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A questão é difícil.
Eu acho que a sua questão é muito importante.
Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.
Ficará eventualmente a pergunta no ar.
É uma boa pergunta, essa.
Paulo, esta segunda-feira falamos de vizinho de ouro, marcar a diferença, mas claro, começamos pela corrida americana, o atentado contra Donald Trump. Pode ajudá-lo a regressar à Casa Branca, Paulo?
É a análise mais lógica que muita gente está a fazer desde essa noite de sábado. Foi a vítima, reagiu com vigor, apesar das circunstâncias. Houve um acaso cênico também, mão no ar de punho fechado, a bandeira americana por trás. Tudo isso empresta ao acontecimento um toque hollywoodesco, que pode de facto ajudá-lo. Se é permitido algum humor negro, num acontecimento em que morreu um participante no comício e o próprio atirador, pode dizer-se que daqui até à Casa Branca agora pode ser algum tirinho para Trump. Trump já ia com vantagem face a Biden e o foco desta campanha estava todo centrado nas condições que o ainda presidente tem para continuar no cargo.
Aliás, nesse sentido, Paulo, a reação de Biden pode também ser determinante.
Também é fundamental. O presidente da República em exercício, claro, e também recandidato, tem demonstrado sentido de Estado desde o primeiro minuto, tem dito o que deve ser dito neste contexto, condena sem "ses" ou "mas" o atentado e rejeita qualquer tipo de violência. Biden pode aqui marcar uma diferença face a Trump, se nos lembrarmos, por exemplo, do assalto ao Capitólio e a forma, para dizer o mínimo, cúmplice, com que Donald Trump assistiu a esses acontecimentos, também eles violentos. Vamos ver como é que a opinião pública agora valoriza também este aspecto, como é que pesa isto tudo que está em jogo. O que parece verdadeiramente é que a corrida presidencial americana fez agora uma espécie de reset, parou e reiniciou-se agora com muitos acontecimentos novos e trágicos também.
Paulo, falemos agora daquilo que te entusiasma.
Absolutamente.
Este foi um fim de semana de ouro para o desporto espanhol.
Foi duplamente de ouro.
Para ti e para o desporto espanhol.
Há partes aqui que me entusiasmam bastante, de facto. Foi duplamente de ouro.
Um fim.
Exato. A seleção de futebol venceu o Euro, como toda a gente sabe. É o único país, aliás, a Carla acaba de dizer isso também nas notícias.
Senão dirias tu. Acrescentavas.
Eu estou cá para isso também. Para acrescentar sempre camadas de informação, sobretudo quando se trata de futebol. A Espanha é o único país até agora que já venceu quatro vezes o Euro. E em Wimbledon, Carlos Alcaraz derrotou novamente Novak Djokovic por três sets a zero. Tratou Djokovic como se fosse um amador, confirmando que Alcaraz está na corrida para ser o próximo rei da modalidade. E ele tem só 21 anos. Dois exemplos, entre muitos, da potência desportiva que a Espanha é. No ténis, Rafael Nadal ainda tem a sua marca bem visível, na Fórmula 1 e nos ralis. Também há vários campeões mundiais espanhóis, que aparecem sempre com muita regularidade. Eles vão-se sucedendo de alguma maneira, tal como no ténis, por exemplo. Portugal e Espanha, dois países vizinhos, mas tão separados nas políticas de criação de desportistas e nos resultados internacionais.
Sobretudo, sim.
A questão é difícil.
Eu acho que a sua questão é muito importante.
Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.
Ficará eventualmente a pergunta no ar.
É uma boa pergunta, essa.