Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Cassete 60.
"A ponte é uma passagem pra outra margem. A ponte é uma passagem pra outra margem."
Faz hoje 25 anos que foi inaugurada a Ponte Vasco da Gama, a 29 de março de 1998. Centenas de convidados partiram da doca de Alcântara de catamarã até ao Montijo. Os restantes, mais de mil, fizeram o percurso de autocarro. Na viagem pelo Tejo estavam António Guterres, na altura primeiro-ministro, e Cavaco Silva, ex-chefe do governo.
Foi o governo do PSD que lançou a obra em 1995 e o executivo socialista que a concluiu. E nos discursos, durante a cerimónia oficial de inauguração, António Guterres fez referência a essa colaboração política entre os dois executivos.
Esta ponte é, acima de tudo, um traço de união entre os portugueses e um motivo de orgulho para Portugal. Traço de união, desde logo, no plano político, porque une dois governos de cores políticas diferentes, que presidiram ao seu início e à sua conclusão.
Mas a união mais importante para os portugueses era a da margem norte à margem sul do Tejo. A ponte custou cerca de 900 milhões de euros, coisa pouca. Desta verba, 319 milhões vieram do fundo de coesão da União Europeia, 299 milhões foram emprestados pelo Banco Europeu de Investimentos e 50 milhões das portagens cobradas na 25 de Abril. O restante foi pago pelo Estado português.
É considerada como uma das grandes obras de engenharia portuguesas. Até 2018, era a mais longa da Europa, com mais de 17 km, dos quais 12 são feitos sobre o rio. Em 2018, foi inaugurada a Ponte da Crimeia, com mais de 18 km, hoje parcialmente destruída, e que suplantou a Vasco da Gama.
Ora a homenagem ao navegador marcou as comemorações dos 500 anos da chegada de Vasco da Gama à Índia em 1498, e a ponte conseguiu ficar pronta a tempo, 10 para 98.
Quando a ponte foi aberta ao público, da parte da tarde daquele domingo soalheiro, a quantidade de carros causou vários quilómetros de fila e congestionou o trânsito na segunda circular. Segundo a Agência Lusa, uma hora depois da ponte ter sido aberta ao tráfego, 11 mil veículos já tinham atravessado a Vasco da Gama.
As exigências técnicas de uma ponte desta envergadura foram muitas. A ponte é do tipo estaiada, que significa que é suspensa por cabos, que partem dos mastros e sustentam os tabuleiros. Mas houve outras preocupações, como o fato de uma das margens ser uma zona de barracas e habitações degradadas e claro, questões ambientais, uma vez que atravessa o Parque Natural do Estuário do Tejo, que é uma área de alimentação e nidificação de aves aquáticas.
Era ainda fundamental em termos viários, e a ideia era aliviar o tráfego na Ponte 25 de Abril e também fazer a ligação entre a A1 e a A2, que o Presidente da República, na época Jorge Sampaio, fez questão de assinalar.
Os efeitos que produzirá na rede de comunicações nacional e internacional ultrapassa uma cidade, uma região, o próprio país.
Essa é das maiores críticas feitas à opção que liga Lisboa a Alcochete, o fato de não ter retirado trânsito da 25 de Abril. Nos planos da ponte, estimava-se que o valor de carros a circular diariamente em 2012 deveria ser de 132 mil, mas o tráfego médio naquele ano foi de pouco mais de 50 mil.
Em compensação, tem sido palco de diversos eventos: maratonas, World Bike Tour, ciclismo e muitas corridas ilegais de automóveis. Apesar da intensa fiscalização da GNR, lá de vez em quando surge uma corrida a velocidades que podem chegar aos 280 km/h.
Mas falta falar no maior evento de todos, a Super Feijoada. Uma semana antes da inauguração oficial, o tabuleiro da ponte encheu-se com 15 mil pessoas sentadas numa mesa com cinco quilômetros a comer uma feijoada que teve direito a entrada no livro do Guinness.
Olhava pra direita, só via mesa. Olhava pra esquerda, só via mesa. E eu gostei imenso daquelas pessoas, e tava tudo muito contente. A feijoada tava muito gorda e os pratos ficaram muito secos.
Este é um excerto da publicidade do detergente da loiça que pagou a feijoada e que garante ter lavado quase 15 mil pratos com apenas uma embalagem de um litro. Só mesmo pra concluir. No que andei a ver nos arquivos, nomeadamente nos arquivos da RTP, pra fazer o cassete, encontrei uma senhora a dizer que a feijoada estava muito boa, mas divinais eram as batatas fritas de pacote que tinham oferecido.
Ai, não.
Não, bem boas.
Crocantes. Toda gente se lembra disso, não é? As imagens daquela mesa na Ponte Vasco da Gama.
Quem viveu, não esquece.
Quem viveu, não esquece.
Não, e-
Um dia de calor a comer feijoada. É tão bom.
Por isso é que a senhora preferiu as batatas de pacote. Não sei se foram feitas pelo chef Michel.
Não. Eram mesmo de pacote. Não posso dizer a marca, não é? Era o chef Michel.
Já não me recordava.
Mas houve outra marca que aproveitou pra fazer publicidade e distribuiu pacotes de batatas fritas. Essas é que eram mesmo boas.
Pronto. No cinema, ninguém fatura mais em 1998 que Armageddon, esse grande filme de catástrofe. Mais de 550 milhões de dólares em bilheteira, que deixaram em segundo lugar o Resgate do Soldado Ryan, e em terceiro, dos mais vistos do ano, Godzilla, ou seja, o Spielberg ficou ali entalado entre dois grandes acidentes.
É verdade. Destaque, no entanto, para o quarto lugar de Deito por Mary, a comédia de Ben Stiller e Cameron Diaz, e música do genial Jonathan Richman.
Em Portugal, o top de música de 1998 conta com vários sucessos brasileiros. Entre os 10 discos mais vendidos desse ano, encontramos Netinho.
"Oh, Mila". Sim, é verdade.
Banda Eva.
Essa nós já não sabemos. Era da Ivete Sangalo?
Sim, isso.
Daniela Mercury. Estou a espera que tu cantes.
"Quando eu te Puder Amar".
Acho que é isso.
E Fafá de Belém.
É, o vermelhão.
Já a representação nacional fica-se por dois discos: "Eu Sou Aquilo", dos Excesso.
Também é pra cantar?
Deixa lá isso.
E "Silence Becomes It", do Silence Four.
Vocês lembram-se da polêmica que foi quando começaram a aparecer estas bandas a cantarem em inglês?
Em inglês? Claro.
A guerra. Eu lembro-me do Rui Reinino dizer: "Se isto é pra andar a rimar tomorrow com borrow, mais vale rimar Winona", e não disse mais. Mas 98 é um ano de grandes discos. Já falamos daquele, dos Excesso.
É verdade.
Mas houve mais, houve outros grandes discos, como "Mezzanine", dos Massive Attack, e "Mutations", de Beck, por exemplo, que agradaram àqueles que em 1998 escutavam sonoridades menos óbvias.
PJ Harvey, os R.E.M. e os Manic Street Preachers também editam alguns dos seus melhores discos no ano de 1998, ano que é de estreia para os franceses Air. "Moon Safari" foi editado em janeiro desse ano, produziu grandes sucessos, "Sexy Boy", "Kelly Watch the Stars" e esta "All I Need", que escolhi para fechar a nossa viagem de hoje até 1998. No "Cassete 60", recordamos a inauguração da Ponte Vasco da Gama.