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Car7,60.
Em setembro de 1996, o rapper ator Tupac Shakur foi atingido a tiro várias vezes em Las Vegas, depois de assistir a um jogo de boxe. Tupac estava a viajar num BMW preto quando, a seu lado, surgiu outro carro. Uma rajada de tiros atingiu mortalmente Shakur, que acabaria por falecer dias depois no hospital. O assassino nunca foi identificado, mas surgiram suspeitas sobre Orlando Anderson, membro de um gangue de Los Angeles, os Southside Crips. Nessa noite, momentos antes do combate de boxe que opôs Mike Tyson e Bruce Seldon, Orlando Anderson foi atacado no lobby de um hotel por um grupo relacionado com a Death Row Records, incluindo Suge Knight.
Suge Knight.
Lege Suge?
Parece que sim.
Suge. Então Suge Knight.
Não, é Suge. É Suge, caraca.
Fundador da discográfica e que foi baleado por se encontrar no carro com Tupac.
Há pessoas com muito azar. Quase três décadas depois da morte, o rapper Tupac Shakur continua a ser um dos rostos e vozes mais reconhecidos do hip-hop. Um fluxo constante de lançamentos de álbuns póstumos manteve o nome perto do topo dos rankings de vendas. Saiu ainda o filme Tupac: Resurrection, de 2003, que manteve a imagem e a música atuais entre fãs que eram jovens demais para tê-lo visto e ouvido enquanto ele ainda estava vivo. Tupac tinha 25 anos quando foi assassinado, mas a fama continuou a crescer a cada ano que passava sem o homicídio estar resolvido.
A história da morte de Shakur começa dois anos antes, num atentado fracassado. Em 30 de novembro de 1994, Tupac foi baleado e gravemente ferido durante um alegado assalto cometido por dois homens armados, naquilo que é um saguão de um prédio comercial do centro de Manhattan, onde estava um estúdio de gravação, e Tupac estava a trabalhar no seu terceiro álbum, Me Against the World.
Shakur culpou o produtor Puff Daddy e o rapper rival Christopher Wallace, também conhecido como Notorious B.I.G. As atuações de Shakur e a sua subsequente mudança para a gravadora Death Row Records, com sede em Los Angeles, desencadearam essa rivalidade Costa Leste, Costa Oeste, que definiu também a cena do hip-hop ali por meados dos anos 90.
E a cena do crime.
Também.
Exato.
Também.
E é preciso contar, afinal, quem é Shakur e podemos começar por aqui.
"When I was pregnant, in jail, I thought I was gonna have a baby and the baby would never be with me, but I was acquitted a month and three days before Tupac was born. I was real happy."
Ora, neste Dear Mama, Tupac conta como a mãe estava grávida quando foi presa. É a própria que conta que foi liberada um mês antes do filho nascer. Tupac nunca conheceu o pai e nesta canção autobiográfica, conta como se envolveu com gangues, com tráfico de droga ao longo de toda a sua adolescência. Fala da vida no gueto e na forma como encontrou atenção junto dos criminosos de rua, que, de alguma forma, passaram a ser a sua família.
E ao longo da vida, envolveu-se numa série de confrontos violentos, fazia parte da formação. Em 1993, foi condenado por agressão a um produtor de música e, no mesmo ano, um chauffeur de limousine. Um chauffeur?
O Ambrósio.
O Ambrósio alegou que Shakur o tinha agredido, se calhar não lhe deu os bombons. Em 1995, enquanto estava a ser julgado por abusar de uma mulher no quarto de hotel, Shakur foi atingido com cinco tiros durante uma alegada tentativa de roubo à discográfica. Fatal, aquela que falámos. Falámos há pouco. Entretanto, foi condenado por agressão sexual e em 96 foi detido por violar a liberdade condicional e não completar as horas obrigatórias de serviço comunitário. Ora, em Las Vegas, 7 de setembro de 96, Shakur e a sua comitiva foram capturados no Hotel MGM Grand, envolvendo-se numa violenta cena de pancadaria com um homem que seria posteriormente identificado como o tal membro do gangue Crips.
Os Crips. Acho que os Crips são azuis, não é? Há uns azuis e uns vermelhos.
É, são. É, os Crips, verdes, não sei. Os Crips são muito Crips.
