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Eu ouvi a pergunta, mas ela não é pergunta.
Eu percebo as vossas perguntas, mas vamos com calma, não quero que ninguém se magoe.
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui aos olhos. Eu às vezes tenho mais para fazer do que gostar de responder diariamente.
Calma aí.
Bruno, o José Luís Carneiro defende os seus?
Tem de ser, Luís. Tem de ser porque, por um lado, a saída do secretário-geral-adjunto do Ministério da Administração Interna, António Pombeiro, abriu mais uma frente de crise no governo. Uma ótima oportunidade para Carneiro aproveitar. Por outro, a saída veio com críticas muito graves ao antigo presidente do SIRESP, o general Paulo Viegas Nunes, que agora foi renomeado e que exerceu o cargo pela primeira vez quando o secretário-geral do PS era ministro. José Luís Carneiro saiu em defesa do general Viegas Nunes. Fê-lo com bastante convicção, chamou-lhe servidor do Estado e disse que é das pessoas que mais sabem de comunicações em Portugal. É quase uma condecoração, cuja opinião também foi reforçada pelo atual ministro da Administração Interna. A tática aqui parece simples: em caso de dúvida, convém defender aqueles que estão mais perto de nós.
Ena, Bruno, parece que estou no Dubai. É o Dubai. O preço dos imóveis em Portugal é um autêntico arranha-céus. É o Burj Khalifa.
É o nosso Burj Khalifa. Porque os prédios em si não são muito altos. O preço continua a subir cada vez mais e desta vez foram os imóveis comerciais a disparar mais de 10% no ano, a maior subida desde que há registos. Isto significa escritórios, lojas, armazéns. E mesmo assim continua a haver procura, ou talvez por haver procura é que os preços continuam a aumentar. Procura de investidores, de empresas, de fundos estrangeiros. Claro que há diferenças entre habitação e imobiliário comercial, mas diga-se de passagem que o aumento nos imóveis residenciais tem sido ainda maior. Mas quando até os armazéns começam a aparecer aqui ativos de luxo, percebe-se que o mercado inteiro está um bocadinho mesmo lá nas alturas. Em Portugal não se constrói muito, e isso também tem sido reclamado ao longo dos anos, mas o que se constrói é em altura. A altura dos preços, bem entendido.
E por falar em Dubai, Bruno.
E alturas.
Em alturas, a TAP pode ficar sem combustível, nomeadamente para ir ao Dubai, por exemplo.
Para ir ao Dubai e para sair de terra sem combustível, para já, não. Mas a companhia já anda a fazer contas, como se estivesse a olhar para a luz da reserva acesa. A TAP revelou que tem cobertas 47% das necessidades de combustível para 2026. É o chamado hedging, que basicamente serve para proteger a companhia das subidas bruscas do preço do petróleo. O problema é que outras companhias europeias estão mais protegidas. Algumas têm mais de 70% a 80% do combustível já assegurado, o que deixa a TAP mais exposta às turbulências do mercado. E isto não é um bom sinal, porque qualquer mudança brusca, e tem havido muitas nos últimos tempos, pode deixar a companhia não de calças na mão, mas de aviões em terra.
Olha, por falar em terra. Areal, terra, areal, onde é que vamos poder pôr o chapéu de sol?
Isso é uma questão existencial, uma dúvida existencial que tu também traz, Maria João.
E que vem muito recente.
Tem sempre de chegar à praia. Onde é que vamos pôr? Será que podemos pôr ali?
Aquelas preguiçadeiras.
Será isto? Dá muita polémica. E continua a haver dúvidas existenciais entre a toalha e a linha de água, entre o toldo e as ondas. A Agência Portuguesa do Ambiente veio dizer que é um abuso impedir pessoas de colocar os guarda-sóis em frente às concessões de praia, uma prática que tem gerado discussões dignas de um condomínio à beira-mar. Às vezes parece ou não parece? Porque há sempre aquele momento clássico do verão português de alguém que chega cedo, espeta o chapéu de sol num sítio perfeitamente normal.
E minutos depois: "Desculpem lá, não podem estar aqui que isto é zona concessionada."
Já ouviste isso?
Já.
Estás-me a dizer e parece mesmo que já ouviste isso. Ora, os concessionários argumentam com a organização e o espaço para os clientes. A Agência Portuguesa do Ambiente lembra que a praia continua a ser pública e que o areal é de todos. Claro, exceto nas áreas concessionadas.
Tem de estar devidamente assinaladas.
Assinaladas.
Outra coisa que não está. E por vezes até a água.
Até a água. Estão a impedir a vista e não podem abrir os guarda-sóis. E, no entanto, todos os verões lá vamos ao grande clássico nacional, esta delicada geopolítica do guarda-sol. Eu ouvi a pergunta, mas ela não é pergunta.
Eu percebo as vossas perguntas, mas vamos com calma, não quero que ninguém se magoe.
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui aos olhos. Eu às vezes tenho mais para fazer do que gostar de responder diariamente.
Calma aí.