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Este é o som da Comissão de Inquérito das manhãs 360. Esta quinta-feira são nossos convidados Rita Danovi e Guilherme Fonseca, os autores do podcast "Terapia de Casal". Bem-vindos. Estão com boa cara hoje, não houve discussões lá em casa.
Não, hoje é bom dia, antes de mais.
Bom dia, bom dia, primeiro que tudo.
Nós não costumamos sair de casa tão cedo. Talvez seja por isso que ainda não tenha começado a discussão.
Não escheu a ficha ainda. Acordámos tão cedo que fiquei meio abandonado, então ainda não discutimos.
A que horas é que é normalmente a discussão lá em casa?
Boa questão.
Bom, começa cedo. Não cedo como agora, mas antes da hora do almoço pelo menos há uma pequena discussão.
Sim, acho que há sempre uma.
Não, é muito soldável.
Sim, nem que seja quando eu digo: "Rita, o que é que almoçamos?" E ela: "Estás tu, pai, eu sei lá, escolhe tu."
Sim.
Acho que começa logo aí. Nós costumamos acordar cedo para ouvir a Rádio Observador.
Claro, estava a cumprir o serviço.
Como é óbvio, mas aproveitamos e também treinamos. Normalmente treinamos por volta das 7h30, 8h, e então o dia começa cedo, portanto as discussões também.
Sabem como é que isto funciona, a Comissão de Inquérito? Cinco perguntas, cada resposta certa, cinco pontos. Se pedirem a nossa ajuda e acertarem dois, e se não acertarem, não recebem nada.
Não sabiam. Eu acho que eles não sabiam.
Não sabemos. Sistemas de pontos baralham-me sempre.
Disseram-nos lá fora que o máximo de pontos que tinha acontecido até agora foi 22. E, portanto, eu tomo como desafio pessoal fazer pelo menos 23.
Então vamos começar. Quem escreveu "Os homens são de Marte, as mulheres são de Vênus"?
Esse clássico dos anos 90.
É um clássico.
Vocês ainda quase não eram nascidos.
Eu nasci em 91.
Está bem.
Portanto, eu não tenho uma resposta.
Eu sou de 87, não há uma grande diferença aí. Não sei se estes quatro anos davam tempo a ler.
Eu não tenho uma resposta. Normalmente os livros são a minha área, mas não este.
Ainda não passaste por este clássico. Então se calhar é melhor pedir ajuda.
O título é mais famoso que o autor.
É isso.
Sem dúvida. É daqueles que se impõe.
Sem dúvida. É mesmo. Então terá sido Neil Armstrong, Carl Sagan ou John Gray?
Eu acho que depois de ponderação-
Somos bonzinhos, não somos?
Sim.
Somos muito bonzinhos.
Eu acho que dois pontos já cá cantam. Eu vou dizer que foi a C, vou dizer a C, a terceira.
A C? Isto não soa nada bem.
Desculpem. Eu que não é astronauta. Vamos dizer assim.
Não é astronauta, não é astrofísica. Sim, concordamos, obviamente.
Bem, há aqui uma questão. Nós estamos a assistir a um casal a negociar a resposta. Isso é fantástico.
Sim, e um a aceitar a resposta do outro.
Exatamente.
Mas os sexos são, de facto, muito diferentes e muito incompreendidos?
Não diria que é uma questão de sexos, mas eu acho que já temos percebido, pelo menos pelo nosso podcast, Terapia de Casal, que há dois tipos de pessoas numa relação. Não sei se tem necessariamente a ver com ser homem ou ser mulher, porque o que nós temos vindo a perceber é que os nossos ouvintes encaixam ou na team Rita ou na team Guilherme, mas na verdade-
Podem ser as duas coisas.
Exato. Ou seja, homens que se identificam comigo, mulheres que se identificam com o Guilherme. Eu acho que há sempre dois polos numa relação, e isso é bom.
Ou seja, tens a ideia que duas pessoas muito iguais não têm uma relação tão igual.
Até podem ter, mas não é tão interessante, eu acho.
Não é tão desafiante.
Não é tão divertida. Sim.
