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24?

A questão é difícil.

Eu acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar. É uma boa pergunta essa.

Paulo Ferreira e Bruno Vieira Amaral. Esta manhã falamos de vade retro Satanás, questões culturais, medicina global, mas temos de começar no meio das chamas. Temos que começar, até porque parece que estamos de novo entregues ao nosso fado dos fogos florestais, Paulo.

É verdade. Esta é uma tragédia cíclica. Vai ardendo este ano o que não ardeu em incêndios anteriores mais recentes. Aquela zona de Aveiro, de Albergaria-a-Velha e de Esgueira de Vouga, que agora nos aparece nas notícias, é das mais fustigadas do país, porque é também aquela onde se concentra uma grande mancha florestal. Os fogos são fenômenos normais, dizem os especialistas, mas obviamente não com esta intensidade e com esta violência, sobretudo quando colocam populações em risco e levam algum património das famílias, muitas vezes a começar pela própria casa de habitação. Agora vamos todos fazer os discursos habituais. Aliás, já estamos a ouvir esses discursos habituais, fazer as análises do costume, prometer mudanças e reformas, apoios que vão chegar tarde ou nunca, e seguimos depois a nossa vidinha até aos próximos grandes incêndios.

Bruno, e vamos ter alunos estrangeiros nas faculdades públicas de medicina?

Vamos, Maria João. E para os menos atentos.

Speaking in English?

É verdade. E trazer moeda estrangeira. Para os menos atentos, fica a informação. Até agora, os cursos de medicina em faculdades públicas eram os únicos vedados a alunos estrangeiros. Estamos sempre a aprender. Eu aprendi isto também. Agora, o ministro da Educação, Fernando Alexandre, anunciou a abertura de vagas nestes cursos para alunos estrangeiros. A proposta do ministério é de que passe a existir um contingente de vagas entre os 5% e os 15% e que não implicará uma redução do número de vagas para alunos nacionais. O ministro defendeu a medida com o anacronismo da proibição e com as vantagens de ter alunos que trazem outros conhecimentos e de, desta forma também, atrair docentes estrangeiros para lecionarem nas faculdades portuguesas. Faculdades e estudantes reagiram bem ao anúncio do ministro e parece que temos aqui um ovo de Colombo, depois de pensado, parece óbvio.

Paulo, continuamos com uma apreciação sobre o combate à corrupção?

Continuamos e, em princípio, vamos continuar. Porque a apreciação sobre o fenómeno não é boa e o facto de nunca conseguirmos medir bem um fenómeno que é ilegal, que é criminal e que por natureza é praticado de forma secreta, ou discreta pelo menos, obviamente não ajuda a resolver este dilema. Quase 52% dos portugueses diz que o combate à corrupção é nada eficaz. Isto de acordo com o Barómetro da Corrupção, que foi apresentado ontem pela Fundação Francisco Manuel dos Santos. E só 13% das pessoas é que acreditam que esse trabalho, o combate à corrupção, é totalmente eficaz. Mas há aqui uma perversidade, porque quanto mais se combate, e os casos se tornam necessariamente públicos, mais se tem noção de que existe corrupção, porque está nas notícias todos os dias, de alguma maneira. E se mantém a dúvida sobre o que está para lá da ponta do iceberg. Mas temos aqui uma cultura que prevalece, que é favorável ao fenómeno, como sabemos, e a cultura e as práticas enraizadas são as mais difíceis de mudar.

E vamos ter mais carruagens no metro de Lisboa.

Finalmente, Carla. E agora é esperar que as carruagens circulem e de preferência em intervalos de menos de 10 minutos.

Isso é que era.

Seria muito agradável para os passageiros, já que falamos de mobilidade. Ora, no próximo ano, de acordo com a informação disponibilizada pelo Metropolitano de Lisboa, entram em circulação 42 novas carruagens, mais modernas e com melhores acessibilidades para pessoas com mobilidade reduzida, que é também um problema. Mais modernas significa aqui com ar-condicionado, janelas mais amplas, painéis de informação digitais. O investimento é também significativo: 114 milhões e meio de euros, mas com a expansão da rede, o governo planeia um reforço do investimento em mais carruagens já no próximo ano. O ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, que fez o anúncio, diz que existem queixas dos passageiros, mas pede compreensão aos utentes do metro, porque devagarinho a coisa compõe-se e qualquer dia o metro de Lisboa é capaz de chegar ao nível do melhor que se faz lá fora.

Ui!

Compreensão e paciência, lisboetas utentes do metro.

A questão é difícil.

Eu acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar. É uma boa pergunta essa.