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Chama-se "Dá-me Tudo", já tem vídeo. É um dos singles para "Cais, Vol. 1", disco de estreia dos Pimenta Caseira. São seguramente uma das revelações deste 2021. Supergrupo formado pelo Fred Martinho, que está cá hoje na Rádio Observador. Muito obrigado por teres vindo, Fred. Obrigado por estares na Rádio Observador.

Um prazer. Saudades de estar em estúdio, finalmente. Tudo à distância.

Pois é. É exatamente essa a nossa sensação esta semana. Connosco também, dos Pimenta Caseira, está o Gui Salgueiro. Olá, Gui.

Olá, tudo bem?

Bem-vindo. De resto, quem é que esteve fora? Foi o Gui, que chegou há pouco tempo de Londres. De resto, o Gui Salgueiro também acompanha os Black Mamba e Moullinex, entre outros projetos. O Fred, de HMB, dos Pimenta Caseira, ainda fazem parte Ariel Rosa e também Zé Maria. Este é um coletivo que nasceu na Rua Cor de Rosa, não é? É assim que é apresentado no Cais do Sodré. Mas vocês eram a banda residente da Rua Cor de Rosa? Como é que isto aconteceu?

De certa forma. Fizeram-me um convite há uns bons anos, a título próprio. O Tóquio, uma casa lendária, fez-me um convite para fazer uma residência. Eu disse que sim, mas como eu sou um team player, disse: "Eu faço, mas vou trazer uma equipa e vamos fazer disto um laboratório e vai se chamar Pimenta Caseira". E foi isso que aconteceu, foi um laboratório musical. Não começou com estes músicos, mas a malta foi se aproximando, a palavra foi se espalhando e ficamos com esta equipa. Ao fim de três meses, éramos estes músicos em palco. E começámos era às terças-feiras, que é uma noite terrível para se fazer o que quer que seja.

É boa para experimentar.

Para experimentar, era a nossa maior dúvida.

Para errar com pouca gente a ouvir.

Exatamente. Foi o que aconteceu durante um ano.

Pois.

Mas teve pouca gente durante pouco tempo. Acho que ao fim de dois meses a casa estava cheia, até às 4:00 da manhã, a uma terça-feira, que não é a coisa mais aconselhável em termos sociais e para quem quer trabalhar, mas a música era realmente incontornável e a palavra espalhou-se e nós tivemos ali dois anos incríveis.

É muito fixe esse vosso início.

Mas porque faltava uma banda que praticasse esse som, era isso? Ou seja, nós não temos muitas semelhanças no panorama musical com isto que estamos a ouvir aqui?

Sim, eu acho que sim. Eu acho que nós conseguimos ali estabelecer algo que não havia, principalmente um som, uma sonoridade que se calhar ouvia-se mais lá fora e não cá.

Isso quer dizer que as vossas influências são, se calhar, muito mais internacionais que nacionais. Não há muita gente a fazer este tipo de som.

Não, sem dúvida. Não queria estar a ser convencido.

Força.

Mas acho que, de certa forma, conseguimos criar um som nosso e que não existia cá. Por isso é que também começámos a destacar-nos no início no Tóquio e depois por aí fora. E agora, felizmente, estamos a lançar os nossos originais.

Sabes, quando eu comecei a falar com algumas pessoas que já vos conheciam e ainda piquei um bocadinho o vosso concerto este fim de semana no Super Bock in Stock e estava tudo maluco a dizer: "Não, temos que ir ali ver os Pimenta Caseira", e havia aquela divisão. É assim uma coisa meia jazzística e outros diziam: "É um g-funk do melhor". E de facto, há aqui umas conotações meias de funk mais à la Damn Funk. Lembrei-me muito das coisas que o Damn Funk faz e de quem gosto muito, que é este g-funk. Mas há aqui coisas que Prince teria orgulho nesta faixa. É o que eu acho.

Boa coisa para se dizer, sim.

Pois, porque de facto os discos já quase não se vendem em lojas. Mas imaginem, numa loja de discos, em que prateleira é que iríamos encontrar os Pimenta Caseira? Ponhamos as coisas desta forma, mais objetiva.

