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A questão é difícil.

Eu acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar.

É uma boa pergunta, essa.

E começa agora uma nova edição do Ainda Bem que Faz Essa Pergunta, da Rádio Observador. Hoje falamos de um passe para as tréguas, galinhas mifradas, ou podia ser esfrangalhada.

Pois, ou estranguladas, como alguém podia dizer.

Onde param os funcionários públicos, mas agora que toda a gente fala disso, há uma questão que me inquieta o espírito. Estou aqui que já não me aguento. Afinal, quem é o pai do passe?

Quem é? Quem será o pai?

Quem será o pai do passe, o pai da passa. Pronto.

Não sei.

Isso agora vamos estar aqui.

Esta foi uma das medidas do passe ferroviário no valor de € 20 anunciadas por Luís Montenegro na Festa do Pontal, mas o Livre tratou logo de reclamar para si a paternidade da ideia, lembrando que está em vigor um passe ferroviário com o custo de € 49 e válido para comboios regionais, que aliás foi incluído no Orçamento de Estado para 2023, por proposta do partido de Rui Tavares. Um ano depois, o Livre até quis alargar a validade do passe aos comboios urbanos e suburbanos, mas a medida, apesar de aprovada, não entrou em vigor. Agora, o governo aproveitou a ideia base, reduziu o preço de €49 para €20, alargou a medida, deixando de fora apenas o alfa, e enquanto se discute a paternidade, talvez não seja má ideia reforçar o investimento em material circulante.

Material circulante é muito interessante.

São comboios.

Carruagens.

Carruagens. Material circulante. Mas convém investir para que depois as pessoas que compram o passe possam andar de comboio. Fica a ideia. Quanto à paternidade, eu vou decidir, vou ser salomónico. Pronto, temos dois pais. Um é o biológico e outro é o adotivo. Adotivo no sentido de quem adota a medida. Paulo, e noutra questão, o que é que afinal se passa com os funcionários públicos?

O Luís também não tem dormido.

Não tenho.

Está com umas olheiras que não se aguentam.

Em relação aos funcionários públicos, passam-se várias coisas, certamente.

Não é só uma, são várias. Lá estás tu nas passas. Passam as passas?

As passas do Algarve. Quem passa as passas do Algarve somos nós, às vezes. Sobre isso também. Uma das coisas que se passa com os funcionários públicos, e que sabemos das estatísticas, é que nunca tivemos tantos agora como nos últimos 10 anos. Os dados oficiais da Direção-Geral da Administração e do Emprego Público dizem que no final de junho havia no país quase 750 mil funcionários, isto é, mais 13% do que há 10 anos. E, por outro lado, temos a perceção, que é outra coisa que se passa também, de que a qualidade dos serviços públicos é hoje pior ou até muito pior. Faltam profissionais na saúde, na educação, na Agência para as Migrações, como sabemos, nas Lojas do Cidadão, no ambiente, por exemplo, para processar os apoios à melhoria ambiental das casas. Enfim, qualquer problema que se fale, faltam sempre pessoas, todos os serviços dizem que faltam pessoas. Por isso, só podemos estar aqui perante problemas de gestão. Há mais funcionários, mas provavelmente não estão nas funções em que são mais necessários. E já agora, era importante também saber o que se passa.

Lá está. E Bruno, anda tudo a cobrar taxa turística? Pois, Luís, os bons exemplos são para seguir, não é verdade? E quando se fala em aplicar taxas, se o vizinho do lado está a encher os bolsos, então o melhor é não perder tempo. Em 2023, eram apenas 15 os municípios em Portugal a cobrar taxa turística, uma taxa que variava entre €1 e €2 por noite. Agora já são 38 e a Câmara de Lisboa até decidiu duplicar o valor da taxa, que passa de €2 para €4. E assim à invasão turística, segue-se uma febre taxística, que é contestada pelo setor hoteleiro, que acha que a taxa se está a banalizar e critica as autarquias por falta de transparência na forma como as receitas desta taxa depois são aplicadas. As autarquias encontraram aqui uma forma de fazer dinheiro fácil, no momento em que o número de turistas em Portugal bate recordes, e mesmo aquelas que não sofrem muito com a pressão turística, que seria um argumento para a aplicação desta taxa, aproveitam, por assim dizer, a boleia fiscal para sacar mais uns cobres aos turistas. O turismo tem sido a galinha dos ovos de ouro da economia portuguesa, mas convinha não estrangular a galinha, porque depois nem galinha, nem ovo.

A imagem de estrangular a galinha mata-me. Não estrangules a galinha.

Vais ver os e-mails que vais receber, depois eu explico-te.

Paulo, será que é desta que vai haver um cessar-fogo no Médio Oriente?

Olhem, vamos ver. As informações desde o final do dia de ontem eram positivas. O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, aceitou os termos de um cessar-fogo, tal como apresentado pelo mediador em maio, que prevê a libertação dos reféns que estão na posse ou aprisionados pelo Hamas. É um avanço importante que obviamente aguarda agora também a posição do grupo terrorista palestiniano. Esta parece ser uma espécie de última oportunidade de um entendimento antes de uma eventual possível arriscada escalada de conflito, isto com a retaliação que o Irão prometeu após o assassinato do líder do Hamas em Teerão no dia 31 de julho. Portanto, vamos ver se a boa notícia se desenvolve, se confirma, isto numa região onde a tragédia é diária há mais de 10 meses.

Paulo Ferreira e Bruno Vieira Amaral com as perguntas que marcam a atualidade. Amanhã há mais, é sempre depois das notícias das 19h00.

A questão é difícil.

Eu acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar.

É uma boa pergunta, essa.