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Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.
Eu percebo as vossas perguntas, mas vamos com calma, tá bem? Não quero que ninguém se magoe.
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.
Eu às vezes tenho mais que fazer do que estar a responder diariamente.
Calma, Jesus.
Bruno, Luís Neves está a precisar de um milagre?
O ministro da Administração Interna está a precisar de uma boa notícia, o que neste contexto é quase um milagre para ele, mas ele precisava de uma só. Por um lado, estamos com chuva em agosto, o que sempre dá uma ajuda para controlar os fogos. Essa é uma boa notícia.
É uma espécie de milagre.
Para o ministro da Administração Interna, é verdade. Só que a avalanche de notícias que têm saído sobre Luís Neves, viaturas e atrelados, tanques e piscinas, contratos, adjudicações, fazem com que a sua posição no governo seja, no mínimo, atualmente, periclitante. E vai daí que o fato de ontem ter integrado uma comitiva que foi recebida pelo Papa Leão XIV, seja talvez a melhor notícia dos últimos tempos para Luís Neves. Não sabemos se o ministro se confessou ou pediu orientação espiritual ao Sumo Pontífice, mas não restam dúvidas de que neste momento ele precisa de todas as ajudas, incluindo as sobrenaturais.
Bruno, e a Europa ainda está com a Ucrânia?
Miguel, não tem outro remédio. À medida que o tempo passa e que aquilo que se esperava que fosse um conflito rápido se transformou numa longa guerra de desgaste, a Europa já investiu demasiado para agora voltar atrás e deixar a Ucrânia entregue a si mesma. Do outro lado, Vladimir Putin deve pensar exatamente o mesmo. À partida devia estar à espera de uma incursão rápida que lhe permitisse o seu grande objetivo, que era substituir o governo ucraniano.
Era pra durar três dias.
Sim, mas encontrou uma inesperada resistência. E agora, após quatro anos e meio de conflito, o investimento já assumiu proporções tais que o recuo deve ser a última hipótese que passa pela cabeça de Vladimir Putin. Mas a celebração do Dia da Independência da Ucrânia ontem serviu para relembrar que está muito mais em jogo do que simples reputações individuais ou caprichos geopolíticos, e que ninguém, neste momento, pode se dar ao luxo de recuar.
E tapar o rosto já não é uma opção?
Não, em Portugal, a partir do dia 23 de setembro, vai deixar de ser. É nesse dia que entra em vigor a chamada Lei das Burcas, que proíbe a ocultação do rosto em locais públicos. A lei, que foi publicada ontem em Diário de República, proíbe a utilização em espaços públicos de roupas destinadas a ocultar ou a obstaculizar a exibição do rosto, e prevê também uma série de exceções por motivos de segurança e de saúde, e também retira do âmbito dos espaços públicos aeronaves e instalações diplomáticas e consulares. Nas chamadas guerras culturais, as discussões em torno das burcas têm o seu pequeno terreno, são uma arena de grande debate. Num país como Portugal, era um tema mais do que secundário, mas às vezes é nesses jogos pequenos que se conquistam pontos importantes. Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.
Eu percebo as vossas perguntas, mas vamos com calma, tá bem? Não quero que ninguém se magoe.
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.
Eu às vezes tenho mais que fazer do que estar a responder diariamente.
Calma, Jesus.