Sem dúvida, ao pé do Prince. Seria um honra estarmos na mesma secção do Prince, de Parliament and the Funkadelic, D'Angelo, Erykah Badu Kamasi Washington, Thundercat, todos esses nossos heróis que nos pusessem na mesma prateleira, era esse o objetivo.

Há aqui uma voz robótica que acompanha algumas canções deste Cais, volume um, mas há também alguns convidados. Estava me a lembrar de cabeça do PT, que está numa das canções. Como é que procuraram? Eu acho que são duas as participações de vocalistas que têm no álbum, são mais?

Temos um só vocalista.

Ok.

E depois outra participação, um trompetista.

Ok, e como é que chegaram a estas pessoas? Como é que o projeto também, pelo que dizias, Fred, ele também já nasce um bocadinho de se ter aberto a outras pessoas já dessa fase do Cais do Sodré e com continuação aqui para o álbum. Como é que escolheram estes convidados?

Da mesma maneira que as noites começaram. Não era uma banda, e nós dizemos isso no press porque é verdade, não é uma banda, é um movimento. Ainda agora vínhamos de carro para aqui e o Gui estava a dizer: "Epá, assim que precisamos de encontrar mais um elemento para o vivo e possivelmente para o próximo disco". Portanto, é um formato em expansão, se calhar vamos acabar daqui a cinco anos, sermos uma big band.

Quer ver que é desta, Nelson, que nós temos o nosso espaço e Judite, os três encontramos o nosso espaço.

Para ingressar numa banda.

Tem a tracklist.

Estamos a conseguir fazer nada.

Se a música assim ditar, será uma big band. Mas foi isso que aconteceu com os convidados. Nós estávamos a gravar na plateia de ilusões na margem sul, num sítio muito fixe em Almada, que eu convido a todos que precisam gravar, encontrem este sítio, no Vastidor. E os convites foram assim, o PT apareceu no estúdio para dizer olá e ouviu a faixa. "Olha lá, não queres escrever nada e gravas?" E ele fez. E a outra faixa, que é a balada Gone, que fecha o disco.

Estamos a ouvir aqui em fundo.

Estamos a ouvir.

Gosto muito desta canção.

É uma canção do nosso saxofonista, do José Maria, que ele escreveu em homenagem, em tom de homenagem a um outro grande trompetista, que é o Roy Hargrove, que é um outro herói, que também gostávamos de estar na mesma prateleira que ele. Ele faleceu em 2017. E é alguém que nos inspira imenso. E o Zé Maria escreveu esta canção e não podíamos ter uma canção dedicada a um trompetista sem um trompetista. Acontece que este Luís Cunha, que é um mega trompetista maestro, vive ao lado do estúdio. Ao lado, literalmente, ao lado. Então foi tipo: "Olha, pá, que horas é que passas a ponta? Estou a acabar de dar umas aulas no Otto, então olha, depois vem gravar uma faixa". E foi mesmo assim.

Esse lado descontraído das coisas que me aconteceram em Pimenta Caseira agrada-me muito. Vocês já diziam que eram um coletivo.

Uma superbanda.

Que não eram uma banda. Claramente não são um condimento.

Não, mas por acaso eu gostava de saber se há alguma música que possa ser considerada a mais picante do disco, digamos assim. Alguma que vocês considerem especialmente...

Eu acho que o Dá-me Tudo, o single é bastante explícito.

Ok, para acompanhar uma barbecue, uma brincadeira dessas, não é?

Pronto.

Sim, podia ser fácil.

Mas não sei, aquela anterior que parecia Prince também tem o seu sexy.

Get You Off é uma grande canção, gosto muito também daquela faixa. Mas este disco seria bom para acompanhar o quê? Há ali lives de música que pode ser dançável em alguns momentos do espetáculo, claramente, mas qual é o habitat natural da música dos Pimenta Caseira? Um clube, um festival ao ar livre?

É assim, uma das razões porque o disco se chama Cais, volume um, é porque nós nunca muito saímos do cais, então nós sentimos que o nosso habitat é mesmo a noite, por assim dizer, e é aquela intimidade com as pessoas, aqueles bares em que estamos mais próximos com as pessoas e acho que o disco vai nascer daí, dessas experiências que temos com as pessoas. Acho que o nosso som vem daí.

