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Este é o Som da Comissão de Inquérito das manhãs 360. Esta quinta-feira, é nossa convidada a deputada do PS, Isabel Moreira. Bom dia, bem-vinda.
Bom dia.
Traz a luz consigo com esse amarelo tão bonita.
Espero que sim.
Muito obrigada.
Pelo menos fingimos que está sol.
Exato. Isabel, conhece este formato? Sabe como é que funciona?
Eu vi duas vezes, mas não me lembro muito bem.
São cinco perguntas.
Ai, é?
Cinco perguntas. Se acertar, recebe cinco pontos por cada pergunta. Se tiver ajuda, a nossa, recebe dois pontos, se acertar. E se não acertar, um ponto.
E o que eu faço com os pontos?
Fica muito feliz. Ou não.
Fica muito orgulhosa.
É que senão tinha que declarar alguma coisa no registro de interesses.
Só para ter uma ideia, ainda ninguém conseguiu os 25 pontos. Até agora o máximo foram 22. De várias pessoas. Vamos lá, então.
Pode mostrar na cara das inimigas se fizer os 25 pontos.
Mas se for coisas de memória, eu vou perder.
Não, não é só. Algumas são. Mas vamos lá. A Isabel Moreira nasceu no Brasil?
Nasci.
No Rio. É carioca?
Sou.
Vai lá com muita frequência, ou não? Essa não conta.
Não tanto como queria, mas vou quando posso.
Sabe quantas pessoas vivem na cidade do Rio de Janeiro? Não é no estado, é na cidade.
Não, não faço ideia.
Mais ou menos? Um número?
Não, essas coisas, não faço ideia.
Então quer pedir ajuda, pelo menos? Não sei, só ajudar alguma coisa.
Na cidade, devem viver para aí umas 10 milhões.
Vamos pedir ajuda.
Então peço ajuda.
Quatro milhões, seis milhões ou 16 milhões.
Seis milhões.
Acertou. Dois pontinhos.
É a cidade. Pronto.
Sim.
Estava a comparar com São Paulo, por exemplo, que é uma loucura.
O estado do Rio de Janeiro são 16 milhões.
São Paulo serão 30 milhões.
São Paulo é 30 milhões, é uma loucura total.
A Isabel Moreira já manifestou o seu desconforto com as declarações de Pedro Nuno Santos sobre a imigração. Será por causa da proximidade das eleições, como disse o presidente da República?
Não, eu acho que houve uma falha na linguagem, porque eu conheço o Pedro Nuno Santos e não há novidade naquilo que diz respeito a querer mudar a lei. Isso ele disse desde que pediu a apreciação parlamentar da revogação sem substituição da manifestação de interesses. Isso é que foi o grande problema criado aos imigrantes e foi a grande irresponsabilidade deste governo, porque faz isso num bolo muito perigoso, porque revoga sem substituição a manifestação de interesses, retira a possibilidade de acesso ao SNS de imigrantes residentes em Portugal, ao mesmo tempo que anuncia grandes operações policiais dirigidas a imigrantes específicos, como foi aquela situação horrorosa de vermos imigrantes específicos encostados à parede. Portanto, há todo um clima muito terrível e jamais visto em Portugal. Não há novidade nenhuma relativamente a querer alterar a manifestação de interesses por qualquer coisa que dê segurança aos trabalhadores de que precisamos tanto. Aquilo que foi surpreendente foi, por um lado, atribuir efeitos de chamada ao mecanismo que existia, quando o próprio Pedro Nuno Santos, em entrevista, explicava que o crescimento que tivemos da economia em 22 e 23, em vários setores, que ele próprio enumera e continua a enumerar, o turismo, a agricultura, a economia do cuidado, que muitas vezes não é falada. E a situação de emprego que tivemos levou a que, de facto, onde há emprego, há procura e é o que acontece. Por isso é que tivemos o crescimento da imigração que tivemos, a par do envelhecimento da população portuguesa. Portanto, há empregos que os portugueses não ocupam, primeiro porque envelheceram, depois pelo crescimento da qualificação. Portanto, há essa novidade. O resto não é novidade. E depois estou certa de que quando diz que tem que respeitar a nossa cultura e o nosso modo de ser, nós não partilhamos nada em termos normativos, a não ser a legalidade republicana. Eu penso que o que está a dizer é isso. Os estrangeiros e os portugueses, nos termos do artigo 15º da Constituição, estão sujeitos à mesma lei, e é uma expressão que considerei infeliz.
