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Este é o som da Boa Moeda, Má Moeda, com o Paulo Ferreira e as prestações da casa vão voltar a subir em setembro. Se era para isso, mais valia não vires.

Tens de ficar de férias.

Pronto, eu regresso.

Já que insistes.

Exato, eu regresso já. Pronto, olhem, acabou. Ficou aqui o Boa Moeda, Má Moeda.

Então, Paulo.

É verdade, estamos no início do mês, aquela altura em que se fazem contas. Amanhã começa setembro, já conseguimos fazer as contas à revisão dos contratos que vão ocorrer em setembro. E de facto, as notícias não são boas para quem paga a prestação da casa. Vai haver um aumento, novamente. E neste tipo de amplitudes, porque quem tem Euribor a três meses e portanto o contrato é revisto de três em três meses, vai pagar mais €23 e mais uns trocos, mas vamos arredondar isso para os €23 por mês. Já agora, estamos a falar daquele empréstimo típico de €150 mil a 30 anos com um spread de um ponto percentual. Portanto, Euribor a três meses, mais €23. Para quem tem o contrato indexado a Euribor a seis meses e, portanto, é revisto de seis em seis meses, vai pagar mais €47 do que pagava desde março, altura em que foi feita a última revisão há seis meses. E quem tem o crédito à habitação indexado a Euribor a 12 meses e, portanto, é revisto de ano a ano, em setembro, neste caso, vai pagar mais €70 face à prestação que pagou nos últimos 12 meses, no último ano. É dinheiro, já. Tudo isto já é dinheiro. Esta é a maior subida das prestações em dois anos. Nós também, nos últimos dois anos, tivemos um movimento, grande parte destes dois anos inversos, de descida das Euribor até fevereiro. Depois em fevereiro, com a intervenção norte-americana no Golfo, com o Irão, se provocou, como sabemos, um efeito nos combustíveis, nas matérias-primas dos combustíveis, que alastrou a inflação. Quem fala de inflação a subir, fala também de potenciais juros a subir. É o que está a acontecer. As Euribor aqui a refletirem essa tensão, já subiram um quarto ponto do BCE, e há a expectativa de que pode voltar a acontecer agora na reta final do ano, mais uma subida. Vamos ver. Tudo dependendo da evolução dos preços, a começar pelos combustíveis e depois outros produtos, nomeadamente os produtos alimentares. Vamos ver.

Mas já que falas em combustíveis, já ouvimos há pouco o Luís dizer nas notícias, o gasóleo fica mais barato esta semana, a gasolina nem por isso.

Nem por isso. Antes pelo contrário, deve aumentar também um cêntimo e meio por litro.

Mais coisa, menos coisa.

Mais coisa, menos coisa. Sete cêntimos é a queda do gasóleo. Isto coloca os combustíveis, o gasóleo ligeiramente acima dos €2, em termos de preço médio, 2,011 €. A gasolina ligeiramente abaixo, mas mesmo ligeiramente, nem é um cêntimo, é um milésimo, 1,999 € de preço no limite de referência. Sabemos que isto são preços de referência. Sabemos que há postos de combustíveis que fazem preços relativamente abaixo destes e outros relativamente acima destes também. Mas olhando agora em perspetiva, nós estamos aqui longe da casa dos preços que andavam em €1,60 a €1,70 em fevereiro.

Antes disto tudo.

Antes disto tudo, exatamente. Portanto, há uma subida aqui, se quisermos, em meio ano, de cerca de 25%, que de alguma forma se mantém constante. Nós sabemos que nas últimas semanas, meses até, os preços têm andado aqui a rondar os tais €2. Um bocadinho abaixo, um bocadinho acima, e não saem daqui. O governo também a ajustar o ISP em função das subidas e descidas. Isto é, quando os preços do mercado sobem, o governo faz um desconto do ISP para que o Estado não ganhe no IVA, se quisermos, para compensar.

Quando desce.

É o contrário. Aqui ao lado, em Espanha, é sempre a nossa referência, sobretudo para quem mora perto da fronteira, o gasóleo passa, a partir da manhã de 1, a contar com um desconto de 20 cêntimos por litro no imposto e a gasolina, que tinha um imposto aplicado desde o início desta crise de 10 cêntimos, essa redução passa para cinco cêntimos, portanto fica mais reduzida. O governo espanhol tem uma política de mais longo prazo, se quisermos. Aqui estamos a falar de seis meses nas medidas que tomou e, portanto, ajusta agora essas medidas tomadas e vai agora ajustas também em função da evolução do preço dos mercados. E portanto, a gasolina aqui uma redução deste imposto praticado lá para cinco cêntimos e o gasóleo menos 20 cêntimos. As contas feitas cá em Portugal pelas reguladoras dizem que se nós retirarmos o efeito fiscal, se olharmos para os dois países, Portugal e Espanha, sem qualquer imposto, os combustíveis seriam mais baratos cá.

Pois, já tínhamos visto isto.

Já tínhamos falado disso. Em Espanha, ligeiramente mais caros, só o produto. Depois, os impostos fazem a diferença no final. Agora, com este desconto, obviamente que em Espanha continuam muito mais baratos do que cá.