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"You aim straight at me, gun bullets and shells. Go ahead and make a fool, make a fool out of yourself. Steady hands, make amends, go ahead and start a war. Go and call your friends, go and call your past lovers. Use all your words now and all your numbers. I ain't scared babe, you can't scare me, you can't scare me no more. We were happy. Yeah, I was there. When you said I was all that mattered. I felt you truly, truly cared. And now it means nothing. You wanna leave me like this? But this ain't over. No, it ain't over till I say it is."
"It Ain't Over", com a voz de David Fonseca, foi a primeira revelação deste disco de nome "Dez", fica amanhã disponível. Marca os 10 anos da Orquestra Jazz de Leiria e é também o primeiro disco desta big band. Para nos falar sobre tudo isto, está conosco o maestro César Cardoso. César Cardoso, muito boa tarde. Bem-vindo à Rádio Observador.
Muito boa tarde. Muito obrigado pelo convite.
E muitos parabéns. Tenho gostado muito de ouvir estas canções da Orquestra Jazz de Leiria. Já conhecemos este single com o David Fonseca, que nasce até de uma composição original, mas há por lá clássicos do cancioneiro português também recriados por vozes como Luísa Sobral, Herman José, Camané, Maria João, Jorge Palma, Pedro Brunhosa. São muitas as vozes que dão mais vida também a estas canções para o disco "Dez". Mas, César, antes de falarmos propriamente deste disco, queria conhecê-lo um pouco melhor, saber por onde andou e por que é que há 10 anos se deu o nascimento desta Orquestra Jazz de Leiria.
Eu sou saxofonista, sou músico de jazz e este aparecimento da orquestra resultou um pouco pelo meu gosto da formação big band. Eu resido em Lisboa e faço parte da orquestra do Auto Clube de Portugal e achava que fazia sentido haver uma orquestra deste tipo em Leiria, na altura, porque havia muitos músicos. Nós em Leiria temos bastantes músicos, não necessariamente de jazz, mas temos muitos músicos. É uma terra com muita qualidade nesse aspecto. Sejam músicos de sopros, que vêm das bandas filarmónicas, sejam músicos de bandas de rock, de covers. E achava que era giro ter um projeto destes em Leiria e foi assim que surgiu, foi uma maneira de juntar a comunidade jazzística e mais um ou outro que não era na altura e que agora estão um pouco convertidos.
César Cardoso, é pouco comum esta adaptação de um repertório mais pop a este som, este universo de big band. Como é que foi feita a escolha das canções?
Eu acho que não é muito comum, por acaso. É capaz de ser um dos primeiros discos que acontece esse tipo de misturas. A escolha foi natural, até porque nós, ao longo desses 10 anos de existência, fizemos muitos concertos. Nós costumamos fazer sempre pelo menos dois concertos por ano no Teatro José Lúcio, em Leiria, sempre com um convidado diferente. E nós procuramos mesmo ir a outros estilos para nos obrigar também a ter que arranjar soluções, seja a tocar, seja a fazer os próprios arranjos, que são sempre feitos arranjos próprios para cada concerto, e também para tirar um pouco da zona de conforto do artista. Há sempre ali uma cedência de ambas as partes. Ou seja, nós basicamente agora para o disco fomos escolher temas que fomos fazendo ao longo desses 10 anos, havendo um ou outro que foi feito propositadamente pro disco, como é o caso do "It Ain't Over", do David, que escreveu para ser o single do disco.
Também tenho gostado muito do que temos ouvido, César, junto com a opinião do Nelson e da Judite.
Obrigado.
E perguntava-lhe o seguinte: todos estes cantores são muito experientes, mas ainda assim, como é que correram as gravações destes temas? Houve algum cantor ou cantora que o tenha surpreendido de alguma forma pela sua performance?
Na verdade, surpreenderam todos. Mas nós como já tínhamos trabalhado com eles, já sabíamos o que queríamos contar. Naturalmente que foi um processo bastante rápido, a gravação, individualmente da parte deles. Da orquestra em si, não foi rápido também porque são muitos temas. Isto é um projeto um pouco louco da nossa parte.
