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Muito boa tarde. O "Cabeça de Cartaz" hoje é dedicado aos Prana. A banda portuguesa tem um EP novo, chama-se "Entre o Verde e o Laranja". E para nos contar tudo sobre isto, tenho aqui em estúdio comigo hoje o Miguel Lestre, o Diogo Leite e o João Ferreira. Bem-vindos à Rádio Observador.

Olá.

Obrigado por terem tido este tempo, neste dia em que chega precisamente o EP. Ou é o single que chega hoje?

Chegam ambos. Chegaram ambos no mesmo dia. Hoje saiu o single com o videoclipe e, ao mesmo tempo, foi libertado nas plataformas digitais o EP. São três músicas.

"Tempo Nosso" serviu de amostra para este novo EP. Por que escolheram esta canção?

Porque das três?

Sim.

Sim, de alguma forma, achamos que tinha algum potencial mais orelhudo e acho que resume também bastante bem aquilo que temos andado a fazer e os caminhos musicais novos que temos explorado. Ao mesmo tempo, "Tempo Nosso" fala de um tema que já é clássico para nós, que é amor. Acho que é a nossa primeira letra otimista, se eu pensar bem nisso.

É sério?

Sim.

Mas por quê? Porque este álbum tem uma temática ou uma lírica que se diferencia bastante dos outros trabalhos?

Esta música em específico, eu diria que sim. Eu fui confrontado com isso e eu confrontei-me a mim próprio com isso e apercebi-me que nenhuma das letras, por muito alegre que fosse a melodia, era propriamente alegre. Então também me forcei um bocado a ser otimista. Não que seja uma pessoa particularmente triste, mas forcei-me a escrever sobre aproveitar o tempo e saber aproveitá-lo ainda que ele seja curto e escasso, saber viver os momentos.

O EP está cá fora. Já vamos falar de alguns concertos que acontecem este mês de novembro. Torres Vedras e Oliveira de Frades são as próximas datas, mas queria ir até um pouco atrás. Como é o último disco e depois também aquele projeto do qual já falamos há algum tempo, relacionado com aqueles duetos, o Prana Convida. Isto influenciou de alguma forma estas novas canções ou não se misturam esses trabalhos?

Claro que se mistura. O Prana Convida é um projeto que nos deu bastante maturidade, que nos trouxe bastante conhecimento.

E que terminou ou não?

Não. É um mero standby para foco específico neste momento em que vamos lançar o novo trabalho, o EP. Mas como eu estava a dizer, o facto de cruzarmos com artistas que nós adoramos, que sempre admiramos e que dão o seu cunho às nossas músicas, fazem com que nós automaticamente evoluamos e automaticamente, acho eu, cheguemos a um patamar mais maduro, que nos permita ter mais ferramentas para os novos tempos.

Diogo, há alguma coisa de espetacularmente diferente que tenham experimentado neste disco?

Sim, este disco foi criado já a pensar muito no conceito ao vivo. Ao contrário dos outros, em que nós estávamos mais focados na qualidade de som, este nós deixámos um bocadinho isso de lado ou não foi o foco principal e focámo-nos naquilo que achávamos que o concerto necessitava. Ou seja, sentíamos que podia ir para um lado mais dançante e foi isso que abraçamos e esse foi o foco principal.

Há aqui também uma mudança na vida dos Prana. Este novo EP chega com o selo da Valentine de Carvalho. Estas mudanças sentem-se na música ou não?

É uma questão interessante e acho que nunca fomos confrontados com ela. Por acaso, todo o contacto que tivemos e todo o input que nos foi dado durante o processo de composição, no sentido pré-produção, no momento de pré-produção das músicas, todos eles foram bem-vindos e eu confesso que até estava um bocadinho, depois de 10 anos de banda, finalmente estar a trabalhar com uma label, com uma editora. Tinha um bocado de receio, aquele medo quase infantil: "Eles vão mudar tudo, vão mexer a estrutura toda, reestruturar". E não, os inputs foram todos positivos, foram todos bem-vindos e sempre a respeitar a nossa ideia principal, a nossa ideia primária, o que foi surpreendente e bom.