Mas sente que o PS ficou dividido nesta matéria depois das declarações de Pedro Nuno Santos?
O PS sempre foi assim. Quando há uma declaração com a qual nós não concordamos, sempre expressou livremente. Eu acho que houve reações muito exageradas, colar o Pedro Nuno Santos à extrema-direita é um absurdo. O que eu acho é que houve a necessidade de pessoas como eu de esclarecer que quando dizemos que estamos sujeitos a alguma coisa, todos, estrangeiros e portugueses, não há nenhuma vinculação específica dos estrangeiros ao que quer que seja. Os portugueses e os estrangeiros estão sujeitos à legalidade republicana, é aquilo que diz o artigo 15º da Constituição, mas não há uma partilha. Diz-se muito que o crescimento da extrema-direita, quem teve a culpa disso foram as causas identitárias. Ora, isso foi aquilo que uma certa direita quis convencer, se calhar, até a própria esquerda, mas na verdade, não há nada mais identitário do que os partidos de extrema-direita e entre nós, o Chega. O Chega é o partido mais identitarista que nós temos. Não há nada mais identitário do que a ideia de nação, do que a ideia de uma só família, do que a ideia de uma religião predominante, do que a ideia de uma etnia predominante. Identitarista é a extrema-direita.
Na visão do Chega, parece eu.
O que aliado a uma ideia de abandono do estado social, sim, leva ao crescimento da extrema-direita. E portanto, acho que houve um mau uso de palavras.
Mas não acha que o PS tem que adaptar a linguagem agora até para as eleições autárquicas, em que tem que trazer estes temas da imigração e da segurança?
Não, o PS tem que insistir muito no tema da imigração, mas exatamente como tem feito, ou seja, explicando que os imigrantes não falharam em nada, o país sem imigração parava Ficava definitivamente velho e irrecuperável. A economia parava, a Segurança Social falia e se alguém falhou, não foram certamente os imigrantes. E eu acho que é importante dizer que sim, o Estado social tem que ser fortalecido, temos que ter uma escola pública que dê resposta, mas aos portugueses e aos imigrantes, mas nunca dizendo ou insinuando que os problemas no SNS ou na escola pública ou em qualquer área do Estado social foram causados pelos imigrantes. Não, deve-se deixar claro.
Pedro Nunes Santos não atribui a responsabilidade aos imigrantes, mas à incapacidade que o Estado teve de dar resposta a esse serviço, ao aumento da procura.
Bom, aquilo que eu digo é: se nós queremos, não é queremos, nós precisamos desesperadamente de imigração, de mais imigração. E se precisamos de imigração, naturalmente, o Estado social tem que dar resposta, mas isso tem que ser pela positiva. E mais, os imigrantes pagam impostos para que essa resposta seja dada. Não podemos dizer: "Entrou um milhão, mas o Estado social não se preparou." Não, entrou um milhão porque nós precisávamos, eles trabalharam, pagaram impostos, mal seria o Estado social não responder. Eles pagam impostos. A Segurança Social está como está graças aos imigrantes.
Mas pra facilitar a integração, não é importante que também os imigrantes tenham contato com a cultura do país que os recebe?
A minha ou a do André Ventura?
A cultura do país existe, a língua existe, esse conhecimento é necessário.
É que é muito perigoso, porque essa história da cultura depois cai-nos em cima da cara, como se está a ver nos Estados Unidos, como se está a ver em alguns países da Europa. Eu tenho a certeza que eu tenho um modo de viver, o que é pra mim um modo de vida é muito diferente do modo de vida do deputado André Ventura ou mesmo de deputados de diferentes bancadas e de pessoas que convivem.
Mas na escola não é passada também essa informação de valores ou resume-se tudo à lei?
