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Ao vivo, na Rádio Observador.
Entre as brasas da lareira, o meu avô ensinou-me que entre copos não se fala sobre amor. Coração que bebe esquece o seu valor. Passa a noite, mas amanhã não esquece o que se passou. Onde é que eu tinha a cabeça? Não se mistura certeza com três copos de gin, quatro copos de vinho, dois litros de cerveja. Amor, desculpa outra vez. Onde é que eu tinha a cabeça quando aceitei o convite pra dormir aí? Um copo a mais faz confundir um agora com até ao fim. Amor, desculpa outra vez. Onde é que eu tinha a cabeça? Venham me buscar ou vou cair no mesmo erro de sempre. Quem procura amor em todo lado acaba por esquecer como se sente. Entre a pressa de abalar e a vergonha de ir, aprendi que entre copos até o coração é bom a mentir. Onde é que eu tinha a cabeça? Não se mistura certeza com três copos de gin, quatro copos de vinho, dois litros de cerveja. Amor, desculpa outra vez. Onde é que eu tinha a cabeça quando aceitei o convite pra dormir aí? Um copo a mais faz confundir um agora com até ao fim. Amor, desculpa outra vez. Onde é que eu tinha a cabeça? O que ganhas a noite, na noite perdes. Desculpa se esta próxima história te conta a rir. Fica entre um Deus me livre e o que me dera de um dia repetir. Onde é que eu tinha a cabeça? Não se mistura certeza com três copos de gin, quatro copos de vinho, dois litros de cerveja. Amor, desculpa outra vez. Onde é que eu tinha a cabeça quando aceitei o convite pra dormir aí? Um copo a mais faz confundir um agora com até ao fim. Amor, desculpa outra vez. Onde é que eu tinha a cabeça?
David Mendonça, Francisco Cartaxo, Miguel Brites e Tomás Cartaxo são os Vizinhos, ao vivo aqui na Rádio Observador esta semana. Muito obrigado por terem vindo.
Obrigado.
E muitos parabéns. São definitivamente a sensação da música nacional já desde o ano passado e agora já com o disco de estreia cá fora, "Só Se Estraga Uma Casa". Ouvimos há pouco "Onde é que eu tinha a cabeça?", que já tem vídeo oficial, não é?
Tem, e foi realizado pelo Sebas Ferreira, que desde o início achamos que iríamos entregar a direção do vídeo e dos nossos videoclipes de forma diferente, a contar uma história e não só um playback das vozes e falarmos pra câmera. Achamos que: "Olha, vamos entregar ao Sebas, ele é que vai nos dar uma ideia do que ele gosta, do que ele sente desta música" e por que não fixar as pessoas a um videoclipe que nada tem a ver com a música, mas ao mesmo tempo tem uma história por trás. Leva a pensar que às vezes esquecemos da música e estamos a olhar pro vídeo e: "ah, vou voltar atrás porque tenho que ouvir a música".
É o que acontece.
É o que acontece. E realmente este videoclipe está...
Vocês, de alguma forma, fazem parte também de uma nova armada alentejana que está a sacudir a pop nacional nos últimos tempos. O que meteram na água ali em Évora e nas coisas à volta?
Eu acho que se calhar foi as açordas que as nossas avós nos davam em pequeninos ou a famosa gemada, que também há muito no Alentejo, mas não sei. Eu acho que foi o culminar de muita coisa. Eu acho que foi o culminar de uma amizade realmente verdadeira e que agora se tornou uma irmandade, nós os quatro.
Não só entre os Vizinhos, mas se calhar com outros projetos também do género.
Sim, exatamente. É assim, como o Bubba diz, sempre se cantou bem no Alentejo. E agora há uma coisa que é as redes sociais, há o Facebook, há o Instagram, e qualquer pessoa pode fazer um vídeo, pode iniciar uma banda como nós criamos. E eu acho que a sonoridade alentejana tem algo de especial. Nós mesmos nos afastamos um bocadinho do canto alentejano, pois tentamos levar aqui uma nova roupagem, como se diz, ao pop alentejano. Temos o acordeon, temos o bandolim, temos o baixo e guitarra e tocamos muitas vezes, temos um estilo também um bocadinho meio pagode, meio samba do Brasil. Mas mesmo assim, eu acho que os outros projetos, tanto o Bubba, que foi quem relançou esta nova armada alentejana, como estava a dizer, tanto o Triga Cher como agora os nossos novos colegas que apareceram, tanto os Bandidos como os Descendentes. Como nós costumamos dizer, o Alentejo vai conquistar o mundo. E eu acho que está a correr bem.
