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Começa agora mais uma comissão de inquérito das manhãs 360. Hoje a nossa convidada é a humorista Luana do Bem. Bom dia, bem-vinda.
Olá, bom dia.
Já sabemos que não és uma mulher de madrugar.
Não sou, mas já achei que era.
Achaste em tempos e depois envelheceste.
Sim, hoje em dia já consigo assumir que não dá.
Não é para ti. Luana.
Eu fiquei surpreendido quando soube que o teu nome é mesmo real, Luana do Bem.
É mesmo real. É verdade.
Está no cartão de cidadão. Vocês sabiam? Não sabia.
Mas teria sido uma excelente invenção. Não sei se me lembraria, por acaso.
Ainda hoje agradeces aos teus pais ou nem por isso?
É nome de família, portanto eu tenho que agradecer de onde é que isto surgiu, porque somos todas do bem na minha família.
Uma família do bem. Sei que haverá uma família do mal.
A princípio, eu acho que sim.
Luana, são cinco perguntas, cinco pontos por cada resposta certa. Se pedires a nossa ajuda, damos-te a escolha múltipla. Se acertares, recebes dois pontos. O máximo são 25.
Eu estou super nervosa com isto. Eu estive a ouvir os vossos anteriores convidados e eu não sei nada de nada. Sei de reality shows e dos casados à primeira vista.
Começamos com uma coisa diferente, um recorde do Guinness um bocadinho surreal, se achas que às vezes tens azar no teu dia a dia. Pensa no guarda-florestal americano Roy Sullivan, que ficou conhecido como o para-raios humano. Quantas vezes é que este homem foi atingido por raios ao longo da vida? Ele foi atingido várias vezes entre 1942 e 1977 e sobreviveu a todas. Quantas vezes?
Acho que foi 18.
Não, também não é tanto assim.
Eu ia para 11.
Queres uma ajuda?
Há uma analogia, podemos dar dicas, não é?
Demos.
Com as vidas de um animal.
Sete. Ok, boa. Agora recebo os pontos todos. Que eu achei que quando tu dizes: "Não sei o quê, azar", que tinha sido imenso. Mesmo assim, para ser atingido por um raio sete vezes.
Eu não sei se isto é real, mas cada vez que és atingido por um raio, tens uma cicatriz. Será real? Não sei.
Eu não sei se ele tem o azar de ter sido atingido sete vezes ou sorte porque sobreviveu às sete.
Sobreviveu às sete vezes.
Mas Luana, tu que tens um olhar tão apurado para o lado absurdo das coisas, entre a televisão, as redes sociais, os palcos de stand-up comedy, onde é que há mais liberdade para arriscar sem ter medo do cancelamento?
Ah, do cancelamento. Eu acho que liberdade para arriscar há em todo lado, depois o medo do cancelamento é a pessoa que pode ou não ter. Mas eu diria que o melhor sítio para arriscar, não só por causa de medo do cancelamento, mas também porque as pessoas estão mais predispostas a isso, são sempre os espetáculos de stand-up, porque as pessoas entendem muito melhor o teu tom do que só num podcast ou num programa. E por isso, no espetáculo, acho que as pessoas estão mais envolvidas. O que eu sinto que às vezes acontece, por exemplo, nos podcasts, é que tu estás a ouvir, mas não estás bem a ouvir. E de repente, há uma frase qualquer que tu não gostaste e já estás a associar aquilo tudo mal e já perdeste o tom. E eu acho que no stand-up isso não acontece tanto. Acho que as pessoas estão mais focadas no que tu estás a dizer e no que está a acontecer e, portanto, acho que há mais liberdade para arriscar ali e é mais divertido arriscar ali, porque tens o feedback imediato. Ou seja, tu podes arriscar e se correr bem, é lindo, e se correr mal, sabes que tens que melhorar. E, portanto, é o meu sítio preferido.
Tu fazes televisão quando preparas aquilo que vais dizer ou sabes os temas, tens em conta a questão do cancelamento, das críticas? Como é que fazes esse equilíbrio?
Não tenho muito, mas eu não estou aí a falar dos grandes temas.
Mas as pessoas hoje irritam-se com tudo.
