa altura o que se passava, mas vivia lá e portanto não havia grande movimento nas ruas e eu fui para o banco. Lá preparamos os levantamentos de numerário para eventualmente acorrer a isso e como distribuir isso no conjunto das agências do banco na zona Norte, que nós tínhamos zona Norte até Figueira da Foz, Castelo Branco e o resto, zona Sul, era Lisboa, Madeira e Açores. E portanto, feito isso, fui almoçar à casa dos meus pais. Eu vivia na Foz, estava casado há pouco tempo e os meus pais viviam nas Antas. Fui almoçar com eles, grandes abraços.
Estava contente, o seu pai estava feliz, não é?
"A única força organizada que temos é o Partido Comunista Português" Dizia ele. Dizia ele. Ele era do Partido Socialista. Eu fui da Ação Socialista, mas não entrei para o Partido Socialista em 73, porque achei um programa muito radical. Isto é, a terceira via esgostava autogestão nas empresas e nacionalização maciça de setores da economia, eu não acreditava nisso e, portanto, não passei. O meu pai passou, disse-me: "Isto é um programa de uma coisa que é clandestina, portanto, não vamos ter preocupações. O dia que isto mude, isto vai ficar um programa normal". Eu estive sempre com estes meus amigos, junto. Porque a Ação Socialista foi a continuação do diretório democrático social, que veio a substituir. E eu estava já na SEDES também. E nessa altura, já o Francisco Sá Carneiro tinha regressado ao Porto, tinha se demitido como deputado e estava também muito envolvido, não só a nível nacional, mas local, na estrutura que a SEDES tinha no Porto e, portanto, contactávamos muito. Então eu estive com meu pai e a preocupação sobre a resposta: "Vai ter que se fazer qualquer coisa muito depressa, porque o Partido Comunista Português é, de facto, a única organização no terreno e são pessoas seguramente com grande ressentimento, porque ou estiveram presas, ou estiveram na clandestinidade, e portanto, uma ligação com o Real muito diferente". E ele conhecia bem a maneira como eles reagiam, porque o meu pai muitas vezes defendeu pessoas dessa linha nos tribunais plenários. E esse tempo fui para casa, depois do almoço, como havia a recomendação para ficarmos em casa, eu fui para casa, em frente à casa do Francisco Sá Carneiro havia uma bomba de gasolina, eu enchi o depósito e vi o carro dele, um Renault 16, à porta de casa, o andar dele era mais ou menos a 100 metros de minha casa. Portanto, eu toquei a campainha, ele estava: "Artur, suba" e passei com ele essa tarde. E qual era a expectativa dele? As expectativas era de que o golpe ia resultar e as coisas em Lisboa, na tarde de 25 de abril, já estavam muito avançadas à tarde. Os momentos críticos já tinham passado. Como é que se informavam sobre aquilo? Era com o Expresso, ou era o Francisco Balsemão ou o Marcelo. Iam telefonando. O Francisco e eles falando. A meio da tarde, fim da tarde, as coisas já estavam arrumadas. Quem mais é que estava em casa? Estava a mulher. Aliás, o Francisco Filho, numa entrevista, diz que não se lembra de ninguém, a não ser eu e um padre irmão do frei Bento, que era o frei Bernardo, que já não está cá, e que ele também teria lá ido. Mas eu passei lá a tarde, até a hora de jantar, e ele depois disse: "Ó Artur, agora venha depois de jantar, traga a Era uma entrevista que o ex-ministro Antunes Varela tinha dado à BBC. À BBC. Não deveria ser no Real, porque as coisas estavam completamente definidas, mas ainda ouvimos aquilo na BBC. Depois, logo nessa tarde, começamos a conversar sobre a construção de um partido social-democrata, que era aquilo em que eu acreditava. Ou seja, na tarde do dia 25 já começaram a falar de um partido. Com quem falar. E eu recomendei muito alguns amigos meus, como o Miguel Veiga, como o Vasco Graça Moura. E de Coimbra, achava que era muito importante quanto antes ter um apoio também de pessoas de Coimbra. Eu era muito amigo do Carlos Mota Pinto e tinha sido assistente na faculdade de Direito e achava que havia efetivamente ali um núcleo de pessoas, nomeadamente o Mota Pinto, Figueiredo Dias e o Barbosa de Melo, que seria muito interessante atrair para o partido E combinamos logo uma ida, foi logo a seguir ao Primeiro de Maio, a Coimbra. E entretanto falei-lhes e disse que havia este propósito. "Encantados, sim, senhor". E o meu dia 25 de Abril cumpriu-se aí e continuou, porque nos dias que se seguiram, tive por várias vezes conversas com o Francisco e antes do Primeiro de Maio, ele faz uma intervenção muito feliz na televisão, numa altura em que estava tudo muito agitado.