Está a começar bem.
Está no bom caminho.
Exato, está num bom caminho e esperamos que continue assim.
Olha, vocês são quatro. Como é que decidem as coisas? Há um Vizinho mais barulhento e outro que pede pra falar mais baixo?
É sempre tudo em conjunto. Nós tomamos as decisões sempre respeitando as opiniões de cada um e tentando chegar sempre a um consenso. Acho que nisso é muito tranquilo.
Normalmente concordamos sempre uns com os outros. Estamos ali
O grande hit que vos lançou, o "Pôr do Sol", tem uma particularidade engraçada que é: as crianças adoram e cantam muito facilmente esta canção. É uma melodia bastante assobiável, o que ajuda. Estavam também à espera, primeiro, dessa reação desse público dos mais pequenotes e depois qual é o segredo desta canção para ter ficado tanto no ouvido?
Eu vou responder a esta pergunta com uma frase muito simples. Nós sempre pensamos em fazer música para todos e para todas as gerações, porque se a nossa música hoje em dia chega às crianças, também chega aos adultos, aos avós, aos tios e a toda a família. E acho que foi desde o início o nosso principal objetivo, foi chegar a todas as gerações, sem dúvida, e atingir também o público mais novo.
Eles são muito honestos sempre.
Mas estávamos numa fase difícil em que Portugal não ouvia música portuguesa. Todos os dias recebemos muitos elogios e o maior deles todos é ouvir os pais a dizer: "Obrigado por fazerem com que o meu filho voltasse a ouvir música portuguesa".
Isso é verdade. O disco de estreia acaba de sair depois do sucesso desse single. Houve alguma pressão para entrar em estúdio, fechar este que é um primeiro longa duração?
Claro que houve. O "Pôr do Sol" foi o que foi e as outras canções a seguir. Mas principalmente quando lançámos a segunda canção, sentimos também uma grande responsabilidade e uma grande pressão, porque não queríamos ser a banda de um só hit, como se costuma dizer.
Esse seria sempre um desafio que eu acho que vocês teriam.
Essa seria uma barreira que queríamos quebrar, mas correu bem.
Também estão no bom caminho, porque há boas canções neste disco.
Obrigado.
Força.
Ia só acrescentar que foi o trabalho de um ano. Foi muito difícil, porque sentimos que temos canções muito boas e que todas podiam pertencer a este álbum, mas decidimos guardar algumas. Vamos lançar daqui para frente, se calhar também num segundo disco. Quem sabe também por setembro, outubro, poderá haver aí uma novidade. E é isso, tentamos sempre manter o máximo da qualidade, trabalhamos para isso todos os dias e manter a responsabilidade que é o projeto dos Vizinhos.
Tinha aqui uma pergunta que era: se vocês fossem vizinhos de uma grande estrela da música, pode ser portuguesa ou internacional, a quem é que iam bater à porta para pedir sal ou uma colaboração com os Vizinhos?
Quatro e meia.
Eu acho que seria muito engraçado sermos vizinhos dos Quatro e Meia. Eu acho que era uma festa.
Porque assim éramos muitos.
Eram oito.
Assim éramos muitos.
Exato. Internacional, sem dúvida, uma das nossas referências, até mesmo para a música que ouviram no início do programa, que é "Onde é que eu tinha a cabeça?", tem esse estilo do samba, do pagode. Uma das referências é o grupo Menos é Mais, com certeza.
Mas eu acho que agora temos um vizinho novo que apareceu na nossa vida, que é, sem dúvida, o vizinho mais importante que nós temos, que é o Bubaspim. Já faz parte da casa e já faz parte da mobília.
Muitos vizinhos e futuras colaborações que também existem neste disco de estreia. Olhemos só, muito rapidamente, um verão que imagino que vá ser passado numa carrinha, com muitos concertos.
Já é.
