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Estes são os Leftie. De resto, até já passaram aqui por um cabeça de cartaz para nos falar destas canções que fazem parte do primeiro disco dos Leftie. A banda também está no cartaz deste The Great Lisbon Club. O grande festival dos pequenos palcos é o claim deste evento, que começa já na próxima quinta-feira. Ocupa alguns espaços no bairro da Graça, como por exemplo, o próprio Largo da Graça, também a Voz do Operário e o Camões, que fica ali no bairro do Estrela D'Ouro, na Graça. O Camões que já foi Estrela, se bem me lembro. Connosco está aqui também a Julita Santos, é uma das diretoras artísticas deste festival. Julita, muito obrigado por teres vindo à Rádio Observador.

Muito obrigada, Nelson, à Rádio Observador, por me receber.

Um prazer. Olha, vamos olhar este festival e começar por perceber como é que ele nasceu. Gosto deste claim: o grande festival dos pequenos palcos. Como é que nasceu primeiro esta ideia e como é que está a ser executada? Presumo que estes dias também sejam atarefados.

Era o que eu te dizia, Nelson, falta aqui metade desta equipa, falta a Miss Suzy, que pensou comigo este festival. A ideia surgiu-nos durante a pandemia, quando percebemos que muitos dos artistas de um circuito independente que conhecíamos tinham sido os primeiros a sofrer com a pandemia, porque os pequenos palcos foram os primeiros a ser fechados e seriam os últimos sempre a reabrir. E pensámos: porque não criar um evento anual à semelhança de outro tipo de festivais que já existem, mas para este circuito independente, que é tão importante, tão carismático e que caracteriza tanto a noite lisboeta. Foi aqui que nasceu este grande festival dos pequenos palcos.

Julita, desculpe começar precisamente por aí, porque isto é uma chatíssima, mas para tirarmos o assunto do caminho e depois falarmos de outras coisas mais interessantes. O festival vai realizar-se precisamente numa altura de novas restrições devido à pandemia. Como é que se estão a preparar para elas? E estas restrições aplicam-se, por exemplo, no palco do Largo da Graça ou só nos outros dois, que são indoor?

No Largo da Graça, como é um espaço público ao ar livre, que não está delimitado, é um espaço de circulação, o que nós vamos fazer é informar as pessoas da necessidade de distanciamento e haverá também pequenas marcações no Largo para que não haja qualquer tipo de ajuntamento desnecessário, mas é um local de passagem aberto ao público, não há grande perigo de concentração de pessoas. Na Voz do Operário, estamos efetivamente a repensar a organização do espaço e teremos agora lugares marcados. Iremos colocar mesas. Esta era até a ideia inicial do projeto, que era quando fossem ao The Great Lisbon Club, entrariam efetivamente num clube com mesas e cadeiras. E depois, quando houve a reabertura de tudo, pensámos que poderíamos aumentar a lotação, não o fazer.

Mas acho gira essa ideia de club. Acho que pode resultar muito bem.

Voltámos a esse desenho do espaço e temos a certeza que vai ser uma experiência ainda mais agradável.

Também me parece bem, soa bem. Julita, por que escolheram a Graça para a realização do festival? É porque é uma zona da cidade que precisa de maior oferta cultural ou de uma oferta cultural mais diversificada?

Não foi por isso, foi porque a Graça sempre nos pareceu, ela própria, como um clube de pessoas irreverentes, de pessoas independentes. Há uma grande mistura de pessoas na Graça e uma grande mistura de formas de estar e de pensar, é o que eu sinto quando vou à Graça. Há ali uma dinâmica e uma multiculturalidade que me faz lembrar muito um clube, ela própria. E os circuitos são realmente muito próximos. E a ideia do festival era inundar o bairro. Este é um festival também para a comunidade. Aliás, não é por acaso que os clubes em cada bairro são aqueles que dinamizam a cidade ao longo de todo o ano. Não é só um festival de verão. Eles são aqueles que estão lá para nós durante todo o ano para animar os nossos bairros e, por isso, a Graça surgiu-nos como, naturalmente, um espaço, um clube que já poderia receber este clube.

E o que norteou as vossas escolhas musicais?

A ideia era, nesta primeira edição, não poderíamos incluir todos aqueles que queríamos e, por isso, fomos buscar algumas bandas que sabíamos que não tocavam há já algum tempo. Essa era uma das primeiras preocupações. Aliás, este festival surgiu com esse intuito, com o objetivo de apoiar o maior número de bandas possíveis, que tivessem tocado menos ou que não tivessem uma previsão de tocar. Fomos por aí primeiro, mas este é um clube que atravessa desde as bandas mais antigas que nasceram nos clubes, como aquelas que agora fazem do clube também o seu início, o seu networking. E por isso temos desde bandas como Pop Dell'Arte, como de repente temos Rita Braga ou Bizu Collective ou Mr. Bubble, que são outros projetos completamente diferentes.

Por falar em Pop Dell'Arte, este festival também proporciona uma série de encontros e parcerias mais ou menos inusitadas, os próprios Pop Dell'Arte com Rodrigo Amado, o projeto Blume, do JP Simões com o Nuno Ferreira. Houve alguma intenção de criar espetáculos inéditos para este festival?