Aliás, ele é um dos primeiros líderes políticos a aparecer em público.
A aparecer, exatamente. Com uma escultura de um santo atrás. E portanto, lá fomos a Coimbra. Essas três pessoas entraram, almoçamos juntos e entraram. Aqui no Porto, tivemos já um jantar com pessoas que tinham tido um papel importante na ala liberal, o Joaquim Pinto Machado, sabe quem era?
Sim.
O Joaquim Macedo, que também tinha sido um dos quatro, foram quatro os candidatos da União Nacional do Porto que fizeram essa declaração. Uma pessoa que também tinha sido convidada e tinha aceito, foi a Agostina Bessa-Luís, mas não estava recenseada.
E não pode ser candidata.
Não pode ser candidata porque não estava recenseada.
E nessas primeiras conversas do PSD que dão origem ao PPD, qual era a principal discussão? Programática? Havia logo uma grande convergência.
A ideia era bastante a linha do SPD. O programa de Bad Godesberg era o mais recente programa de um Partido Social-Democrata e achávamos que essa seria uma referência. Começou-se logo a trabalhar nas linhas programáticas, que foram discutidas e aprovadas numa reunião que houve na Coria, onde o Francisco Sá Carneiro não pôde estar, mas eu, o Miguel Veiga e o António Leite Castro fomos representar o Porto e o Norte. Éramos aí umas 15 pessoas. O Francisco não estava, mas estava o Francisco Balsemão, os três de Coimbra estiveram também presentes. Leiria, um Tomás Oliveira Dias e um médico.
José Ferreira Júnior.
José Ferreira Júnior, isso mesmo. E Lisboa estava o Magalhães Mota, estava o Balsemão, estava o Júlio Castro Caldas, e aí ficaram mais ou menos aprovadas as linhas programáticas que o Francisco Sá Carneiro já tinha visto, e é com isso que o partido se apresenta em termos ideológicos ao país. O Francisco convidou-me pra primeira comissão política, que foi escolhida por ele, mas eu disse: "Eu gosto imenso do trabalho que faço e não é compatível ter um papel importante numa estrutura executiva e full-time, praticamente full-time."
Sendo que o trabalho que fazia no banco também estava com um horizonte incerto naquele momento, com a revolução.
Não estava, porque eu tinha uma posição na direção já com bastantes responsabilidades e tinha uma ótima relação com as pessoas que estavam no topo da estrutura do banco. Portanto, não me passava pela cabeça o que iria acontecer, até porque qualquer alteração de fundo não era possível pelo programa do MFA.
Sim, exato. Deixava tudo, aliás, para depois das eleições. Há pouco falou-nos da possibilidade de uma corrida aos bancos, levantamentos, que também não acontece.
Não aconteceu.
Portanto, há uma tranquilidade.
