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Este é o som da Comissão de Inquérito das manhãs 360. Hoje é nosso convidado Manuel Norte Santo, presidente do Centro de Estudos e Promoção do Azeite do Alentejo. Bom dia, bem-vindo.
Olá, bom dia.
Obrigada por ter aceitado o nosso convite.
Parece-me.
Viou os tremoros?
Vi os tremoros, exatamente.
Sim, acordou cedinho. Que horas acordou?
Era 6h45, mas para quem tem um filho de dois anos, não é nada.
Ah, pois não.
Isso é habitual. Temos espectador natural.
Exatamente.
São cinco perguntas, cada resposta certa vale cinco pontos. Se pedir a nossa ajuda, damos-lhe escolha múltipla e se acertar são dois pontos. O máximo são 25.
Ok, não é só sobre azeite, não?
Também.
Também.
É sobre tudo. Vamos lá, para um especialista, esta primeira é com certeza de caras: qual é a cor oficial dos copos de vidro padronizados pela União Europeia para as provas técnicas de azeite, para evitar que o provador seja influenciado pela cor do produto?
É a cor azul.
É a cor azul.
É muito fácil.
Eu também sou provador, portanto, já participei em alguns concursos.
Mas também podia ser vermelho-granada, também é usado?
Exatamente, também é utilizado. A ideia é que a cor realmente não influencie o provador na prova organolética.
Podiam pôr uma venda. Mas a cor não é importante, já agora, para avaliar o produto?
Não.
É o sabor só.
Exatamente. Porque a cor pode pensar se é um azeite mais maduro ou mais verde, quando, na realidade, a cor não demonstra exatamente isso. Depende muito mais da variedade, do estado de maturação da azeitona, também do estado fitossanitário da azeitona. Poderia influenciar o provador e então chegou-se à conclusão que era melhor esconder a cor.
Então um consumidor que não perceba nada de azeite e que vá pela cor, não tem nenhuma indicação.
Nada mesmo. Por isso mesmo, até os produtores e os embaladores começaram a utilizar as garrafas escuras. Para isso mesmo, para proteger o azeite da luz e do calor, mas também para que não seja tão influenciado o consumidor final.
Curioso. Muito interessante. Quando é que deixa de ser um luxo e passa a preços mais confortáveis o azeite?
Agora já não está no formato luxo. Há dois, três anos, o azeite realmente atingiu um pico de valores absolutamente record. Atingimos praticamente os 11, 12 € por litro. Atualmente, estamos a falar de cinco, seis euros.
Mas o que é certo é que não voltou aos valores.
Já não voltou aos valores, mas nada voltou, digamos assim. Os custos de produção aumentaram bastante. Temos bastante dificuldade em angariar mão de obra nos territórios em que produzimos azeite, nos territórios mais rurais, no caso do Alentejo, também. Isso são todos fatores que vão fazer com que-
Depois encarecem o produto.
Exatamente. Atualmente estamos nos cinco, seis euros por litro e nós, profissionais do setor, acreditamos que é um valor bastante equilibrado e que dá também para exportar e para potencializar em novos mercados. Acreditamos que é um valor justo.
E é um valor que está estabilizado ou até com os problemas que temos tido em termos de colheitas, podemos preparar-nos para ter o azeite a subir outra vez mais?
Pode acontecer. Não existe essa perspectiva agora na próxima colheita, o que temos visto no campo é que pode ser muito boa em Portugal.
A azeitona está gordinha.
A época de floração, que é agora em maio, está excepcional no nosso território. A questão é que Portugal não tem influência no preço do azeite. Ainda temos uma produção diminuta para aquilo que é a realidade do setor e tudo depende de como é a colheita em Espanha. Estamos dependentes de Espanha porque produz mais de 50% do azeite mundial.
Mas somos o sexto, não é? Nós somos o sexto na produção mundial.
Exato, nós somos o sexto. Espanha lidera.
Espanha é que faz o preço, de alguma maneira?
Exatamente. Depende sempre da campanha em Espanha. E a floração em Espanha, neste momento, também está muito boa. A perspetiva é que seja uma boa campanha em Espanha, uma boa campanha a nível global.
Quando diz boa campanha é uma quantidade de colheita com muita quantidade.
Exatamente.
Pode fazer baixar os preços.
Exatamente. Também pode acontecer.
Manuel, o Manuel molha muito o pãozinho alentejano no azeite ou já está farto disso?
Claro que sim.
Não cansa, não é?
Nunca.
A prova do azeite é beber mesmo azeite.
