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"Let It Snow" é claramente um dos clássicos de Natal que também vai fazer parte deste espetáculo de nome Cotton Christmas. E é por isso que recebemos no cabeça de cartaz hoje o NBC e o Cabrita, que já estão aqui conosco. Olá, Cabrita. Estás bem? NBC.
Alô, como estão?
Muito obrigado por terem vindo a estúdio. Estamos também nas redes sociais do Observador, se quiserem acompanhar esta entrevista com imagem. De resto, chama-se Cotton Christmas. Este espetáculo vai juntar em palco os Caixa de Funk Connection, também a Aurea e o NBC. De resto, a direção musical é do Cabrita e do Francisco Rebelo. Pode não parecer pelo jovial aspeto destes dois indivíduos, mas são dinossauros da música nacional. Mais do que bodas de ouro, seguramente, já nestas duas carreiras. O NBC é um pioneiro do hip-hop. De resto, já em 2021 chegou também aí uma espécie de mini álbum, "Epiderme", podemos chamar-lhe assim?
Pode ser.
Um EP. O Cabrita também deve ser dos músicos que mais horas de estúdio tem em Portugal, por ter acompanhado tantos músicos, de Sitiados a Legendary Tigerman, de Cusundo Lola, a Selma Uamusse, claro, passando pelos Caixa de Funk Connection e pelo fabuloso disco a sol, de que já falamos aqui na Rádio Observador. Diz que está agora mais ou menos a fazer um ano.
Já fez. Acabou de fazer.
Já fez um ano. Estive a ouvi-lo hoje de manhã.
Boa.
Foi como me apeteceu ouvi-lo. NBC, como é que está o espírito natalício? O Tiago Deors faz árvore de Natal final de outubro, início de novembro.
Acaba o verão e começa a saber a Natal. Nos últimos dias de praia, uma pessoa está a pensar: "Epá, quero ir para casa".
É um bom público para projetos como este.
Sem dúvida. O espírito de Natal está a rolar lá em casa, já.
Tu já tens árvore?
Ainda não. Eu agora com tudo isto dos ensaios, acho que vou atrasar um bocado mais.
Não, eu acho é que tu redirecionaste.
O espírito de Natal.
Exatamente, ele direcionou todo o espírito natalício para Cotton Christmas.
Sem dúvida.
E o resto está mais atrasado. Tu és mais natalício ou não?
Sou. Sou, ainda por cima proprietário de uma família numerosa, portanto, normalmente costumamos fazer o Natal desde o primeiro fim de semana de dezembro até aos Reis. Portanto, para passar a ser mesmo Natal.
É pá, muito bom. De resto, fiquei curioso também para quem é que teve esta ideia de fazer este espetáculo. Também fiquei curioso para perceber se isto vai acontecer em disco ou se é apenas um espetáculo.
Ainda hoje trocámos galhardetes sobre isso, eu e o NBC.
Chegaram a uma conclusão?
Sim, vamos pensar nisso mais à frente. A parte do disco.
Sim, vamos pensar.
A primeira coisa é montar o espetáculo, que é o que nós acabámos de fazer ontem. Portanto, agora é só afinar mais umas agulhas e preparar a coisa toda e embrulhá-la bem.
Como é que chegaram a este alinhamento?
Fizemos uma triagem de, sei lá, 50 canções, 40 e tal canções, e depois fomos escolhendo arranjos que nos pareciam mais interessantes e até certo ponto bastante interessante. Tínhamos o roster dos cantores fechado, que era a Aurea e o NBC, e a Thamin, dos Caixa de Funk Connection. A partir daí foi uma espécie de casting, este fica com esta, esta é melhor para este, e depois demos uma média para aí de sete a oito para cada cantor, que ficaram seis.
E houve discussão?
Houve alguns gadinhanços por causa de algumas canções. Não, estou a brincar, não houve nada. O pessoal foi todo superprofissional e aceitaram as propostas que nós, na direção musical, fizemos.
Sabem que eu tenho aqui um programa na Rádio Observador, que é o "Isto Não Passa na Rádio", com o Gonçalo Correia, com o Tiago Pereira, e há cerca de um ano fizemos um programa só sobre músicas de Natal e o painel discutia um pouco se há músicas fixes de Natal ou não, quais são as fixes. Temos de concordar que há ali uma série delas que são sempre um bocado lamechas nesta época do ano. Mas tu tens, por exemplo, um clássico de Natal favorito?
Nunca tive, mas o que é interessante em relação às músicas de Natal, eu sempre passo nos centros comerciais, tenho um fetiche por crooners.
Aquele lado gospel também te atrai?