É uma grande tranquilidade, não aconteceu. O facto de não ter havido praticamente resistência. Pelo que nós vimos depois, não houve praticamente resistência. E do grande entusiasmo, sobretudo, a mistura da população com os militares revoltosos em Lisboa, porque no resto do país não se passou nada. O que aconteceu foi o controle de todas as unidades militares por equipes articuladas no golpe do MFA. E eu em relação à minha participação, eu disse: "Olha, sessões de esclarecimento, discussões sobre o que entendam de interesse, tenho toda a disponibilidade. Agora, ter responsabilidades específicas numa comissão política, não." E portanto, a minha vida continuou, em termos profissionais, a ser no banco, e fui vendo com preocupação a evolução que se foi sentindo, porque realmente as forças mais radicais praticamente controlavam os media E em que a própria televisão, portanto, muito marcada. O poder econômico não, mas muitos dos sindicatos tinham também um controle grande das universidades. A escolha dos reitores foi também muito feita depois de reuniões ad hoc e com aqueles processos que todos mais ou menos conhecem. E, portanto, havia um ambiente complicado e, do meu ponto de vista, o chamado Golpe Palma Carlos não foi discutido. Eu não fui chamado a qualquer discussão e tanto quanto sei, não foi discutido aquela proposta que o Palma Carlos tinha, como sabem, tinha quatro eixos fundamentais, todos eles orientados pra acabar em 12 meses ou em menos de 12 meses, até abril de 75, com a legitimidade revolucionária.
Sim, e pra instaurar uma legitimidade.
Porque a assembleia teria poderes normais e poderes constituintes, portanto, poderes para escrever uma Constituição. Entretanto, outro dos elementos desse conjunto de propostas, que era referendar uma Constituição, que depois poderia ser alterada na assembleia que tinha poderes constituintes, e uma Constituição a referendar de caráter presidencialista, eleições pra presidente da República e plebiscito sobre as colônias.
Mas no seu caso, estava de acordo com essa?
No meu caso, quando soube disto, pareceu-me que era muito prematuro. Eu, em relação a termos uma Constituição de teor presidencialista, eu não tinha, sobre isso, grandes convicções. Não era a minha linha, mas não tinha grandes convicções. A preocupação que tinha é de que uma solução destas era muito feita à figura de uma pessoa.
Sim, o general Spínola.
Tanto quanto sei, o general Spínola recebeu da melhor maneira estas propostas, mas depois quando discutiu no Conselho de Estado, praticamente toda gente teve contra.
Mas o Francisco Sá Carneiro favorecia essa proposta.
Sim, tanto quanto sei, ele, não sei se o Vasco Vieira de Almeida também estava, e o Firmino Miguel. E por isso é que a seguir, o Firmino Miguel primeiro recusa liderar um governo quando ele estava de acordo com aquilo que não tinha avançado. Mas o general Spínola insiste com ele pra que ele forme o governo. Ele põe como condição ter o apoio de todos os partidos, nomeadamente PC, MDP, PS, PPD, CDS, apoio que foi assegurado, e a dois ou três dias da tomada de posse, a Intersindical diz que está contra o governo. E ele então vai dizer ao presidente da República: "A minha condição não está preenchida, porque a Intersindical e o Partido Comunista estão perfeitamente ligados e, portanto, não dá."
Isto estamos em julho de 74. Portanto, nessa altura ficou preocupado sobre a orientação dos acontecimentos.
Sim, claro, do que é que poderia acontecer, porque de facto, não se pode ter razão antes do tempo também.
Acha mesmo que foi uma questão de precipitação?
A posteriori. Quer dizer, aquilo tinha tudo um determinado sentido, só que me parecia que não havia ainda a criação de condições para se tornar necessário um passo destes. E de facto, a legitimidade que havia na mudança do regime tinha muito a ver com a maneira super bem planeada e planificada como tudo foi preparado em relação ao 25 de Abril. O general Spínola, tanto quanto ouço dizer, em relação a essas propostas, ele não falou com ninguém. Portanto, ele chega ao Conselho de Estado, apresenta essas propostas do Palma Carlos e não as tinha sequer discutido com as pessoas que estavam mais próximas dele.