É um disco duplo, não é, César?
É, um disco duplo, 25 temas, 14 convidados, quase duas horas de música. Foi um projeto grandioso demais, até. Só no fim de estar envolvido é que percebemos isso. Mas pronto, de qualquer das maneiras, correu tudo bastante bem e estamos bastante contentes com o resultado.
Deixa-me voltar aos temas. Quem é que escolheu e quem é que fez a proposta do tema? Chegaram a um acordo ou é da tua lavra a escolha das músicas?
É um pouco das duas coisas. De acordo também com os arranjos que fomos fazendo, há uns que funcionam melhor, outros funcionam pior, e fui propondo uma série de possibilidades de temas a cada artista. E eles depois foram escolhendo, também de acordo com o que eles gostavam mais, com aquilo que percebiam que funcionava melhor com formação big band, que é uma coisa bastante diferente do que eles fazem. Fomos compondo assim os discos Os temas a escolher.
César, voltemos a Leiria. Já tocou nessa questão em particular. É uma cidade que também nos últimos anos teve esse boom de novas bandas e se tornou também num epicentro da cultura pop rock nacional, e não só. Mas dizias que vivias em Lisboa. Que desafios é que enfrentas neste trabalho com uma orquestra deste tipo, em Leiria, em particular?
Os desafios são mais a questão logística de ensaios, de preparação, em que tenho que me deslocar a Leiria. Mas de qualquer das maneiras, eu vou a Leiria regularmente, porque é a minha terra natal. Naturalmente que isso não é um entrave. Tento gerir os ensaios também em função da minha ida.
E podemos perguntar se tem algum tema favorito neste alinhamento? Ou se lembra de alguma canção que tenha ficado de fora, com pena sua?
Não, felizmente foram todas gravadas.
Como avançaram para esse formato mais longo.
Não, conseguimos pôr todos. Isso foi tudo planeado com muito tempo de antecedência e eu fui escolhendo os temas, fui vendo a duração dos temas, fomos vendo como é que se podia completar isto. Depois chegamos à conclusão que teria de ser um disco duplo, porque realmente 25 temas não davam num disco. E depois fomos gerindo e felizmente ficaram os temas todos e não houve nenhum imprevisto.
Imagina que não seja fácil reunir todos estes convidados em palco, mas adorava ver isto a ser apresentado ao vivo. Há essa intenção, César?
Há. Até já fizemos um concerto, que foi o lançamento. O lançamento, que foi em Leiria agora no dia 20 de novembro, mas apesar do disco ainda não estar disponível, foi um concerto já de apresentação do disco, que contamos não com todos, porque são 14 e ia ser uma maratona de horas seguidas de concerto, mas neste concerto tivemos quatro convidados. Foi o David Fonseca, a Luísa Sobral, a Áurea e o Tomás Pimentel. Mas de qualquer das maneiras, o nosso objetivo é esse, vamos apresentar o disco no início do próximo ano, em janeiro, e vamos estar a fazer dois Coliseus, tanto o Coliseu de Lisboa como o Coliseu do Porto. Posso dizer já as datas. No dia 7 de janeiro vamos estar no Coliseu do Porto e no dia 22 de janeiro no Coliseu de Lisboa. Posso também já dizer os convidados. Vão ser só com quatro convidados em cada concerto, porque realmente não dava para ter todos. Também para irem, para cantar só um tema, também é uma pena, então queremos aproveitar o máximo cada convidado. No 7 de janeiro, no Porto, vamos ter o António Zambuja, a Áurea, o Camané e o David Fonseca, e a 22 de janeiro, em Lisboa, vamos ter a Ana Bacalhau, novamente o David Fonseca, uma vez que é de Leiria e o single foi dele, vai fazer os dois concertos, a Luísa Sobral, o Pedro Abrunhosa e o Tomás Pimentel.
