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Tiago Bettencourt que já está connosco aqui em estúdio. À distância temos também o Tiago Dores, que eu vou tratar por Dores agora durante os próximos minutos.
Sim, como a tropa, exatamente.
O capitão Dores, para não confundir aqui com o Tiago. Obrigado por teres vindo, Tiago.
Olá, muito obrigado pelo convite.
Tiago, como estás, tudo bem?
Tudo bem, muito obrigado. Tudo bem.
Estavam aqui a recordar, há pouco em off, uma brincadeira que fizeste com os Gato, muito engraçada, há 11 anos.
Isso já foi noutra vida.
Como é que era a música? Até é um título espetacular.
Era o "Ligeiramente Fai".
"Ligeiramente Fai" é um ótimo título de canção.
Excelente contributo, Tiago. Obrigado mais uma vez.
Foi um sucesso.
20 anos depois. 15 anos depois. Ainda hoje me falam disso.
Estás a ver?
Coitado. Como estavas tu de imaginar que isso te ia perseguir.
Ora bem, na próxima segunda-feira há concerto Tiago Bettencourt no Coliseu dos Recreios em Lisboa, neste formato Tiago na Toca. Tiago na Toca é um disco de 2011. Tiago na Toca e os Poetas. É um disco de 2011 que tu fizeste renascer de alguma forma nos lives que tens vindo a fazer no Instagram. De alguma forma, foste visionário. Tu sabias que 10 anos depois aquele disco iria-
Sirva perfeitamente, sim.
Foste tu o culpado desta coisa de ficarmos todos em casa.
Não, eu não tinha qualquer controlo. Simplesmente previ.
Exato, 10 anos depois isto vai mudar a gente.
Eu e o Nós Rodamos previmos estas coisas e foi coincidência, no fundo. Percebemos que quando houve a ideia de fazer estes lives, que já tínhamos um nome e que estávamos realmente todos fechados na toca, que era um nome bastante literal para o que estava a acontecer. E ficou Tiago Na Toca, achámos que era engraçado.
Está ótimo. Não mexe mais.
Não mexe mais. Um excelente nome. Sim, senhor. É verdade.
Este é um disco que também tem muitos convidados. Alguns não propriamente do mundo da música. Também nesse registo, essa predileção pelas palavras, pelos poetas. De alguma forma, achas que os poetas portugueses ainda deveriam ser mais revisitados pela malta da música?
Eu acho que sim. Eu acho que aprendi a escrever a ouvir fado. E naquela altura os fadistas cantavam realmente os melhores poetas de Portugal. Hoje em dia a coisa está um bocadinho confusa. Já é raro o fadista que não seja mais pop que fado. E por isso acho que eu continuo muito a ir aos fadistas mais antigos ou ao repertório de fadistas mais antigo, de fadistas mais recentes. Ou, por exemplo, o Camané, que tem sempre um repertório magnífico. São sempre uma escola de poesia. Eu acho que sim, acho que esta nova geração está a precisar muito de ler poesia, porque as letras estão realmente um bocadinho fraquinhas, amigos. E acho que há uma falta de esforço, acho que há uma falta de autocrítica e de exigência.
Eles já não serem consumidores desse tipo de autores, não é?
Pois, eu acho que isto é uma coisa, se tu fores para a música um bocadinho mais alternativa ou menos comercial, eu não gosto muito desta diferença entre alternativa e comercial, porque eu acho perfeitamente que, na minha altura, os Nirvana eram comerciais. E hoje em dia eram alternativíssimos.
Pois não se ouve nada disso hoje em dia.
Não se ouve nada, porque está tudo um bocado ocupado de uma música tão fácil e tão básica. Parece que é música para miúdos de seis anos e por isso parece que os artistas são cada vez mais básicos para furar o mercado. E depois os fadistas que exigem um bocadinho mais, mas temo-los cá, temos artistas muito bons, a escrever letras muito boas, só que é difícil eles passarem de um nicho urbano.
É verdade.
Isso é pena, porque realmente a fasquia está bastante baixa, não só em termos de letras, como estávamos a falar, mas acho que em termos também de música.