Sim, relações com duas pessoas iguais é esquisito. Parecem aqueles do Tintim.
O Dupon e Dupont.
Exato.
É muito seca.
O que vocês estão a fazer um com o outro? Vocês não estão apaixonados por vocês próprios? Vão procurar pessoas com quem discutir e discordar. Não, isso é muito estranho.
Não, discordar é ótimo. Se não for uma discórdia que paralisa e que traz problemas, discordar é ótimo.
E discordam em quê?
Em tudo.
Em que é que tudo nós discordamos?
Praticamente.
Exemplos.
Nós fazemos sempre este preâmbulo, que é: nós não discordamos nas grandes questões da vida.
E as grandes questões da vida, por exemplo, existe vida depois da morte?
Não, ao mesmo questões políticas, questões sociais. Nós somos muito alinhados. Depois, se a minha técnica de pôr a louça na máquina é melhor que a do Guilherme, é.
Não é, não é.
Isto é um pouco da terapia de casal também que há de ser.
Eu vou fazer um pequenino preâmbulo só porque algumas pessoas podem não conhecer o nosso podcast e há muita gente que vai ao engano, tanto que nós recebemos muitos e-mails e mensagens no Instagram sobre isso.
Com pedidos de ajuda.
Que é: "Eu procurei terapia de casal, eu e minha mulher estamos aqui com problema, nós precisávamos de ajuda." Eu sou humorista e a Rita é escritora. Ou seja, isto é um podcast de comédia. Se as pessoas vão à espera de, ou à procura de soluções verdadeiras para os problemas, não vão encontrar.
Não é esta a terapia de casal.
Mas podem encontrar algum tipo de ajuda, mesmo que não seja essa a vossa intenção. Pode ajudar um casal a ouvir as vossas conversas?
É assim, pode, na medida em que ouvem e pensam assim: "Querida, vamos fazer o oposto, porque com estas pessoas não está a funcionar, vamos fazer exatamente o oposto."
Ou então não somos os únicos a quem isto acontece. Também podem pensar isso.
Sim, sem dúvida.
Vamos em frente, têm dois pontos para já. É conhecida a vossa paixão por gatos. Sabiam que eles têm mais ossos que as pessoas? Essa não é a pergunta.
Essa não é a pergunta. Quer dizer, qual é a resposta certa? Não sabia.
Nós temos 206 e eles podem ter qualquer coisa entre 230 e 250. A pergunta é: e que ossos é que os gatos não têm?
De que zona do corpo?
De que zona do corpo.
O meu instinto é dizer os polegares, porque eles não têm polegares disponíveis.
Sim, verdade.
Podia ser, mas não é.
Não, mas eles têm um quinto dedo.
Sim, eles têm ali uma patinha recuada.
Se quiserem eu ajudo. Têm osso a mais.
Não, vamos pensar.
Que ossos é que eles não têm?
Eu acho que com ajuda é mais fácil, mas podem arriscar.
Já sei. É o osso do cotovelo, provavelmente.
Não.
Eles têm dobrinha.
Esse é o contrário, não é? Mas dobra ao contrário.
Eles dobram.
De joelho? Não, também tem ali.
Bem.
Não faço ideia.
Ajuda? Ancas, clavículas ou joanetes.
Os gatos não têm clavícula. Não têm, por isso é que eles conseguem passar por aquela abertura.
Onde a cabeça passa, o resto do corpo também passa.
Como é que eu não sabia esta?
Ainda por cima o osso que eu fui magoar em dezembro.
É verdade.
Podia ter dito logo essa resposta.
Não és gato.
São quatro gatos lá em casa?
Nós temos quatro gatos.
Quem é que muda as pedras, a areia?
Por acaso cai mais na-
Estava a ver se ias dizer que era o Guilherme
Não ia mentir. Cai muito mais nas tarefas do Guilherme.
Eu ia perguntar se era a Rita enquanto o Guilherme jogava PlayStation ou o Guilherme enquanto a Rita lia um livro. Devorava um livro.
Eu até vos vou dizer que o Guilherme é muito obcecado com as pedras dos gatos.
