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We choose to go to the moon, not because they are easy but because they are hard.

Roger, roll pitch.

Arranca agora o sexto episódio de "Cabeça na Lua", o programa da Rádio Observador que acompanha todos os dias as mais recentes novidades da missão Artemis 2. Ontem foi o grande dia: 406.771 km. É esta a maior distância que o homem já esteve longe de casa. Quebra assim o registo da Apollo 13. Os quatro astronautas da nave Orion concluíram ontem um histórico sobrevoo lunar que durou perto de sete horas, onde tiraram várias imagens do lado oculto da Lua, ou pelo menos de parte dele, porque como já falámos, devido à escuridão, só foi possível ver cerca de 20% desta zona da Lua. Mais uma vez reencontro-me aqui com José Augusto Matos, é astrónomo e um incansável divulgador de ciência. Tem-nos ajudado a perceber melhor esta aventura lunar. José, muito boa tarde.

Olá, Ricardo. Boa tarde.

Os quatro astronautas da missão Artemis 2 ficaram incontactáveis durante cerca de 40 minutos enquanto passaram pela face oculta da Lua. Vamos primeiro ouvir as palavras de Victor Glover, um dos tripulantes da missão, momentos antes desse momento.

"And so as we prepare to go out of radio communication, we still feel your love from Earth. And to all of you down there on Earth and around Earth, we love you from the Moon. Houston copies. We'll see you on the other side."

"Vemo-nos do outro lado", dizia aqui o astronauta Victor Glover numa última chamada com a sala da NASA em Houston. José Augusto Matos, a minha primeira pergunta hoje é muito simples: correu bem este sobrevoo lunar?

Sim, correu muito bem. Também a expectativa que havia é que fosse uma passagem pelo lado oculto pacífica, no fundo pacata. E portanto, ninguém estava à espera que acontecesse alguma coisa de extraordinário à nave enquanto ela estava incontactável. Mas de facto correu muito bem e eles cumpriram as tarefas que tinham previstas, nomeadamente a observação lunar e de fotografia lunar. E portanto, quando surgiram do outro lado, traziam boas fotos para nós cá na Terra vermos e apreciarmos.

Para nos darem a conhecer também. Foi também possível ver parte do satélite natural da Terra, que habitualmente está fora do alcance. Explique-me um bocadinho melhor isto, José.

Acontece o seguinte: de facto, a nossa Lua tem uma face sempre visível para nós, que é o chamado lado visível da Lua. E nós aqui da Terra nunca temos qualquer possibilidade de ver o lado oculto. Isto por quê? Porque a rotação da Lua é igual exatamente ao período de translação à volta da Terra, ou seja, ela roda sobre si própria em 28 dias e anda também à volta da Terra em 28 dias. Isso faz com que tenhamos sempre a mesma face virada para a Terra. Ora, nós para conhecermos o lado oculto, precisamos ou de uma nave ou de uma sonda, que passe pelo lado oculto e faça esse mapeamento. O lado oculto, como eu também já referi noutros episódios, é conhecido há muito tempo. Portanto, desde há muitas décadas que nós conhecemos o lado oculto e até temos um conhecimento bastante detalhado do lado oculto.

Nunca tínhamos estado era tão perto dele, não é?

Não, também já tínhamos estado perto. O que acontece é que, neste caso concreto, como a nave ia passar por essa zona, é sempre uma oportunidade para observar e para fazer imagens. Agora, os astronautas não iam descobrir nada de novo, nem estávamos à espera que descobrissem nenhuma cratera nova, nem nada disto.

Aliás, este momento fica marcado também não pela descoberta de novas crateras, porque elas já eram conhecidas, como o José está a dizer, e bem, mas sim pela atribuição de nomes a duas das crateras. Uma delas em homenagem à falecida esposa do comandante da missão, Reid Wiseman, perdeu a mulher, Carol, em 2020, e foi desta forma emocionada que os astronautas comunicaram essa decisão.