Sim, é verdade.
E são capazes de procurar cancelar alguém.
Sempre que eu lanço um vídeo, maioritariamente vídeos do "Irritações", porque quem vê o programa tem o contexto, é fã, gosta daquilo, ouve as coisas até ao fim, quer concorde, quer não, tem o contexto do seu lado. Mas quando são cortes, é sempre surpreendente pra mim o que indigna as pessoas. Mas é deixá-las chatear e falar e depois passa amanhã mais.
Tens algum episódio assim marcante?
Tenho imensos episódios.
Aquele mais inusitado.
As pessoas passam-se mesmo nas redes sociais, as pessoas perdem a cabeça. E há uma coisa que é gira, que é as pessoas acham que tu estás a falar pra elas, especificamente, o que tu dizes é uma regra. Eu contei uma vez uma irritação sobre entrar na água, de que eu entro na água devagarinho e molho primeiro os ombros e que me irritam as crianças que passam. Na minha imaginação, eu tinha olhado pra uma criança e tinha lhe feito uma amona. Bem, o que eu fui dizer? Que é tipo: "Se fosse só meu filho, não lhe tocava." Eu tipo: "Pois, mas eu, de fato, não toquei em nenhuma criança." É sempre surpreendente.
E estavas a falar da questão dos espetáculos ao vivo e que há mais liberdade para arriscar. Achas também tem que ver com esse fenômeno das pessoas irem muito mais longe nas reações online, nas redes sociais, do que vão quando estão cara a cara?
Sim, eu acho que sim, que tem a ver com isso.
Tem a ver com a predisposição das pessoas que estão ali a assistir.
E acho que acima de tudo tem a ver com as pessoas na vida. Eu acho mesmo, eu estou a pensar nisto agora, mas eu acho mesmo que as pessoas, no dia a dia, na vida delas, não estão tão chateadas como estão nas redes sociais. Logo, eu vejo milhares de comentários nas redes sociais.
Logo à partida, dás um desconto nesses comentários.
Eu vejo milhares de comentários nas redes sociais e nunca, cara a cara, ninguém me fez um comentário daqueles. E então nos shows de stand-up.
É uma realidade paralela.
Sim, é outro mundo. Portanto, eu acho que quando as pessoas estão ali, estão mais predispostas. Claro que às vezes há sempre pessoas que não se riem ou não estão predispostas ou não gostaram, e isso é completamente legítimo, mas não são ofensivas, não tratam mal.
Luana, dois pontos para Luana?
Sim, dois, três.
Dois pontos esta primeira pergunta. Vamos à segunda, Luana. Ainda vamos falar um pouquinho mais destas questões do cancelamento. Quantas temporadas tem a série "Seinfeld"?
Ou tem nove ou tem 10.
É por aí.
Então tem 10. Não, tem nove. Desculpa.
Foi logo a primeira.
Foi logo a primeira.
Primeira cinco pontos.
Eu vi a série, mas vi numa altura em que vês todas, os "Friends", o "Seinfeld", não sei o quê. Têm todas mais ou menos nove ou 10. Portanto, eu sabia que era por aí.
E os artistas fazem bem em assumir posições políticas? Como é que tens acompanhado esta polémica em torno do espetáculo Comédia à la carte, com a presença do Jerry Seinfeld?
Eu acho que se os artistas quiserem assumir posições políticas, podem e devem. Depois não podem é ficar tristes ou magoados quando outros artistas escolhem não o fazer. Acho que é uma escolha pessoal. Não tenho acompanhado muito esta polémica, ou seja, segui no início. Eu nem percebi inicialmente o que estava a acontecer. Vi que houve um cancelamento.
Autocancelamento.
Sim, os Capitão Fausto, se não me engano, foram as primeiras pessoas que eu vi, ou o grupo Cucamonga.
Acho que Capitão Fausto não estão aí.
Não, era o conjunto Cucamonga. E lembro-me de pensar: "Ipa, deve estar alguém doente." Isto foi a minha primeira reação. E depois comecei a perceber que estava a acontecer mais.
É mesmo no bem.