É beber nesses copos azuis ou vermelho, que falamos há pouco, e beber diretamente. Primeiro, fazer uma análise a nível de nariz, de aroma, e depois ingerimos. Há provadores que engolem, outros que mandam fora, depende.
Pode enjoar um bocadinho, agoniar um bocadinho.
Tal como o vinho, as provas de vinho.
Exatamente. E estamos a falar de gordura, acima de tudo. Às vezes em concursos provamos quase 100 referências por dia. Temos que ter algum cuidado com a ingestão.
E depois algum truque para limpar o palato?
Normalmente utilizamos maçã.
Um vinhozinho. Não.
Não, isso depois leva para uma sesta.
E um queijinho de ovelha.
Isso já seria um petisco mais do que uma prova.
Maçã? Disse maçã?
Maçã verde, exatamente. É a melhor forma de limpar o palato. Água, obviamente, mas a maçã é a melhor forma. Há também quem utilize iogurte grego natural.
Ainda bem, iogurte depois do azeite, faz um bocadinho...
Exato.
Parece que não cabe, mas eu imagino que sim, claro. Estamos a aprender imenso, Manuel Norte Santo. Mais uma pergunta para cinco.
Cinco pontos, já tem cinco.
E conte com mais cinco. De que língua é originária a palavra azeite?
Agora é que me tramaram.
Temos aqui o nosso Marco Alves.
Neves.
Neves, desculpa. Marco Neves, claro. O ninja da língua.
Eu tenho medo de que língua.
Não tenha.
É pensar assim um bocadinho.
É tão óbvio assim?
Mas há quatro raízes que são comuns.
Pois. Do Mediterrâneo. Azeite que é do Mediterrâneo.
Sim.
Não, começa por a palavra azeite.
Pois é.
Será do latim?
Peça ajuda. Uma ajuda?
Não quero pedir ajuda. Sim, é melhor, é preferível.
Então, será o latim, será o grego ou o árabe?
Será o árabe.
Por A, claro.
Exatamente. Que significa sumo de azeitona ou óleo. O azeite português, sexto produtor, mas em termos de qualidade é competitivo comparando com os outros produtores? Como é que estamos?
Sem dúvida, Portugal tem tido uma transformação a nível de produção excepcional. Estamos na vanguarda do que são as inovações tecnológicas na produção, seja no campo, seja nos lagares. Temos os lagares de extração de azeite de última geração. Produzimos também a maior percentagem de azeite virgem extra do mundo, acima de 90%.
Que é o de melhor qualidade.
Que é o de maior qualidade, é o puro sumo de azeitona, de baixa acidez, melhores características organolépticas. Estamos na vanguarda a nível de produção. Temos pecado é na valorização deste produto.
O quê? Na marca?
Na marca, na falta de criação de marca, na promoção dos mercados externos, porque ainda vendemos uma grande parte deste azeite de grande qualidade, que é produzido no nosso território, a granel. Vendemos para a Espanha, para a Itália, são os principais mercados, a granel.
Eles é que fazem a marca.
Azeite português vendido sem se saber que é português.
Sem rótulo português. Já é valorizado, mesmo a granel, por ser de muita qualidade, por isso é que é procurado por grandes players, seja em Espanha como em Itália, mas depois a criação de marca e o valor acrescentado que traz o produto final do valor embalado, fica nesses mercados.
Mas por que isso acontece? Consegue perceber?
Há uma falta de concertação nacional à volta do nosso setor. Precisamos de uma associação que fala a uma só voz e que faça essa dinamização nos mercados externos da marca Azeite de Portugal e, por consequência, depois os nossos produtores possam seguir esse caminho e ganhar notoriedade. Foi criada uma associação interprofissional, que é chamada AIFO, para fazer esse trabalho, mas por questões burocráticas/políticas, não tem estado ativa, tem tido dificuldades e continuamos sem ter essa marca chapéu de azeite do Alentejo a ajudar os produtores a ir buscar esse valor acrescentado que as marcas trazem.
E que outros países que tradicionalmente não eram muito fortes neste setor, se têm destacado e podem também servir de exemplo?
O maior exemplo é, sem dúvida, Itália. Itália, a nível de promoção, tem feito um trabalho excepcional, não só no azeite, todos os produtos gastronômicos italianos estão difundidos um pouco por todo o mundo. Itália tem esse trabalho. Espanha começou também por ser um grande produtor e comercializador a granel, mas entretanto já se conseguiu transformar, muito com base na criação desta associação interprofissional, que tem feito um trabalho de promoção e de campanhas de marketing e publicitárias no mercado externos muito fortes. O azeite espanhol, hoje em dia, embalado, também já tem muita força. Depois a Grécia também aparece e atualmente o novo player que tem subido muito na produção é a Tunísia. Tem acesso a custos de produção mais baixos do que os países europeus.