Faz muito bem.
Por dois motivos, não só por desconforto deles, coitados, porque senão vêm-nos chatear a nós a arranhar a cama e a porta e vêm-nos chatear. As pessoas que têm gatos vão compreender o que eu vou dizer. Não sei se vocês têm gatos ou não.
Eu também.
Eu tenho também.
Vou dizer assim: as necessidades que os gatos fazem tresandam, mas é uma coisa inacreditável. Eu gosto muito de ter gatos, mas o cocó e o xixi de gatos tem um cheiro.
E é tão bom quando limpamos aquilo e pomos a areia nova.
Vocês dão-me tanta calada.
Sim, eu sou um bocado paranoico com o cheiro da casa e de a casa estar minimamente apresentável. Eu ouço um cocó cair e vou a correr buscá-lo.
Tenho uma boa pergunta para ti então. A última pergunta é boa. Se gostas muito de arrumação.
Rita, há pouco falavas de política, dos gostos que têm em comum. Discutem muito política?
Discutimos política no sentido em que-
No dia a dia.
Para concordar.
Sim, para concordar. Ou muitas vezes por eu ser muito acesa e o Guilherme dizer: "Mas tens de compreender que às vezes as coisas..." E eu: "Pronto, está bem."
A Rita é mais fundamentalista ou extremada, acho eu, nas suas opiniões do que eu.
Calma, vamos com calma também. Sou mais acesa e o Guilherme é uma pessoa muito mais ponderada.
Mais ponderada.
Sim, mas isso na vida em geral, não só em relação a questões políticas.
Um é mais racional, o outro é mais reativa, mais impulsiva.
Sim, eu sou muito mais reativa. Por exemplo, há coisas que para mim são muito óbvias e se alguém diz o contrário, eu digo: "O que é que esta pessoa está parva? O que está a acontecer?" O Guilherme: "Não, mas tens de compreender que as pessoas..." "Eu não tenho que compreender nada, não deixo de estar." Portanto, há sempre este momento.
E já pensaram nas presidenciais e tudo o que se tem falado?
Já. Eu até perguntei aos profissionais, ando a acompanhar tudo e estou mortinho para que Cristina Ferreira avance.
Seria um maná para os humoristas.
Excelente.
Não, eu acho que estamos todos à espera, não é?
Sim, eu imagino um debate que tenha Tim Vieira, André Ventura.
Achas que ela lançou aquela espécie de isco para ver agora a reação das pessoas?
No fundo, é o que praticamente todos os candidatos estão a fazer, que é dizer: "Vamos ver as sondagens, pode ser que eu avance, as pessoas gostarem de mim." Parece uma coisa de uma escola secundária.
Mas já não é a primeira vez que ela fala dessa ideia, não é?
Das presidenciais? Não sei. Mas é que depois também tem um outro lado que é: não só era muito engraçado profissionalmente para mim que Cristina Ferreira avançasse como candidata às presidenciais, como a minha mulher faz uma excelente imitação da Cristina Ferreira.
Queremos agora. Tem que ser.
E também é bom para o nosso podcast.
Eu preciso sempre de palavras com ele. Normalmente é aí que a Cristina Ferreira vem à tona: "Olha lá, então não me posso candidatar à presidência? Olha lá, Guilherme, não achas?"
É verdade. Nunca tinha reparado nisso.
É este ele. É o Guilherme que faz a Cristina Ferreira.
Até vos deixo uma pequenina história que aconteceu conosco. Nós fomos convidados os dois para ir falar do terapia de casal do nosso podcast ao programa da Cristina. E antes de entrarmos no ar, dissemos assim à senhora da produção: "A Rita faz uma imitação da Cristina fantástica."
Então foram desconvidados.
Não, a senhora da produção fez um ar muito sério e disse assim: "Não vamos fazer essa imitação em direto. As perguntas que nós temos são..." E o tema morreu imediatamente. E nós: "Ok".
Não, mas aqui não, aqui podem imitar. E se tiverem uma imitação do Paulo Ferreira, também podem fazer.
Não sei, Rita, é contigo.
