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Muito bem, muito obrigado. As irmãs Falcão estão hoje no "Cabeça de Cartaz". As Golden Slammers têm este belíssimo novo single, "I Love You Crystal". De resto, já têm um grande vídeo aqui também pelo YouTube, que eu gostei muito, assinado aqui pelo Martim Brás Teixeira. Muito obrigado por terem vindo à Rádio Observador.

Obrigada.

E muitos parabéns por esta nova canção. A Margarida e a Catarina Falcão estão de regresso como Golden Slammers, o que já não acontecia desde 2014, o EP, e 2016, o álbum. E estão agora de regresso, 2022. Podem deixar já escrito, Tiago: um dos melhores discos da produção nacional em 2022.

Espectacular tema. E não foi um regresso depois de tanto tempo assim, porque os últimos dois anos não contaram.

Não contaram, é verdade.

Saltou logo. Muitos parabéns, excelente tema.

Como é que nasceu esta canção? Gosto muito deste universo que foi também criado aqui para a narrativa do vídeo. Como é que nasceu esta canção? Já com estas ideias que também podemos ver no vídeo ou são universos que não se tocam?

Sim, de certa forma. Nós começámos esta canção, que na verdade era outra canção, e depois guardámos esta parte final, que é aquele mantra.

Isto é gozar connosco, Nelson.

Completamente. Visto como ele existe.

É gozar connosco?

Não.

Deve ser.

Só pode.

Mas então queríamos pegar um bocado nesse mantra e compor uma música nova, porque não gostávamos daquilo que tínhamos feito inicialmente. E estávamos em casa da nossa avó Graça. E pensámos um bocado numa temática que estávamos a passar em comum. No fundo, é à volta desta obsessão pouco saudável, aliás, tudo o que é obsessão à partida não é muito saudável. De uma espiritualidade meia farsola, superficial, e como uma alternativa a um mental health proper. A trabalhar mentalmente.

Tipo usar cristais para resolver problemas mentais.

A ler os tarôs.

Eu faço bem que li esta semana.

Desculpa, mas o que é que disse não resulta? Que eu não percebi.

Não, resulta, mas-

Cristais tudo bem, não é?

Tudo resulta, é verdade.

Sabes que eu ontem li uma notícia de que as cartas de tarô estão em alta por causa da pandemia. Era só este o título, eu não abri o artigo. Mas era este o título.

De facto, eu acho que na pandemia as pessoas quiseram refugiar-se em algo para se sentirem bem. Acho que ninguém tem problemas em coisas que, if it makes you feel good, sure.

Força.

Mas nós tínhamos um caso muito próximo Chegávamos a ponto de rebirthings e tudo.

E tiveram vocês de fazer uma intervenção depois?

Não é bem uma intervenção para ela, porque nós não nos damos com essa pessoa e nem queremos.

Deixaram de se dar com essa pessoa.

Exato. Mas no fundo é a nossa forma satírica de falar sobre este assunto, que também nos é sensível de alguma maneira, porque eu sei que é fácil sentirmos todos que estamos um bado perdidos e isolados no mundo. E eu acho que as pessoas muitas vezes recorrem a este genre de coisas.

Queria só lembrar, até para explicar 2016, 2022, a Catarina Falcão, também conhecida como Monday, andou entretida com esse projeto. Var-Wel também está ativo, o outro projeto da Margarida Falcão. E daí também pode explicar um pouco estes anos para o regresso ao trabalho como Golden Slumbers, de quem gosto muito. Continua a haver uma coisa que eu acho espetacular nas Golden Slumbers, que é uma certa América, há ali um folk americana que eu aprecio particularmente e que elas fazem muito bem. Notam alguma diferença já nesta canção? Experimentaram alguma coisa completamente nova para aquilo que será o próximo disco, ou ele é um bom sucessor do "Daniella Messiah", de 2016?

Queres responder tu?

Ele é bastante diferente. Eu acho que é uma grande evolução do "Daniella Messiah" para o "I Love You, Crystal". Primeiro, temos um produtor completamente diferente, com uma estética completamente diferente.

Quem é?

É o Miguel Nicolau, dos Memória de Peixe. Também produziu o JP Simões e o disco dele, dos Bloom. Mas sinto que é bastante diferente. Obviamente, as nossas vozes são as mesmas.

É sempre a base das canções. Aliás, nós agora voltámos a despir esta canção e foi uma tarefa difícil, porque a música tem tantas camadas que nós gostamos para dar uma sonoridade diferente, que às vezes voltar a despir as coisas quando já estamos habituadas a ouvir o single produzido é assim tipo: "Ok, back to the origins".

Como é que está o vosso calendário para 2022? Ainda vamos conhecer mais canções antes da saída do disco? Já têm um mês, uma altura em que acham que ele vai estar cá fora na totalidade?

Nós queremos lançar mais dois singles antes da saída do álbum e a partir de março, fim de março, início de abril, sai o disco. Vamos ver se o Covid permite, mas estamos a planear essas datas.

Como é que foi o regresso ao trabalho como Golden Slumbers depois de andarem entretidas, como dizia há pouco, quer em Var-Wel, quer em Monday? Isso trouxe coisas novas para Golden Slumbers versão 2022?

