Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Chama-se "Corporeal" e é a primeira faixa para o projecto Storm Factory, projecto do Rui Maia e da Giulia Gallina. Estes dois músicos juntaram-se e a primeira canção saiu esta semana. De resto, já tem um vídeo online. Belíssimo vídeo. Parabéns, Rui. Parabéns, Giulia. Não sei quem é que fez o vídeo, mas está espetacular. Gostei muito de o ver. E acho que está muito apropriado também à sonoridade desta canção. Bem, do Rui Maia já conhecemos muitos projectos e dos seus mais de 20 anos de carreira. Mais de 20 anos de carreira?

Ainda não.

Ainda não?

Ainda não.

Quase 20 anos de carreira. De resto, pertence aos Ex-Wife. Também acompanha desde há algum tempo os GNR e tem muitos outros projectos: The Mirror People, também assina como Rui Maia DJ. Também de quando em vez radialista, mas disso não vamos falar.

É concorrência.

Claro. Mas da Giulia é que conhecemos um bocadinho menos. Ela tem origem italiana, vive já em Portugal há alguns anos. Já percebi que a tua base musical é toda ela, e formativa também, escolar, digamos, é toda ela do piano. Mas já lá vamos. Há quanto tempo é que tu estás em Portugal e também como é que se inicia o teu percurso musical aqui no nosso país?

Eu estou aqui há 10 anos, 11 anos, e logo que cheguei a Portugal juntei-me a uma banda que se chama The Laughing Heroes e então comecei aqui com eles, apesar de eu já ter formação musical desde os meus seis anos. Eu fiz uma escola musical na Itália. E depois fiquei mais, até agora são seis, sete anos com os Laughing Heroes e agora decidi embarcar nesta nova aventura do Storm Factory aqui com o Rui.

Como é que alguém vem de Itália para Portugal? Eu preferia muito mais ir para Itália do que estar aqui. Já agora tu de onde é que és originalmente?

Pois, eu sou de Milão, se calhar é por isso.

Ok. Muito bem.

Como é que se dá o encontro com o Rui? São ambos DJs, foi por aí que se encontraram?

Foi na noite.

Sim, foi na noite.

Era o que eu ia dizer.

Foi mesmo na noite.

Foi mesmo na noite.

Foi mesmo, exatamente.

Já há muitos anos que nos conhecemos e ficamos sempre em contacto, até que a Giulia enviou-me umas demos dela em piano para ver se eu queria produzir. E eu lancei-lhe este desafio do Storm Factory: "Porque não fazemos um projecto em que tu trazes o piano, eu trago o lado electrónico e ambiental e fazemos algo que nenhum de nós ainda explorou?" E o desafio ficou no ar e fomos desenvolvendo.

E está agora a concretizar.

Rui e Giulia, deixem-me perguntar-vos uma coisa que eu preciso de esclarecer. Este é um projecto electrónico, no entanto, isso não quer dizer que seja propriamente música de dança. O meu ponto é: qual é a forma correcta de curtir a vossa música? Abana só um bocadinho a cabeça e a anca? O que se faz à anca? Entra no movimento, está sossegada? Ou levanta só os olhos para o céu em jeito de contemplação, por exemplo? Qual é a forma correcta de apreciar?

Free spirit.

Ok, boa.

Pode ser deitado, sentado.

Por acaso deitado. Faz muito sentido para esta faixa que conhecemos ainda. Faz-me sentido ouvi-la deitado.

Até porque há muitos sons que são sons ambientais, não é? E há sons instrumentais aqui no meio.

Sabe muito bem.

Houve uma recolha sonora que não instrumental, ou seja, uma recolha de uma amostra de sons da cidade, por exemplo, sons de pessoas.

Sim. Já não sei quando é que nós começamos a gravar este disco, mas isto ainda demorou algum tempo.

O último ano não conta, não existe.

Sim, não conta, mas foi gravado durante o último ano. Mas ao longo do processo fui gravando vários sons.

Quais são os mais estranhos?

São os mais estranhos e que...

Mas quais são os mais estranhos?

Quais são os mais estranhos?

Tu lembras de ter...

Esta canção, por exemplo, tem os alunos de uma escola da Gafanha Nazaré Gravado com telemóvel.

No recreio? Os putos no recreio?

Não, na sala de aula.

Ok, fixe.

Mas tem outros sons ambientes. O disco tem som de fábricas, claro, e tem som de pisar folhas, sons da água, mas muitos deles estão processados de uma forma que não são tão percetíveis.

É um jogo giro, tentar perceber o que se está a ouvir. E como é que nascem as canções do Storm Factory? É mais comum ser o piano da Julie a dar o mote, ou o mote poderá vir também, imagino eu, de uma batida criada por ti, Rui, como é que normalmente se processa?

Foi das duas formas. Às vezes, o Rui recebia as minhas ideias, as minhas composições do piano e punha em cima as suas, e outras vezes eu recebia as suas ideias mais eletrónicas e punha o piano em cima. Foi muito espontâneo, foi um processo natural, acho eu.

Sim.

Vamos transformar este single, depois vai crescer para um álbum completo?

Sim. No início do próximo ano. O álbum já está mais do que feito.

Já gravaram?

Sim, o álbum está completamente pronto.

Como é que é o resto do álbum? Sonoridades diferentes?

Esta canção retrata muito bem o projeto, a meu ver, porque tem exatamente estes dois lados, o teu lado do piano e o meu lado eletrónico. O álbum tem peças que são mais baseadas no piano, em que a eletrónica não está presente, assim como o contrário. Como tem peças mais eletrónicas com piano. Mas acho que está bem equilibrado. É um álbum para sonhar, para navegar e para observar pela janela, se calhar.

