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A questão é difícil.
Eu acho que a sua questão é muito importante.
Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.
Ficará eventualmente a pergunta no ar.
É uma boa pergunta.
E hoje no Ainda Bem Que Faz Cha, essa pergunta da Rádio Observador, falamos de esquecimentos de regime antes de ser. Já não era, mas começamos a meter marcha atrás.
Até porque já sabemos qual vai ser a primeira reversão do novo governo?
Acho que sim. Está anunciada e vai ser, de facto, o próprio símbolo do governo. Aquela imagem gráfica que é utilizada nos documentos e publicações oficiais por tudo que é ministro ou organismo público. O governo de António Costa tinha feito essa alteração em novembro, já demissionário, mudou o logo oficial das entidades oficiais. Desculpem tanto oficialismo aqui, mas é mesmo assim. É um trabalho de um designer que eliminou o escudo e a esfera armilar para uma versão muito mais minimalista, que utiliza ali o verde e o vermelho das cores da bandeira, e essa versão foi logo criticada. Luís Montenegro disse de pronto, nessa altura, que se ele viesse a ser governo ia fazer regressar o escudo com as quinas, a esfera armilar e por aí fora. Bom, lá vão mais umas dezenas de milhares de euros agora deitados para o lixo.
Exatamente.
É a vida. Lá vai a letra portuguesa. Aliás, para este exercício foi criado um tipo de letra, aquela que se utiliza nos computadores, que se chama mesmo portuguesa. Dino Santos foi o autor deste primeiro tipo de letra criado para o Estado. E ontem, curiosamente, a conta oficial do governo no Twitter, agora é o X. Essa conta, o governo que está de saída, colocou ainda em funções, obviamente, e colocou precisamente ali um vídeo com o autor a explicar o processo. Esta coisa não foi seguramente também inocente. Portanto, tivemos aqui uma polêmica até hoje.
Até mesmo a último minuto. Mas, Paulo, mesmo antes da tomada de posse, já se pede a saída de um membro do governo.
É verdade, estamos aqui mesmo em tempo em que tudo se antecipa. Vamos queimando etapas. Logo após as eleições, sem conhecer ainda, obviamente, a composição do governo ou o programa do governo, o PCP anunciou que ia apresentar uma moção de rejeição a esse programa do governo e ontem foi a vez do Chega, imaginem, pedir a substituição de uma ministra. Trata-se de Margarida Blasco, indicada por Luís Montenegro para Ministra da Administração Interna. Aliás, a tomada de posse vai ser hoje.
Ela ainda nem tomou posse.
Não, não tomou posse, mas já nem devia tomar posse se quiserem. André Ventura pediu de facto ontem ao Primeiro-Ministro indigitado que reconsidere a nomeação de Margarida Blasco, porque, alega o dirigente do Chega, enquanto inspetora-geral, ela provocou mal-estar entre os polícias com acusações de racismo. Ventura diz que a nomeação provocou um, e citamos também, "descontentamento das forças policiais". Portanto, o que o Chega quer é que Margarida Blasco deixe de ser ministra antes mesmo de o ser.
Olha, e mudando de assunto, falando do tempo. Agora que choveu, já vamos esquecer o problema da seca?
É isso que costuma acontecer há décadas, porque só nos lembramos de Santa Bárbara quando começa a trovoada. O Algarve tem um problema estrutural de falta d'água, de seca, que se está a agravar de ano para ano com as alterações climáticas ou com o efeito delas, como sabemos. Isso foi evidente há uns meses, em pleno inverno, e levou, de facto, ao racionamento da água na agricultura, no turismo e no consumo do dia a dia. Agora, choveu bastante nos últimos dias e as reservas das albufeiras em todo o país subiram, no Algarve também, subiram de 36 para 43%. Portanto, agora que a água já não falta temporariamente, podemos esquecer de novo o assunto. As obras que estão previstas há décadas podem e vão continuar seguramente esquecidas nas gavetas, até à próxima seca e à próxima evidência de que este é um problema estrutural.
A questão é difícil.
Eu acho que a sua questão é muito importante.
Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.
Ficará eventualmente a pergunta no ar.
É uma boa pergunta.