Eu vou te ser honesta, não me passou um segundo pela cabeça que tinha a ver com a posição política do Jerry Seinfeld. Não me passou mesmo. Eu também estive em conversas para ir ao festival e a verdade é que isso também nunca me passou pela cabeça. Não sei, se eu tivesse aceitado, se ia chegar a este momento e eu ia sentir de forma diferente. Não faço ideia mesmo, mas eu acho que se as pessoas querem cancelar, devem cancelar. Eu não tenho a certeza absoluta se isso será o que nos vai fazer avançar.
A Rita Blanco dizia há uns dias que o mais importante para ela, no sentido dela, é se o espetáculo é bom ou não, e não aquilo que alguém pensa ou não sobre determinado tema.
Certo, e acho que até foi o Ricardo Araújo Pereira que disse que quando só vamos ouvir o Seinfeld, ficamos todos a perder. E eu concordo um bocadinho com isso, porque os outros artistas todos também tinham as plataformas deles. Só que, de facto, eu não julgo, eu não quero mesmo mentir, eu não pensei um segundo sobre isso. Se querem cancelar, cancela. Não pensei mesmo, mas eu achei esse ponto do Ricardo interessante de: ok, nós temos aqui um leque de artistas completamente diferentes e vamos só ouvir um, que é um que tem uma opinião mais controversa e depois já não vamos ouvir os outros todos e isso é uma pena.
Menos diversidade, claramente, e menos contraditório, por aí fora. Claro.
Até porque eles não iam debater, nem atuar juntos.
Em dias diferentes, em sítios diferentes, muitas vezes.
Mas eu acho mesmo, genuinamente, cada um faz o que quer e se as pessoas se sentem desconfortáveis, eu quero imaginar que numa situação em que eu me sinto desconfortável, eu cancelo essa situação e ninguém vai estar tipo: "Olha, agora ela também."
Mas aquilo que se discute é o timing. Porque começaram por aceitar e depois-
Se fosse o meu festival, eu ficava triste. Se fosse o meu festival, eu ficava chateada. Como não é.
E não cria também uma pressão sobre os outros artistas que decidam ficar, não cancelar a participação? Porque depois parece que há-
Parece que outros são coniventes.
Exatamente.
Eu acho que há essa confusão, mas eu acho que se formos analisar os factos, não, não cria essa pressão. Acho que as pessoas podem fazer essa confusão e podem adorar a ideia de que se tu te manténs, és conivente. Eu não concordo com isso.
Não fazes essa leitura.
Não, não faço.
Muito bem. Luana do Bem, até ao momento, sete pontos. Vamos ver se agora chegas aos 13.
Vamos ver.
Nasceste em 1990, eu já tratei de confirmar contigo.
Certo.
Que filme foi o campeão de bilheteira internacional no ano de 1990?
No ano em que eu não sabia nada de nada.
Exato. No ano em que não foste ao cinema.
Sim, no ano em que eu nasci em dezembro. Deixa-me pensar. Campeão nacional?
Não, internacional. É um filme romântico e meio sobrenatural. Quantas pistas.
Um filme romântico e meio sobrenatural. Eu juro-te pela minha vida que eu acho que é impossível adivinhar isto.
Estamos a dar umas dicas. Então vamos lá. As dicas, acho que chegas lá. Casablanca, Parque Jurássico ou Ghost: O Espírito do Amor.
O último. Boa.
Com as dicas.
Mas o Casablanca ainda me confundiu um bocado.
Era um bocadinho mais...
Tive que ir ali ao Ghost. Bem, nem nunca ouvi falar.
Com a Demi Moore e Patrick Swayze.
Aquelas coisas.
Em segundo, eu até pensava que era o contrário, mas em segundo foi o Sozinho em Casa.
Esse mais para essa Luana estava lá.
Sim. Mas eu achava que era depois, o Sozinho em Casa achava que era 92.
Não. O segundo é que parece ser 92.
Ok. Bem, não fazia a mínima ideia. Estava longe.
Hoje os humoristas é que são os campeões de bilheteira. Há muitos humoristas a esgotar salas em todo o país. É um fenômeno relativamente recente.