Vamos agora fazer uma pausa. Voltamos depois do intervalo. Vamos voltar à conversa com Artur Santos Silva. Nessa altura continuava a falar muito com o Sá Carneiro.
Sim, e ele logo a seguir volta pro Porto.
Ah, pois, exato. Ele sai do governo.
Ele sai do governo e volta.
Como é que ele estava? Ele estava desiludido?
Ele estava muito preocupado, porque sentia que havia No terreno, condições para certas coisas acelerarem. A primeira tentativa é o Firmino Miguel. O Firmino Miguel recusa-se em face do não preenchimento das condições. E então o que é que vem a seguir? O Spínola chama a coordenadora e diz: "A pessoa que eu tinha falhou, tem que ser um militar o primeiro-ministro, por força de todas estas circunstâncias. E, portanto, vocês façam uma proposta, porque a pessoa que eu propus não aceitou". E terá vindo o nome do Melo Antunes e o Spínola recusou. "Esse é muito radical, ou é comunista, ou é não sei o quê. Esse, não. Tragam outro nome."
E vem o Vasco Gonçalves.
E vem o Vasco Gonçalves. E as pessoas com quem eu tenho uma relação mais estreita e que estavam no governo, perceberam logo no princípio que era uma pessoa muito desequilibrada e sem ideias próprias adaptáveis ao país, e portanto, isso era um fator, naturalmente, de preocupação.
Porque até aí, se calhar, tranquilizava o facto de estar, por exemplo, Vasco Vieira de Almeida, que era diretor do BPA, do seu banco.
Não, tinha sido. Ele era presidente do Crédito Predial Português, porque ele saiu em 73 do banco, mas foi uma das peças. O banco tinha dois diretores gerais, um no Porto, Carlos Câmara Pestana, outro em Lisboa, Vasco Vieira de Almeida, mas em 71, salvo erro, 70 ou 71, concentram toda a equipe executiva principal em Lisboa e, portanto, o Câmara Pestana vem do Porto pra Lisboa, o João Meireles também se estabelece em Lisboa, que era vice-presidente do banco, e foi tudo também relacionado logo a seguir com a tentativa de compra do banco pelo Saint Palimot, que acabou por não se fazer. Estava ele na altura no México, porque não podia.
Sim, tinha havido o problema da herança.
Havia um problema familiar e ele estava arguido por um crime a que correspondia pena maior e teria que estar preso a aguardar julgamento e portanto estava no México, isso tanto quanto eu sei. E voltando ao tema, em setembro começa a falar-se da manifestação da maioria silenciosa. Na véspera ou na antevéspera, há aquela cena no Campo Pequeno de ser muito apupado o Vasco Gonçalves.
Na corrida de touros do Vasco Gonçalves, na corrida de touros da Liga dos Combatentes.
Exatamente, qualquer coisa assim. E no dia seguinte começam a se montar as barricadas no 27 de setembro, em Lisboa, em Leiria, em Coimbra, mais tarde no Porto também.
E aí nessa altura ficou...
E nessa altura, claro, eu fiquei preocupado. Se isto não correr bem, vai ser complicado, calculava eu. Eu tinha um amigo muito próximo, que tinha sido meu colega no banco, não sei se conheceram, mas Francisco Veloso, casado com a Lígia Monteiro, que foram julgados e absolvidos depois por autoria moral do Golpe de Beja.
Sim, em 62.