E estava aqui também a conferir as datas que já foram anunciadas para Coliseu do Porto, 21 de novembro, e Coliseu de Lisboa, 28 de novembro. Serão dois concertos, também de apresentação mais oficial deste disco, que já vai andar muito na estrada. Estou a ver presenças em festivais, Marés Vivas, Sol da Caparica. Vai ser cansativo este verão.
Expofacic, São Joaninas, Monte Verde.
Muita responsabilidade, palcos muito grandes, mas queremos dar os melhores concertos das nossas vidas.
É verdade que uma banda também se faz na estrada, sentem isso?
Sem dúvida.
O exemplo perfeito.
Nós não tivemos tempo para ensaiar este ano. Acho que paramos agora antes desta tour. Com a entrada de novos técnicos e novos músicos, quisemos aumentar a qualidade também do projeto. E acho que paramos agora, o mês passado, para começar a ensaiar e preparar esta tour. Ainda não está preparada porque as novas músicas ainda estão a marinar, ainda estamos aqui a tentar fazer a melhor versão e a dar a melhor versão às pessoas e a definir, principalmente, o alinhamento novo desta tour, mas acho que estamos no bom caminho. Acho que agora estamos com palcos muito grandes e acho que vamos dar o melhor de nós e vamos fazer o melhor concerto possível para dar às pessoas. Mas vai ser difícil a escolha das músicas também, porque temos músicas antigas da altura do grupo Académicos Excedentes que gostávamos de manter no repertório, porque mantemo-nos fiéis às nossas origens, mas também temos a entrada de agora do "Onde é que eu tinha a cabeça?" e de "A Pessoa Certa" e das "Laranjeiras", que são tudo temas que nós adoramos. Mas acho que vamos trabalhar nisso.
Há esses concertos então em novembro nos Coliseus. Até lá passem pelas redes sociais dos Vizinhos, eles vão por lá também comunicando os concertos que vão dando ao longo deste verão. Muito obrigado por terem vindo à Rádio Observador. Muitos parabéns por este mega sucesso que está a ser os Vizinhos. Gosto muito de vocês e desejo que tenham, como tu dizias, desejo que a banda vá muito para além deste pôr do sol, que foi abrasador, mas há muito mais para descobrir também neste "Só se Estraga uma Casa", o disco de estreia dos Vizinhos, e é com essa "Pôr do Sol" que fecham aqui a passagem pelo Ao Vivo. Muito obrigado e muitos parabéns.
Muito obrigado.
Fui até à capital, fiz o meu ritual do comum. Passei por tanta gente, senti-me sempre sozinho. Para a próxima vens tu visitar-me à Alentejo. Há um mês que aí não vou, há mais de mês que eu não te vejo. Deixei-te um lugar à mesa. Tomei banho, fiz a barba. Eu só quis ter a certeza que um dia voltavas. Amor, eu já pensei em ir ver o pôr do sol. Se achas Lisboa grande, o Alentejo ainda é maiorAmor, eu já pensei, ir ver o pôr do sol. Andamos desencontrados, tal como o sol e a lua. Sei que a culpa não é minha, sei que a culpa não é tua. É que eu já fiz tantos planos, todos a contar contigo. E por mais que passem anos, não sei ser só teu amigo. Deixei-te um lugar à mesa. Tomei banho, fiz a barba. Eu só quis ter a certeza que um dia voltavas. Amor, eu já pensei, ir ver o pôr do sol. Se achas Lisboa grande, o Alentejo ainda é maior. Amor, eu já pensei, ir ver o pôr do sol. Muito obrigado à Rádio Observador. Muito obrigado a todos os ouvintes aí em casa. Foi um ano fantástico. Obrigado por me deixarem fazer parte da música portuguesa. E agora quero ver toda a gente e queremos ouvir todos a cantar assim: amor, eu já pensei, ir ver o pôr do sol. Se achas Lisboa grande, o Alentejo ainda é maior. Amor, eu já pensei. Amor, eu já pensei, ir ver o pôr do sol. Se achas Lisboa grande, o Alentejo ainda é maior. Amor, eu já pensei. E o quê? Ir ver o pôr do sol.
Ao vivo, na Rádio Observador. Obrigada por ter ouvido este podcast. Se gostou, pode subscrevê-lo, pode partilhá-lo e também pode ouvir a Rádio Observador online em 98.7 em Lisboa e em 98.4 no Porto.