Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Eu ouvi a pergunta, mas ela não é pergunta.

Eu percebo as vossas perguntas, mas vamos com calma, está bem? Não quero que ninguém se magoe.

Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.

Eu às vezes tenho mais que fazer do que estar a responder diariamente.

Calma, Jesus.

Mas já chegamos ao Faroeste?

Não, Maria João, ainda nos faltam os xerifes.

Foi isso.

Sem xerifes ainda não há Faroeste. Mas as notícias neste agosto não são muito tranquilizadoras para quem gosta de falar de Portugal como um dos países mais seguros do mundo, e que é, até ver. Atropelamentos, tiroteios, esfaqueamentos, homicídios. Ontem até um assaltante foi morto por uma vítima que o atropelou. Até uma turista atingida em plena Baixa de Lisboa por uma bala perdida. Isto é um cardápio criminal quase completo. Os números oficiais depois tratarão de confirmar se houve ou não um aumento da criminalidade, mas esta profusão de notícias, o sentimento de insegurança que induzem e as reações de alguns responsáveis políticos mostram que é um erro a excessiva desvalorização das famosas percepções. As percepções podem ser ampliações de fatos mais ou menos esparsos, mas esses fatos são indesmentíveis e só há uma forma de atenuar as percepções: é através do combate e da prevenção de crimes, muitos ou poucos, que estão na origem dessas percepções.

Bruno, e para períodos excepcionais, medidas excepcionais?

Luís, é uma regra muito simples que nos serviços públicos nem sempre é aplicada com muito afinco. O verão nos hospitais é sempre um período complicado, em particular nas urgências, devido às férias dos médicos. E se não se adapta a escala à realidade, e ainda não é possível tirar o direito dos médicos a terem férias, então o que acontece é que a realidade vai fazer sofrer quem estiver escalado para as urgências e todos aqueles que precisam de recorrer a um serviço de urgência. O Hospital Amadora-Sintra anunciou que prevê manter a urgência de ginecologia e obstetrícia aberta todos os dias do mês de agosto, que está quase a chegar ao fim, e para que isso fosse possível, teve de ser feito aquilo a que a administração chama uma gestão exigente dos recursos disponíveis, envolvendo equipes médicas e de enfermagem. E graças a essa gestão, foi possível então manter a urgência aberta sem recorrer a médicos prestadores de serviços. É certo que nenhuma gestão, por muito boa que seja, resolve uma falta crônica de recursos, mas este caso do Amadora-Sintra demonstra que se podem fazer omeletes com os ovos que há. Podem não ser muito grandes, mas servem para manter, pelo menos, a urgência aberta.

E por falar em casos, o da vandalização do gabinete do Chega ainda rende, Bruno?

Estamos na silly season, às vezes não parece, mas estamos na silly season e por isso há novelas que rendem mais do que outras. E este caso da vandalização do gabinete do Chega vai continuar a render até que os fatos sejam apurados e talvez até depois disso.

Sim, depois do apuramento.

Depois da discussão sobre os fatos. Para já, a PJ quer ouvir André Ventura e outros dois deputados do Chega sobre o alegado assalto e já pediu o levantamento da imunidade parlamentar, que é necessário para que esta diligência ocorra, pediu à Assembleia da República. No entanto, a resposta do Parlamento só deverá chegar em setembro, e até lá André Ventura e o Chega não deixarão de visar o ministro Luís Neves, deixando no ar esta suspeita de que o assalto ao gabinete estaria relacionado com documentos que, de alguma forma, comprometeriam o ministro da Administração Interna. Como todas as novelas, sejam elas boas ou más, há sempre cenas dos próximos capítulos e nem todas são muito edificantes.

Eu ouvi a pergunta, mas ela não é pergunta.

Eu percebo as vossas perguntas, mas vamos com calma, está bem? Não quero que ninguém se magoe.

Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.

Eu às vezes tenho mais que fazer do que estar a responder diariamente.

Calma, Jesus