"And the second one, and especially meaningful for this crew, is a number of years ago, we started this journey in our close-knit astronaut family, and we lost a loved one. And there's a feature in a really neat place on the Moon, and it is on the near side, far side boundary. In fact, it's just on the near side of that boundary. And so at certain times of the Moon's transit around Earth, we will be able to see this from Earth. And so we lost a loved one. Her name was Carol, the spouse of Reid, the mother of Katie and Ellie. And if you want to find this one, you look at Glushko, and it's just to the northwest of that at the same latitude as Ohm, and it's a bright spot on the Moon. And we would like to call it Carol, and you spell that C-A-R-R-O-L-L."

Aqui um dos astronautas a comunicar esta decisão. É um momento muito emotivo. De facto, os astronautas estão inclusive com as lágrimas nos olhos. Mas José, pelo que percebi, estes nomes não são ainda definitivos, certo?

Exatamente. Ou seja, estas duas crateras que eles decidiram batizar, neste caso, já eram conhecidas de outros mapeamentos anteriores, nomeadamente feitos por sondas espaciais. O que acontecia é que nós, do lado oculto, por exemplo, temos muitas formações lunares que embora sejam conhecidas e já foram catalogadas e fotografadas, não têm um nome oficial atribuído. Esses nomes, existe uma entidade internacional, que é a União Astronómica Internacional, que é no fundo a organização que regulamenta a nomenclatura dos corpos celestes É essa união astronómica que depois recebe as propostas de nomes e que aprova ou não aprova.

A partir de aqui irá aprovar.

Claro, a partir daqui irá aprovar, mas só a partir do momento em que esse processo transitar na União Astronómica Internacional é que estas duas crateras terão os nomes. Um dos nomes, e não é oficial, mas um dos nomes que está previsto é o nome da nave, que é Integridade, Integrity, e o outro é da esposa do comandante que faleceu em maio de 2020, que também daria aqui uma homenagem. Portanto, também teria o nome numa cratera.

É uma bonita homenagem. Durante o sobrevoo, a equipe de astronautas relata também ter visto seis flashes perto da Lua. O que está aqui em causa? Calculo que não fossem os flashes das máquinas fotográficas, mas sim outra coisa.

Não, exatamente, não é das máquinas fotográficas. Era previsível que eles, quando estivessem a passar pelo lado oculto e naquela parte onde está de noite, os tais 80% que estavam na escuridão lunar, que eles pudessem ver eventualmente um impacto ou outro de meteoritos a bater na superfície lunar. Isso é possível de observar, porque a Lua, como não tem uma atmosfera espessa, nem nada que se pareça, praticamente não existe atmosfera, é uma coisa muito residual à volta dela, é perfeitamente possível nós, quando um meteorito bate nessa parte escura, vermos o flash do impacto. E eles de facto detectaram seis, pelo menos. Isso agora vai ser analisado pela equipe de ciências lunares, que vai acompanhando a missão, e vamos ver se foram, de facto, impactos de meteoritos ou não. Mas era também algo que era expectável. Nesse aspeto também não houve grande surpresa nesse tipo de observação.

Também durante o período que estiveram do lado oculto da Lua, viram algo nunca antes visto, pelo menos desta forma, um eclipse solar. O que acontece neste momento, José?

Foi interessante essa observação e a imagem já foi divulgada no site da NASA. Por quê? Porque há um momento em que, de facto, eles quando estão do lado oculto, devido ao alinhamento entre a nave, a Lua e o Sol, a Lua fica a tapar completamente o Sol. E então eles deixaram de ver o Sol. Aliás, a imagem que foi divulgada mostra o Sol realmente todo tapado e a Lua à frente dele. Até se consegue ver estrelas à volta, porque como a Lua teve esse efeito de tapar, conseguiu gerar condições pra que na fotografia aparecessem estrelas também.

É uma fotografia muito bonita, aconselhamos as pessoas a irem ver.