Também com inovação?
Também com alguma inovação, sem dúvida. Também com muita inovação. Ainda não tem criado também muita marca, também trabalha muito a venda de azeite a granel e tem vendido muito azeite a granel para a Europa. Mas é um player, sem dúvida, a ter em conta e já ultrapassou Portugal a nível de quantidade de produção.
Muito bem.
E então, só uma pergunta de consumidora: qual é o melhor azeite português? É o alentejano, é o de Trás-os-Montes?
Eu não posso bem responder a isso. Quer dizer, até posso, porque estou aqui em representação do CEPAL, que é um centro de estudos e promoção do azeite do Alentejo. Eu sou suspeito, eu gosto muito do azeite alentejano.
Que é mais suave.
É mais suave, é mais doce. Por exemplo, o azeite de Trás-os-Montes também é excepcional, mas é um azeite que nem todo consumidor consegue gostar, porque é um azeite mais picante, mais amargo, mais complexo.
Com pãozinho.
Exatamente.
Um ou outro.
É excepcional. O alentejano agrada mais a todo consumidor e até a nível de mercados externos consegue ter maior aceitação.
Muito bem, e é para lá que vamos, para o Alentejo, para a terceira pergunta, Manuel Norte Santo. Em que década foi concluída e inaugurada a barragem do Alqueva?
A década?
Se souber o ano, tanto melhor, mas não dá mais de cinco pontos.
Eu era muito novo ainda. O fato de ser novo não ajuda nessas perguntas históricas.
Éramos todos muito novos.
Eu creio que foi nos anos 2000.
Isso.
2002. Mais precisamente a 8 de fevereiro, foi quando foram fechadas as comportas. O Alqueva, antes de mais, foi essencial para o desenvolvimento do olival intensivo no Alentejo.
Sem dúvida, foi o grande catalisador da transformação do nosso setor.
Claro, a água. E já está aproveitado todo o potencial ou ainda há muito por aproveitar?
Não, ainda há muito por aproveitar. O perímetro de rega do Alqueva está a crescer de ano para ano, existem várias zonas que ainda não têm acesso a água e que estão muito perto até do lago do Alqueva, nomeadamente o concelho de Moura, tem alguns déficits ainda de zona de regadio. Ainda há muito trabalho para ser feito, ainda há muito aproveitamento que pode ser feito, mas também temos que poupar um bocadinho esses recursos hídricos, ter uma gestão sustentável e consistente para que seja realmente um recurso que dure a longo prazo e que não seja algo momentâneo.
Por vezes há notícias que dizem que os espanhóis eventualmente até podem aproveitar mais o Alqueva do que nós. Isso é verdade?
Eu creio que não, isso creio que também são questões mais políticas. Eu acho que toda a região tem aproveitado na íntegra o Alqueva. O nosso setor tem sido exemplo disso mesmo, temos dinamizado muito a economia, tem repovoado muitas zonas do Alentejo mais profundo, do Baixo Alentejo, tem também catalisado muito a mão de obra mais qualificada, porque estamos a falar de agentes económicos que vão até essa zona. Acho que o benefício tem sido enorme e essas são outras questões paralelas que acontecem sempre.
Não só pelo aproveitamento do lado deles, da fronteira, mas porque compram propriedades, porque são eles que investem muito em explorações agrícolas em Portugal.
Isso é verdade. Nesse âmbito, é verdade, foram eles os primeiros a aparecer nas nossas terras e a aproveitar a barragem, mas também vieram trazer muito know-how e a mostrar-nos a oportunidade que tínhamos ali. E atualmente acho que os portugueses já identificaram essas oportunidades e agoraExiste muito investimento espanhol, mas não só. Investimento estrangeiro, norte-americano, outros países europeus. Já há grandes fundos de investimento que estão a investir naquela zona e na terra alentejana.
E a preocupação com a sustentabilidade está muito presente nas empresas, nos investidores. Muitas vezes fala-se dos impactos negativos que também tem o olival intensivo. Existe essa preocupação com a sustentabilidade?
Sim, sem dúvida. Ao início, estas práticas foram até um pouco atacadas, o que também ajudou a que se olhasse para a sustentabilidade com outros olhos, mas atualmente é algo garantido. O nosso setor tem olhado muito também para a ótica da economia circular, o aproveitamento dos resíduos e dos produtos secundários, subprodutos da nossa produção. Estamos a falar de uma utilização, por exemplo, do caroço de azeitona nos nossos lagares, do bagaço, que é proveniente da extração de azeite nos próprios olivais, como compostagem. A economia circular é um conceito que está muito presente e a sustentabilidade, obviamente, que também. Acho que já não é tema, atualmente, no nosso setor.