O gospel em todo o ano, não necessariamente no Natal, mas o crooner mais do que o gospel. E portanto, quando me apresentaram alguns dos temas, foi muito curioso. Eu nunca tinha cantado dentro do género. Quando falo em crooners, para as pessoas perceberem, estamos a falar Michael Bublé, Frank Sinatra, esse tipo de vozes. Eu nunca tinha feito, nunca tinha cantado, e apareceram-me estas propostas e Quando os recebi, inicialmente, vou ser honesto, tive medo. Eu, quando falo de crooners, para quem gosta, já é um nível de intocáveis. Pessoas com vozes muito especiais. Mas acho que consegui superar, eles ainda não vieram, mas acho que consegui superar.
Conseguimos perceber aqui.
O ambiente parece bom, parece que deve ter corrido tudo bastante bem.
Sim, mas sou-vos muito honesto, se eu estivesse de fora, só a ver este espetáculo, digo-vos, é muito interessante, porque é mesmo muito especial. Todos os ensaios que nós fazíamos, apesar de ser muito cansativo, fazíamos ensaios de manhã, à noite, das 10:00 até às 21:00.
Full time job.
Sim. Mas chegava ao fim com um sentimento de: como é que se consegue juntar tanta gente dentro de um espaço, todos os dias, a chegar ao fim todos com vontade.
Eu acho que isso é da música.
É espírito natalício. Isso deve ser o espírito natalício.
Pode ser, também.
E vendo aqui os cartazes de The Funk Connection nesta formação, significa que vocês vão afuncalhar. É esse o termo técnico?
Sim.
Vão ter um very funky Christmas, provavelmente.
Exatamente. Um very funky soulful Christmas.
Já têm acesso aos temas?
Se estamos a ouvir aqui estes, somos nós. Eu ainda não sei o alinhamento completo.
Ainda não sei o alinhamento completo.
Não, mas temos muitas coisas bonitas e alguns fios da navalha, como tu estavas a falar há pouco, há sempre alguns clássicos que a malta fica assim . Mas que acho que conseguimos dar a volta e levar para o nosso universo musical dos Funk Connection.
Vale mesmo a pena.
E por falar em clássicos, ainda há pouco falávamos de um outro, que era o dos Pogues. Tu também gostas muito.
Eu adoro Pogues.
E elegeram o "Fairytale of New York" como melhor canção de Natal de sempre. Concordam os dois? Eu gosto muito do "Fairytale of New York".
Não entrou neste espetáculo?
Não, não entrou. Porque não consegui imaginar uma maneira de transpô-la para o nosso universo musical, como é uma coisa muito irlandesa e muito folk, ficou um pouco fora do jogo.
Tendo sempre de tentar dar bastante dinheiro à BBC, talvez eles chegassem àquele registo do vocalista dos Pogues.
Mas entra no espetáculo. Ainda poderá entrar no espetáculo.
Neste ano, não.
Por acaso deve ser uma canção difícil de fazer.
Mas os Pogues têm músicas difíceis.
Sim, e principalmente vive muito do caráter do Shane MacGowan e é impossível fazeres uma coisa decente dentro daquele registo. Tens ou ir buscar o boneco ou então fazer uma abordagem radical.
Mas acreditem que têm lá coisas muito arriscadas.
Sim.
Têm lá coisas muito arriscadas.
Mas porque são standards, é por isso? Estão muito colado àquilo que toda a gente está habituada a ouvir?
Não, acho que até vai ser um bocadinho ao contrário. Nós, mesmo assim, para o que os Funk Connection costumam fazer, esticamos um bocado o elástico para aquele ambiente mais de big band e das crooners, dos Nat King Cole da vida e todos esses. E então acabou por ficar uma coisa bastante sofisticada. Temos uma música que é quase coral, uma canção que é uma versão do " Silent Night" com o .
Exato.
Então temos muitas coisas que mandamos um bocadinho para fora do tapete, mas acho que no fim vamos contar uma história muito bonita de Natal.
Por falar em crooners e falaste há bocadinho do Michael Bublé, ele lançou há umas semanas uma nova versão do "Let It Snow", provavelmente para vos provocar.
Foi de propósito.
Foi uma afirmação de principio de propósito. Mas incomparavelmente pior.
Também concordo.
Com quem é que faziam um dueto de Natal? Mesmo que no videoclipe, imagina, tivessem de usar aquelas camisolas com renas, uma coisinha que acender e apagar. Essa é uma pergunta mesmo. Eu, sem dúvida nenhuma, porque está no meu imaginário, Frank Sinatra ou Nat King Cole.
São difíceis os dois.
A esta altura do campeonato fica difícil.
Sou mesmo fã dessas figuras.
O Bublé dá uns toques.
Desculpa? O Bublé dá uns toques. E eu sou superfã do Bublé, é um fetiche escondido. Não digo isto assim tanta vez.
É o vil Bublé.
Eu ajudo, eu também sou.
Não tens essa culpa.
Porque na realidade isto é assim, para quem canta, consegue perceber, de facto, que o Bublé
Canta num nível que é difícil. Tem uma grande extensão de voz. É difícil cantar. Para as pessoas não pensarem que aquilo é só pôr pão no fiambre, como se costuma dizer. Canta muito, porque a gente vai a uma loja, ele está a cantar, a gente vai chegar no carro, ele está a cantar também. Está a cantar em todo lado. Em todo lado, não esgota aquilo. A gente chega ali em janeiro, já não consegue ver o Michael Bublé à frente.