Exatamente, muito interessante a foto. E o que é possível estudar durante esse fenômeno? Uma coisa que nós também fazemos aqui na Terra quando há eclipse, aliás, este ano vamos ter eclipse em agosto, que vai ser total em Espanha, é estudar a chamada atmosfera solar, a chamada coroa solar, que é a parte mais externa da atmosfera solar. Isso, neste caso concreto, foi fotografado e poderá ser estudado pelos cientistas que se dedicam à astrofísica solar. Poderá ser estudado por eles e também é uma imagem muito bonita. Outra imagem também muito interessante e muito fantástica, que foi divulgada mesmo agora há pouco tempo, durante a nossa tarde aqui, foi a imagem quando a nave está a dar a volta à Lua e vê a Terra a pôr-se no horizonte lunar. Há uma imagem neste momento também que já foi divulgada, também fantástica, realmente uma grande beleza, em que vemos justamente a nossa Terra pouco a pouco a desaparecer.

Da forma como vemos a Lua.

Em crescente, exatamente. E vemos ela a desaparecer no horizonte lunar, portanto também é muito interessante essa foto, uma foto muito bonita. Eu diria que do ponto de vista turístico, a viagem também teve os seus pontos altos.

Essas imagens que estamos a referir têm sido partilhadas pela NASA, mas também pela Casa Branca. E passados os tais 40 minutos, as comunicações voltaram a ser restabelecidas e uma das primeiras pessoas com quem os astronautas falaram foi precisamente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que disse: "Deixaram toda a América orgulhosa". José, isto é também uma grande vitória e um momento histórico para os Estados Unidos?

Sim, em certa medida é. E de facto, essa comunicação que eles tiveram com o presidente Trump era expectável, porque o sobrevoo foi bem-sucedido e era expectável que o presidente os elogiasse e que lhes desejasse a melhor sorte do mundo no regresso. Mas sim, é uma projeção, porque embora o programa, eu também já o referi aqui em outros episódios, embora o programa seja um programa internacional, porque, por exemplo, nós temos a bordo um astronauta canadiano. Isso noutros tempos não acontecia. De facto, o programa Apollo foi um programa exclusivamente americano, não havia outros países envolvidos no programa Apollo. Neste caso, não. Neste caso, nós estamos a falar de um projeto muito mais abrangente, de caráter internacional, em que um canadiano está a bordo e no futuro teremos, com certeza, um japonês, um alemão, um francês, um italiano. Também vamos ter astronautas europeus em futuras missões Artemis. De facto, é um pouco isso. Mas os Estados Unidos são o posteiro principal. São eles o ator principal nesta questão. E sendo assim, era natural que o presidente estivesse contente e satisfeito. Aliás, ainda por cima numa altura que estamos em plena guerra.

Sim, mesmo internamente. Internamente é uma coisa boa de comunicar.

Fugiu um bocadinho à lógica da guerra, exatamente.

Exato. Entretanto, José, avizinham-se agora pelo menos dois dias de viagem, como o José já disse, mais pacata, digamos assim. A nave já está agora, e confirmamos isso mesmo há pouco em live, a 60 mil quilômetros da Lua. Saiu da zona gravitacional da Lua e começa agora a ser mais puxada pela Terra

Exatamente. Ela neste momento em que falamos está a 62.938 km da Lua.

Já foram mais 2.000 km desde a última vez que vi.

Exatamente. O que isso quer dizer? Que ela aqui nesta zona justamente dos 60 mil km, é quando a gravidade da Terra volta novamente a prevalecer na trajetória da nave. Ou seja, ela até agora estava a ser influenciada principalmente pela gravidade lunar. A partir deste momento, a Terra vai começar a exercer uma influência mais significativa sobre a trajetória da nave. Ela vai começar agora pouco a pouco, a sentir cada vez mais a atração gravitacional da Terra. E embora a Lua ainda esteja lá, e claro que o campo gravitacional da Lua chega até à Terra, faz marés no mar.

Continua a exercer influência sobre a nave.

Continua, mas já não consegue puxar a nave para trás, vamos assim dizer. O que acontece é que a Terra agora vai começar a puxar cada vez mais e a trajetória será agora ditada pela gravidade da Terra e não tanto pela gravidade da Lua. Porque, por exemplo, ontem todo aquele sobrevoo que ela faz é claramente determinado pela gravidade lunar, portanto a Terra pouca influência tem naquela situação.

Certo.