Pois é, é para estar, beber uns copos e eireiramente.

Parece-me.

E a fumar também qualquer coisa.

Sempre a fumar qualquer coisa.

Exatamente, sim.

Pimenta Caseira vai bem com noite, claramente. Cais, volume um é o disco de estreia dos Pimenta Caseira. Por acaso fiquei curioso, porque falavas aí da questão dos vocalistas, mas esta matriz mais instrumental é para manter ou imaginam um disco de Pimenta Caseira só com vocalistas ou com todas as canções cantadas?

Todas as canções cantadas, não. Eu não acredito, mas sem dúvida que vamos fazer participações com vocalistas e MC's, porque há um talento incrível em Lisboa e em Portugal. Sou um pouquinho mais antigo que o Gui e é incrível ver a evolução da cena artística nos últimos anos. Há muito mais, com mais qualidade, e nós queremos fazer parte disso e estar ombro a ombro e, se possível, registrar e deixar para todo o sempre num disco. De certeza que vai haver mais participações no futuro, sim, com vocalistas.

O disco saiu hoje, quando é que há já próximos concertos de Pimenta Caseira? Sei que no dia um há um streaming, naquele projeto chamado A Casinha, que vocês já têm levado lá tanta gente e é um bilhete que podem comprar também para ter o link e assistir no conforto de suas casas à apresentação deste Cais, volume um. Mas mais coisas estão previstas. Tinha muita vontade agora de vos ver outra vez.

Sim, olha.

Soube-me a pouco no Super Bock.

Nós temos o dia um e o que se passa, como tu disseste bem, aquilo é um concerto em streaming, mas estamos em negociação com a Casinha para poder ter entre 15 e 20 pessoas em palco conosco para set the mood e para simularmos um bocado o que estamos habituados a fazer. Mas sim, esse concerto pode ser visto no conforto de vossos lares. Fiquem atentos, porque nós vamos abrir realmente espaço para um concurso ou qualquer tipo de dinâmica na internet para ter as pessoas por perto

Temos apontados para dia 10 de dezembro no Hot Five, no Porto, mas é uma data que está em suspenso. Estamos à espera da confirmação da casa, mas quase de certeza que vamos dia 10 ao Hot Five do Porto, o novo Hot Five, acho que é uma casa incrível. E estamos a preparar uma residência em Lisboa para o ano, para escrever e testar novo material.

É engraçado como esse método pegou para vocês. Se pensarem no segundo álbum, vai ser dessa forma que ele vai nascer.

É onde nós estamos habituados a estar. Aliás, este disco foi criado assim, íamos experimentando com o público e até de forma que o disco que saiu hoje, por exemplo, esta música que estamos a ouvir agora.

"WWH".

Só saiu hoje, mas as pessoas que já nos conhecem há mais tempo, já conhecem a música e já trateavam a música. Portanto, pessoas que nos iam acompanhando e nós fomos testando com elas, basicamente ao vivo. E outras músicas do disco, basicamente foi tudo feito assim.

Muito fixe. Tenho gostado muito de ouvir este "Cais Volume 1". Chegou precisamente nesta sexta-feira, está disponível para que o escutem com atenção. Fred Martinho e Gui Salgueiro estiveram na Rádio Observador, aqui no "Cabeça de Cartaz", para nos falar deste disco de estreia dos Pimenta Caseira, que eu acho que são uma das revelações deste 2021. Também já há vídeo para "Dá-me Tudo". Gui e Fred, muito obrigado por terem vindo à Rádio Observador.

Muito obrigado.

E muitos parabéns.

Obrigado.

Isto é ótimo. Próximo! Olá, eu sou o Nelson Ferreira. Obrigado por ouvir. Se gostou, pode subscrever este podcast e se gostou mesmo muito, pode partilhá-lo. Este é um podcast da Rádio Observador. Pode ouvir a rádio online e também em FM. 98.7 na Grande Lisboa, 98.4 no Grande Porto