Só saem três canções neste EP. Por quê? Só tinham estas ou de alguma forma é uma espécie de interlúdio para um disco que pode surgir depois, um longa?

Sim, aliás, é isso que está planeado. O que aconteceu, na realidade, foi que nós desenvolvemos um certo estudo de mercado, o que também pode ser traduzido. Nós pensamos um bocadinho e percebemos que o pessoal não tem tempo para ouvir um álbum, ainda que todos nós adoremos o conceito ou álbuns conceptuais com uma história, com início, meio e fim, e continuamos a adorar. E este não é exceção, este Entre o Verde e o Laranja é apenas a primeira parte de três que vão fazer o álbum completo.

Ok. E vão lançar mais dois EPs.

Exatamente.

Que depois poderão estar também numa edição juntos, é isso?

Sim, exatamente. Quando o lançamento do terceiro completa um álbum.

Ok. Essa ideia é gira, gosto. Entre o Verde e o Laranja é o novo EP dos Prana. Isto tem um horizonte temporal, isto que acabaste de me explicar?

Tem um horizonte temporal que nunca ultrapassará, imagino eu, os dois anos, ainda que esteja a falar um bocadinho de cor. Acho que sim.

Ok. Gosto muito, particularmente, do Tempo Nosso. É o single que serve de avanço a este Entre o Verde e Laranja. De resto, também já tem um vídeo pelo YouTube. Os Prana são uma banda que dá atenção a este tipo de coisas? Os Prana é um projeto musical ou qualquer dia é um projeto audiovisual? Interferem na realização, na produção dos vídeos? Dito de outra forma, andam bitares sobre isso?

Sim, claro, nós fazemos o brainstorming juntos, temos sempre voto na matéria.

Quem diz brainstorming, diz um estudo de mercado.

Sim, eu vim para Lisboa porque gostei de usar esse termo. E a questão aqui é mesmo essa, nós gostamos de ter voto na matéria em tudo o que seja aliado à música. A música em si, como aquilo que queremos transmitir visualmente. Aliámo-nos sempre ao Ricardo Leite, tem acontecido até agora, que fez parte dos últimos videoclipes.

É ele que realiza?

É ele que realiza. Fez parte dos últimos Prana com vídeos, aliás, de quase todos os Prana com vídeos. E agora, mais uma vez, juntou-se a nós para o videoclipe.

Para além desta colaboração no que toca ao novo vídeo, há pessoas que colaboram neste EP? As canções têm produção de alguém externo ou são completamente Prana?

Musicalmente falando, é exclusivamente Prana. Foi executada musicalmente por estes elementos. Uma das diferenças foi o Manuel dos Reis. O Manuel dos Reis é o nosso produtor para este primeiro EP e será certamente também para os outros.

Chega a ser a novidade para este disco.

Sim.

É quase aquele irmão mais velho. E era ele que, quando havia uma questão, desempatava. Portanto, é aquela opinião fresca e exterior.

Outra coisa que mudou também foi o facto de não termos...

Uma espécie de quarto Prana.

Sim, certo. Ainda que seja mais velho que nós, está na mesma frequência que nós, ficamos amigos. Gravamos este EP de uma forma completamente diferente. Tivemos sete, oito dias para gravar três músicas, o que nunca tinha acontecido. Portanto, tivemos tempo para experimentar. Tivemos sempre tempo para pôr elásticos à volta das cordas do baixo e ver como é que soava. Experimentou tudo e mais alguma coisa de percussão, teclados, tivemos tempo para ser criativos. E para além disso, não fomos para um estúdio grande, como o Diogo estava a dizer, e bem, não fomos à procura dessa qualidade de som. Os dois primeiros foram gravados em Belém de Carvalho, o terceiro foi gravado no Boom. Fomos para um auditório na terra que basicamente nos viu nascer.

