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A questão é difícil.

Eu acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar.

É uma boa pergunta essa.

E esta segunda-feira falamos da última tentação do bloco central. Longos mandatos, política para totós, mas começamos pela escola para adultos.

Isso mesmo. Se os deputados se portam mal, a solução, Bruno, é pedagogia?

É pô-los a um cantinho.

Cora de castigo.

Virados de costas para o resto da sala. A pedagogia é a solução que o presidente da Assembleia da República propõe. Não é uma novidade. E Aguiar Branco não mudou de opinião com as mais recentes confusões no Parlamento. Em declarações aos jornalistas, disse que o Chega tinha sido ofensivo e injurioso, mas acredita que a forma de lidar com estes comportamentos é recorrendo à pedagogia feita à maneira, como se cantava antigamente.

Exato. É como cães.

Pedagogia feita à maneira.

Que bela voz. Podias continuar, Maria João. Mantendo a mesma linha que procurou traçar desde o início, o presidente da Assembleia da República não acredita na eficácia de sanções pecuniárias aos deputados e que é através do voto que os portugueses devem sancionar condutas impróprias e que desprestigiam a Assembleia da República. Agora, a questão é saber até onde é que vai a paciência pedagógica de Aguiar Branco. Se as coisas continuarem a agravar-se, será que Aguiar Branco mantém a mesma opinião?

É oferecer uns doces a quem se portar bem. Um sorvete.

Saem mais cedo.

Exatamente.

Uns não vão para o recreio.

Saem mais cedo. Paulo, e o Chega está a seguir o manual da ação política?

Sim, até podemos chamar esse manual a política para totós. Daquela coleção, entre as várias coisas para totós, também há de haver um política para totós.

Certeza.

E a regra número 37 deste política para totós, basicamente a regra dos truques políticos, de uso assim mais caseiro, mais bolso, diz o seguinte: se estás com um problema dentro de casa, cria um facto político para tentar desviar as atenções. E assim foi. Depois do deputado das malas, do dirigente da prostituição infantil, do dirigente a conduzir embriagado, do dirigente que destruiu o carro e ameaçou com arma branca o adversário político interno e dos deputados que acham que o seu papel mais nobre é basicamente insultar deputados de outras bancadas, o Chega pensou e decidiu: "Vamos aqui anunciar um ultimato e ameaçar com uma moção de censura ao governo". O pretexto é uma empresa que Luís Montenegro tem. Portanto, vamos ver se esta tentativa de desviar a atenção mediática para esconder as misérias internas tem algum efeito ou não.

Tinha 24 horas, não era?

Tinha 24 horas. Tic tac.

A partir de quando? Tic tac.

Acho que foi desde ontem à tarde.

Tens a certeza?

Não sei, temos que ver, o Chega é um partido rigoroso, portanto, temos que ver isto.

Bruno, então o legado de Pinto da Costa é eterno?

Largos dias têm 100 anos, já dizia o próprio, citando. Falar em eternidade é sempre arriscado e o que se pode dizer sem correr o risco de falhar muito é que há um Futebol Clube do Porto antes de Pinto da Costa e um Futebol Clube do Porto depois de Pinto da Costa. Dificilmente outro presidente estará tanto tempo à frente do clube ou à frente de qualquer clube em Portugal e com um nível de sucesso semelhante. No futuro, ninguém poderá fugir a essa comparação e muito provavelmente ser penalizado por ela. É verdade que ao abandonar a presidência no ano passado, Pinto da Costa deixou o Porto numa situação crítica do ponto de vista financeiro e uma parte fundamental do atual presidente, André Villas-Boas, passa por recuperar o clube. Mas as mudanças que Jorge Nuno Pinto da Costa imprimiu são muito mais profundas do que uma crise que, mais cedo ou mais tarde, irá passar. Mas nem todas as mudanças foram louváveis, nem todas foram feitas com os métodos mais regulares. Só que o presidente dos presidentes, assim o denominou o próprio clube, transformou o Futebol Clube do Porto e mudou a paisagem do futebol português como poucos antes e durante o seu longo reinado.

O PSD também não resiste à tentação de criar mais cargos autárquicos.

Não resiste mesmo. O PSD podia ter aproveitado a oportunidade do veto presidencial para deixar cair esta peregrina ideia de criar mais uma centena de novas freguesias, que o PSD aprovou no Parlamento ao lado de quase todas as bancadas. A única exceção que votou contra foi a Iniciativa Liberal. Mas não, ontem os social-democratas confirmaram que, seguindo aquilo que o PS tinha anunciado horas antes ou um dia antes, vão também ultrapassar o veto de Marcelo Rebelo de Sousa, confirmando o diploma no Parlamento, e depois o presidente vai ter mesmo que promulgar essa nova legislação. Portanto, os contribuintes podem ir abrindo os cordões à bolsa ou então pondo a mão na carteira, porque a partir de outubro, com as eleições autárquicas, vão ser criadas mais uma centena de cargos públicos, que há uma década tinham sido extintos. Uma centena para cima, no mínimo uma centena, porque depois há freguesias maiores que vão ter mais funcionários. Há matérias em que o PS e o PSD se entendem muito bem. Engordar o Estado para desprendem mais empregos para as bases partidárias são, como está à vista, uma delas.

A questão é difícil.

Eu acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar.

É uma boa pergunta essa.