Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Ei, você, como anda o Brasil? Eu tô aqui com saudade, passando frio. Mas tudo bem, eu tô legal, eu tô feliz. Eu tô na Europa. E é chique demais dizer que tá na Europa. Aqui tem tudo de bom, mas quero ir até o Japão. Com força no plexo solar. Imagina nos States tocar, dançar na Times Square. Um festival em Istambul e não entender nada em Moscou. Ai, ai, ai, ai, só dizendo hello, goodbye. Hello, goodbye. Hello, goodbye. Ai, ai, ai, ai. Só dizendo hello, goodbye. Hello, goodbye. Hello, goodbye.
Chama-se "Hello, Goodbye", é o novo single de Léo Midia, o brasileiro que vive em Lisboa há já quatro anos e que está aqui conosco em estúdio na Rádio Observador para o Cabeça de Cartaz de hoje. Primeiro agradecer-te muito teres vindo à Rádio Observador. Obrigado, Léo.
Muito obrigado eu pelo convite.
E bem-vindo. Gostas do nosso estúdio? És o primeiro artista Cabeça de Cartaz que está a inaugurar o nosso estúdio.
Eu tô amando. Eu cheguei aqui, me apresentaram a localidade geral, adorei.
Muito bem.
Nelson, já encheram essa zona aí da mesa de peixinhos dourados, essa parte aí, o Léo já viu isso.
Ah, é a parte do meio do nosso estúdio, não é? Tem aqui um espaço que dá pra fazer um pequeno aquário.
Um pequeno lago.
É um sonho que nós alimentamos. E de resto, depois podemos estar a fazer emissão assim com uma cana de pesca, não é? E tentar apanhar uns-
Uns girinos.
Muito bem, Léo, esta "Hello, Goodbye" é muito engraçada. Já percebi que tu usas aqui uma série de ironias nesta letra, não é? Mas acaba por ser uma espécie de hino de imigrante. E que noção é que é esta de ser superchique para um brasileiro viver na Europa e mais inexplicável pra nós ainda, ser superchique viver em Portugal e ser uma espécie de Eldorado, uma coisa que nós desconfiamos muito. Mas como é que surge esta canção, que de fato é um retrato também com alguma saudade e em comparação Portugal, Europa, Brasil?
Então, tudo começou porque eu sou do Rio de Janeiro, eu sou do subúrbio, da Zona Oeste, Taquara, Jacarepaguá. E ali na Taquara era muito difícil eu conhecer algum amigo que já tinha viajado na Europa. Sei lá, de 50 amigos que eu tinha desde a infância, um ou dois tinham ido pra Europa. Então era uma coisa que na minha cabeça era uma coisa muito chique, uma coisa muito distante da minha realidade.
Exótica, não é?
Exótica, eu achava que nunca ia estar na Europa. Até que consegui estar aqui e pra mim foi uma coisa meio fantástica de estar aqui e depois de estar aqui comecei a tocar em outros lugares também. Quando eu fiz meu primeiro concerto em Paris, eu falei: "Cara, eu tô muito chique".
Claro. Essa proximidade, estar em Lisboa é logo estar na Europa, porque depois fica tudo muito perto, não é? Sequer lá no Brasil, tu pra ires visitar um familiar, fazes a mesma distância que aqui vais a uma outra capital europeia.
Exatamente, aqui tudo é muito perto e muita diferença cultural e muita coisa acontecendo. Então, esse ato do chique é uma coisa meio cômica, porque pra mim era uma coisa que eu não sabia, até meus 20 anos de idade, se um dia eu ia conseguir ir pra Europa. Era uma coisa muito distante. Então quando eu consegui vir, eu falei: "Porra, tô na Europa, cara, agora vou curtir isso aqui".
Léo, e correndo sempre bem essas deslocações, porque tu bem cedo trataste de ter boas relações com os vizinhos. Por isso é que deste uns concertos na varanda durante os confinamentos do ano passado. Como é que correram e como é que a vizinhança reagiu a esses shows?
Muita gente da vizinhança adorou os concertos, mas teve muita gente também que não gostou muito não. Porque pra mim foi uma coisa muito despretensiosa. Eu fui fazer o concerto, um concerto que eu fui fazer só, e lotou a rua. E eu falei: "Cara, vou fazer uma temporada". Decidi fazer. Primeiro decidi todo domingo. E aí o primeiro domingo veio polícia, a polícia falou assim: "Domingo vocês não podem, é contra a lei do ruído". Aí eu fui lá, baixei o artigo da lei do ruído, entendi que domingo eu realmente não podia fazer, estudei a lei do ruído. Falei: "Peraí, sexta-feira eu posso fazer". E aí comecei a fazer, mudei a data pra toda sexta-feira e começou a lotar muito a rua, a rua inteira ficava lotada de gente e muitos vizinhos chamavam a polícia, porque era uma aglomeração gigante. O tempo inteiro.