É verdade.
Quantos álbuns de Natal é que ele tem? Não sei. Ele tem este Christmas. Pelo que percebi, esta versão que o Tiago estava aqui a falar foi feita com a orquestra da BBC este ano, mas é uma versão de Let It Snow que já estava no Christmas. O álbum faz 10 anos.
Basicamente só faz coisas sobre o Natal.
Eu acho que todos os anos lança um disco. E quando não é um disco, é um best of de Natal do Michael Bublé. Eu acredito que todos os discos unidos do Michael Bublé não superam a música da Mariah Carey. Só dizer. E o dos Wham! é um clássico.
Está. Atenção, é um dezembro que começa o Whamageddon.
É verdade. O Whamageddon, isso é bom. Estamos aqui a ficar sem tempo. Falem-me um bocadinho desta tour. É bem extensa, arranca no dia 3 de dezembro, pelo que percebi, no Coliseu Micaelense, nos Açores, termina no dia 23 no Porto, no Super Bock Arena, Pavilhão Rosa Mota. Como é que estão os preparativos? E fiquei curioso para perceber se há aqui uma indumentária natalícia, renas e Pai Natal em palco, uma cenografia alusiva a esta época. Como é que isso está a ser preparado?
Está a ser preparado uma decoração de Natal. Naturalmente, o espetáculo vai ser decorado com luzes de Natal. Há coisas que ainda estão em aberto. Quero deixar um espaço para surpresa para quem for ver.
Sim.
A nossa indumentária é aquela coisa mais de gala, mas a puxar um pouquinho para o Natal também.
Com umas asas nem tanto. Exato. A quem é que vai tocar os corninhos da rena? Eu tenho umas com uns sininhos em cima.
Exato. Nós levamos os guizos.
Vamos levar os guizos. Toda a gente vai tocar guizos neste espetáculo. Num sítio ou noutro vai-se ouvir tim, tim, tim. É a pandeireta dos Cotton. Exatamente. No funk costumas ter uma pandeireta, aqui tens uns guizos. É a adaptação principal em termos de percussão. É um concerto sem idade também. Levem mesmo as crianças. Sim, há uma declaração da Auri em que ela dizia mesmo que este era o espetáculo para toda a família e que estava a ser preparado também com esse intuito. Só aqui deixar algumas datas: 3 de dezembro em Ponta Delgada, mas depois no dia 4, Oliveira do Bairro, dia 7, Multiusos de Guimarães, dia 11, Figueira da Foz, no dia 13 há o concerto em Lisboa, no Tivoli, depois 14 e 15 em Lagoa, Algarve, ainda São João da Madeira. E depois há outra vez Tivoli? Fazem duas datas? A 13 e a 18.
Exatamente.
Ok. E ainda Ourém, Leiria e terminam no dia 23, e é porque não podia ser já no dia 24, por acaso, a tratar para essa consoada, que acontece daqui a um mês, precisamente daqui a um mês.
Vocês vão poder fazer os doces regionais desta altura de Natal em todo o país.
Isso era genial. Vou pôr uma nota ao manager para aquilo. Eles vão chegar gordos ao dia 24. Os fatos do início desta tour já não vão ser os mesmos no final da tour. Como é que se lembraram deste nome, já agora, fiquei curioso. Por acaso foi a nossa agência, os produtores associados. Ok. Foram eles que tiveram a ideia.
Mas é um belo nome.
Eu sinto logo que fim, não é? É cozy.
É aconchegado.
É aconchegado. Eu gosto de camisola. Tem duas abordagens possíveis, a da fofice do Natal, do quentinho e da música afro-americana, que também é a matriz principal daqui.
Muito bem apanhado.
Muito bem apanhado. Os campos de algodão. Uma sugerência, não. Muito bem. NBC e Cabrita, nossos convidados hoje no Cabeça de Cartaz da Rádio Observador. Fechamos aqui com o Let It Snow. De resto, este é um vídeo que já anda pelo YouTube e que apresenta também este espetáculo que vai percorrer o país. Imbuindo toda a gente desse espírito natalício. NBC, Cabrita, muito obrigado por terem vindo à Rádio Observador. Obrigado. Está prometido com sax e com mais malta.
Temos ali um espaço dedicado a isso.
É verdade. Contar convosco nos concertos. Muito obrigado. Um abraço e bom Natal. Acho que podemos dizer.
Já podemos dizer bom Natal?
Já!
Maravilha!
Olá, eu sou o Nelson Ferreira. Obrigado por ouvir. Se gostou, pode subscrever este podcast e se gostou mesmo muito, pode partilhá-lo. Este é um podcast da Rádio Observador. Pode ouvir a rádio online e também em FM. 98.7 na Grande Lisboa, 98.4 no Grande Porto.