O nosso quadro referencial de valores, o nosso chão comum é a Constituição da República Portuguesa. Os valores, o respeito pela dignidade da pessoa humana, pela igualdade, pela igual dignidade de todas as pessoas, os direitos fundamentais, todos eles, etc. Isso é o nosso quadro de valores, é o quadro constitucional e dizer a lei quando dizemos a Constituição não é dizer pouco. O respeito pelo princípio da igualdade, o respeito pelo princípio da dignidade da pessoa humana, pela liberdade e todo o catálogo de direitos fundamentais, e também os deveres a que os portugueses e estrangeiros estão sujeitos, é igual pra todos. Na escola, todos aprendem. E apesar disso, os portugueses continuam, se quiser fazer equivaler lei à cultura, então os portugueses continuam a ter uma cultura muito forte no que toca a matar mulheres. Eu não quero dizer que isso é cultura portuguesa.
Vamos à segunda pergunta.
Dois pontos, não é?
Dois pontos para já.
Dois pontos com seis milhões. Cariocas.
Esta aqui é recente, não é preciso puxar muito pela memória. Segundo os dados provisórios divulgados pela PSP, ainda esta semana, qual o crime mais participado na região de Lisboa em 2024?
Em 2024, na região de Lisboa.
De acordo com estes dados provisórios que foram divulgados pelo Diário de Notícias. O DN tinha até uma tabelinha com isso, até aquela notícia. Com o ranking das maiores participações.
Não sei.
Então uma ajuda?
Uma ajuda.
Vamos lá. Então, furto por carteirista, violência doméstica ou burla informática/comunicações.
Violência doméstica.
Não. Burla informática.
Burla informática? Então em Lisboa é o crime mais participado.
A Isabel Moreira vive em Lisboa.
Vivo.
Sente-se insegura?
Não.
Está respondido.
Não tem essa percepção de insegurança.
Não, como disse, já fui vítima de crimes, mas fui vítima de crimes por eu ser a Isabel Moreira e não por viver em Lisboa.
E então por que acha que tem havido esta discussão sobre as questões de segurança, de percepções de insegurança, se existe policiamento ou se deve existir mais policiamento de proximidade ou mais operações policiais com outra visibilidade?
Bom, eu acho que ela foi política, ou seja, nós vivemos num mundo estranho, como se estivéssemos a viver uma realidade paralela, em que a verdade não entra nos telejornais, a verdade da vida não entra nos telejornais, e aquilo que é inventado passa a ser aquilo que é discutido ad nauseam todos os dias como se fosse factual. Nós já em 2012 tínhamos níveis de criminalidade mais altos do que agora. E, no entanto, não havia debates de urgência sobre criminalidade, não havia conferências de imprensa às 8:00 da noite com o primeiro-ministro a anunciar, como se fosse uma ação sua, e na verdade com a mão dele, a anunciar megaoperações policiais com todos os elementos políticos e não políticos presentes para o efeito. Não tínhamos uma associação entre imigração e criminalidade, que é falsa, todos os dias a termos que fazer debates com dados a explicar que essa associação é falsa. E é absolutamente incompreensível que 10 anos depois, havendo índices de criminalidade menores, estejamos todos a falar de segurança, estejamos todos a ver operações policiais que nos lembram o pior do século XX.
Mas também não eram comuns esses.
Não, não eram. Peço desculpa. Eu vou explicar porque é que não. Primeiro, a imigração não era um tema como é hoje em dia.
Porque também havia muito pouca.
Porque havia muito menos. Não era um tema como é hoje em dia. E, por outro lado, a presença das redes sociais, da capacidade de captação de imagens, de divulgação de imagens, não era a mesma. E quando hoje vemos naquela rua aqueles imigrantes encostados à parede Suspeitos de coisa alguma. E o ministro Leitão Amar gabar-se disso ao mesmo tempo na Assembleia da República enquanto que isso decorria, e a dizer que vai haver muito mais. Uma operação que teve um resultado ridículo com a Associação de Moradores a dizer que os brancos que passavam diziam: "Mas como é que sabe o que é que está no meu saco? Não quer revistar-me também?" E a polícia dizia: "Passe." Portanto, aquilo que aconteceu foi, de facto, alguma coisa que foi dirigida para nos criar uma sensação de insegurança relativamente a um grupo de pessoas. E isso é muito grave, porque não há nenhuma lei que permita encostar à parede pessoas que por acaso estão a passar numa rua sem indício de crime. Não existe.
E a responsabilidade é do governo nessa operação policial?
