Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Sejam bem-vindos ao "Aveiro One", o podcast de cultura da Câmara Municipal de Aveiro. Estamos na primavera e os dias de sol e calor pedem cada vez mais um copo de cerveja. Seja ela loira, de cor acobreada ou preta, a cerveja é um elemento recente da cultura gastronómica portuguesa e vai estar em destaque em Aveiro, no Mercado Manuel Firmino, na quarta edição do Beer Craft Fest, dedicado às cervejas artesanais.
No fundo, é uma festa, é um festival, é um encontro de pessoas onde há música, há degustações, há workshops. No fundo, há aqui um encontro entre quem produz e o mercado. Basicamente, é isso que é um festival, é uma plataforma de comunicação física.
Otávio Costa é o organizador do Aveiro Beer Craft Fest, no qual vai ser possível provar cerca de 150 cervejas produzidas de forma artesanal por 24 cervejeiros, cinco do estrangeiro e 19 portugueses. Entre as cervejas presentes no Aveiro Craft Beer Fest, há várias produzidas na região de Aveiro, entre elas a Maldita, produzida pelo aveirense Gonçalo Faustino, pioneiro na arte de produzir cerveja de forma artesanal.
Eu comecei a provar cervejas estrangeiras, cervejas de outra qualidade, de outras variedades, e com o passar do tempo apercebi-me que gostaria ou que quereria ser aquilo que é um juiz de cerveja. Infelizmente, no mercado em que vivíamos, não havia variedade disponível, então, por consequência dessa falta de variedade, vi-me forçado a ter que produzir a minha própria cerveja.
E assim nasceram as primeiras Malditas em 2008. Gonçalo Faustino estudava na altura Engenharia Química na Universidade de Aveiro. As receitas foram fermentando e em 2013 lançou a marca Maldita. Hoje, o Gonçalo produz três tipos de cerveja. Alguns dos seus sabores já foram até premiados em certames internacionais e possui, no centro de Aveiro, um bar dedicado à cerveja. Foi quase por brincadeira que Humberto Alves se lançou em 2016 na produção de cerveja artesanal. Em Fermelã, Estarreja, nasceu a 12 Marias.
O nome surgiu um bocadinho como uma homenagem, porque os nossos rótulos são todos em homenagem a figuras típicas nacionais. A Lavradeira do Minho, a Tricana do Antoine, por aí adiante. E então o nome Marias, nós tínhamos oito em garrafa, mais algumas que só temos em barril, surgiu um bocadinho daí. Porque não 12 Marias para dizer um bocadinho com aquilo que nós tínhamos nos nossos rótulos, que são as nossas Marias dedicadas a figuras típicas nacionais.
Entre as 12 Marias encontramos a Salineira, numa homenagem a esta figura típica de Aveiro. É uma cerveja de cor bronze e aroma frutado que o público vai poder provar no Aveiro Craft Beer, no Mercado Manuel Firmino, entre os dias 3 e 5 de maio.
Temos muitas outras cervejas. Nós vamos levar Bitters, vamos levar cervejas de estilo belga, vamos levar cervejas mais torradas, vamos levar diversos estilos de cerveja artesanal para lá. Vamos ter sempre a correr seis cervejas diferentes, portanto, vamos ter sempre seis torneiras em funcionamento e essas seis cervejas irão sempre rodando, sempre à medida que vão saindo umas, vão entrando outras diferentes, para podermos oferecer ao público o máximo de cervejas diferentes possível.
Foi numa viagem, há sete anos, que Maria José Pinto e o marido Vítor Fontes notaram que havia muitos tipos de cerveja. Sem experiência na área alimentar ou das bebidas, são ambos consultores ambientais, decidiram experimentar a arte da fermentação.
Nós montamos um pequeno laboratório num armazém que a mãe do Vítor tem e fomos fazendo em panelas de 50 litros as nossas primeiras experiências e fomos dando a provar a amigos nossos, que nos incentivaram e nos deram muita força para continuar, porque gostaram daquilo que foram bebendo. E neste momento é uma panela 500 litros e temos uma produção maior, claro.
Hoje, a Tough Love, amor difícil em português, produz meia dúzia de tipos de cerveja e possui dois bares, um no Porto e outro em Aveiro. A Tough Love também vai estar no Aveiro Craft Beer Fest.
No Aveiro Beer Fest vamos levar uma Double NEIPA, que é um estilo de uma cerveja lupulada, com 8% de álcool, e uma NEIPA, que é o mesmo estilo, mas com menos álcool, deve rondar os 6%. Vamos levar uma Imperial Stout, uma cerveja preta, esta é a de framboesa, portanto é uma Raspberry Imperial Stout. E da linha core vamos levar uma Triple e uma Blond Ale. São aquelas, em princípio, que estão alinhadas. Eventualmente podemos levar mais uma que tínhamos aí, mas para já essas estão garantidas.