Em 62. Eles eram muito próximos do Varela Gomes e da mulher, Eugénia Varela Gomes. E com esse meu amigo, ele tinha ido com o Vasco Vieira de Almeida. Eram colegas de curso, tal como o outro, Câmara Pestana, eram todos no mesmo curso. Tinha ido com ele pro Crédito Predial, tal como o Rui Vilar e o Suruca Salgado e mais uns elementos do banco. E por ele fui tendo algumas notícias nessa evolução do 28 de setembro, em que o Spínola acaba por decidir renunciar ao cargo e tinha um discurso que dava perfeitamente pra rematar com a declaração do estado de sítio, mas isso não foi aprovado. Salvo erro, a única pessoa que se opôs claramente ao estado de sítio, que se opôs, não, que apoiou, foi a professora Isabel Magalhães Colaço, que para ir pro Conselho de Estado, tinha sido interceptada nessas barricadas.
Nessas barricadas de 28 de setembro.
Pronto, e a partir daí surge a necessidade de tranquilizar as pessoas com um programa de médio prazo econômico e é daí que emerge a ideia de se fazer um programa de médio prazo, com uma componente econômica, com uma componente social e que desse tranquilidade ao setor privado.
E a direção desse plano é do major Melo Antunes.
É o Melo Antunes e tem, portanto, os ministros que participaram são o ministro das Finanças, o Silva Lopes, o ministro da Economia, o Rui Vilar A ministra dos Assuntos Sociais, Maria de Lourdes Pintasilgo, o Melo Antunes e o Vítor Constâncio, que era secretário de Estado do Planeamento.
E o que achou desse programa?
Eu achei excelente o programa. Eu tomei conhecimento do programa na altura em que ele, fim de janeiro, já tinha passado na coordenadora, tinha ido a uma assembleia do MFA. A assembleia do MFA é criada, salvo erro, em dezembro.
De 74.
Não havia esse órgão, não estava previsto, salvo erro, na governance do 25 de abril, das estruturas. O que havia era a junta, de onde saía o presidente da República e o Conselho de Estado. Estes eram os órgãos previstos e no Conselho de Estado havia uma componente militar.
Sim, que era o da coordenadora, basicamente.
E de pessoas da própria confiança também de Spínola e, salvo erro, seis ou sete civis.
Civis, sim.
Que eram o Azeredo Perdigão, o Freitas do Amaral, o Teixeira Ribeiro, o professor de Coimbra, que era na altura reitor e de quem eu fui assistente, o Rui Luís Gomes, que era reitor na altura do Porto, a Isabel Magalhães Colaço. Não me estou a lembrar de mais ninguém, mas eram pessoas de grande prestígio, muitas delas de grande prestígio. E entre o 28 de setembro e o fim do ano, há um elemento perturbador grande, que é uma série de mandatos de captura em branco.
Sim, em dezembro.
Em dezembro, não sei se é dois ou 12 ou 11.
Sim, são mais.
É por aí. Nos primeiros dias de dezembro, ou nos primeiros 10, 12 de dezembro.
Empresários, administradores.
Uma série de empresários são presos, os irmãos Jorge Brito, os irmãos Tato Ralta e Silva, mas são várias pessoas.
Isso aí deu algum sinal de que as coisas estavam...
Estavam complicadas. Passou a haver um jornal do MFA, que era dirigido pelo Varela Gomes, e que chegou a chamar ao ventre mole da revolução, ao Rui Vilar, ao Silva Lopes e ao Constâncio, que tinham estado ligados à preparação do programa, eram das pessoas mais bem preparadas.
Portanto, mas nessa altura?
Nessa altura. Dezembro, pra mim, isso já é um sinal preocupante. Depois fico tranquilizado mais.
Logo em seguida, em janeiro.
Fim de janeiro, com a passagem do programa na própria assembleia do MFA.
O programa do Melo Antunes.
O programa chamado Melo Antunes. E a seguir no governo, onde, salvo erro, só há dois votos contra do governo, e o programa é aprovado e é divulgado, é imprimido pela imprensa nacional. Programa democrático e social, ato coletivo do terceiro, salvo erro, terceiro governo provisório.
Sim, terceiro governo provisório.
Infelizmente, duas semanas depois, foi tudo e mais alguma coisa nacionalizado no 11 de março.