Eu acho que o governo tem a maior responsabilidade. Quando o governo anuncia que organizou aquilo, que vai fazer mais e que aquilo foi bom para as pessoas sentirem a proximidade da polícia. Ora, a polícia de proximidade não é aquilo. Polícia de proximidade é a polícia que tem uma esquadra no local, que conhece as pessoas, que passa na rua. Isso é que é a polícia de proximidade. Não aconteceu nada em termos de dados estatísticos, pelo contrário, para nós de repente acharmos que temos que ter megaoperações repentinas, que por acaso se dirigem a um determinado grupo de imigrantes, àquele tipo de imigrantes, e não a imigrantes franceses, não a imigrantes ingleses, não a imigrantes brasileiros, mas àquele tipo de imigrantes, com aquela cor da pele, com aquela origem, e isso, de facto, cria um inimigo. Isso é terrível.
E acha que isso é motivado também pela pressão feita pelo Chega?
Eu acho que sim. Eu acho que o maior perigo que nós enfrentamos hoje nas democracias não é a extrema-direita, é quando a direita clássica absorve as bandeiras da extrema-direita. Isso é que é terrível.
E quando a esquerda o faz? Pode acontecer também. Também têm sido acusados. Por exemplo, ainda hoje Ricardo Leão, o autarca do PS, deu uma entrevista e ele foi criticado precisamente por isso, por elementos dentro do PS.
Eu acho que a extrema-direita pode contaminar elementos de qualquer partido. Agora, de uma maneira orgânica, de uma maneira institucional, o partido que está no poder e que está, de facto, a absorver narrativas da extrema-direita é sem dúvida nenhuma o PSD. O partido que já se associou institucionalmente, como nas regiões autónomas, ao Chega, é o PSD. Agora é evidente, basta ver pela forma como acontece as flutuações do voto, que a extrema-direita pode contaminar qualquer partido. Isso é evidente.
Vamos em frente. Dois pontos. Terceira pergunta. Mais dois. Já são quatro.
Eu só tirei uma, não foi?
Não, não é mais dois.
Ah, não?
Tu não acertou.
Eu ainda não tirei uma.
São dois.
Calma, mas agora vai acertar certamente.
Agora vai melhorar.
Senhora Moreira, em democracia, quem presidiu durante mais tempo à Câmara Municipal de Lisboa? Qual o presidente, são todos homens, mais tempo no cargo?
António Costa?
Ou então.
Ah, o Pedro Cassis.
Cinco pontos. Certíssimo. Foram 10 anos, de 1980 a 1990. António Costa ficou pelos oito anos. Alexandra Leitão é a pessoa ideal para combater Carlos Moedas em Lisboa?
É.
Por quê? Gostaram. Por quê, agora?
Eu aqui até falo com aquela boa parcialidade de quem conhece muito bem a Alexandra Leitão. Alexandra Leitão é das mulheres mais corajosas que eu conheço. É uma pessoa muito firme nas suas convicções. É uma mulher extremamente preparada, muito habituada a fazer, muito bem oleada naquilo que são os cargos executivos. Ela gosta de pensar, tem um lado acadêmico muito forte, conhece muito bem o direito administrativo, que é um ótimo quadro mental para quem se aventura numa candidatura autarca. Ela conhece profundamente o direito administrativo, é doutorada em direito administrativo e dá aulas em direito administrativo. Aliás, fui colega dela na faculdade de direito e foi a melhor professora que eu tive, e depois acabei colega dela. E depois, a forma como aplica à prática quando tem a oportunidade de estar em cargos executivos, como teve como secretária de Estado e como ministra, é absolutamente notável. É uma transformadora, é uma pessoa que sabe como pouca gente fazer aquilo que nós chamamos em direito uma justa ponderação dos valores em presença. É uma progressista no melhor sentido da palavra.
Isabel Moreira, e não é uma radical?
Eu acho que nós estamos a entrar num período, já entramos num período verdadeiramente patético, que é a direita, toda ela está um bocadinho transformada numa direita populista e tem uma arma muito dos fracos, que é: aparece uma candidata e a primeira coisa que diz é que ela é radical. Agora, as pessoas sociais-democratas, as pessoas do centro-esquerda passaram todas a radicais E, portanto, daqui a nada o centro passa a radical, a esquerda passa já não sei o quê.
Mas e esse PS é um bocadinho mais radical do que o de António Costa ou não?