Os policiais ouvirem também. Policiais amigos.
Não, e eu pedia: "Ó, bota a máscara, se afasta". Eu pedia essas coisas. Mas às vezes era incontrolável. No último dia, então, era incontrolável. No último dia veio tanta gente, tanta gente, tanta gente, que assim que eu saí do meu quarto, já tinham oito policiais me esperando. E falou assim: "Você nunca mais vai repetir isso". Eu falei: "Porra, tudo bem. Ainda bem que é o último. Já chega. Já fiz minha parte".
No disco anterior, o "Vicentina", há várias referências geográficas ao bairro da Graça, por exemplo. Os sítios são uma inspiração pra ti? Tens ainda muito de Portugal pra te inspirares?
Com certeza. E a gente, como brasileiro, a gente tem muito nas canções, na história da nossa canção popular Os letristas colocam muito a cidade, os bairros nas canções. "Garota de Ipanema", que a gente vê, "Sampa", de Caetano. E quando eu cheguei aqui em Portugal, eu não via muito a exaltação de algum bairro ou de alguma rua, ou de alguma cidade de uma forma muito intensa. Assim que eu cheguei aqui, eu ia muito no Bairro da Graça, tinha muito amigo ali, e eu falei: "Cara, vou fazer uma música que exalte um pouco o Bairro da Graça". E aí foi curioso, porque eu lancei essa música e muita gente quando vem do Brasil, me manda mensagem: "Olha, vim para Lisboa e fui visitar o Bairro da Graça só por causa da sua música". Eu falei: "Olha que coisa boa. Eu estou virando uma forma geográfica aqui da cidade".
O turismo de Portugal agradece.
A Junta de Freguesia devia começar a comparticipar isso. São Vicente devia começar a comparticipar isso. Estás em Portugal há quatro anos, não é?
Quatro anos.
Como é que caracterizas o público português? Além de que gosta muito de fazer festas.
E de chamar a polícia.
Eu adoro. Assim que eu cheguei, não sabia muito bem como é que ia ser, mas todo mundo me recebeu muito bem. Eu estou aqui há quatro anos, parece que eu cheguei ontem também, porque muita coisa está acontecendo. Acho que para eu conseguir me estabelecer aqui na cidade, seja como morador, seja amadurecer, porque eu cheguei aqui, meu início de fase adulta foi aqui, totalmente sozinho, então muita descoberta pessoal eu tive. E agora, de repente, minha carreira começou a ter uma relevância considerável aqui e eu sinto como se eu tivesse chegado agora e falei: "Cara, estou cheio de vontade de fazer".
Como é que tu achas que os portugueses se relacionam com a música?
Eu acho de uma forma fantástica. Uma coisa que eu reparei assim que eu cheguei, foi o tema da audição. Eu achei que os portugueses são muito bons de escutar o artista que não conhece, principalmente. No Brasil, quando você está no concerto de um artista que não conhece muito, não tem muita atenção quanto os portugueses colocam. Isso foi a primeira coisa que eu reparei, a atenção. Isso para mim é uma coisa genial. Isso é incrível para quem está no palco.
Claro.
Muito bem. Léo, este fim de semana tocaste na Casa do Alentejo, no Festival Super Bock em Stock. Como é que correu essa apresentação?
Correu superbem. Em todos os meus concertos eu nunca sei muito bem como é que vai acontecer. E a Casa do Alentejo estava extremamente lotada, a capacidade era 450, tinha 500 pessoas lá dentro, mais umas 100 lá fora fazendo fila.
Não chamaram a polícia?
Não chamaram a polícia, mas o meu técnico de som, porque eu pedia para botar mais alto o meu retorno, ele falou assim: "Se botar mais alto, vai chegar no limite e vai vir a polícia". Falei: "Não, chega de polícia. Controla o som aí. Vamos fugir dessa".
E o "Hello Goodbye" vai fazer parte de um novo disco ou é um single avulso?
Ainda não, por enquanto é um single avulso. Eu estou produzindo um disco novo, que tem uma outra roupagem. Eu comecei a produção desse novo disco, que é uma roupagem um pouco mais popular. Eu estou querendo para esse 2022 ter um movimento de celebração popular, que eu acho que é isso que o mundo está precisando esse momento pós-pandemia. E o single, por enquanto, é apenas essa ambição futura artística que eu tenho e a ideia dele é ser um single solto mesmo.
Léo, tu trouxeste guitarra, o que me surpreendeu, de alguma forma, não sei se ela está afinada. Pode estar desafinada, não sei.
