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A questão é difícil.

Eu acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar. É uma boa pergunta, essa.

A caminho do fim de semana falamos de mais olhos do que barriga, corrigir erros, mas Paulo, começamos à procura de culpados.

É verdade. Se as coisas correrem mal na economia, já temos o bode expiatório escolhido.

Nos últimos dias tem se falado muito do BCE por cá e num tom crítico.

Num tom crítico, isto depois do Presidente da República, ontem foi a vez do Primeiro-Ministro vir dar umas lições de política monetária e criticar o BCE. Diz que não tem havido suficiente compreensão da natureza específica do ciclo inflacionista que estamos a viver. Bom, no fundo, já estão todos a encontrar uma narrativa para o impacto que a subida das taxas de juro tem na economia e nos orçamentos familiares. E como sempre, o que de mau acontece é sempre responsabilidade de terceiros, porque por cá a política económica é muito competente e tem dado fantásticos frutos, que aliás, estamos todos a recolher desde o início do século. Felizes, de facto, aqueles que se satisfazem com a nossa anemia.

Paulo, reconhecer erros não é comum, mas por vezes acontece.

Olha, Carla, acontece e acaba mesmo até de acontecer. Afinal, os eleitores com o bilhete de identidade antigo sempre vão poder votar em qualquer assembleia de voto nas próximas europeias?

É o que parece que sim, depois do governo ter dado uma informação contrária a essa.

Aliás, ontem demos essa informação aqui, mas foi uma indicação prontamente corrigida, depois de se verificar que estava errada e sem tentar encontrar responsáveis externos e assumindo o erro, a Secretária de Estado da Administração Interna veio ontem esclarecer que os eleitores com bilhete de identidade, portanto, com aquele cartão maior antigo, vão poder votar onde quiserem e a confirmação de seus dados será feita manualmente nas listagens digitais em computador. Isabel Neto assumiu que tinha dado uma informação errada no Parlamento, fê-lo sem mas, sem no entanto, e é muito simples, por vezes cometemos erros e devemos estar prontos a corrigi-los. É tão raro isto acontecer com esta naturalidade, que até nos esquecemos que é possível fazer as coisas desta forma assim simples.

Paulo, tens uma última pergunta.

É: se não temos condições para receber a Jornada Mundial da Juventude, por que quisemos tanto organizá-la em Lisboa?

Essa primeira semana de agosto promete ser caótica por cá, em Lisboa, e tenta-se tudo para atenuar esse impacto.

E esse tudo poderá passar por dar folga aos funcionários públicos nos dias 3 e 4 de agosto em Lisboa. A ideia é de facto evitar que saiam de casa e que façam as deslocações habituais de ir para o trabalho. Tudo isto para reduzir a pressão nos transportes e nas ruas da cidade. É mais um sinal de que não se pensou verdadeiramente nas condições para receber a jornada, que deverá trazer o Papa a Lisboa. Mas não é só nos transportes. Também há receios sobre a capacidade de resposta da saúde, que tem os problemas que todos sabemos há vários anos, e também na área da proteção civil, numa altura crítica de incêndios florestais. Tudo decisões precipitadas, pouco refletidas, não estudadas e planeadas tardiamente.

A questão é difícil.

Eu acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar. É uma boa pergunta, essa.