E é bom, é um bom fenômeno. Eu também acho que isso mostra um bocadinho como a comédia tem evoluído. Há mais pessoas a fazer comédia. Acho que a comédia atravessou uma fase boa internacional, que depois trouxe para o nacional. Há muita gente a fazer comédia, o que significa que quando há mais gente a fazer comédia, há mais pessoas a serem melhores. Se há mais pessoas a serem melhores, tu tens que trabalhar ainda mais para ser melhor. Então estamos todos a trabalhar mais.
O nível médio aumenta.
Estamos todos a trabalhar mais e eu acho que isso depois também se reflete um bocadinho nos espetáculos que tu apresentas e nos bilhetes que tu vendes. E eu acho que isso é positivo para todos.
Tu fazes várias coisas em várias plataformas, o que é que te dá mais gozo fazer?
É stand up.
Mesmo em palco?
Sim, mesmo em palco. É a minha parte divertida. Eu antes, no início, dizia: "Tudo que eu faço é para vender bilhetes." Ou seja, todas as minhas outras profissões, entre aspas, são side quests para eu vender bilhetes, o que não é totalmente mentira, mas hoje em dia aprendi a adorar fazer todas as outras coisas, o "Irritações", os podcasts, mas estar em palco é a mesma coisa mais divertida de todas, não só porque é aquilo que eu estava a dizer, quando há mais pessoas a fazer, significa que há mais pessoas melhores e tu tens que trabalhar mais. E isso é muito inspirador.
E dá muito trabalho preparar um espetáculo. Não é só escrever umas piadas, é preciso testar. Tu trabalhas muito essa questão de testar com o público até veres: "Ok, esta é a reação que eu procuro."
Sim, eu testo bastante e ainda bem, eu não queria que fosse de outra forma. Eu acho que, de facto, há pessoas que não acreditam nisso de testar, escrevem o texto, chegam ao palco e o texto resulta. Eu não acredito nisso, eu acho que deves testar.
Quem são as primeiras pessoas a ouvir as tuas piadas?
Olha, por acaso, normalmente é mesmo o público. Porque normalmente eu ou escrevo e vou logo atuar para ver o que é que corre bem dali ou o que eu me lembro, ou muitas vezes, que é a outra técnica, tenho um tema que me lembro e vários tópicos e vou só para o palco desenvolver aquilo. Às vezes, mas é raríssimo, em mesa de café com amigos ou em casa, tento dizer alguma coisa que eu acho graça ou só um pensamento que sai e que eu acho que dali pode surgir alguma coisa.
Tu estás entre espetáculos agora?
Sim, agora estou a preparar um novo espetáculo. Estou a testar várias vezes por semana. Fiz agora uma pausa de verão, também porque no verão as salas estão muito quentes, torna-se desconfortável para nós e para as pessoas. Então o stand up para um bocadinho, mas voltamos em setembro e é começar a testar igual, até porque quero lançar um espetáculo, não sei ainda quando é que vou lançar, mas ele será no início do próximo ano e por isso quero que ele esteja bem preparado e bem pronto.
Bem oleado.
Exatamente.
Aquele momento em que uma piada escrita na solidão, tu sozinha escreves e pensas aquilo, aquele momento em que essa piada escrita depois obtém uma reação do público.
É lindo. É muito divertido. E mais giro do que uma, é quando entram todas, quando todas as piadas entram. Por acaso é muito reconfortante as pessoas estarem a se rir daquilo. Acontece também algumas vezes, quando estás a testar, não tens o texto na ponta da língua, estás ainda a tentar perceber o que é que vai acontecer. Dizeres coisas que o público se ri e que só mais tarde é que, ou a ouvir a gravação ou mesmo coisas que até no momento percebes o porquê de terem graça, mas nunca tinhas pensado naquilo. Eu acho é que essas coisas só acontecem quando tu já testaste o suficiente, quando estás confortável com o teu texto para saíres um bocadinho dele.
Um bocadinho, claro. É preciso dominar para poder depois improvisar um pouco.
Exatamente. Acho que era no jazz que eles faziam isso, dominavam primeiro a sinfonia inicial e depois quando já estavam, iam para as brincadeiras todas. Eu acho que aqui é um bocadinho igual, teres uma base que sabes que vai correr bem e que também teres uma rede. "Ok, eu agora saí um bocadinho, mas se correr mal, eu tenho ali uma rede."