É verdade. Dois dias depois, Tupac Shakur estava num carro, no lugar do passageiro, ao lado, o chefe da Death Row, Suge Knight, quando essa viatura branca parou ao lado num semáforo na Flamingo Road e abriu fogo. Pelo menos 12 tiros foram disparados, quatro dos quais atingiram Tupac Shakur. Um deles acertou de raspão na cabeça de Suge Knight. Shakur foi operado nessa noite. Nos dias seguintes, os médicos anunciaram que tinha boas hipóteses de recuperação, mas a 13 de setembro de 1996, morreu. Não resistiu a esses ferimentos.
Seis meses depois, o rival do rap de Shakur, Christopher Wallace, Notorious B.I.G., foi assassinado em circunstâncias semelhantes em Los Angeles. Nenhuma prisão foi feita até o momento, em ligação com nenhum dos crimes, mas em breve isso poderá mudar. Isso porque as autoridades do estado de Nevada emitiram no mês passado mandados relacionados com o homicídio de Tupac, do que já é possível saber sobre a investigação a este tiroteio, que se revelou fatal. Os jornais americanos, aliás, consideram ser o mais infame da história do hip-hop. A polícia fez uma busca domiciliar na cidade de Anderson, que é nos arredores de Las Vegas.
Segundo a ABC, os detetives determinaram que tinham informações suficientes para prosseguir uma busca autorizada pelo tribunal. Ora, essa operação foi conduzida durante a noite e o jornal descreveu a cena como barulhenta, com a polícia a usar megafones e focos de luz. Polícia que procurava também computadores e artigos a propósito de Tupac Shakur e, claro, da sua morte.
Até o momento, o porta-voz da Polícia de Los Angeles disse não poder fornecer mais detalhes, nem se algum suspeito tinha sido identificado. As provas reunidas serão agora apresentadas a um grande júri. Nos últimos anos, não faltaram teorias sobre o homicídio. Uma investigação feita pelo LA Times sugeria que o tiroteio foi levado a cabo pelo gangue dos tais Southside Crips, para vingar o amigo que Shakur tinha espancado dias antes. Mas outras teorias surgiram. Em 2018, Knight, que sofreu apenas ferimentos, foi condenado a 28 anos de prisão por ter atropelado mortalmente o produtor de música Terry Carter. No julgamento, Knight afirmou que Carter era o verdadeiro alvo daquele tiroteio e que a ex-mulher e o antigo segurança da Death Row Records estavam por trás do ataque.
Em 2019, a ABC relatou que um polícia afirmou que os inspetores estavam a folhear de novo o caso, depois de um documentário da Netflix ter saído: Unsolved: Tupac
"And Biggie Murder" ter sido apresentado pela Netflix. E agora este cold case, ou seja, que estava ali arrumadinho a temperar, foi formalmente reaberto, está a aquecer de novo.
Já não me lembro se é neste documentário que falas da Netflix ou se no filme de 2017, no "All Eyez on Me", que há a versão de que Tupac e Notorious B.I.G. até seriam amigos e que não haveria rivalidade.
Eu acho que é nesse da Netflix. Agora também não tenho a certeza.
As mães dos dois falam, havia ali alguma admiração, mas nunca saberemos completamente a história. Vamos fechar só com Tupac, antes da sua morte a 13 de fevereiro de 1996, ele morreu em setembro. A 13 de fevereiro viria a ser editado o "All Eyez on Me". É, de resto, o primeiro álbum duplo da história do hip-hop. O disco chega a número um e atinge a marca platina em apenas quatro horas. Dele faz parte a "California Love", com um belo videoclipe que parece ter sido idealizado pela sua amiga Jada Pinkett Smith. Sabem quem é, não é?
Na altura ainda não tinha o Smith, acho eu.
Ainda não tinha, era só Jada Pinkett.
Estava quase.
Ainda não era a senhora do Will Smith. As filmagens decorreram numa zona deserta em El Mirage, na Califórnia. Por lá também brilha o ator Chris Tucker.
Aquele da hora de ponta.
Sim, que é muito estridente, tem sempre uma graça muito estridente, parece que está sempre algo perto.
E também do "Quinto Elemento". Eu acho que ele também entra no "Quinto Elemento", não é?
Entra.
Capaz. Vamos confirmar isso. Mas para já, "California Love".