Aqui não, agora ela já passou os 60, neste momento está a 63 mil km e já a Terra começa novamente a predominar na trajetória. E ela agora vai cada vez ganhando mais velocidade, até que quando chegar cá, a reentrada aqui em Portugal vai ser de sexta para sábado, porque nós aqui quando eles tocarem no Oceano Pacífico já será aqui em Portugal 01:30 da manhã, mais ou menos, será na madrugada de sábado. Mas de facto ela até chegar às proximidades da Terra, vai agora ganhar cada vez mais velocidade, porque a Terra vai prevalecendo e ela vai acelerando em direção à Terra.

Já vamos também falar dessa reentrada na atmosfera. Agora nestes dias mais pacatos, como temos referido, algo que podem aproveitar para fazer é exercício, uma coisa que ainda não falámos aqui no podcast e que eu tenho alguma curiosidade. Eles têm de fazer pelo menos meia hora de exercício por dia, têm inclusive lá umas máquinas para ajudar a mexer os músculos para tentar evitar graves lesões musculares. O que acontece aos músculos quando se está no espaço, José?

O corpo humano, de facto, não é um corpo feito para estar no espaço, é feito para andar com peso. E num ambiente com gravidade, como é o caso terrestre. E de facto, houve uma preocupação nesta missão Orion. Isto nas missões Apollo não acontecia, porque o espaço habitável era menor. Já agora uma coisa curiosa, uma nave Apollo tinha, em termos de espaço interior, tinha seis metros cúbicos, a Orion tem nove, portanto conseguimos aumentar em 50% o espaço habitável no interior de uma nave destas.

Uma diferença grande.

Exatamente. E dá para instalar outras coisas que a nave Apollo não tinha. E uma coisa que foi instalada foi um equipamento que é o chamado volante de inércia, que é no fundo um pequeno equipamento que está montado dentro da nave e que permite que o astronauta fixe, por exemplo, os pés sobre a base daquele equipamento, aquilo depois tem um cabo e tem depois uma coisa na ponta do cabo, que pode ser puxado. E mais, esse cabo e o equipamento em si oferece resistência a esse puxão. Ou seja, o astronauta de facto tem que fazer força para conseguir puxar o cabo.

Um ginásio.

Exatamente, foi isso que foi usado nesta missão. Embora, meu caro amigo, nós aqui neste caso, a viagem não é muito prolongada. Estamos a falar de uma viagem que neste ambiente de imponderabilidade não ultrapassa os 10 dias.

Sim.

É muito pior na estação espacial, por exemplo, em que estão seis meses, sete.

E vêm com mais lesões, com mais moscas.

Um ano inteiro. Aliás, aqui a nossa caríssima astronauta que está a bordo tem 328 dias à volta da Terra. E é muito mais complicado, embora eles também têm outro equipamento para exercício físico mais elaborado que não tem na nave Orion. Mas é a primeira vez que uma nave que vai à Lua leva um equipamento para fazer ginástica, justamente essa meia hora que é o que é aconselhável neste caso, mas não é expectável que eles, por exemplo, na nossa madrugada de sábado quando saírem para fora da nave, seja preciso pegar neles ao colo.

Sim, porque já vimos essas imagens noutras situações, não é? Quando regressam nem conseguirem andar.

Exatamente. Ou seja, aqui a permanência no espaço não é assim tão elevada que eles se res sintam tanto no regresso à Terra. Claro que também estamos a falar de pessoas que estão treinadas e preparadas. São pessoas com uma preparação acima do normal. Não sou eu, nem o meu caríssimo que vamos estar 10 dias no espaço.

Claro.

E voltamos inteiros. Mas de facto, aqui não. Aqui eles têm essa preparação, mas têm esta novidade, de facto tiveram um equipamento para desenvolver exercício físico dentro da nave.

É preocupação também com o corpo no espaço, também o temos cá na Terra. Cada vez mais.

É porque a ideia é fundamental e é a que nós estamos aqui a falar, que é o corpo humano em um ambiente de imponderabilidade, de ausência de peso, os próprios músculos, enfim, todo o sistema músculo-esquelético não vai fazer grande esforço. É óbvio, porque está naquela situação de ausência de peso.

Os músculos não trabalham.