Isso aí também não estava à espera.
Não estava.
Também não estava à espera, não tinha informações.
Nada, não tinha nada, não estava nada à espera.
E como é que recebeu aquilo? Foi um choque?
Com grande preocupação, porque primeiro foi violar um compromisso que havia do MFA não tomar qualquer decisão de fundo sobre a estrutura econômica e social do país.
Antes das eleições.
Antes das eleições. Com as nacionalizações, com o Conselho da Revolução, com uma versão inicial do Conselho da Revolução que não tinha nenhum dos elementos moderados mais prestigiados, como o Melo Antunes, o Vítor Alves, o Vítor Crespo, nada desse grupo estava no Conselho da Revolução. Salvo erro, estavam no Conselho de Estado, alguns deles, mas não estavam no Conselho da Revolução. E que depois vem cá de Moçambique o Vítor Crespo e impõe uma alteração.
Nessa altura, qual é a sua situação no banco, a partir da nacionalização?
A minha situação a partir daí: eu não fui eleito administrador, porque era a 27 de março, eu era diretor e mantive-me como diretor do banco nesse quadro. Vêm as comissões administrativas, vem uma comissão administrativa com dois elementos no Porto e dois elementos em Lisboa, um dos quais já era, não sei se o nome era de administrador, mas era um representante do Banco de Portugal junto do Conselho de Administração.
Certo.
Todos os bancos, não sei se foi a partir do 28 de setembro ou se foi antes.
Já tinham esse...
Já tinham esse, que no nosso caso era um Vasco Conselheira e Pedroso, que era filho de um alto funcionário, que tinha sido alto funcionário do Ministério das Finanças e cujo irmão veio a ser presidente do Banco Sotto Mayor, já nacionalizado, e depois veio a ser administrador fundador do BCP, o Eduardo, um irmão dele. Mas no nosso caso era esse Vasco.
E deram-se bem com essa administração?
Com o Vasco Conselheira e Pedroso. O banco, aliás, não teve nenhum administrador preso Nenhum administrador.
O que acha que explica isso?
Não, porque de facto, o banco era muito pela linha ortodoxa de ter as coisas todas direitas. O líder executivo do banco, o Carlos Câmara Pestana, era presidente da direção do Grémio e portanto vinha a aconselhar o governo sobre legislação que tinha a ver com o setor bancário, com a recuperação de confiança, que medidas tomar. Até à nacionalização do banco, ele foi muito consultado, nomeadamente pelo Silva Lopes e pelo secretário de Estado do Tesouro e não imaginava que isto fosse possível. Dois ou três dias depois, conversando com o Sá Carneiro, quando fui visitar, ele estava com dificuldades de recuperar de uma cirurgia que tinha feito, penso que intestinos, ou ele tinha tido uma dificuldade em cicatrizar e eu fui visitá-lo e ele diz: "Artur, não fica. Eu vou embora pra Inglaterra. E o Artur quando quiser sair, não vai conseguir sair." E eu disse: "Não, mas então vamos ter eleições. Isto é fundamental pra clarificar o que é o país." "Mas olha, eu vou com a minha mulher, com a Isabel, os meus filhos, o Ricardo, meu irmão, também vai com a mulher e as duas filhas, e eu aconselhava a não ficar cá."
Não teve o dilema de sair?
Não, não tive, sinceramente, nessa altura, de forma alguma.
O que lhe dava confiança pra ficar?