Eu trouxe a guitarra aqui, eu posso tentar puxar ela aqui.
Força, queres tocar alguma coisa? Aqui já caminhamos também para o final deste "Cabeça de Cartaz".
Tens a tua harmônica, Nelson?
Sim, tenho o meu pifarinho aqui pronto a fazer dueto. Por acaso, uma curiosidade muito rápida, Léo. Como é que está a tua relação com os artistas portugueses? Vais ouvindo música nacional? Tens algum que gostasses de cravar, no bom sentido, para um dueto contigo?
Uma pessoa que eu queria muito ter feito um dueto e eu fiz, foi o Janeiro, que inclusive fui no concerto dele ontem, que foi ótimo. Mas tem vários artistas que eu adoro. Ontem eu estive com o Salvador Sobral e tivemos uma conversa lá maravilhosa. É uma pessoa também que seria um sonho de ter junto. Carolina Deslandes, adoro o trabalho dela também. E tem muito artista português incrível aqui.
Estás bem rodeado. Espero que alguma dessas colaborações veja a luz do dia. O que é que tocas para nós hoje?
Vocês querem que eu toque o single?
Pode ser. Ainda temos aqui três, quatro minutos até ao final do "Cabeça de Cartaz". Acho que cabe o "Hello Goodbye", o novo single do Léo Midia. É nosso convidado hoje no "Cabeça de Cartaz" e está aqui no nosso novo estúdio da Rádio Observador. Obrigado por teres vindo. Quando quiseres.
Muito obrigado. Ei, você, como anda o Brasil? Eu estou aqui com saudade, passando frio. Mas tudo bem, eu estou legal, eu estou feliz. Eu estou na Europa, e é chique demais dizer que está na Europa. Aqui tem tudo de bom, mas quero ir até o Japão com força no plexo solar. Imagina nos States tocar, dançar na Times Square. Um festival em Istambul e não entender nada em Moscou. Ai, ai, ai, ai, só dizendo hello goodbye, hello goodbye, hello goodbye. Ai, ai, ai, ai, só dizendo hello goodbye, hello goodbye, hello goodbye. Ai, ai, ai, ai, só dizendo hello goodbye, hello goodbye, hello goodbye. Ai, ai, ai, ai, só dizendo hello goodbye, hello goodbye, hello goodbye.
Ei, você, como anda o Brasil? Eu tô aqui com saudade, passando frio. Mas tudo bem, eu tô legal, eu tô feliz. Eu tô na Europa e é chique demais dizer que tá na Europa. Aqui tem tudo de bom, mas quero ir até o Japão com força no plexo solar. Imagina nos States tocar, dançar na Times Square. Um festival em Istambul e não entender nada em Moscou. Ai, ai, ai, ai, só dizendo hello, goodbye, hello, goodbye, hello, goodbye. Ai, ai, ai, ai, só dizendo hello, goodbye, hello, goodbye, hello, goodbye. Ai, ai, ai, ai, só dizendo hello, goodbye, hello, goodbye, hello, goodbye. Ai, ai, ai, ai, só dizendo hello, goodbye, hello, goodbye, hello, goodbye.
Muito bom, Leo. Leo Midia e o novo single "Hello, Goodbye", aqui tocado ao vivo na Rádio Observador.
As pessoas da rua também estão de palmas. Só que não se consegue ouvir aqui.
Eu próprio estou meio viciado nesta canção, porque ele estava a cantar e há uma parte com um coro feminino por trás. Eu ia começar a fazer essa parte.
Fica à vontade.
Ainda bem que não ousei fazer esse momento, porque aquele coro, ainda por cima calha ali como uma luva nesta nova canção. De resto, a "Hello, Goodbye" entrou na lista da Rádio Observador, por isso vão poder ouvi-la durante os próximos dias aqui com insistência na Rádio Observador. Leo, muito obrigado por teres vindo à Rádio Observador e este "Cabeça de Cartaz". Muitos parabéns por este teu "Hello, Goodbye". Vejam também o vídeo, que é uma espécie de resumo destes quatro anos do Leo Midia, aqui como quase português já. Leo, até à próxima.
Muito obrigado mesmo e até à próxima. Valeu.
Até à próxima. Ainda estávamos aqui a ouvir em fundo um bocadinho do "Bairro da Graça", que é outra canção que eu gosto muito do Leo Midia. Fechamos o "Cabeça de Cartaz" de hoje. Olá, eu sou o Nelson Ferreira. Obrigado por ouvir. Se gostou, pode subscrever este podcast e se gostou mesmo muito, pode partilhá-lo. Este é um podcast da Rádio Observador. Pode ouvir a rádio online e também em FM, 98.7 na Grande Lisboa, 98.4 no Grande Porto.