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Paulo, hoje voltamos a falar da inflação, mas desta vez da zona euro, que também subiu.
Também subiu e este é o indicador mais importante para perceber as decisões do BCE. A inflação, de facto, subiu de 2,9% em julho para 3,3% em agosto. É um salto significativo de quatro décimas. Estes são dados preliminares do Eurostat que deverão ser confirmados daqui a cerca de 10 dias. Desde maio que a inflação na zona euro se mantinha a níveis inferiores a 3%, o que era uma boa notícia neste contexto. Mas temos também o efeito da subida dos preços da energia que fizeram este aumento da inflação. Os preços da energia em agosto dispararam 14,3% em termos homólogos e, obviamente, com esta subida, dentro de todo o cabaz de produtos e serviços, tinha que provocar uma subida de preços. Nós sabemos também que o BCE gosta de ter a inflação em torno dos 2%.
Ali controladinha.
Exatamente, mais umas décimas acima, duas ou três, mais umas décimas abaixo, mas gostam de ter o objetivo central dos 2% em vista e obviamente que 3,3% está muito acima deste objetivo. Se nós excluirmos o efeito dos preços da energia e também dos produtos alimentares frescos, que são aqueles também mais voláteis, nós temos um índice que até baixou de 2,5% para 2,4% em agosto. Portanto, esta é a notícia menos má, se quisermos, deste conjunto de dados.
Entretanto, pode vir aí mais um aumento das taxas de juro, não é, Paulo?
Apesar disso, o receio é que mesmo com esta inflação central, sem energia e preços alimentares relativamente controlada, que o BCE venha na próxima semana, a próxima reunião de decisão de taxas de juro é na quinta-feira da próxima semana, que o BCE venha a subir juros. A decisão não é muito clara ainda, nesse sentido, se vai haver ou não uma subida de um quarto de juros. A maioria dos analistas indica que sim. Pode ser uma decisão não tão consensual dentro do próprio conselho do BCE, como foi a anterior, que foi unânime. De qualquer forma, há aqui também um efeito preventivo. A inflação tem um bocadinho também de psicológico, ou seja, se nos agentes econômicos todos, consumidores, vendedores, comerciantes, se instalar a ideia que nos próximos meses vão ser de mais inflação, os comportamentos das pessoas levam logo, de alguma forma, que uma parte da inflação seja mesmo adquirida, porque os comerciantes vão começar, naturalmente, a aumentar um pouquinho os preços, os trabalhadores vão necessariamente exigir mais salários nas negociações que estão aí à porta para o próximo ano, e tudo isso são logo tensões, elas próprias inflacionistas. E, portanto, há aqui um efeito também de prevenção que o BCE quererá trazer, além do efeito mecânico e direto da política monetária, depois na transmissão de preços. Mas vamos ver. De qualquer forma, a conjuntura agravou-se a este nível.
Até porque o preço do petróleo também continua a subir.
Cá em cima. E sem perspectivas de vir a baixar. Nós temos assistido desde fevereiro, isto é uma esquizofrenia, quer nas declarações de Donald Trump.
Como no impacto que essas declarações têm.
Obviamente, isto é, de facto, impróprio para cardíacos.