Era eu sentir que o país era um país que não tinha nada a ver com um quadro radical. Até porque o Partido Socialista, o Francisco Sá Carneiro contou uma história engraçada da preparação do programa de governo, em que apresentam isso a alguns dos elementos que vão participar no governo com funções relevantes, Mário Soares, Sá Carneiro, não sei se Francisco Salgado Zenha, e apresentam a ideia de nacionalizar os bancos emissores. E o Mário Soares diz: "Mas por que é preciso assustar as pessoas, nacionalizar os bancos emissores?" Os bancos emissores, que era o Banco de Portugal, o Banco de Angola e o Banco Nacional Ultramarino, que era todas as outras colônias e o Banco de Angola era só o banco emissor em Angola, mas ambos tinham redes bancárias cá no continente. E então, o Mário Soares levanta isso e diz: "Não, em toda a parte na Europa os bancos centrais são do Estado e de facto, as ações estão cotadas e há investimento privados em ações." "Então se é indiferente e se o Estado já manda, por que é que vão assustar as pessoas?" Quer dizer, isto é significativo de que era uma pessoa que não queria que muitas coisas fossem abaladas. Voltando, portanto, a esse período. Esse período é um período difícil, mas felizmente, no banco, os elementos da comissão administrativa não tocaram na estrutura de decisão do banco e sobretudo nas regras, nos procedimentos de decisão de riscos de crédito, que na altura era uma área fundamental. E eu e outros colegas meus mantivemos os nossos poderes e as coisas correram bem.
E qual era a sua percepção depois do 11 de março, por exemplo, do tecido econômico, dos empresários, qual era o estado de espírito deles? No Norte, por exemplo.
No Norte havia menos pânico do que no Sul, mas mesmo assim houve pessoas que foram da maneira mais injustificada e arbitrária presos, como foi o caso do Rui Moreira e a maneira como ele foi tratado. Rui Moreira, pai do atual presidente da Câmara do Porto, ao que nos dizem até com simulações de fuzilamento e que isso está no relatório das sevícias mandado elaborar pelo Ramalho Eanes já presidente da República em 1976 e que é, salvo erro, apresentado um ano depois. Que é o Sousa Tavares, o Francisco Sousa Tavares e o Almeida Ribeiro.
Almeida Ribeiro, exatamente.
E portanto, são eles que redigem e em que o caso do Otelo é paradigmático, que vem quase logo a seguir. Mas portanto, vêm as eleições, vem o resultado das eleições e em relação à sua pergunta, as pessoas ficaram bastante satisfeitas com a leitura que foi feita nas eleições no país e que pelo método onde o PPD e o PS juntos tinham uma votação muito expressiva. O que é que foi pra mim altamente perturbador foi o pacto MFA Partidos para haver eleições. Portanto, foi feita uma pressão inaceitável e que também nada legitimava em relação ao espírito do 25 de Abril Que foi vir a consagrar na Constituição a redigir o princípio da irreversibilidade das nacionalizações e expropriações de terras, bem como a consagração do Conselho da Revolução como um órgão que deveria acompanhar o respeito pelos princípios consagrados na Constituição. Seria, no fundo, um tribunal constitucional apoiado por uma comissão de peritos, a Comissão Constitucional. Isso a mim abalou-me bastante e as próprias conversas, o PPD entendeu não subscrever o pacto e o doutor Salgado Zenha foi de propósito ao Porto falar com o meu pai, que na altura era da comissão política do PPD. O meu pai passou a estar no PPD, penso que em junho ou julho de 74.
Saiu do PS.
Saiu do PS.
Logo no início da Revolução.
Foi ele aqui em Lisboa, foi o doutor Rodrigo dos Santos, o doutor Artur Cunha Leal, o meu pai no Porto, o Lívio França, que também era do Partido Socialista no Porto, o Artur Andrade, que tinha sido secretário-geral da campanha de Humberto Delgado, o Emídio Guerreiro, que tinha vindo de Paris e o Zé Augusto de Seabra. Portanto, todos eles aderem ao PPD. Nesta altura, o Zenha vai ao Porto falar com o meu pai e diz: "Olhe que não há eleições. Se vocês não subscreverem isto, o meu convencimento é que não há eleições e nós não concordamos com nada disto, mas não há eleições". Aliás, o meu pai tinha ido pelo menos a uma reunião que num livro de homenagem ao meu pai no ano em que ele faria 100 anos, estão lá testemunhos de pessoas que foram nessa comissão do PPD e que o meu pai insistia em tratar o Rosa Coutinho por senhor comandante e ele foi lhe dizendo: "Eu sou almirante, não sou comandante". O meu pai continuava a chamar comandante, meu pai era bastante irreverente. E o PPD acabou por decidir assinar.