Não, a minha especialidade é Cristina Ferreira.
Muito bem, quatro pontos. Vamos em frente.
Podia ser outro Ferreira, por acaso.
Então vamos lá saber quantos divórcios há em Portugal por ano. Mas calma, vamos aqui facilitar. Vocês vão ter um intervalo de 5 mil. Vão dizer entre 0 e 5 mil, entre 5 mil e 10 mil, 10 mil e 15 mil e por aí fora. Para termos uma ideia de grandeza. Conseguem?
Por ano?
Por ano.
Há mais divórcios do que casamentos.
Isso sim.
Do que casamentos feitos no ano. Eu estive a ver as estatísticas para fazer esta pergunta. Houve no ano 2020, mas aí foi porque houve muito poucos casamentos.
Por causa da pandemia.
Pois, claro. E aí aproximaram-se muito o número.
Ok.
Mas eu acho que existe uma estatística que diz que mais de 50% dos casamentos acabam em divórcio, portanto aí já podemos ter uma ideia.
Isso é verdade.
Começar a reduzir.
Isso é real.
E 100% dos divórcios começam num casamento.
É verdade. Essa, então, ninguém futa.
Isso é universal.
Eu essa não sei se acredito, vou esperar que o espectro analise.
O polígrafo.
Números.
Eu vou fazer uma conta rápida no telefone.
Vai lá.
Isto é pouco radiofónico, mas as pessoas vão acompanhar o processo.
Temos vídeo também.
Se for 5 mil.
Sim, se for 5 mil por ano.
Se for 5 mil, a dividir por 365 dá 13,6 divórcios por dia, se for 5 mil.
Acham isso muito ou pouco?
Eu acho imenso.
Acho imenso.
Eu acho pouquinho.
Eu acho pouco.
14 divórcios por dia?
Sim, acho pouco.
14 divórcios por dia?
Isso é só na freguesia de Paranhos há mais.
Exato, sim. Eu acho que nós estamos numa média de uns 50 divórcios por dia.
É, não. Eu vou dizer que é entre zero e 5 mil.
Faz lá 50 vezes 365.
A Rita percebe de divórcios, Guilherme.
Eu estou mortinha para contribuir para a estatística.
Dá 18 mil, se for 50 por dia.
Eu acho que estamos aí.
50 divórcios. Tu achas mesmo que são 50 divórcios por dia?
Acho. Então qual é o intervalo?
Ouve a Rita, Guilherme, ouve a tua mulher.
Acho que entre 18 e mais 5 mil.
Não, é 5 a 0, 5 a 10, 10 a 15.
Estou bem no 18.
Estão a falar ao mesmo tempo.
Estou bem no 18 mil.
Bem, a Rita está lá quase.
Em 2023 foram 17.430 divórcios. Portanto estamos entre os 15 mil e os 20 mil.
Eu estou feliz de acertar, não estou feliz do ar que a minha mãe-
A tua mãe?
Tu agora vais sofrer. E aquela está com o ar tão orgulhoso.
A tua mãe? Eu não sei de onde é que veio.
Foi da irritação.
Mas vamos lá saber agora pegando no tema, quantos divórcios é que vocês já provocaram com o vosso podcast?
Eu espero que muitos.
Em princípio, todos, é o nosso objetivo.
Não, acho que divórcios não, por acaso acho que até fazemos.
Ajudam, são casamenteiros.
E não é isso que nós queremos. Nós queremos desajudar, mas depois as pessoas dizem: "Não, obrigada, fizeram-nos ver uma perspectiva diferente", e nós: "Não, não era isso."
Quando é que começaram o podcast?
2019.
Então está quase a fazer seis anos.
Estão com 250 e tal, ou 70 e tal episódios.
258.
Digo uma coisa, já alguma vez imaginaram: "Então e se um dia nos separamos?"
O podcast acaba.
Claro, mas depois fica ali um registo para a eternidade. Estou a perguntar se pensaram nisso.
Não é por nada, é um tema de conversa sobre.