Tenho gostado muito desta "Podia Acabar o Mundo", com a voz do Herman José. Estávamos a ouvi-la aqui.
Essa versão é maravilhosa.
Tenho gostado muito desta canção.
Esta letra da Rosa Lobato Faria, eu acho que é especial, de alguma forma.
E o Herman fica muito bem neste formato big band, ele está tão habituado a isto.
É, ele encaixa-se maluco. É verdade.
Faz lembrar o "Casino Royale", que ele fazia tão bem com banda. César-
Mas eu confesso que este formato big band e como a vossa que soa desta maneira, eu acho que até se fosse eu a cantar, sem desprimor para os convidados, nem se reparava.
Sim, ele sabe.
É verdade.
O que também me parece sempre é que qualquer cantor neste registo big band fica sempre com muito estilo. Parece sempre um chic crooner.
Põe um fatinho, exatamente. Até parece um senhor como sério.
Eu acho que este tipo de formação tem um impacto muito grande, é verdade, no público. E a música tem muito mais power. A mim dá-me bastante gozo, na verdade, seja a tocar, seja a dirigir, ou seja a ver um concerto, também. Eu gosto muito deste tipo de formação. Sem dúvida, eles ficam muito mais empolgados também.
Sim, há ali uma elegância que é indisfarçável, independentemente de quem esteja a cantar com estes arranjos.
Ficas um bublé.
Ficas.
Como ele trouxe a banda também no último concerto em Lisboa. César, só para terminar, demoraram 10 anos para fazer um disco, esta Orquestra Jazz de Leiria. Vamos, sei lá, ter um 11, um 12, um 15, um 20? O que estão a pensar em relação a isso?
Não sei ainda. Na verdade, nós não demoramos 10 anos, só agora é que surgiu. Quer dizer, já tinha havido esta possibilidade de fazer o disco, já tínhamos pensado nisto há cerca de três anitos. E depois, entretanto, desisti da ideia, porque como devem calcular, a logística é de loucos. Convidar tanta gente, todos os contactos que têm que se fazer, a questão dos temas, dos arranjos. Foi mesmo muito complexo. E na altura, depois houve ali uns entraves e entretanto a ideia esmoreceu. Voltou agora com a questão de como eram 10 anos de existência, era um número redondo, achamos que se calhar agora podíamos tentar. E entretanto fizemos mais concertos com mais convidados e foi aumentando o número de convidados e participações, tornou tudo ainda mais difícil. Com tudo, obviamente que as melhores coisas dão trabalho.
Claro.
Mas de qualquer das maneiras, estou contente com isto. Acho que para o ano não vamos fazer outro. Acho que é muito cedo. Agora temos que aproveitar este disco.
Eu apostava no 15.
Eu acho que sim, se calhar o 15, em que já temos mais cinco anos de convidados. Eu acho que sim, 15 é uma boa ideia.
Muito bem, o músico César Cardoso, da Orquestra Jazz de Leiria, esteve conosco hoje no "Cabeça de Cartaz". Estamos aqui, de alguma forma, também a estrear estas canções que só ficam disponíveis amanhã. E obrigado por isso, César. Olha, o "Anseio de um Rio" com o Camané, também é uma surpresa vê-lo neste formato e com estes arranjos belissimamente executados aqui pela Orquestra Jazz de Leiria. Ainda assim, fechava esta conversa, se me permite, César, com "I'm Old Fashioned". A voz de Maria João, que encaixa muito bem aqui com esta Orquestra Jazz de Leiria. O disco "10" fica amanhã disponível. Parabéns, César, e obrigado por ter vindo ao "Cabeça de Cartaz". Um abraço.
Muito obrigado. Abraço.
Olá, eu sou o Nelson Ferreira. Obrigado por ouvir. Se gostou, pode subscrever este podcast e se gostou mesmo muito, pode partilhá-lo. Este é um podcast da Rádio Observador. Pode ouvir a rádio online e também em FM: 98.7 na Grande Lisboa, 98.4 no Grande Porto.