E quando não tens a reação que esperavas, ficas frustrada? Qual é a sensação?
Hoje em dia, fico frustrada, porque queria que tivesse corrido bem.
Tem de se ultrapassar para chegar ao próximo.
Exato, ultrapassas e tentar perceber por quê. Isso aconteceu algumas vezes no meu espetáculo anterior, porque eu tinha uma piada em que eu trocava as letras LGBT por LGTB. E isso era uma punchline, vinha de um contexto grande e eu às vezes enganava-me e dizia bem e as pessoas não riam. E tu tens um centésimo de segundo para perceber por que as pessoas não estão a rir. Eu sei que isto funciona, eu já testei isto mil vezes, isto tem graça. E depois chegavas e dizias: "Por quê? O que é que aconteceu? Ok, foi isto." Prosseguir. Eu adoro esse processo, acho isso muito giro.
Quase científico. Muito bem, Mona Delvent. Vamos falar de coisas sérias finalmente nesta conversa, para a terceira pergunta, que é: quantos clubes disputam a primeira liga de futebol?
Liga Portugal.
Espera, são números.
Falso embaixador.
É tudo números.
Tudo foi tudo números. Ah, menos a do Bruno.
Estou na dúvida entre 22 e 24.
É muito.
Estás um bocadinho acima.
Estou um bocadinho acima.
Isso é muita gente.
Pode ser 19 também.
Mas tem que ser par.
Pois é, se calhar é 18.
Se calhar. Ainda bem que chegaste falsinha.
Não, completamente. Eu estava de olhos fechados a pensar, a fazer as contas.
Muito bem, tu estiveste no mundial com a LiveModeTV, agora és a cara de uma campanha da Liga. O futebol é um mundo bem-disposto ou é um mundo zangado?
Do meu ponto de vista, é um mundo bem-disposto, mas percebo que seja um mundo bastante zangado, o futebol. Mas essa não é a experiência que eu tenho com o futebol. A experiência que eu tenho com o futebol é uma experiência boa, vejo futebol porque adoro futebol e para me divertir.
Tu és adepta de algum clube?
Do Futebol Clube do Porto. Sou muito adepta do Futebol Clube do Porto. Vou tendo sorte, ou seja, talvez para mim seja mais divertido ver futebol do que para outros adeptos de outros clubes.
Vão ganhando mais.
Exatamente. Mas acho que no geral, o futebol podia ser muito mais divertido do que o que é. Torna-se impossível com a quantidade de interesses financeiros, a dimensão de tudo, mas no geral tento olhar para isso como divertido e acho que a experiência que nós tivemos no mundial com a Live Mode foi uma experiência muito única e muito especial.
Linguagem nova.
Sim, tudo novo. Tudo novo. Não vou mentir, tivemos alguma sorte. Por exemplo, eu e o Tiago, que foi comigo, o Tiago Almeida, pensamos que poderia ser eventualmente possível cruzarmo-nos com os jogadores e queríamos preparar perguntas para todos. Mas claro, normal pela dimensão dele, a primeira que nós preparamos foi para o Cristiano. E só tínhamos essa. Nós passávamos o dia todo a bater bolas de perguntas que pudessem ser giras para os jogadores todos. E só tínhamos uma fechada, que era a do Cristiano, e fomos a uma conferência de imprensa e nessa conferência aparece o Cristiano. Ou seja, foi sorte. Mas acabou por correr bem.
Começou a dar uma sorte reparada.
Sim, e nós tínhamos depois, mais pra frente, já tínhamos imensas perguntas para os jogadores. Adoraríamos que Portugal tivesse chegado mais longe. Acho que se Portugal tivesse ido à final, tinha sido para sempre a melhor experiência da minha vida. Assim, está no top das melhores experiências da minha vida, mas foi diferente.
Até para repetir.