Não, mas nós já pensamos nisso várias vezes. Nós temos inclusivamente uma tatuagem igual, portanto eu acho que coisa mais permanente do que essa não existe.
Agora dá para remover as tatuagens, mas os podcasts na internet nada se apaga.
Nada se apaga. É até interessante, faz parte da nossa história. Se um dia nos separarmos, aquilo foi algo que nós quisemos fazer com muito gosto e com o qual nos divertimos muito.
E a minha próxima mulher, se me disser assim: "O que é que tu achas de deixar gorjetas em restaurantes?" Eu vou dizer assim: "Olha, episódio 17, eu discuti isso com a minha ex-mulher, vai lá ouvir, eu não vou estar a ter essa conversa outra vez."
Ou então quando conheces alguém, dizes: "Olha, podes ouvir estes episódios, se discordares de mim, estamos bem, se concordares, não vai ser interessante."
Exatamente.
Sim.
É como se estivessem já colocados no mercado. Muito bem. Vamos aos clássicos agora. Há uma marca de pasta de dentes, vocês ainda não tinham nascido, muito famosa em Portugal, sobretudo por causa de um anúncio ainda a preto e branco, em que um homem dança a agarrar com a boca uma cadeira. Que pasta tão poderosa é esta? Como é que se chama?
Medicinal Colt.
Exatamente.
Essa eu lembro-me.
Lembras-te dessa. Quem é que aperta bem a pasta de dentes quando acaba?
Nós falámos agora num tema que não tem tanto a ver com apertar a pasta de dentes, tem a ver com o facto do Guilherme, a meio da pasta de dentes, do tubo de pasta de dentes, farta-se.
Desistes?
Desisto.
Quando ela já não está assim cheia, tem que se espremer, apertar bem.
Desiste. Ou então, também aconteceu uma vez, um teste que eu fiz durante alguns dias, que foi: o Guilherme tem dois modos, ou desiste facilmente da pasta e já procura outra, ou não se lembra onde está a pasta de dentes e como não quer dar a parte fraca, continua a espremer até ao fim.
Para não me perguntar onde é que está a pasta de dentes. É exatamente isso. Como eu não quero perguntar onde é que está a outra, eu vou espremendo até à última gota de pasta de dentes o tubo que ainda há.
Então houve uma semana ou duas em que eu tinha uma pasta de dentes extra que guardei, que eu usava e deixava a outra para ele espremer para ver até quando ela estanta.
Só estava a escovar os dentes, já não tinha pasta para não dar a parte fraca.
Rita, guardaste ou escondeste?
Escondi.
É este o termo.
Escondi não, ela estava no sítio dela, eu só a tirava, punha a pasta e depois guardava, que era o sítio onde o extra está guardado.
Onde ela está escondida.
Sim.
Mas estamos aqui a falar da pasta de dentes porque é o exemplo clássico, podíamos falar da tampa da sanita. São estas pequenas coisas que são irritantes quando duas pessoas vivem juntas muito tempo.
Muito mais. Eu acho que isso é mais fascinante e foi o que nos levou a fazer este podcast, que é: nas grandes coisas, eu e a Rita não queremos ter filhos, votamos mais ou menos nos mesmos partidos.
Têm o mesmo clube.
Sim, de futebol eu não ligo nenhuma e a Rita acho que também não. Ou seja, nas grandes coisas que normalmente terminam casamentos ou relações, eu e a Rita acabamos por concordar. E eu acho que tem muito mais graça a quantidade de vezes que eu e a Rita discordamos com coisas pequeninas e resolvemos fazer o podcast por causa disso. E eu acho que é muito mais divertido discutir sobre isso, de que maneira é que nós penduramos as meias na corda, como é que se mete a louça na máquina. Esses pequeninos temas. Nós encontramos em público e eu estou a contar uma história, a Rita faz-me fact-checking em direto das histórias que eu vou contando, que é uma coisa que eu odeio, porque eu digo assim: "Mas andámos para aí 3 km" e a Rita: "Eram 2.800." E eu: "Oh, Rita, isso interessa para a história? Deixa-me embelezar."
Sim, mas também tu embelezas muito as histórias.
