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Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.
A pergunta parece que errados.
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos. Eu às vezes tenho mais que fazer do que estar a responder diariamente.
Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.
Paulo, olha-me nos olhos.
Sim.
Mesmo nos olhos. Nestes dois que esta terra tem. Ainda somos um país de corporações?
Quer saber a verdade, olhos nos olhos. Sim, olhos nos olhos. Somos. Pronto. Próxima pergunta.
Está resolvido?
Mas já agora, desenvolve um bocadinho.
Vou desenvolver. Sim, isso torna-se evidente com muita frequência. Quase todos os dias nós tropeçamos em informações, em notícias que nos dizem isso. Olhe-se agora para o caso da saúde, por exemplo. Nós sabemos, nos últimos dois ou três anos, a falta de médicos, sobretudo obstetras, que temos. Sabemos o que se passa com os encerramentos das urgências, sobretudo de obstetrícia. O que se passa com os partos também está à vista de todos. E a Ordem dos Enfermeiros apresenta uma proposta, que parece sensata, que é a criação de centros de parto normais, geridos por enfermeiros especialistas em saúde materna e obstétrica, para evitar precisamente o encerramento das maternidades. Parece razoável. Ou seja, nós temos neste momento o protocolo que obriga a que esteja um médico ou dois, ou três, não sei concretamente, mas obriga à presença de um médico obstetra cada vez que é realizado um parto. A Ordem dos Enfermeiros diz: "É, formem-se enfermeiros", que na prática muitos deles já o vão fazendo de alguma maneira para que isso seja ultrapassado. Por que não se avança com isto? Por que não se mudam os protocolos nesse sentido? Não me parece que a Ordem dos Enfermeiros também seja irresponsável ao ponto de estar a fazer uma proposta que ponha em causa a segurança, neste caso, das mães e das crianças. Isso não avança porque os médicos não querem. E depois acena-se sempre, neste caso é um clássico, com a segurança dos utentes.
A segurança que não está garantida neste momento.
Depois as crianças nascem ou em ambulâncias ou na rua.
E de certeza não com segurança.
Claro. E provavelmente não com médicos também. E portanto, os médicos não querem, condicionam os políticos, que também não gostam de tomar decisões que vão contra algumas corporações, e a dos médicos é uma delas. E parece que não há nenhum governo nem no Parlamento de Deputados que estudem a proposta e que façam aprovar a mudança de protocolos. Isto só depende, neste caso, do poder político. Não é a Ordem dos Médicos que manda, o poder político é que aprova as leis e as regras que se aplicam a isto, basicamente.
E vamos falar agora de outra corporação, Bruno. Vamos ter um mini SEF?
Hoje é um SEFinho. No Brasil era o Cefinho.
Claro, Cefinho.
Cefinho, jogador contratado pelo Benfica.
Ala esquerda.
É uma das alcunhas desta Unidade Nacional de Estrangeiros e Fronteiras, que é uma unidade da PSP e que entra hoje em funções. Viva, parabéns. A proposta de criação desta unidade foi aprovada no Parlamento há uns meses, com os votos a favor de PSD, Chega, Iniciativa Liberal e CDS, e com a abstenção do PS. Serão 1200 agentes da PSP capacitados para garantir a segurança das fronteiras e instruir processos como o do afastamento coercivo, que até agora estava com a AIMA. Casos como, por exemplo, dos migrantes que chegaram ao Algarve de barco, passam a ser instruídos. Não é só a questão da detenção dessas pessoas que é assegurada pela PSP, mas esta unidade vai instruir todo o processo que conduz depois à eventual expulsão do território destes migrantes. A pergunta que se faz é se isto será um regresso ao passado, ao que tínhamos, ou uma tentativa de emendar a mão. Parece que a extinção do SEF acabou por criar mais problemas do que resolver, e agora ficamos à espera de ver os resultados deste SEFinho.
E com as associações sindicais já a queixarem-se de que não há gente para tudo. E por falar em não haver gente para tudo, Paulo, continuamos com falta de mão de obra?
Continuamos. E os dados ontem divulgados pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional dizem isso mesmo. O número de desempregados inscritos no centro, portanto, pessoas que estão à procura de emprego, daí a inscrição nos centros de emprego, esse número caiu 4% em julho, em termos homólogos, portanto agora pouco acima dos 292 mil. E há seis meses consecutivos que cai o número de pessoas inscritas nos centros de emprego. Ou seja, estamos em pleno emprego.
Seis meses consecutivos.