Eu adoraria. A Live Mode está a fazer um trabalho também diferente aqui em Portugal. Eu acho que as pessoas não estavam nada habituadas, não estavam nada a par, e acho que foi um daqueles casos de primeiro estranha-se e depois entranha-se. A Live Mode não tem as 15 lives mais vistas de sempre do YouTube português, tem as 10. Eu até acho que são mais. E acho que a maneira como eles conduziram o trabalho e a liberdade que eles dão às pessoas que trabalham com eles, também faz parte do ADN da Live Mode. E isso é sempre bom. Quando tu acreditas em um grupo de pessoas e as deixas só ser elas. Acho que foi por isso que correu tão bem também.
Muito bem. Vamos para a última pergunta.
Estás com 14 pontos. Pouquíssimo. Até ouvi um deputado que tinha 17.
Pode chegar aos 19.
Ficar atrás de deputados é imperdoável. Ainda por cima com as perguntas que lhes fizeram a eles, também eu.
Então esta aqui não te podes queixar. Que escritor alentejano é autor do livro "Almoço de Domingo"? É uma ficção inspirada na vida de Rui Nabairo. Quem é que escreveu este livro? Um escritor alentejano.
Alentejo?
Contemporâneo.
Rui Nabairo é da Delta.
Contemporâneo? Imagina, disse contemporâneo como se tivesse ajudado. Sim. Espera, contemporâneo. Agora estou mais calma.
Então vamos lá a uma ajudinha.
Contemporâneo, sim, preciso 100% de ajuda.
Pronto. Almeida Faria, Urbano Tavares Rodrigues ou José Luís Peixoto.
Imagina.
Não ajudou muito.
Eu por acaso nunca li nenhum livro deles. Só conheço o nome daí.
Então qual é que é?
José Luís Peixoto.
Muito bem.
Mas vou ler "Almoço de Domingo".
"Almoço de Domingo". Saiu aqui há uns quatro, cinco anos e foi um grande sucesso de vendas. Nasceste no Porto, Luana Dubay, mas cresceste no Alentejo.
Sim, neste momento já fiz o híbrido de viver ao mesmo tempo no Porto que vivi no Alentejo.
No Alentejo.
Mas sim.
Há grandes diferenças na forma como o público reage em Portugal, ou seja, diferenças entre o norte, o sul do país, o interior, o litoral?
Há imensas diferenças. Por acaso é muito engraçado, eu fiz a minha primeira tour em 2024 e é muito giro perceber que as pessoas riem quase sempre nos mesmos sítios e quase sempre das mesmas coisas, mas a maneira como se expressam é completamente diferente. Diz-se muito que o público no Porto é muito mais expansivo e muito mais aberto. Eu não só senti isso no Porto, como também senti Porto, arredores, litoral, Lisboa. Senti o público interior um bocadinho mais tímido, um bocadinho mais a perceber se pode rir, se não. Mas acho que no fim do dia correu tudo bem. Isso me fascina tudo. Tu estares lá em cima do palco e pela música inicial tu perceberes como é que vai ser a entrada, se vais ter que trabalhar um bocadinho mais ou se aquilo vai ser smooth. Mas sim, diria que sim, que há diferença.
E também tu vais adaptando esse tipo de reações e adaptando o material a essas pessoas.
Sim, e vais aprendendo a gerir também, a tentar desbloquear as pessoas. Ou seja, a mim, antes de eu fazer a tour, nunca me passou pela cabeça que, se calhar, em Vila Real de Santo António, eu precisava de desbloquear um bocadinho o público e de brincar um bocadinho mais com eles no início pra eles perceberem que é mesmo na boa rir de tudo que eu vou dizer. As pessoas às vezes também não querem incomodar.
Vamos rir baixinho.
Exatamente, é verdade. As pessoas só não querem incomodar e de repente eu penso: "Se calhar não estão a gostar". Mas não. E eu adorei perceber essas diferenças e gosto muito de arranjar ferramentas pra lidar com elas.
Luana Dubay, tiveste a pontuação mais alta da semana, não te podes queixar. Segunda-feira 11 pontos, terça 15 e hoje fizeste 16 pontos.
Agora esta última achei ousada, porque eu só comecei a minha senda de leitura há dois anos.
Está aqui uma boa recomendação.
"Almoço de Domingo".
José Luís Peixoto. Luana Dubay, obrigada.
Obrigada eu.
É um honra te receber. Obrigada.