E a esquerda muito esquerda passa a que? A bombista? Já não sei como classificar as pessoas.
Mas deixa eu fazer o contraponto. A esquerda também... quase toda a direita é fascista hoje em dia.
Não, já me viu chamar fascista a alguém?
Não, mas o discurso público de redes sociais é basicamente isso.
Não, mas eu estou a falar é de pessoas com cargos importantes, como o Carlos Moedas. O Carlos Moedas chamar uma pessoa com o percurso de Alexandra Leitão, com as provas dadas de Alexandra Leitão. Já agora, com a obra publicada de Alexandra Leitão, que eu convidava o doutor Carlos Moedas, que eu sei que ele não acredita muito em estudos científicos, nem nomeadamente em relatórios, porque vê um relatório da polícia a dizer o que diz sobre dados de segurança em Lisboa e fica chateado. Eu nunca tinha visto um presidente da câmara ver dados oficiais a dizer que Lisboa está com índices de segurança muito bons, o que é ótimo até para investimento estrangeiro, por exemplo. Não, amua, fica triste, não quer. Ele quer que a polícia prenda pessoas.
Mas este PS, Isabel Moreira, este PS é um bocadinho mais radical do que o de António Costa.
Mas radical em quê? O que é que é ser radical?
Nas posições políticas que têm o Pedro Nuno Santos.
O que é que é ser radical? Associar insegurança à imigração é radical. Dizer que há problemas de insegurança quando os dados dizem o contrário, é o quê? Então isso é o quê? Quer dizer, eu a sério que acho extraordinário. Eu referia, por exemplo, basta ler a obra da líder do grupo parlamentar, as posições que tomou. Mas é radical em quê? Uma social-democrata e uma mulher de esquerda acima de tudo. Radical em quê?
Devia juntar o apoio dos partidos de esquerda. O PCP já apresentou o seu candidato. Alexandra Leitão devia-
Ai não, ela deve fazer a campanha como quiser. Agora uma coisa eu sei, onde a Alexandra se entrega, onde assume um cargo, a vida das pessoas efetivamente muda. É uma fazedora e tem sempre a bitola do Estado de direito, dos direitos fundamentais em mente, porque ela é de facto uma defensora e não sai dali. Dos direitos fundamentais e do Estado de direito e deste chão comum que é a Constituição.
Vamos continuar a falar de mulheres, Isabel Moreira.
Portanto, estamos com sete pontos.
Com sete pontos. Falando de mulheres, recuando um bocadinho. O primeiro liceu feminino em Portugal foi criado em 1906. Calma, isto é mais fácil do que parece. Pois foi, que andou nas redes sociais cedo também. O primeiro liceu feminino foi criado em 1906 em Lisboa. O liceu ainda existe, agora obviamente já rebatizado.
Dona Leonor. Ai, meu Deus!
Quer pedir ajuda? Podia ser uma dessas.
A Rainha D. Amélia.
Se a Carla der a ajuda vai acertar. Vou dar a ajuda. Já aqui lançou tantos nomes.
Nome de rainha, não é?
Pode ser o Liceu Dona Filipa de Lencastre, Maria Amália ou Maria Pia.
Maria Pia. Está bem.
Era o que faltava, para que continuasse a dizer que é a D. Amélia. Estávamos em 1906, o caminho das mulheres já se construiu muito. A política ainda é aquele local onde é mais difícil uma mulher ter o espaço que os homens têm?
É.
É.
Não noto.
O mais? Não sei se é o mais, dos mais, talvez.
É muito difícil. Desde logo, porque basta olhar para os resultados. Por exemplo, nós temos quotas.
Sim.
Mas depois vejam, por exemplo, as presidentes de câmara. Basta ver, o número é ridículo. Vejam as presidentes das federações.
No seu partido.
No meu partido. É ridículo. É qualquer coisa que eu acho que o meu partido tem que fazer.
Há quem diga que são as mulheres que não estão interessadas em entrar neste tipo de luta política.
Também diziam isso antes da lei das quotas. Depois ela entrou em vigor e de repente encontraram exatamente o número de mulheres que a lei impunha. Depois quando a lei subiu a parada, encontraram exatamente o número de mulheres que a lei impunha.
Então isto tem que furar para lá e para cá.