E como é que tu te lembraste de iniciar estes lives?
Desculpa, Nelson, deixa-me só dizer o seguinte: eu só precisava que a fasquia baixasse um bocadinho mais ao nível das segundas vozes.
Era para teres entrada nesse mundo.
Estou à espera que a fasquia também das segundas vozes baixe um bocadinho. Já esteve mais longe.
O Tiago já estava aqui a fazer um part time com as Golden Slumbers, que estiveram aqui ontem, a ver se precisavam de umas vozes secundárias que ele pudesse entrar.
E a minha banda também pede-me umas segundas vozes.
Já me contento com uma terceira, uma quarta voz.
Ainda ninguém criticou.
Ia perguntar-te se tu te lembras como é que iniciaste estes lives Tiago Na Toca. Se alguma forma foi o tédio daquela altura e daqueles primeiros confinamentos que te fizeram ter aqui uma ideia.
Não, foi um festival que houve chamado Festival Fica em Casa, onde vários artistas participaram e eram muitos artistas mesmo, e todos eles tinham um horário gigante durante o dia. E acho que correu muito bem esse festival, não só para mim, mas para todos os artistas. Teve um impacto engraçado. E eu fui obrigado a pensar num formato de live que fosse um pouco diferente dos lives por onde eu passava, que era aqueles lives de um telemóvel a apontar pro senhor que está a fazer o live e só se vê às vezes uma cabeça, e ele a falar com o live e eu não sabia fazer isso. Eu não sei falar com o pessoal lá de casa, entre aspas.
Sim.
Eu não sou muito televisivo e por isso fui obrigado a pensar num formato onde quis encontrar um cenário, um quadro bonito para aparecer na imagem. Quis arranjar uma maneira do som ser bem captado.
Mas ia perguntar-te isso. Isso também não é uma dificuldade, é uma preocupação dos músicos meterem-se na questão dos lives e depois parece que é difícil colocar aquilo numa qualidade de som.
Eu acho que se fores exigente, consegues chegar a um sítio qualquer engraçado. Eu, honestamente, acho que cheguei a um sítio giro e acho que também por isso é que se aguentou tanto tempo este live, porque havia um quadro, aquele quadro que era o meu sofá e os quadros todos, que passou a ser familiar para as pessoas, e depois o som era muito bem captado, o som era bom e por isso dava para ouvir. Não era o som do telemóvel, era um som que podias ouvir de fones. Antes, a minha casa era um não acabar de fios, que não vias na imagem. Mas valia a pena por causa disso. Ou seja, eu pensei: se for para fazer, que seja com qualidade. Mas fiz este do festival Fica em Casa e depois percebemos que isso também podia ser uma maneira de arranjar dinheiro pra equipe que tinha ficado sem trabalho.
Exato.
Por isso a ideia de começar estes lives foi exatamente para começar a juntar dinheiro pra equipe, que conseguimos, tínhamos lá sempre um IBAN e as pessoas iam mandando o que podiam.
E rendeu alguma coisa, muito bom.
Rendeu.
Tu te lembras de algum que te tenha surpreendido, alguma história destas sessões? Pelo que estou a perceber, elas até tinham contigo mais gente do que eu imaginava. Ou tu no início estavas sozinho e depois também começa a aparecer uma equipe técnica que começa a fazer estes lives cada vez maiores?
Não, zero equipe técnica.
És tu?
Zero equipe técnica, fui sempre eu. Não, acho que só quando começamos a desconfinar é que eu comecei a chamar elementos da minha banda primeiro, portanto éramos só dois. E depois convidei a Dalila também, convidei o meu amigo Pedro Pup e convidei a Inês Castelo Branco. E depois, no último, na segunda season, digamos assim, no segundo confinamento, não convidei ninguém, só no último de todos é que convidei a minha banda pra tocarmos todos juntos no meu jardim.
É o último vídeo, não é?
É o último vídeo.
É o último live.
Mas sempre fui só eu, não havia ninguém. Daí o meu nervosismo, eu estava sempre ultranervoso em todos os lives, porque era só eu que estava ali a encarregue de tudo.