Sim, mas não demasiado.
Às vezes já dá uma volta, às vezes não é nada verdadeira.
Essas pequenas coisas também criam desgaste. Ao fim de algum tempo, vocês usam mesmo o podcast como uma forma-
Não quero estar a insistir no divórcio.
Não, pelo contrário.
Diz lá qual é a tua dificuldade.
Estou a dizer que o podcast ajuda-vos também que essas pequenas diferenças provoquem desgaste.
Não, sem dúvida nenhuma, até porque para mim e para a Rita, e eu acredito também para as pessoas que nos ouvem, na maior parte das vezes discutir sobre as coisas não só as deixa em perspectiva, como tira-lhes a força.
Não fica o moendo aquilo. Mas agora digam lá o que é que vos irrita um no outro.
O que nos irrita?
Estamos aqui para aumentar a porcentagem de divórcio.
Nessas coisas pequenas.
Em todos os episódios nós vamos arranjando qualquer coisa que a Rita e que vamos discutindo. Por exemplo, a Rita deixa o carro imundo.
Não deixo o carro imundo, Guilherme. Não me faças discutir aqui. Não é imundo. Imundo é a palavra que tu queres usar?
É muito porco.
Melhorou muito.
Melhorou imenso O Guilherme acha que é o especialista da máquina de lavar a louça.
Não, isso eu sou.
Os talheres com o cabo para cima ou com o cabo para baixo?
Eu deixo com o cabo para baixo para desperdício de espaço.
Eu também.
Então não é por aí. Acho que é melhor porque depois percebes logo o que está como.
Rita, mas o Guilherme também te acusa de não teres brincado com os Legos em pequenina e por isso não sabes arrumar.
Eu claramente sou melhor porque eu jogo. Os videogogos e os jogos para mim, os puzzles sempre foram... Não percebo. O que mais me irrita é quando eu ponho e ele vem atrás e muda de sítio. A diferença é zero. "Não, fiz toda a diferença."
Então o Guilherme deve saber a resposta a esta última.
Está bem.
Só uma questão: como é que vocês decidem os temas de cada episódio? Somos na altura, começam a gravar e é o que sai?
Não, vamos apontando durante a semana.
Não, nós preparamos. Ou seja, eu preparo dois, três temas de coisas que quero levar e discutir com a Rita.
Mas partilhas?
Não. Às vezes ela faz qualquer coisa, isso é engraçado, porque às vezes ela faz qualquer coisa e eu digo assim: "Olha, vou apontar esta para falar no podcast, nós vamos discutir sobre isto." A Rita também prepara dois, três temas e depois no fim respondemos sempre a perguntas, dúvidas, questões que as pessoas enviem para terapiadecasalpodcast@gmail.com. As pessoas enviam um problema qualquer e nós depois respondemos a e-mails das pessoas no fim.
Que depois basicamente é: "Não sigam estes conselhos."
Exato.
Façam o contrário.
Então vamos lá em frente. Estão em 14 pontos neste momento.
Estamos a tentar chegar aos 19. Já não chegamos.
Mas é ótimo se for 19. Só uma questão: como é que vocês decidem os temas de cada episódio? Somos na altura, começam a gravar e é o que sai?
Não, vamos apontando durante a semana.
Não, nós preparamos. Ou seja, eu preparo dois, três temas de coisas que quero levar e discutir com a Rita.
Mas partilhas?
Não. Às vezes ela faz qualquer coisa, isso é engraçado, porque às vezes ela faz qualquer coisa e eu digo assim: "Olha, vou apontar esta para falar no podcast, nós vamos discutir sobre isto." A Rita também prepara dois, três temas e depois no fim respondemos sempre a perguntas, dúvidas, questões que as pessoas enviem para terapiadecasalpodcast@gmail.com. As pessoas enviam um problema qualquer e nós depois respondemos a e-mails das pessoas no fim.
Que depois basicamente é: "Não sigam estes conselhos."
Exato.
Façam o contrário.
Então vamos lá em frente. Estão em 14 pontos neste momento.
Estamos a tentar chegar aos 19. Já não chegamos.