Isto é reflexo de um estado de espírito também vosso, como músicos, em que se torna toda a sonoridade um bocado mais ambiental. Até porque tu habituaste-nos a vir de um ambiente que é muito mais roqueiro ou muito mais dançável. E a minha questão é: tu estás a ficar velho, Rui? O que está a acontecer contigo? Está tudo bem?

Está tudo bem.

Estou a brincar. Aliás, só para introduzir aqui, tu tens trabalhado também para cinema, relativamente recentemente. Lembro-me que fizeste umas coisas para cinema.

Musiquei uns filmes.

E este teu lado também não é nenhuma novidade.

Sim, eu acho que é uma continuação de trabalho e de estado de espírito. Já o meu álbum, "Botany Department", saiu este ano, que é um álbum a solo. Já tem um bocado este ambiente de Storm Factory. São projetos diferentes, mas o lado ambiental, o lado experimental. E fazer música com o que não é óbvio, por exemplo, com estas gravações e modificar as gravações, é algo que eu acho bastante interessante e que gosto de explorar. Mas vou continuar a fazer música dance. Aliás, eu estou a preparar um novo álbum de Mirror People para sair.

Tinha isto para te perguntar, porque é dos projetos que eu mais gosto, de todos aqueles que estás envolvido, gosto muito das coisas que fizeste com o Mirror People e estamos um bocadinho a ressacar já de canções novas de Mirror People.

Sim, as últimas coisas já saíram há algum tempo, mas Mirror People demora a acontecer, porque são canções mais pop e têm de ser muito mais cuidadas.

E também recorres a outras vozes.

É isso que complica.

Nunca pensaram em colocar voz no resto das canções? Elas vão existir aqui em Storm Factory?

Nós pensamos nisso.

Não havia nenhum vocalista de jeito disponível.

Não, eu por acaso costumo também cantar nos Looping Heroes, mas nós decidimos neste projeto pôr uma música falada. Spoken word, exatamente. Achamos que fazia mais sentido neste álbum e em várias línguas, acho que é italiano e inglês também.

És tu que fazes?

Sim.

Então vais estar espetacular. Julie, eu também fiquei curioso para perceber como é que imaginas as apresentações ao vivo de Storm Factory. Serão só os dois em palco? Há aqui também um lado sonoro, mais ou menos cinematográfico, nestas canções, que se podem adaptar a uma série de imagens ou que nos transmitem logo uma série de imagens e ambientes. Já pensaram nessa produção cénica que poderá ter o espetáculo, os dois em palco, como é que isto vai acontecer?

Eu acho que mesmo pelo seu caráter cinematográfico, acho que vamos ser mais pessoas em palco, pelo menos quatro, é a nossa ideia. Portanto, enriquecer com mais sons, com arcos, batida, vai haver mais instrumentos e mais sonoridades.

Se precisarem de um bailarino, o Tiago Doris teve aulas de go-go dancer há algum tempo.

Sim, sou autodidata.

Não foram aqueles fascículos que tu compraste do Planeta Rostini?

Fascículos, sim. Isso foi, mas depois aprendi sozinho. À escondida de toda a gente, claro.

Muito bem. Storm Factory, vou colocar aqui de novo, só para o resto da nossa conversa, "Corporeal". Estou a pronunciar isto bem, não é? "Corporeal"?

Sim, há quem diga corpo real.

Corpo real era espetacular.

Mas é corporeal. Mas pode ser corpo real. Sabes que corporeal foi um dos nomes que nós tínhamos em lista para dar ao projeto.

E por que ficou Storm Factory?

Nós tivemos alguma dificuldade em encontrar o nome e Storm Factory tem a ver com o disco que nós gravamos. Nós gravamos primeiro o disco, depois é que demos o nome ao projeto.

Exato.

E então o disco é assim algo storm, tem a ver com as viagens também, com o disco que é ao lado da Julie, e o storm e o ruído todo ser fabricado, entre aspas. É algo que não sei explicar muito bem.

Não, mas encaixa bem, estou a perceber essa tua explicação. Storm Factory, o projeto do Rui Maia e da Giulia Galina, dois músicos que estiveram aqui em estúdio conosco hoje na Rádio Observador e muito obrigado por terem vindo à Rádio Observador. Muitos parabéns. Vejam o vídeo para esta "Corporeal" dos Storm Factory. Está prometido também um disco do projeto para o início de 2022. Rui, Giulia.

E concertos.

E concertos. Mas nessa altura também?

Quando sair o álbum, nós vamos, naturalmente, fazer as apresentações e tocar.

Sim, mas nessa altura vamos falar disso, porque vocês vêm aqui tocar quando sair o disco. Por isso podemos falar disso nessa altura, está bem? É janeiro, fevereiro?

Mais fevereiro.

Mais fevereiro. Sim, também. É o mês que eu gosto mais, por acaso. É o mês dos gatos.

O teu mês predileto.

É capaz de ser. Rui Maia e Giulia Galina, nossos convidados no "Cabeça de Cartaz". Muito obrigado por terem vindo e muitos parabéns.

Boa tarde, obrigado.

Obrigada .

Olá, eu sou o Nelson Ferreira. Obrigado por ouvir. Se gostou, pode subscrever este podcast e se gostou mesmo muito, pode partilhá-lo. Este é um podcast da Rádio Observador. Pode ouvir a rádio online e também em FM: 98.7 na Grande Lisboa, 98.4 no Grande Porto