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A questão é difícil.
Eu acho que a sua questão é muito importante.
Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.
Ficará eventualmente a pergunta no ar.
É uma boa pergunta essa.
E hoje falamos de políticas e política, mau ambiente. Mau ambiente. Se soubessem como é aqui neste estúdio. Facas afiadas.
Polhais.
Mas começamos com o arranque de mais uma campanha. Podemos arrancar, Bruno?
Vamos lá.
Vamos então. José Luís Carneiro já está na estrada.
Já está na estrada e não é com um táxi voador. Quase. A voar está ele, porque parece ser o único candidato de toda a gente. Pode ser o único candidato à liderança do PS. Para já, tudo indica que será, mas isso não o dispensa de fazer campanha, de apresentar as ideias, seduzir os militantes socialistas. E começou bem ontem, com o almoço com fundadores do PS, entre eles Manuel Alegre e Arons de Carvalho, que podem já não ter muito peso no partido real, mas que são importantes para sinalizar uma futura liderança com memória do partido. Quanto à estratégia política para os próximos tempos, José Luís Carneiro assegurou que a CPI à Espinho Viva é mesmo para cair e que espera entendimentos com o Governo em questões de regime. E referia-se, naturalmente, à revisão constitucional, lembrando que os compromissos constitucionais e democráticos têm mais de 50 anos e foram construídos entre PS e PSD. Se José Luís Carneiro vier a ser eleito, para trás fica um partido que em 2015 quebrou precisamente compromissos tácitos de regime que garantiam o equilíbrio do regime e cujo último líder chegou a dizer que nunca mais o PS precisaria da direita para governar.
Paulo, mas e que culpa tem José Luís Carneiro de ser, para já, o único candidato à liderança do PS?
Não tem nenhuma culpa, como é evidente.
Se cheguem à frente os outros.
Exato. Quer dizer, até se pode criticar José Luís Carneiro por ter anunciado logo, em poucas horas ou dias, a sua candidatura.
Mas era uma coisa que se falava muito.
E já se sabia há um ano e meio, ele já tinha concorrido. Portanto, não chegou agora também a este assunto. Mas obviamente não é ele o responsável se mais ninguém for a jogo. Isto a propósito das críticas que se vão ouvindo, e ontem Mariana Vieira da Silva também entrou nesse coro. Esta dirigente do PS diz que, e citamos: "É verdade que não é bom, não é positivo ir para eleições autárquicas sem líder, mas para mim é muito mais negativo ir com um líder que vai ser eleito na ausência de debate." Bom, se isso é tão negativo, por que Mariana Vieira da Silva própria não avança para estimar o debate? O nome dela estava na lista e ela tem toda a liberdade para se candidatar.
E depois de ter deixado em aberto essa possibilidade.
Essa possibilidade, mas depois decidiu recuar. Ela e Fernando Medina, por exemplo. Mas neste caso é ela que está a fazer esta crítica. Por que de entre todos aqueles que até ao dia das eleições estavam com Pedro Nuno Santos, agora ninguém estava com vontade de avançar? É que isso de ficar de bancada a criticar os que avançam é muito fácil. É mais fácil do que entrar na corrida e correr riscos quando se entra na corrida, isso é bom de ver. E afiar as facas cá fora também é ainda mais fácil.
E no PAN há mosquitos por cordas?
Ora aí está uma expressão, Maria João, belíssima, cuja origem percebe-se que há problemas. Quando se diz há mosquitos por cordas, há problemas. Mas ainda não averiguei a origem. Talvez o Marco Neves do podcast possa explicar. Mas uma pessoa pressente que a expressão se adequa ao estado atual do PAN. Apesar de Inês de Sousa Real ter conseguido o objetivo principal e fundamental, que era o de assegurar a representação parlamentar do partido, o pós-eleições tem mostrado um PAN, que é um partido também ambientalista, mas com muito mau ambiente. Pedro Fidalgo Marques, uma das figuras que se destacou no último ano, foi candidato do partido às europeias, abandonou a comissão política permanente, acusando o órgão de não ser um espaço de escuta e cooperação. Outros membros da comissão política saíram também deste órgão por desacordo com a visão demasiado autocentrada e autocrática da direção. Nos últimos anos, praticamente desde a saída de André Silva da liderança, o PAN tem sido isto, um saco de gatos, passe a piadinha animal, e quando se pensava que o partido tinha tudo para crescer, o que se viu foi a entrada numa curva descendente que ainda não terminou e que quase de certeza, a avaliar pelos estragos, não há de acabar bem.
E agora, Paulo, só tu é que nos podes responder a isto.
Então.
É possível discutir políticas sem entrar na espuma da política?
É bem possível, Carla, mas muita gente pode responder a isto. É muito possível. Mesmo em tempos onde a política vai dando pano para mangas. Desculpem vir aqui falar de nós do Observador, mas foi isso que aconteceu ontem na Cimeira das Cidades.
A grande Cimeira das Cidades.
A grande Cimeira das Cidades. Ao longo do dia inteiro.
Longo e muito interessante.
Foi, sim, senhor. E a Carla esteve lá o dia todo.
Posso confirmar.
Exatamente. Ao longo do dia discutiram-se políticas para as cidades e para os nossos territórios, habitação, mobilidade, ambiente, tecnologia. Foram vários especialistas que lá estiveram, mas também autarcas de vários partidos, de várias geografias, com diferentes níveis de responsabilidade autárquica, e não se perdeu um segundo a falar das eleições que já aconteceram, as legislativas, nem das próprias autárquicas, que estão apenas a quatro meses de distância. Falou-se de problemas e de soluções. Não foi difícil deixar a espuma à porta e todos ficamos a ganhar, penso eu, quando é assim.
A questão é difícil.
Eu acho que a sua questão é muito importante.
Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.
Ficará eventualmente a pergunta no ar.
É uma boa pergunta essa.
Martim Sousa Tavares está de regresso à Rádio Observador.
Sim.
Estão a ver? Um maestro que sabe citar 50 Cent assim em passando. Não é isto o mundo em que queremos viver.
O jovem maestro volta a mostrar como a música clássica se cruza com as vidas de todos nós.
Não são música eletrónica. Se gostas de eletrónica, vais sair à noite para dançar, podes ir dançar um chá-chá-chá, mas provavelmente vais para uma discoteca onde está um DJ fazer o seu DJ set e vais dançar um house ou vais dançar um dubstep. E por que não tentar fazer isso com orquestra?
Encontro com a beleza.
Traz cinema, música, musicais.
É verdade, traz tudo.
Traz tudo. Aos domingos, às 10:10, com repetição à segunda-feira às 16:45.
Portanto, imagina se quiseres escrever a sinfonia Poker Face, em que fazes citações de Lady Gaga.
E sempre em podcast. Rádio Observador. Aconteça o que acontecer.
Este é o programa que eu queria fazer sobre música clássica.
Muito bom dia. 7:15