É assim, nós nunca parámos assim completamente.

Eu adoro que tu digas isso, mas nós parámos.

Olha, eu estava à espera. As irmãs, olha as irmãs.

Não, nós somos irmãs, é impossível parar.

Está bem, mas não compusemos durante muito tempo.

Eu sabia que elas viam dar à bulha de vez em quando, Nelson, não viste?

É claro que acontece.

Nós compusemos, sim, senhora, simplesmente não eram muito boas as canções.

Aqui a sinceridade da Margarida.

Não, vou assim, nós parámos a dar concertos no final de 2018. E depois aí tentámos compor.

E depois parámos. E depois tentámos trabalhar.

E parámos outra vez.

Vocês foi intermitente.

A certa é a versão depois para a biografia.

Não, mas assim mais final foi em 2020.

2018 ainda não me diz estar assim tanto tempo também dessa partilha que fazem também em palco do projeto. Como é que imaginam esse próximo disco a ser apresentado ao vivo? Há esse formato só das duas irmãs Falcão ou há aqui uma banda que poderá dar suporte?

Eu acho que para o disco, na minha opinião, para os concertos ao vivo respeitarem aquilo que nós também queremos com o disco, tem que ser full on band, mais vozes, mais pessoas a tocar connosco.

Mais voz é a nossa hipótese.

É, pode ser agora.

É agora ou nunca. Contratos. Mas acho que sim, claro que temos sempre a hipótese de fazermos as coisas a solo, a duo neste caso. Mas queremos muito apresentar o disco como ele é, e isso significa termos mais pessoas e uma banda.

Eu estou desejoso de ouvir mais canções das Golden Slumbers, de quem já tinha muita saudade e estou muito também convencido com este "I Love You, Crystal". Tem um belíssimo vídeo pelo YouTube, vejam-no, porque elas estão todas vestidas de branco, quais castas puritanas. Está muito bonito o vídeo. E o final também é natalício, há ali uma imagem de mesa, não é? De mesa quase familiar.

Então valia ter escolhido esta música para música de Natal.

Para música de Natal, sim, podia ser.

Por acaso é mesmo natalício.

Por acaso acho que sim. Bem, vamos fechar este "Cabeça de Cartaz" com as Golden Slumbers. Muito obrigado por terem vindo. Catarina e Margarida Falcão estão de regresso com "I Love You, Crystal", para a primavera-verão do próximo ano. Temos aí um disco completo novo das Golden Slumbers e para o fecho de hoje elas deixam-nos também aqui um pequeno bombom, uma versão de uma música dos Kings of Convenience, de quem gostam muito e que claramente deviam contratar as Golden Slumbers.

Para fazermos a primeira parte dos concertos em maio.

Ou mesmo para substituir "Fight" num dueto.

Ou fazer a segunda parte dos Kings of Convenience.

Ou o contrário, sim, também acho que sim. Como é que se chama a canção?

"Rocky Trails".

"Rocky Trails", de Kings of Convenience, aqui recriada pelas Golden Slumbers. Catarina, Margarida, muito obrigado por terem vindo à Rádio Observador e muitos parabéns. Esta canção é lindíssima e prevejo um 2022 em cheio para as Golden Slumbers. Quando quiserem.

Só o final. Já está.

Tiago Dores, se calhar despedíamo-nos já dos nossos ouvintes caríssimos.

Sim, vamos fazer isso. Vamos deixar os ouvintes sossegados a ouvir em boa música, retirando-nos.

E amanhã estamos de regresso a partir das 15:00.

Um bom resto de dia. À hora normal amanhã, não é?

À hora normal amanhã, a partir das 17:00, em direto com Ana Filipa Rosa e com Miguel Videira. As Golden Slumbers na Rádio Observador.

One more time. Let's say you gave me one more time. One last chance to speak again. Let's start from where we left unsaid. Here we go. Brave enough to go climbing a wall so high that no sunlight is seen through winter. Brave enough to go traveling around the world without money to eat or sleep. Seeing what you can do with your hands and feet. I feel there is no question about it. Almost anything you can imagine. Almost any goal you will get there. I wish you had been more of a talker. Not the kind that is just flapping his lips and not the kind that looks away, but learns through his eyes when somebody is talking. Maybe you could have told me there was a world on your shoulders that needed lifting. Maybe I could have helped you with that. The weight is not easy, I know, but you never know. I thought your shoes were good. I thought they would take you to the end of any road. I thought your back was strong. But I should have carried you to the top of the rocky trail. I should have carried you to the top of the rocky trail. How am I to know about your problems and your load? I am blind to what you show. I am waiting to be told. I never ask how am I to know about your problems and your load. I am blind to what you show. I am waiting to be told. I never ask.

Rádio Observador. Olá, eu sou o Nelson Ferreira. Obrigado por ouvir. Se gostou, pode subscrever este podcast e se gostou mesmo muito, pode partilhá-lo. Este é um podcast da Rádio Observador. Pode ouvir a rádio online e também em FM 98.7 na Grande Lisboa, 98.4 no Grande Porto