São João da Madeira?

É lá, é um vizinho.

Nós não somos de São João da Madeira, mas o primeiro estúdio de eu era em Milheirós de Poiares. Então fomos para o, como é que se chama?

Auditório de lá. Centro Cultural.

Centro Cultural de Milheirós de Poiares.

Gravaram lá?

Gravamos.

Sim.

Por isso é que o Diogo referiu também que foi mais a pensar no conceito de concerto.

O álbum foi gravado, na verdade, como se fosse um concerto ao vivo.

Ok.

Nós queríamos mesmo a energia e queríamos que aquilo soasse conforme soa um palco, porque é totalmente diferente de estarmos numa sala, que acusticamente pode ser perfeita, mas se calhar não é perfeita para a energia quando estas três pessoas estão juntas em palco reproduza. E era isso que nós queríamos, porque houve sempre essa lacuna: "é pá, parece que vocês são melhores ao vivo do que em estúdio". E nada tem a ver com o senhor dos botões que tem passado até hoje, que estamos altamente gratos a eles. Tem a ver realmente com a nossa energia. O problema era nosso. E nós tivemos que mudar era a peça de roupa que estávamos a vestir.

Isso é mais ou menos como eu estar a fazer esta entrevista a vocês e agora editá-la muito. Depois as minhas perguntas ficavam estranhas. E assim ficou corrido. Aliás, eu não vou fazer edição nenhuma desta entrevista, acontece o que acontecer. É um dos lemas do Observador, acontece o que acontecer. Falávamos dessa energia ao vivo que tentaram captar neste novo EP. 15 de novembro, Bang Venue, Torres Vedras, 23 de novembro, Cineteatro Dr. Morgado, Oliveira de Frades. Há ainda também um concerto a 15 de dezembro que vamos conhecer em breve. Ou vocês vão avançá-lo aqui em exclusivo?

Não.

15 de dezembro há um outro concerto que vai ser anunciado em breve pelos Prana. Sigam-nos nas redes sociais. Só para terminar, estes dois concertos, Torres Vedras dia 15, Oliveira de Frades dia 23. Como é que estão a preparar? Estas canções novas colocam alguns desafios também no que vai ser o concerto?

Completamente. Ainda ontem no ensaio sentimos isso. Mas acima de tudo queremos mudar também a estética do concerto. Não somos três pessoas que gostamos de...

Têm bailarinas?

Ainda não.

Já foi tempo. Mas estas músicas novas, João, acho que também disseste há pouco, vêm colmatar aquilo, não diria uma falha, mas aquilo que sentimos falta. Faltava um bocadinho de dança, faltava um bocadinho de manter a energia em vez de termos picos. E essas músicas estão, acho eu, estrategicamente colocadas para dar uma cor diferente ao concerto, à estrutura geral do concerto.

Ainda assim, serão os três em palco para os próximos concertos. Sigam os Prana nas redes sociais. Podem ouvi-los ao vivo também já para apresentar estas canções de "Entre o Verde e o Laranja". Dia 15 de novembro no Bang Venue, em Torres Vedras e no dia 23 de novembro em Oliveira de Frades. Muitos parabéns por este novo EP. Gosto muito do "Tempo Nosso" e confesso que ainda tenho que ouvir melhor as outras canções, porque ainda só coloquei aqui na Rádio Observador esta "Tempo Nosso". Foram os Prana, aqui também com o Miguel Lesto, o Diogo Leite e o João Ferreira. Cabeças de Cartaz nesta tarde aqui pelo Observador. Obrigado por terem vindo.

Obrigado nós.

"Tempo Nosso", novo single dos Prana para o EP que acabam de editar com três novas canções. Hoje podem ver os Prana no Bang Venue, em Torres Vedra. Foram o destaque do Cabeça de Cartaz de hoje.