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Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.
A pergunta parte de um princípio errado.
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.
Eu às vezes tenho mais para fazer do que estar a responder diariamente.
Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.
Estão a sentir? Aqui parece uma brisa solidária.
Uma brisa, é a solidariedade anda no ar.
Sente-se uma brisa, Bruno?
Sente-se. Uma ligeira. Bem, não é assim tão ligeira, ainda é algo solidária. Não sei se anda aí pelo ar ou pela estrada, agora que a reparação da A1 está praticamente concluída. Ora a concessionária, a Brisa, com maiúscula, veio afirmar que não vai pedir compensação ao Estado, apesar de estimar perdas de € 3 milhões, sobretudo em portagens. A culpa, diz a Brisa, não é da Brisa. O presidente da empresa, António Pires de Lima, diz que a Brisa não gere diques, nem canais de rega, nem projetos hidráulicos, o que parece que é mesmo verdade, mas que mesmo não fazendo nada disso, não vai penalizar ainda mais os sacrificados contribuintes portugueses. Bem vistas as coisas, a culpa até é da Mãe Natureza, mas como a Mãe Natureza não tem como arcar com esta despesa, é bonito que seja a concessionária a assumir as perdas. Chama-se a isso responsabilidade social. É bom ver de vez em quando as empresas a assumirem essa responsabilidade social.
Espelho meu, esta semana-
Estás sempre a falar com os espelhos.
O que é que se passa contigo, Marijo?
A culpa é nossa.
Nossa? Nossa foi.
Senta a falar com o espelho?
Não sei.
Foi no início desta semana, não foi? Do cadinho.
Não sei, acho que é todos os dias.
Marijo.
É a segunda vez.
Elas vão começar.
Quero desabafar. Agora quero saber se há alguém mais reformista do que eu.
Sim, tu estás na idade da reforma, quase.
Ai, meu Deus. Pois, vai aí uma espécie de concurso de reformismo. Tu queres entrar nessa coisa?
Se calhar não, se calhar penso melhor não.
Então deixa para os outros.
Deixo.
Um concurso de reformismo no PSD, não é este? Depois das críticas de Pedro Passos Coelho a este governo e a Luís Montenegro, Passos disse que este governo já leva tempo suficiente para começar a mostrar trabalho. No fundo, a mensagem é esta e que deve ir para eleições ou não ter problemas a ir para eleições se os restantes partidos não o deixarem fazer as mudanças. E até deu o exemplo da reforma laboral. Hugo Soares foi, já se percebeu, o bombeiro de serviço para este tema. Ontem na SIC Notícias disse que o ex-primeiro-ministro anda distraído porque não vê as reformas que estão a ser feitas. Confirma-se que de facto o pior fogo dentro de um partido é o fogo dito amigo, aquele que vem de dentro. Nada pior do que as críticas que são feitas pelos nossos.
Falaste em bombeiro de serviço, então e os bombeiros da Moita? Estão preparados para mais partos em ambulâncias?
Se não estão, deviam preparar-se, mas até devem estar, porque só no ano passado realizaram mais de uma dezena de partos em ambulâncias.
Mais do que alguns blocos de partos no interior.
Exatamente, já devem ter o curso feito. E com o encerramento do serviço de urgência de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital do Barreiro, que está previsto para março, é provável que estes trabalhos de parto aumentem para os bombeiros da Moita e ali de toda a região. Ana Paula Martins, a Ministra da Saúde, justifica o encerramento com a abertura da nova urgência regional para a Península de Setúbal, que irá funcionar no Hospital Garcia de Orta, em Almada, e garante que o serviço de obstetrícia continuará a funcionar no Barreiro. Só a urgência é que é encerrada. Vão continuar a nascer bebés no Barreiro, porque nem todos nascem em urgência. Eu não sei se isto deixará as grávidas da região mais tranquilas, porque é um bocadinho difícil convencer as pessoas que menos urgências serão melhores urgências quando estamos a falar de muita gente. Não é uma população reduzida.
Estava aqui a pensar, partos que não nascem em urgências são cesarianas, não é?
São partos programados, portanto devem ser- A larga maioria deles. Estás a pensar ainda nisso?
Estou a recordar.
Porque se não são em urgência-
Os que não são em urgências, os programados são cesarianas
Têm de ser programados, normalmente são cesariana, porque podem ser induzidos, mas normalmente...
Enfim.
Estás a pensar, Carla, que queres desabafar também?
Espelho meu.
Não, não acho que esteja.
Diz lá, Carla.
Olha, pouco a pouco, José Sócrates é que vai fazendo o que quer do sistema de justiça, não é?
É verdade. Um adiamento aqui, mais uma ali, mais uma paragem, se calhar até à prescrição final e total. O ex-primeiro-ministro está até certo ponto a humilhar os nossos tribunais com a forma como vai mantendo parado o julgamento. Isto sem que pareça haver mecanismos eficazes do lado da Justiça para o contrariar. São os sucessivos episódios da recusa dos advogados, que já duram há meses. Só para recordarmos aqui, Pedro Delito saiu há quatro meses, há quase quatro meses. Depois disso, já houve mais um, sem contar com os oficiosos, um, dois, três. Certo? E agora vamos para o quarto.
Parou no início de dezembro.
Exatamente. E portanto, desde então, o julgamento pouco ou nada andou. Desde dezembro, quase quatro meses. E portanto, a isso mete-se a Páscoa, depois as férias judiciais e não tarda nada estamos em 2028 soltinho. Alguns crimes, sabemos deste processo grande, já prescreveram, outros estão a caminho disso e cá está como um arguido ardiloso e teimoso e com muita força de vontade para levar isto avante, para defender os seus interesses, como ele consegue driblar o sistema e aproveitar todas as garantias a seu favor. No meio disto tudo, era bom que os deputados, que são o órgão legislador destas matérias, fossem tirando notinhas num caderninho.
Para ver se não volta a acontecer.
E para mudar a lei.
Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.
A pergunta parte de um princípio errado.
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.
Eu às vezes tenho mais para fazer do que estar a responder diariamente.
Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.