Mas é ótimo se for 19. "Qual o título da edição portuguesa do best-seller que deu a conhecer a escritora e especialista em organização pessoal Marie Kondo?"
Epa! Eu nem sabia que ela tinha livros, eu achei que era só uma senhora da Netflix.
Não, começa com...
Eu vou dizer, deve ser uma coisa do género, não é a minha resposta oficial, não quero bloquear. Vou dizer: "A arte de encontrar a paz de espírito dentro da casa."
Em inglês, no original, é a arte de qualquer coisa.
Tem que ser assim uma coisa qualquer.
Eu acho que é "Arrumar com Marie Kondo", por acaso.
Arrumar?
Arrumar está lá.
Arrumar e organizar.
Está duas vezes.
Não, "Arruma a sua casa, arruma sua vida."
Certo.
Perfeito.
Parabéns. Foi com um bocadinho de ajuda.
Foi com um bocadinho de ajuda.
Não estava à espera que soubesse.
Não, muito bem. Esta devia valer um ponto extra.
Exato.
A Rita sai daqui com os créditos.
Tive uma fase Marie Kondo.
Então conta lá, como é que foi? Foi por causa do Guilherme?
Não, uma fase mais de técnicas de arrumação. Mas não me agarrava às coisas a ver se elas me traziam alegria ou não. Não agradecia, não dava beijinhos e despedia, não.
Se eu te apanhasse no chão da nossa casa agarrada a uma camisola a dizer: "Obrigada por tudo o que tu me deste, camisola." Eu acho que tinha acabado o podcast e o casamento, achas?
Ou filmavas.
Sim, é possível. Mas a Rita normalmente tem muito mais sentido estético. Eu tenho muito mais urgência de arrumar e de limpar.
É mais prático, és mais prático na arrumação.
Eu sou bastante mais prático, a Rita é muito mais organizativa e estética.
Sim. Todos os verões o Guilherme passa-se comigo porque ele tem férias do programa e todos os verões há uma semana ali de agosto que eu digo: "Vá, vais-te levantar do sofá, porque nós vamos reorganizar a nossa casa toda." E ele fica completamente passado.
Sim, eu digo sempre que a nossa casa parece uma loja, tipo o Bershka ou Pull and Bear, do género: "Vamos mudar a montra, vamos mudar a loja toda, vai entrar a coleção nova de inverno." E então, de repente, mudamos a nossa casa completamente de uma ponta a outra e eu sou uma espécie de capataz que vai atrás dela e que põe as coisas no sítio dela quer.
É muito giro porque ele fica mesmo desorganizado. Eu tiro tudo, por exemplo, da despensa e ele fica perdido. Eu dou ordens: "Mete isto aqui, faz aquilo." E tudo corre bem.
Vocês têm ideia que tipo de pessoas é que vos ouve? São casais mais novos, mais velhos? Têm ideia da abrangência?
Há um bocadinho de tudo, na realidade, porque o podcast já tem seis anos, portanto eu acho que nós já fomos açambaracando muita gente que foi ouvindo, se calhar estava solteira.
Andaram no país.
Mas eu acho que nós temos uma espécie de dois terços mulheres, um terço homens, acho que é mais ou menos assim a organização, mas nós temos muitos casais. Alguns casais dizem-nos quando nos encontram na rua e por aí fora, dizem-nos que ouvem o podcast juntos e vão parando para discutir o que nós estamos a discutir. Nós trazemos um tema qualquer e eles param o episódio e dizem assim: "Tu concordas com o Guilherme ou com a Rita?" E vão discutir, o que é engraçado.
Fazemos um segundo podcast.
Mas há muita gente que nos diz assim: "Eu como sou solteiro, eu não sei se posso ouvir o vosso podcast." Ouve, porque assim vais-te preparando para quando tiveres numa relação. Já sabes que red flags é que vais procurar.
E juntam logo uma série de argumentos que podem utilizar em futuras discussões.