Claro, exatamente. Tem consequências a nível do sistema músculo-esquelético, porque o nosso sistema músculo-esquelético está construído para trabalhar com peso e trabalhar na Terra.

Sim.

E quando estamos numa situação dessas, obviamente que o corpo humano adapta-se, tudo bem, mas no regresso é que as coisas complicam-se, porque quando voltamos a ter peso, os músculos já não estão habituados.

Claro.

E esse peso há um choque grande.

Contaram-me também que mesmo a nível ósseo, por vezes a coluna dilata e depois nem sempre consegue voltar ao sítio.

Sim, depois quando são permanências no espaço muito longas, como acontece na estação espacial, há mesmo consequências a outros níveis no corpo humano, por exemplo, a descalcificação dos ossos, enfim, há uma série de problemas Que acontecem no corpo humano, que resultam dessas longas permanências no espaço. Aqui, neste caso, é uma permanência curta, portanto, não é tão grave como está na estação espacial.

São coisas que podemos guardar para falar nos próximos episódios. Para fechar, e porque estamos a ficar sem tempo, e é algo que também vamos depois voltar a falar, está a correr tudo bem na viagem, mas ainda vai haver um momento decisivo quando reentrarem na atmosfera, altura que se deslocam a mais de 40 mil km/h. Corrija-me se eu estiver enganado, é isto certo?

Sim, próximo dessa velocidade.

Próximo dessa velocidade. O que é que tem que acontecer de forma muito breve para ser uma reentrada perfeita?

Neste momento, hoje está previsto a primeira correção de trajetória, em que o motor do módulo de serviço, que é o módulo europeu fabricado cá na nossa Europa, irá ser ligado para ajustar a trajetória, para a trajetória ser o mais correta possível. E é provável que ainda daqui a dois dias, no dia nove, seja feita mais uma correção. Portanto, a previsão é de duas, três correções de trajetória.

Já foram efetuadas outras correções, que estavam previstas e que não aconteceram.

Exatamente, na ida para a Lua, foi perfeito. Nem foi preciso fazer as correções, o que mostra que, de facto, todo o lançamento e depois a saída da órbita terrestre, a manobra foi perfeita. Neste caso, pode ser necessário. E isto por que é importante? Porque a nave, quando chegar aqui nas vizinhanças da Terra, tem que vir na trajetória correta. E depois tem uma outra questão que nós falaremos na sexta-feira, que é o ângulo de entrada na atmosfera, tem que ser também o ângulo certo. Por quê? Se for um ângulo muito raso, a nave salta na atmosfera e volta para o espaço. Mas também se for um ângulo muito inclinado, o calor e as forças G, enfim, a aceleração que vai ser criada sobre a cápsula, também são excessivas para os astronautas. E portanto, essa reentrada tem que ser feita de forma perfeita também, para que tudo corra bem e para que a nave chegue cá ao oceano sem grandes problemas. E aí é também uma parte melindrosa de toda a viagem, porque é sempre uma manobra e uma reentrada que tem sempre os seus riscos. Esperemos que tudo corra bem nesse aspecto também. Mas a nave depois vai manobrar quando já estiver perto da Terra, ela depois vai largar o módulo de serviço europeu, esse vai ser descartado. Portanto, só a parte habitável é que vai entrar. E ela terá que estar perfeitinha na sua trajetória e terá que ter o ângulo certo para entrar no sítio certo e também aterrar no sítio que está previsto, porque já estão à espera deles. Ela tem que aterrar no sítio previsto. Portanto, isto tem que ser tudo calculado à primora.

Falaremos desta parte melhor no episódio de amanhã. Fica por aqui mais um episódio de "Cabeça na Lua". Eu sou o Ricardo Lopes, esteve comigo à conversa o astrónomo José Augusto Matos. Obrigado mais uma vez, José, é sempre um gosto.

Nada, Ricardo, é um gosto.

A nave já está a voltar para o conforto do planeta Terra, mas ainda vai longe. Portanto, na Rádio Observador, nós estamos de volta amanhã para acompanhar o que resta desta viagem.

"We choose to go to the Moon, not because they are easy, but because they are hard."