Mas por acaso acho piada, como é que era a logística da coisa? Imagino que tu tenhas começado quase isto guitarra e piano, e depois se calhar as coisas começam a aumentar, a parafernália começa a aumentar. Ou não, o objetivo também sempre foi manter mais intimista e acústico.
Depois começa a complicar um bocado, porque imagina, eu tenho em casa uma máquina onde tu consegues ligar seis coisas. O piano ocupa dois canais, voz e guitarra ocupa mais dois. Mas depois eu penso: "Posso aqui pôr mais coisas, se calhar se eu puser aqui uma drum machine fica mais giro." E então apareceu a drum machine. Depois pensei: "E se eu usar aqui uns pedais de guitarra, os pedais de loop ou os pedais que fazem estes efeitos à guitarra." E por isso nunca compliquei mais que isso.
O caso wah-wah, não. O wah-wah é muito artístico. É a única coisa que eu sei sobre pedais.
É verdade, o wah-wah era muito usado ali naquele rock dos anos 80. Quer dizer, nos anos 80 era só wah-wah.
Pois era, sim. Era muito típico.
Sim, essa coisa, esses solos. Eu nunca usei o wah-wah.
Engraçado.
É giro.
Olha, concerto no Coliseu segunda-feira, concerto 360. O que é isto? Estás no centro da sala, imagino, ou se estás assim mesmo num showroom daqueles que está sempre a rodar.
Era bom.
Isso era espetacular.
Era magnífico, não há ter para isso. Não, isto em dezembro está lá sempre o circo, e por isso eu gosto muito. Já é a terceira vez que faço isto, que faço um concerto em dezembro pra aproveitar a disposição do Coliseu desta maneira. Portanto, o palco está no centro do Coliseu e as pessoas estão sentadas à volta, e é assim uma maneira mais intimista de dar um concerto no Coliseu.
Claro, e se é um bom projeto do Tiago Natoca, também faz sentido que seja. Entretanto, anunciaste há dias convidados pra este espetáculo, a tua banda, o João Lencastre, o Hasselberg, o Pedro Branco, o João Bernardo, mas depois há Pedro Pup, David Fonseca e Marco Paulo. Este pode surpreender algumas pessoas. Que participação é esta? Estou supercurioso para perceber o que é que terás preparado com o Marco Paulo para este espetáculo.
Não te vou dizer o que eu preparei.
Claro.
Vou te dizer que vai ter impacto no concerto. Acho que vai ser muito giro, acho que vai ser muito divertido Eu fiz um live com músicas do Marco Paulo nesta segunda season. Depois isso chegou aos ouvidos do Marco Paulo, ele convidou-me para o programa dele, e eu disse: "Vou, mas só se ele cantar comigo o 'Viagem'."
Boa.
E então fizemos uma versão da "Viagem" muito gira. Não é isso que vamos cantar, só para
Já é um disco clássico.
Já está feito. E depois fiz também lá uma versão do "Joana", mas principalmente tive um prazer enorme em conhecer o Marco Paulo. Acho que é tudo aquilo que nós estamos à espera que o Marco Paulo seja. É uma pessoa ultragenuína, muito simpática, muito acessível.
E um vozeirão.
Um vozeirão, continua com uma voz que ninguém tira.
Ninguém fica indiferente a esse vozeirão do Marco Paulo. Queria ir só um bocadinho atrás, rapidamente, porque tinhas o "2019 Rumo ao Eclipse". A procura também é 2018, estes discos estão relativamente juntos, 18 e 19.
19, mas só saiu em novembro de 2020.
20. Sempre premonitório.
Quando lancei, já sabia que ia ficar a sucesso. Era para sair em março de 2020, saía já com um nome retro. E essa era a piada. Eu não sabia era que ia sair só no fim de 2020.
Imagina se esse disco conseguia mesmo ter saído em março de 2020, era alta altura para ter saído com este título. Era mesmo na musca do rumo ao eclipse.