Por causa das eleições.
Acho que o único partido que veio a ter eleitos nas eleições da Constituinte, que foi o PPM, foi o único que não subscreveu o pacto MFA. O CDS também subscreveu. E isso para mim foi uma pedrada grande nas minhas convicções sobre como é que estava o poder político-militar. E depois, a seguir às eleições, há realmente uma grande escalada.
Sim, de confrontos.
E sobretudo em Lisboa, porque quando me pergunta: "Mas então e o meio, os empresários?" Tirando o setor bancário e segurador e as cervejas, não havia nenhuma nacionalização nas empresas industriais e comerciais mais relevantes. Não havia ainda distribuição moderna, havia sobretudo indústrias e não tinha havido nada a não ser uma fábrica de pasta de papel em Viana, que era a Celnorte. Também tinha havido uma fábrica em Aveiro, Companhia Portuguesa de Celulose, salvo erro, que também foi nacionalizada. Mas não havia isso. O que tinha havido foi prisões, como é o caso que estava a contar e depois derrapei, mas que foram a do Rui Moreira e a maneira como foi tratado, e do António Gonçalves.
Pai do Rui Moreira, presidente da Câmara do Porto.
E o António Gonçalves, que era o símbolo do empresário têxtil mais audaz, mais bem-sucedido, da Têxtil Manuel Gonçalves. Claro que foi. E sem qualquer justificação, nenhuma justificação fundamentada minimamente. Nada.
Tinha relações de amizade com algumas dessas pessoas?
Tinha com o Manuel Gonçalves, tinha um grande respeito por ele, era uma pessoa de uma geração mais velha que o meu pai, mas próxima da do meu pai, era uma pessoa respeitadíssima e que merecia grande admiração dos seus pares, porque era de facto uma indústria muito inovadora e era a grande indústria têxtil do nosso país. E o Rui Moreira, que liderava a Molaflex e que não havia razão nenhuma. Era, aliás, uma pessoa de espírito liberal. O irmão, o Mário, que era engenheiro, tinha sido diretor na Cirurgia, mas depois foi também para a Molaflex, para o grupo, que tinham várias empresas para chegarem àquele produto final dos colchões de molas e indústria automóvel.
E já estava com os banqueiros de Lisboa, por exemplo, da família Espírito Santo, ou até com o Jorge de Melo, por exemplo, com a família Espírito Santo, do Banco Espírito Santo?
Não.
Não os conhecia?
Não, conhecia os que estavam no Norte, que era o António Espírito Santo, que esteve no Norte ainda quando eu comecei mais ou menos a minha vida profissional na banca, e depois dei-me muito bem com dois dos diretores que quando ele veio para Lisboa, que no fundo o substituíram, não como administradores, mas como diretores, que foi o irmão do Zé Roquette, o Jorge Roquette, que é um grande amigo meu, que eu depois fui convidar muito mais tarde para vir para o BPI, estava ele no Brasil. Esse foi preso a seguir ao 11 de março, esteve um mês preso, mas o irmão esteve seis meses preso, o Zé. Ele era diretor no Porto e o João Vanzeler, que nessa altura já estava em África a tratar com o António da criação de um banco com o Citibank.
Chegamos ao fim da primeira parte desta entrevista a Artur Santos Silva. No próximo episódio, vamos ouvi-lo contar a sua experiência como membro do sexto governo provisório, liderado pelo almirante Pinheiro de Azevedo. Foi secretário de Estado do Tesouro, no Ministério das Finanças, liderado por Salgado Zenha. Até para a semana.