Claro. Ou seja, eu acho que o nosso podcast chama-se "Terapia de Casal", nós somos um casal e nós discutimos coisas de 80% do tempo, 70% do tempo, estamos a discutir coisas que acontecem dentro de uma relação. Mas eu acho que há um lado de reconhecimento que eu acho que toda a gente se pode divertir ouvindo o nosso podcast.
E falamos também muitas vezes de relações familiares, relações de amizade, ou seja, não é o foco.
Sogras.
Sogras, amigos, colegas de casa, há pessoas que nos pedem ajuda para mandar uma mensagem àquele colega de casa que é desarrumado. "Como é que eu digo ao meu colega de casa que ele de facto está a ser desarrumado?" Acabamos por falar um bocadinho destas relações todas mais próximas, relações de irmãos também. Já tivemos dramas familiares que pareciam novelas.
Vocês têm limites na exposição da vossa vida pessoal, familiar?
Sem dúvida absolutamente nenhuma. É muito estranho, porque nós às vezes brincamos com coisas no nosso podcast, que depois as pessoas vêm nos dizer na rua, por exemplo: "Então como é que está a Bibi Eight?" E nós: "A nossa gata está boa, obrigado." Ou seja, há um limite do que nós preparamos e do que nós queremos dizer, que nós não queremos expor da nossa vida privada. Ou seja, há sempre coisas que nós deixamos para nós e que nós não queremos que as pessoas, há um círculo onde as pessoas não entram. Mas tecnicamente, o nosso podcast acaba por ser um bocadinho de expor a nossa relação de casais.
Vocês levam as pessoas para a sala de alguma maneira e para a cozinha.
Sim, porque nós estamos os dois de pijama, ao domingo de manhã a gravar o nosso podcast com os gatos a correr de um lado para o outro.
Gravam em casa?
Gravamos em casa.
Há logo outro ambiente também, não é?
Completamente, e eu acho que isso também ajuda muito Os podcasts agora estão todos a transformar-se em podcast de videocast também, com imagem. E uma das coisas que eu e a Rita sempre quisemos, e que vamos ser teimosos e que vamos bater com a cabeça nesta parede, é que nós não queremos gravar o nosso podcast com imagem, porque nós queremos trazer as pessoas pra nossa sala quando nós estamos os dois de pijama, com os gatos a correr um lá pro outro. Nós queremos criar essa intimidade com as pessoas que nos ouvem, apesar dessa intimidade ter uma linha bastante óbvia no chão, na areia, que há partes da nossa vida privada que nós não vamos partilhar.
O que é que fazem assim que terminam de gravar o podcast?
Dão um grande beijo.
Dão um grande beijo, digam isso.
Ou um estalo.
É um beijostalo.
E eu é que sou o culpado agora. Ó Maria João.
Podia não ser verdade, mas fica bem.
Mas chegam ao fim e ficam melhor? Ou já nem sequer é relevante?
Não, acho que só acabamos um podcast chateados.
Sim, porque trouxemos um tema pro episódio. É verdade, trouxemos um tema pro episódio.
Eu sabia.
Que era pro outro ano.
E no final foi: "Por que trouxeste isso pra aqui? Eu não estava pronta pra falar sobre isso." Foi uma coisa do gênero. Já nem me lembro ao certo o que foi, mas normalmente acabamos sempre numa nota positiva e acho que acabamos sempre divertidos pro que vamos fazer a seguir, seja o que for.
Sim, a resposta não tem muita graça, mas a resposta verdadeira é: assim que nós acabamos de gravar ao domingo de manhã, a Rita treina, tem um treino com PT e faz exercício físico, e eu vou tomar banho pra ir pra SIC trabalhar, onde eu trabalho ao domingo.
Tem um dia grande, claro.
Tenho um dia grande ao domingo. Portanto, a resposta não tem muita graça, mas é a Rita faz exercício e eu tomo banho.
É, sim, normalmente é.
Eu lavo-me.
Exato. Eu sujo-me.
Rita da Nova Guilherme Fonseca, muito obrigada por terem vindo à Comissão de Enquete. Foi um gosto. São os autores do podcast Terapia de Casal, que agora também pode ouvir através do site do Observador e claro, nas várias plataformas de podcast.