Mas achamos melhor não, porque enfim, já estávamos todos dentro de casa, achamos melhor lançar só um single e depois esperarmos pelo fim do primeiro confinamento. Mal sabíamos que ia haver o segundo.
Exato. Eu gostei muito do 2019, foi provavelmente o meu disco favorito dos teus. Acho que há ali uma dimensão até mais futurista.
A ideia é ser cada vez melhor.
Estás a conseguir. E fiquei curioso para perceber se este projeto Tiago na Toca, com os lives e agora com o espetáculo no Coliseu, se o espetáculo no Coliseu também não é um fechar de ciclo de Tiago na Toca para regressares a um próximo disco.
Sim, claramente. Acho que nós pensamos até que este Coliseu podia ser a apresentação do disco em Lisboa, que nós ainda não fizemos em banda, e por isso ainda vamos ter que fazer isso. Ou seja, fecha-se este ciclo do Tiago na Toca, que achamos que era bonito acabar no Coliseu para agradecer às pessoas. E depois vamos voltar à promoção do álbum, que tem estado a acontecer por Portugal. Temos estado a fazer uma tour e o concerto está muito forte, está mesmo bonito. Tens que ir ver se gostas do álbum. O cenário está muito forte, quem nos faz luz é o Rui Daniel, que é um artista nas luzes e nos cenários. Está um concerto mesmo bonito e por isso ainda falta tocar cá em Lisboa e tocar no Porto também. Tenho muita pena de não termos ido ao Porto com o Tiago na Toca, mas não conseguimos arranjar uma sala onde eu pudesse fazer o que queria, e por isso havemos de ir com este álbum.
Ainda alguma promoção a fazer a esse "2019 Rumo ao Eclipse", e ainda bem. Tiago na Toca, na segunda-feira à noite, no Coliseu dos Recreios. Ainda há bilhetes para isto?
Ainda há bilhetes, acho que sim, acho que está a acabar.
Tinha-me dito que estava quase a esgotar, mas ainda há alguns.
Deve ter muita gente com medo do vírus.
Sim. Mas também tenho a sensação que as pessoas compram bilhete mais junto ao espetáculo.
É verdade, exatamente.
Nesta altura está a acontecer mais isso.
Também já me disseram isso. Quando lançámos a data não havia promoção nenhuma. "Então não há promoção, ninguém quer avisar."
Pensava que vai deixar para a última.
Ficou só o meu post no Facebook durante dois meses parado. E eu assim: "Ninguém quer avisar ninguém que vai acontecer."
Sim, agora é tudo à última, porque o pessoal não quer pagar o seguro e está com receio. Está bem visto. Eu não sei como é que funciona no Coliseu, mas fiquei muito impressionado por descobrir que há discotecas em Lisboa que já têm a cabanazinha para fazer o teste, mesmo ali, antes de entrar. Pagam a farmácias e a enfermeiros para ser o teste fidedigno. E estão lá e as pessoas vão lá e depois entram na discoteca.
Mas é obrigatório fazer teste antes de entrar numa discoteca? Não fazia ideia.
Hoje em dia, sim. E para o Coliseu, se calhar, também, dependendo da capacidade.
Não, acho que não é.
Se a capacidade está um bocadinho reduzida, se calhar. Acho que ali abaixo dos 4000 ou dos 5000 é possível que não tenham de fazer testes.
É só preciso o comprovativo de vacina ou um teste negativo, se não haver vacina.
Exatamente. Tiago na Toca então, na próxima segunda-feira, ao vivo no Coliseu dos Recreios e com belíssimos convidados, David Fonseca, Pedro Pupo e Marco Paulo. Estou curioso com este momento, um concerto em formato 360, quer dizer que o Tiago e a sua banda vão estar no centro da sala. É também aqui um fecho de ciclo.
Tiago e a minha banda, não, vou dar o concerto todo sozinho.
Sozinho?
Sim. A minha banda é convidada.
É um dos convidados.
Sim, é um dos convidados, é a minha banda, e por isso vai haver ali um momentozinho com banda, mas o concerto é principalmente sozinho.
Ainda mais intimista do que eu imaginava.