Garantidos estão também os petiscos. Ostras da ria de Aveiro, fica a saber, pedem cervejas leves, mas uma vez que o Aveiro Craft Beer Fest decorre no mercado de frescos, a organização promete adocicar o paladar do público.
Já que estamos no mercado, temos uma harmonização de frutas com alguns estilos de cerveja.
Quer dar-nos um exemplo, Otávio?
Por exemplo, as Imperial Stout, que são cervejas escuras, stouts pretas Se assim quisermos chamar, poderosas, aveludadas, fortes. Se pegarmos, por exemplo, numa banana, numa cereja ou num morango, essa cerveja vai nos saber de maneira diferente e o fruto também nos vai saber de maneira diferente, mas enquadrável um com o outro. Essa é que é a harmonização das coisas. E é muito possível, quando as cervejas são tão complexas e são tão amplas de sabores e de aromas como as que temos no festival.
O Aveiro Craft Beer Fest acontece no próximo fim de semana, três, quatro e cinco de maio, no Mercado Manuel Firmino. Beba com moderação e saúde. Aveiro, capital portuguesa da Cultura em 2024, é palco de mais uma estreia. É no dia três de maio, às 21h30, no Teatro Aveirense. Chama-se "Muda", de mudança e ausência de som. "Muda" é um espetáculo sobre a natureza da condição humana através da arte circense, mas onde os artistas em palco não usam aparelhos de circo, como nos explica Bruno Machado, o responsável pelo trabalho acrobático.
Não quisemos explorar uma vertente artística de aparelhos de circo, porque nas técnicas de circo, existe uma panóplia muito grande de técnicas de circo, muitas delas que são acopladas a aparelhos, à roda-cira, bicicleta acrobática, manipulação de objetos ou trapézio. Então nós queríamos trabalhar com o corpo, só.
"Muda" tem direção artística da coreógrafa Clara Andermatt, cuja companhia coproduz o espetáculo com o Instituto Nacional das Artes de Circo, e em palco os equilibristas movem-se no fio da navalha.
Uma das linguagens que é usada na peça é a linguagem do cinema mudo, da não voz, mas voz, do não som, mas com som. Ou seja, é uma mistura surrealista de várias visões e de vários universos.
Os cinco intérpretes em palco são de países tão diversos como Cabo Verde, Itália, Finlândia ou Alemanha e foram recrutados através de um casting internacional.
E ele tem um caráter violento. Então eu acho que a reflexão sobre o lado violento do ser humano, que cada um tem nos vários graus e nos vários aspectos, eu acho que é uma forma de refletir sobre isso também, sobre a violência. Mas às vezes não refletir sobre a violência, porque às vezes também não precisa de ser má. Às vezes precisamos ser um bocado violentos no sentido de nos poder afirmar.
"Muda" tem estreia marcada para Aveiro, dia três, às 21h30. Mais uma estreia da Aveiro Capital Portuguesa da Cultura. No dia seguinte, quatro de maio, sábado, Aveiro celebra a cultura num evento aberto a toda a comunidade artística. O Open City vai tornar a cidade num palco para as mais diversas expressões artísticas. A ideia é dar a conhecer o valor artístico de Aveiro, onde artistas, instituições e agentes culturais da música, dança, teatro e multimédia se dão a conhecer em lugares convencionais ou improváveis, espalhados pela cidade. Open City é um convite para sair à rua e conhecer o valor criativo de Aveiro, no fundo, participar, porque o lema deste segundo trimestre da programação da Aveiro Capital Portuguesa da Cultura é Cultura e Democracia. Até 23 de junho, há uma exposição inédita para ver no Museu da Cidade. Chama-se Liberdade, Amor e Poesia e é organizada pela Fundação Cupertino de Miranda. Há dezenas de obras de nomes maiores do surrealismo, dos anos 30 do século passado até à atualidade, em diversos suportes: desenho, fotografia, escultura e pintura. Podem ver-se obras de Fernando Lemos, que se expressou através da fotografia, da escultora Isabel Meireles, do francês André Breton e dos consagrados Mário Cesariny e Cruzeiro Seixas. Inédita é também a exposição que a Fundação Serralves concebeu para o Museu de Aveiro Santa Joana. Sob o lema O Exercício da Liberdade, obras da Coleção de Serralves, podem ser apreciadas obras que sublinham a liberdade enquanto força motriz da prática artística. Yoko Ono, Maria Helena Vieira da Silva, Manuel de Oliveira e tantos outros das mais variadas geografias e disciplinas concentrados num lugar querido de todos os aveirenses. A exposição com obras dos anos 60 até à atualidade pode ser vista até ao final de junho. Se tiver dúvidas ou quiser saber mais sobre a programação da Aveiro Capital Portuguesa da Cultura, encontra tudo em www.aveiro2024.pt. Fica por aqui o Aveiro On deste mês. Regressamos na última quinta-feira de maio, ou seja, no dia 30. Bons espetáculos e boas exposições.