Seis meses consecutivos. Ao longo do ano, há uma sazonalidade típica no verão de queda do desemprego, porque há uma série de empregos ligados ao turismo, praias e por aí fora, que são criados no verão. Mas estes seis meses dizem-nos que a tendência já vem de trás, mesmo fora do período de pico, se quisermos, procura de emprego. Significa que estamos cada vez mais em pleno emprego.
O que há anos era impensável.
Era impensável. Nós chegámos a ter 17% de desemprego durante o período da Troika, que é uma brutalidade alta também. Agora andamos à volta dos 6%. E esses 6% de pessoas que estão dadas como desempregadas são pessoas que muitas vezes estão entre empregos, que estão naquele momento, naqueles dois ou três meses desempregadas, ou muitos já estão chamados de desincentivados. Pessoas que já estão fora do mercado de trabalho, estão em idade de trabalho, mas já não procuram sequer. Estamos em pleno emprego, há empresas a precisar de recrutar trabalhadores. Isto leva-nos à questão da imigração. Nós precisamos, de facto, de imigrantes para trabalhar.
E qualifica.
Claro, exato.
Precisamos de mão de obra.
De mão de obra, que estejam devidamente habilitados, registados, que tenham contratos de trabalho, condições dignas. Tudo legal, façam os descontos e por aí fora. Mas só seja, o nosso mercado de trabalho, os sinais que vai dando, é que a questão da imigração não é uma questão que Que está a acabar, de alguma maneira, pelo menos o fluxo em si. Das duas, uma: ou temos muitos imigrantes por cá já que ainda não estão integrados no mercado de trabalho e que podem fazer face a esta falta de mão de obra, ou então se a generalidade destes já cá estão, já estão integrados no mercado de trabalho, ainda vamos precisar mais.
Nem pega aquela ideia, que às vezes é usada, de que os imigrantes vêm tirar o trabalho, porque está tudo a trabalhar.
Não é o caso, está tudo a trabalhar. E há uma coisa que é verdade: muitas vezes eles vêm a fazer serviços de trabalhos que de outra forma outras pessoas não querem.
Mas isso acontece em todas as sociedades.
Em todas as sociedades. Os portugueses que emigraram para outros países, rigorosamente a mesma coisa. Tal e qual.
Então, Bruno, e o Metrobus vai ou não ser um dos temas de campanha no Porto?
Eu acho que pelo andar da carruagem do Metrobus, eu acho que vai ser quase o único tema, pelo menos durante algum tempo. E é quase impossível que não seja. É verdade, todas as discussões no Porto, neste momento, parece que vão andar ao Metrobus. Já falámos aqui de um desaguisado entre a Metro do Porto e a Câmara Municipal do Porto, aqui há uns dias, com uma troca de acusações. Das portas.
De presidente para presidente.
Uma troca de galhardetes entre presidentes. Agora são os candidatos à Câmara do Porto, aqueles que já estão anunciados e são muitos, acho que é um recorde. Não sei se não são mais de 12 neste momento, mas houve um agora, o do Chega, Miguel Corte-Real, que exige que o Porto, a cidade, seja ressarcida em 80 milhões de euros pelos enormes prejuízos provocados pelas obras do Metrobus e atira em todas as direções. Diz que foram esbanjados estes 80 milhões de euros em obras absurdas para instalar um sistema que, diz este candidato, não funciona e ninguém queria. E referindo-se também à troca de acusações entre a Câmara e a empresa, a Metro do Porto, diz que assistiu atônito a esta troca de acusações entre pessoas que são corresponsáveis. Mas não é o único a falar sobre isto. Também o candidato do PPM, Nuno Cardoso, que já foi presidente da autarquia, diz que é lamentável todo o processo de implementação do Metrobus e que deveria ter envolvido toda a cidade, todos os cidadãos, e que acaba por se indicar ser um processo mal conduzido e que resulta em prejuízo para a cidade e, em última análise, para os próprios portuenses.
Estamos a 17 minutos para as 08h. Já a seguir não se fala de outra coisa, mas antes tenho uma pergunta e esta é para si. Que tal começar o dia com um pouco de desporto? Na Feira de São Mateus, em Viseu, há mais de 60 atividades desportivas para todos os gostos, desde a meia maratona Carlos Lopes, ao torneio de Padel, artes marciais, gaming e muito mais. Se quer ser mais ativo e mais feliz, visite a maior feira do país nas ruas de Viseu.
Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta. A pergunta parte de um princípio errado. Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos. Eu às vezes tenho mais para fazer do que estar a responder diariamente.
Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.