Nós gostaríamos muito que assim fosse e, por isso, quando convidámos as bandas, sugerimos que, como este era um festival diferente, neste festival eram eles que tinham um convidado. Ou seja, não há cabeças de cartaz. Este era um dos mottos do festival. Neste festival, não há cabeças de cartaz, estão todos ao mesmo nível. Não há ninguém a abrir a primeira parte, ninguém, seja menos conhecido ou mais conhecido. E invertemos um pouco o jogo. Às bandas que convidámos, dissemos apenas: "Tragam um convidado para fazer deste um concerto único, neste festival, que se quer também único". E fomos surpreendidos de uma forma fantástica. Temos os Desconectados, que de repente trazem o Jorge Palma e o Manel Cruz, ou temos os Buda Power Blues, que trazem o João Cavaleiro, ou os Bugol, que foram buscar a Marta Pereira da Costa, imaginemos, ou os Pop Del Arte com o Rodrigo Amado. Isto foi ainda mais mágico do que aquilo que pensávamos quando desafiamos as bandas a trazer um convidado.

Conceito muito interessante.

Muito. Vão ser concertos únicos, inéditos, que vão acontecer naquelas quatro noites na Voz do Operário.

Entre quinta e domingo. Estava aqui a olhar, para além da música, outras duas iniciativas que eu acho particularmente felizes. Na Voz do Operário, a Associação União Audiovisual, que tem apoiado os técnicos do setor da cultura durante esta altura de pandemia, terá um ponto de recolha. A malta do festival pode também deixar ali bens alimentares não perecíveis, que serão depois distribuídos pela União Audiovisual, que tem feito um grandessíssimo trabalho durante este período. E depois também uma das novidades, já comunicada durante o dia de hoje, no Largo da Graça, há uma feira de discos, por assim dizer, de lojas e de discos independentes, onde vão estar algumas lojas como a Chasing Rabbits e também a própria editora Omnicord também está presente nesta The Great Store, um espaço para editoras e lojas de discos independentes, o que pode ser também um atrativo para se comprarem alguns tesourinhos de discos. Duas belas iniciativas. Queria só terminar por perguntar se a organização, de alguma forma, olha para este festival como um ensaio para uma coisa que poderá sempre acontecer na Graça em futuras edições, ou se este formato, numa segunda edição, a existir, poderá ir para um outro bairro de Lisboa ou até para outra cidade?

Essa é uma boa pergunta, Nelson. Nós estamos com a Graça e queremos manter-nos na Graça. Não sabemos efetivamente o que vai acontecer de futuro, mas a nossa ideia é ficar por lá.

Gosto dessa ideia, até porque assim estou pertinho de casa e eu posso ir a pé. Eu ia dizer. Eu posso ir a pé. Só aqui olhar alguns dos destaques, que são sempre mais pessoais, passem por thegreatlisbonclub.pt. Têm lá todo o cartaz, mas gostei particularmente desta ideia de pôr os Pop Del Arte com o saxofonista Rodrigo Amado. Há aqui vários DJ sets que presumo que fechem os dias e que também acontecem sempre no Largo da Graça, não?

Não.

Não? Ok.

Acontecem no Largo da Graça e também na Voz do Operário, no final dos dois concertos que existem cada noite. Porque os clubes não são só feitos de músicos, ou de bandas, são feitos de outros artistas, de DJs, de performers, e o nosso grande clube vai incluir toda essa fauna fantástica. Vai ser uma festa enorme.

Aqui agente espetacular, o Mike Stellar, que eu já não apanho há algum tempo em DJ set. Lady G Brown, há também os Chills & Fever, que é o A Boy Named Sue e o Nuno Rabino, que estavam sempre ali no Sabotage e que agora também vão a este festival. E está aqui um DJ Cónego de Braga. Ótimo nome. Fiquei já curioso para saber quem é o Cónego de Braga.

É o Zezé.

Quem é o Zezé?

O mítico Zezé, que é uma figura da nossa noite lisboeta.

Eu não conheço.

Que se caracteriza como um afro-transmontano. Ainda ontem me party de rir com ele. É uma das figuras que faz parte da nossa noite lisboeta, que já trabalhou em imensos clubes, e que vai trazer aqui um carisma maravilhoso e que se autointitula DJ Cónego de Braga.

Cónego de Braga é um ótimo nome. Bom nome. Sim, se calhar conheço. Mas há aqui encontros muito engraçados. Aliás, estávamos a ouvir aqui um bocadinho os Left, e eles vão estar com o Scuro feat. também. Passem pelo cartaz do Great Lisbon Club e lancem-se neste festival. Ainda há bilhetes, quanto é que custam?

Temos passes gerais e temos bilhetes diários. Os passes são 40 € e os passes diários são 15 €. Apressem-se, falta só um dia.

Bem, 40 € dá 10 € por dia. Isso é ótimo preço.

Para tantos concertos, exatamente. Não fiquem à porta é o nosso hashtag. Como os clubes. Não fiques à porta.

Eu ficava sempre à porta, não estou aqui. Não acredito. Tu não sais de casa sem pentear o cabelo, Tiago. Se calhar é por isso que ficava à porta. Pode ser. Neste caso, podia ser isso. The Great Lisbon Club, aqui apresentado por uma das suas diretoras artísticas, a Julita Santos. Muito obrigado por teres vindo à Rádio Observador. Muitos parabéns por esta ideia. Durante aqui alguns minutos ficamos com os sonhos pop dos Pop Del Art, que também passam por este grande festival dos pequenos palcos. Obrigado, Julita.

Obrigada, Nelson.

Parabéns pelas direções. Olá, eu sou o Nelson Ferreira. Obrigado por ouvir. Se gostou, pode subscrever este podcast e se gostou mesmo muito, pode partilhá-lo. Este é um podcast da Rádio Observador. Pode ouvir a rádio online e também em FM. 98.7 na Grande Lisboa, 98.4 no Grande Porto.