Manuel Norte Santo, vamos então para outro tema. Agora tivemos ao cinema, aos clássicos. É um filme de 1936, mas sabe de certeza qual é.
Claro.
Claro. Aquele em que o Charlie Chaplin trabalha numa linha de montagem numa fábrica com os gestos repetitivos.
Vi na escola.
Vi na escola, claro.
Quando falamos da industrialização.
Nem nós que temos uma certa idade, vimos o filme quando estreou.
Fomos à estreia.
Fomos à estreia. Como é que se chama o filme?
Eu estou a ver o filme, estou a ver aquele movimento repetitivo, o Charlie Chaplin escuta, exatamente, mas vou precisar da ajuda. Não é possível.
"Tempos Modernos", "As Luzes da Cidade", "O Ditador".
"Tempos Modernos".
Exatamente. Isto para falar de um problema que o setor da produção de azeite tem, e não é o único, que é a mão de obra, falta de mão de obra. É claro que isso existe. Ouvimos muitos agentes do setor falar sobre isso. O que está a dificultar o recrutamento? Qual é o problema nesta área? É algum problema específico?
Estamos a falar de uma zona, a zona portuária, no caso o Alentejo, tem pouca gente, a realidade é essa. E a população desloca-se muito, como foi o meu caso, aos 18 anos para estudar para fora, para adquirir qualificações e raramente regressa. O nosso setor tem conseguido reter algumas pessoas, tem conseguido chamar, como foi o meu caso, algumas pessoas para esta zona mais rural, porque temos sido um setor muito inovador, também precisamos de mão de obra qualificada e temos conseguido. Agora, para trabalhar no campo, na agricultura, existe uma dificuldade enorme. Precisamos de pessoas. A questão da imigração é um tema polêmico, como todos nós sabemos, mas precisamos de pessoas e precisamos de as conseguir reter, porque muita desta mão de obra estrangeira que recebemos, no caso indostânicos, que é uma grande porcentagem, também da Europa de Leste, muitas vezes trabalha durante uma campanha e depois vai embora. São pessoas inexperientes, sem qualificações. Nós ensinamos, trabalham durante essa campanha e depois quando já têm essas aptidões técnicas, vão-se embora, vão para Espanha e vão para outros sítios.
Mas não é possível fixar essas pessoas?
Tem sido difícil.
Por quê? Pelos salários?
Pelos salários.
A integração?
Integração. Precisamos de organizações, instituições, alguém que consiga fazer esta integração, que utilize essas pessoas, por exemplo, para a campanha da azeitona, depois para a vindima, depois para a campanha dos frutos secos, no caso da amêndoa, que também acontece. Conseguimos dar trabalho durante todo o ano a estas pessoas.
Para não ser uma coisa sazonal.
Exatamente, para depois chamarem suas famílias, porque nós precisamos que essas pessoas se integrem, que tragam as famílias e sintam parte da sociedade, que não se sintam marginalizados e de certa forma, estejam aqui por um curto espaço de tempo.
E isso implica habitação, educação, saúde, enfim, voltamos por aí. Não vê mudanças, não vê um pensamento estratégico nessa área.
Nada. É exatamente isso que está a faltar. É um pensamento estratégico, alguma coragem também política a nível até municipal, neste caso falo mais a nível regional, para que se criem estruturas para essas pessoas sentirem integradas e que possam fazer parte da vida das empresas e da agricultura.
E que iniciativas é que podem vir da parte das próprias empresas para contribuir para essas soluções?
Obviamente, os contratos de trabalho, as questões da habitação. Muitas empresas por si só já oferecem habitação às pessoas, mas são muitas vezes precárias, como sabemos, e depois traz outros problemas, intermediários, tráfico de trabalho. Tem que haver mais iniciativa por parte das empresas, mas acima de tudo, umas sinergias com os municípios, com as instituições locais.
Com os poderes públicos.
CCDR, exatamente. Tem que partir por aí.
Muito bem. Manuel Norte Santo, vamos passar para a última pergunta. Esta tem a ver com um objeto, uma vasilha portátil de folha ou alumínio, que é de forma cônica e que serve para o azeite, e não só para o azeite. Como é que se chama esse objeto?
Uma vasilha portátil?
Sim, uma pequena vasilha portátil de forma cônica, muito associada ao azeite, mas também a outros líquidos oleosos.
Um triângulo invertido, com a base maior. Tenho várias lá em casa, em Viseu.
