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As 12. De manhã bem cedo disse que hoje íamos viajar até ao código postal 5400, que pertence a Chaves, bem lá no norte do país. E para nos guiar nesta viagem, junta-se agora a nós o jornalista do Observador, Diogo Teixeira Pereira. Olá, Diogo. Bom dia.
Olá, bom dia.
E o código postal de hoje é um debate?
É um debate que está a aquecer os flavienses. É um debate em torno da Ponte Romana, que é um dos símbolos da cidade de Chaves, que foi construído no século I d.C. Geralmente, uma ponte serve para unir, para ligar, mas desta vez está a dividir.
Diogo, e está a dividir de tal forma que está mesmo marcado um referendo para o próximo domingo. O que está aqui em causa?
Trânsito. É este o problema.
É sempre.
O trânsito é sempre um problema grave, mas quem conhece Chaves sabe que a Ponte Romana é pedonal e até tem umas esplanadas lá em cima. Mas só desde 2008 é que é assim. Até esta data, os automóveis passavam por lá de forma tranquila. Neste momento, discute-se a possibilidade de o trânsito regressar à Ponte Romana.
Mas por que essa discussão voltou agora?
É uma promessa eleitoral. Não estamos muito habituados a que as promessas eleitorais se cumpram, mas o presidente eleito prometeu fazer o referendo quando era candidato às eleições, porque desde 2008, quando se fechou ao trânsito, que este é um assunto que divide a população.
Mas há previsões sobre como é que vai acabar este referendo?
Não tenho inside information, Tiago. Também não há sondagens, nem houve campanha, mas Chaves é uma cidade que está dividida, não só pelo rio Tâmega, como entre o sim e o não. Também se calhar já chega de metáforas entre ponte, rio, margem esquerda e margem direita.
Acho que tu consegues mais.
A margem norte é a favor do sim, a margem sul, a favor do não. Era inevitável.
Ok. Dizia-se, pelo menos, que a margem sul era a margem certa, mas isso era um slogan do PCP. Olha, no início do código postal disseste que íamos ter debate e, portanto, vamos ao debate, não é?
Vamos a ele e eu espero que este teu comentário não seja já uma tomada de posição, Judite, mas no final.
Eu sou de Chaves, só me interessam os pastéis.
Os pastéis e o presunto que a Maria João falou logo de manhã. Mas vamos então ao debate. A pergunta do referendo de domingo vai ser: concorda com a reabertura da Ponte Romana de Chaves ao trânsito de veículos automóveis ligeiros num único sentido? Isto aqui fez-me perder o fôlego.
Isto resolvia-se era havendo trânsito nos dois sentidos e esplanadas. Acho que era a solução onde toda a gente ficava satisfeita.
A favor do não está João Pedro Vagaroso, tem um restaurante na margem norte do Tâmega, mesmo colado à Ponte Romana.
Não faltarão motivos para justificar o absurdo que é haver trânsito na ponte. No entanto, acho que, em prol da democracia e da palavra dada nas eleições, o referendo deve ser feito, porque assim é que deve ser. As pessoas prometem na campanha e cumprem quando são eleitos. Apesar de discordar completamente, mas acho que a democracia é exatamente isso, não concordar com o que os outros dizem, mas lutar para que possam dizê-lo. E acho que deve ser feito o referendo, apesar de eu ser completamente contra e acho ser completamente irracional sequer ponderar-se haver trânsito na ponte.
Ora, João Pedro Vagaroso, um verdadeiro democrata, não é?
Um verdadeiro democrata.
Este senhor não tem grande futuro na política.
Felizmente é dono de um restaurante, Tiago.
Pois, não se meta na política.
Vamos ver se Paula Melo, que está do lado do sim e tem um cabeleireiro na margem sul, tem mais futuro na política. Ela também tem este cabeleireiro muito perto da Ponte Romana, mas como dizia, na margem sul.
O referendo nem deveria ter vindo, porque foi prometido nas eleições abrir a ponte. Se foi prometido, era o que devia se fazer.
O simples fato de se fazer um referendo já gera discórdia à partida, mas há mais trocas de argumentos.
O problema é que se divide a cidade, e se a cidade quer evoluir e ser cada vez mais europeia no conceito turístico, obviamente, tem que ser cada vez mais pedonal, principalmente no centro histórico. Estamos a falar de um monumento com 2 mil anos de história.
É um monumento, mas também é um argumento que não colhe do lado do sim.
E daí, qual é o problema? Agora não podemos pisar então nada que seja de património, nem entrar em cima de nada. É isso? Acho que é isso aí que não vai prejudicar nada. Se não prejudica, acho bem que haja o trânsito, por que não?
Eu tinha medo de cortar o cabelo ali.
Então vamos aos próximos argumentos: os negócios.
Há vários negócios em cima da ponte que trouxeram uma vida enorme, e negócios esses que vão ser altamente prejudicados, porque têm as suas esplanadas no tabuleiro da ponte, que estão altamente concorridas, e bem. Qualquer turista gosta só do fato de estar a almoçar ou jantar em cima de uma ponte com 2 mil anos é muito mais interessante do que passar carros. E esses negócios, sim, vão ser altamente prejudicados.
O João Pedro Vagaroso dá-nos aqui conta de que se o trânsito começar a passar na ponte, os negócios na margem norte vão ser prejudicados, mas a Paula Melo diz que os negócios já estão a ser prejudicados porque não há trânsito na ponte.
Sim, já estou aqui há muitos anos aberta e também estive na altura em que estava a ponte aberta e o comércio aqui era muito mais desenvolvido. Era muito mais comércio aqui quando estava aberta. Muito mais movimento, claro. Aqui havia quatro frutarias, agora temos uma, por exemplo. Um talho também fechou e muitas coisas fecharam.
São estes os argumentos contra e a favor. No próximo domingo, Chaves vai a votos.
Debaixo da ponte, está tudo bem.
Foi o código postal das manhãs 360. Obrigada.
Desculpa, Maria João, mas eu acho que tenho aqui o flanco completamente aberto, portanto, não podia perder a oportunidade de terminar este código postal com uma música.
Vamos a isto, então.
Estou a ser demasiado óbvio?
É pá, já fumega.
Já eras nascido.
Clássico.
Não, o Diogo não era nascido, acho.
Bom, não sei.
Mas circulavam carros na Ponte Romana nesta altura?
Sim. Quando eu nasci, ainda circulavam carros na Ponte Romana.
Pelo menos isso.
Pelo menos já tinham inventado o automóvel.
É verdade.
Jáfnega com o Ito Ribeiro a fechar este código postal com o jornalista Diogo Teixeira Pereira. O referendo à passagem de trânsito na Ponte Pedonal de Chaves, o destino do nosso código postal de hoje. Obrigada, Diogo.
Obrigado.
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