Confirmas que o palco não é aquelas mesas de restaurante chinês com o centro rotativo. Adorava!
Era isso que eu estava a dizer.
Mas é muito caro, não tenho dinheiro para isso.
Essas plataformas lembram-me sempre os carros.
Salões de automóveis.
Salões de automóveis, exatamente.
Pensámos nisso, devíamos ter ido a um salão para perguntar se nos emprestavam.
Sim, podias ser o último modelo da Nissan. Deve haver um stand que ainda tem isso disponível.
Tocar dentro do carro.
Muito bem. Por falar em tocar, Tiago, também trouxeste alguma coisa aqui para tocar no nosso palco inaugurado há pouco tempo. Espero que gostes dele. É humilde, mas aprazível. Que canção é que tu trouxeste em formato Tiago na Toca?
Tanto faz, eu não tenho propriamente nada planeado. Eu estava a pensar tocar uma canção do Tiago na Toca chamada "Saudades eu não as quero", que era um fado um bocadinho desconhecido do Carlos Ramos, que é um folclorista antigo, que eu amo Carlos Ramos desde sempre. E é uma letra do Afonso Lopes Vieira. Por isso, posso tocar isto Que é um fado tão bonito. Como disseste que eras fã do álbum, posso tocar uma que tu queiras do álbum novo.
Por acaso um fadinho para sexta-feira, para terminar a semana.
É muito abenisto. Eu gosto muito, grande parte das letras que o Carlos Ramos escolhia personificam os sentimentos. Este diz: "Bateram, fui abrir, era a saudade. Vinha para falar a teu respeito". Então há toda uma conversa que a saudade tem.
Acho que prefiro essa.
Esta história é engraçada.
Tiago Bettencourt, nosso convidado hoje no "Cabeça de Cartaz".
É uma espécie de jukebox humana.
Sim, ele está aqui disponível. O que é que querem? Querem essa, querem aquela? É um nombrinho. Tiago Bettencourt então ao vivo aqui também no estúdio da Rádio Observador. Esta é uma entrevista que também podem acompanhar nas nossas redes sociais com vídeo. Ficará por lá disponível também logo no final para que a possam rever ou partilhar. Não se esqueçam, Tiago na Toca, o espetáculo acontece segunda-feira, Coliseu dos Recreios em Lisboa, com convidados num determinado momento com a banda do Tiago e depois também com o Pedro Pupo, David Fonseca e Marco Paulo. E o Tiago Bettencourt, toca-nos agora aqui alguma coisa. Este fadinho do Carlos Ramos, fiquei curioso para saber mais sobre esse autor de que me falaste. Já apontei aqui para descobrir mais coisas sobre ele. Tiago, quando quiseres, o nosso palco é teu. Bateram, fui abrir, era a saudade. Que vinha para falar a teu respeito. Entrou com um sorriso de maldade. Depois sentou-se à beira do meu leito. E quis que lhe contasse só metade. Das dores que trago dentro do meu peito. Não mandes mais esta saudade. Ouve os meus ais por caridade. Ou eu então deixo esfriar esta paixão. Amor podes mandar se for sincero. Saudades isso não, eu não as quero. Bateram novamente, era o ciúme. E eu mal me apercebi de que batera. Trazia o mesmo ódio do costume. E todas as intrigas que lhe deram. E vinha sem um pranto ou caixuma. Sabendo o que as saudades me fizeram. Não mandes mais esta saudade. Ouve os meus ais por caridade. Ou eu então deixo esfriar esta paixão. Amor podes mandar se for sincero. Saudades isso não, eu não as quero. Não mandes mais esta saudade. Ouve os meus ais por caridade. Ou eu então deixo esfriar esta paixão. Amor podes mandar se for sincero. Saudades isso não, eu não as quero. Olá, eu sou o Nelson Ferreira. Obrigado por ouvir. Se gostou, pode subscrever este podcast e se gostou mesmo muito, pode partilhá-lo. Este é um podcast da Rádio Observador. Pode ouvir a rádio online e também em FM. 98.7 na Grande Lisboa, 98.4 no Grande Porto.