Até parece dos carros.
E que tem um...
Tem ideia?
Vocês têm que, os ouvintes não vão ouvir o chiado.
Claro, os gestos escondidos não funcionam.
Tem um bico comprido, não é? Para onde é servido.
É um instrumento que era utilizado antigamente, nos lagares mais antigos.
Coitado do Manuel, é tudo antigamente.
Hoje compra-se essencialmente nas feiras, nos mercados, lojas.
Até o nome tem uma sonoridade antiga. Quer uma ajuda?
Se me disserem dentro das opções, eu chego lá, faço a ligação.
Almotolia, lamparina ou açucareiro.
Talvez essa é a primeira que eu não sei se consigo ter.
É isso.
Há almotolia.
Há almotolia. É curioso, porque eu sou de Viseu, da zona da Beira, e almotolia é um nome comum.
Nunca tinha ouvido falar.
Tenho várias lá em casa que se compram, que as pessoas usam e é engraçado que estou a perceber agora que no Alentejo parece um objeto mais raro.
Para mim isto é um azeiteiro.
Chamas um azeiteiro?
É esse tipicamente esse trem.
Um galheteiro.
Mas essa expressão é assim? Provavelmente vou ser crucificado quando chegar ao Alentejo pelos meus colegas.
É um regionalismo, talvez.
Cecília, o que é que chamaria?
Galheteiro.
Eu também.
Galheteiro é menos típico.
É menos específico também. Galheteiro pode ser muita coisa.
Agora é que precisávamos da intervenção do Ninja da Língua, mas a pergunta que eu queria fazer tem a ver um pouco com a reputação do azeite, que vai tendo altos e baixos, até nos efeitos para a saúde. Já houve momentos em que o azeite é muito recomendado e faz parte de uma dieta saudável, da dieta mediterrânica, e há outros momentos em que parece que há recomendações para que o consumo do azeite não seja tão elevado. Como é que os próprios produtores contribuem para o reforço da imagem positiva do seu produto?
Há que ter essa noção. O azeite é uma gordura, mas é a gordura mais saudável. Dentro de todas as opções dos óleos refinados que temos no linear de um supermercado, o azeite é um produto 100% natural, obtido de forma mecânica, não tem qualquer intervenção química, portanto é a gordura mais saudável que nós podemos consumir. Nós, produtores, tentamos sempre passar essa imagem. Acho que em Portugal existe a noção que nutricionalmente é um superproduto, rico em gorduras monossaturadas, no caso, especificamente, de ácido oleico, rico em polifenóis, tem vantagens a nível cardiovascular, é rico em antioxidantes, portanto é uma das gorduras mais saudáveis que existem. Um dos grandes desafios de nós, produtores, é passarmos esta imagem para os mercados externos, porque os países produtores, como é o caso de Portugal, isto é sabido e já é um dado adquirido.
Portanto, há um conhecimento já profundo do próprio produto.
Mas nos mercados externos não existe. Existe um grande potencial nos mercados asiáticos, por exemplo, para o consumo de azeite, que é praticamente residual, não existe. Mas tem que haver uma formação, uma vertente pedagógica muito forte. E aí, a associação interprofissional que eu falava, que faça esse trabalho e fale a uma só voz e tenha uma força nacional, é indispensável para conseguirmos dar essa formação nos mercados externos.
E também pode haver sinergias com os outros países europeus produtores de azeite.
Claro, eles já o fazem de forma mais isolada, de forma promocional das suas próprias empresas, e é aí que nós estamos a ficar para trás, porque temos os outros países produtores, como Itália e Espanha, a fazer um trabalho muito forte, até em mercados que são dominados pelo azeite português, como é o caso do Brasil, e que poderemos perder quota de mercado por isso. Se não houver esta força nacional e esta união dentro do setor, poderemos perder grandes oportunidades nos mercados externos. Por exemplo, agora com o acordo da Índia também, que é uma das grandes oportunidades. Vamos conseguir exportar azeite de uma forma muito mais competitiva para concorrer com os óleos alimentares que eles utilizam. E se não houver esta concertação, vamos perder esta oportunidade histórica.
Manuel Norte Santo, muito obrigada por ter vindo de propósito de Estremoz até à Comissão de Inquérito.
Eu vou aproveitar aqui para visitar a capital.
16 pontos. É 25, é muito bom.
É 25.
Já sabe, almotolia.
E a palavra azeite derivada do árabe, essa foi uma grande falha.
Não foi nada que correu muito bem. Obrigada mais uma vez. Boa semana.
Aprendemos muito.
Aprendemos imenso. Obrigada.
Muito obrigado.