E para dizer qualquer coisa que não tenha dito antes, eu acho que é uma coisa que os partidos, a começar pelo meu, não fazem. Portanto, o meu PSD, os partidos clássicos, porque o Bloco de Esquerda é mais novo e tem muito mais mulheres e tem líderes do grupo parlamentar, tem à frente, teve a Catarina Martins, tem a Mariana Mortágua, mesmo o CDS teve. E portanto, os partidos mais pequenos, isso não é tão evidente. Mas eu falando do PSD e do PS, eu acho que se por um lado as mulheres são mais discriminadas na política, têm mais dificuldade de acesso ao microfone, não hoje que estou aqui plena. Mas se isso acontece, se são mais desconsideradas, porque à partida um homem é sem esforço visto como mais credível, mais ok na imagem, etc. E as mulheres têm que passar por uma série de testes inconscientes de imagem.
São questões culturais.
Pronto. E portanto, isso acontece. E depois há outras questões, que é de facto as mulheres ainda têm mais dificuldade em dizer sim, por exemplo, se têm filhos pequenos. Os homens têm mais facilidade em dizer sim. Portanto, a questão da conciliação ainda dói mais às mulheres. As mulheres têm filhos pequeninos-
É às mulheres que se pergunta como é que conciliam a vida profissional com a familiar, e aos homens não.
Custa-lhes muito. Mas os partidos também podiam apostar mais nas mulheres com tempo. Por exemplo, falemos em presidenciais. Se repararem, mesmo antes das-
Ainda queremos falar de presidenciais
...pessoas se lançarem, aí os jornais, e bem, começam a fazer sondagens com nomes que pensam. Normalmente não pensam em mulheres. E por quê? Por alguma razão. Mas os próprios partidos, o PS podia, sabendo que celebrámos 50 anos de Abril, podia estar há três anos a pensar num leque de duas, três, quatro mulheres, a falar discretamente com elas e chegar a um determinado nome e trabalhar esse nome durante três anos, porque os nomes também se trabalham. O Sampaio da Nova, professor, perdão, o Sampaio da Nova, quando apareceu, ninguém conhecia o professor Sampaio da Nova e teve uma votação muito expressiva.
E esse foi um nome preparado dentro do PS.
Não, ele quando apareceu, ninguém conhecia. E depois foi preparado, apareceu e de repente foi um resultado muito bom. Ora, aí é que eu acho que os partidos falham.
Podiam fazer o mesmo trabalho em relação a uma candidata.
Acho que o PS tinha obrigação de ter feito isso.
Vamos então passar à última pergunta, que tem a ver também com presidenciais. Quem foi a primeira mulher a candidatar-se às eleições presidenciais em Portugal?
A primeira foi a Maria de Luz Pintasilgo.
Em 1976. Mais cinco pontos.
Está lá.
Vamos falar dos candidatos que se perfilam, de potenciais candidatos na área socialista. António Vitorino, António José Seguro parecem-lhe bons candidatos? Demasiado moderados, radicais?
Não, o António José Seguro não me parece um bom candidato.
Por quê?
Porque eu vejo aquilo que ele tem avançado como algo que eu jamais poderia apoiar, como por exemplo, a ideia de não se aprovar orçamentos de Estado. Já me preocupava o tipo de liderança que ele tinha, mas isso são tempos passados e tenho o maior respeito por ele. É meu camarada, é evidente.
Sim, aquela proposta do orçamento de Estado não ir à votação.
Isso nem num Estado novo. São ideias que me preocupam muito.
António Vitorino, agrada-lhe mais o nome?
Eu acho que o António Vitorino é uma pessoa altamente preparada, mas eu prefiro esperar que todas as pessoas da minha área, do meu partido em primeiro lugar e da minha área, apareçam, porque eu não posso agora vincular-me, porque como sabe, tem que se esperar que todas as pessoas até uma determinada data apareçam e depois haverá uma decisão do partido. Mas tenho a maior admiração pelo doutor António Vitorino.
Portanto entre os dois, tende mais para António Vitorino.
Não teria a menor dúvida.
Mas ainda está à espera de uma mulher, Isabel Moreira.
Eu não apoiaria António José Seguro. Entre os dois é evidente, e com enorme vantagem. O doutor António Vitorino é uma pessoa muito preparada, é um ótimo quadro do Partido Socialista, com preparação interna e internacional. Eu não correria a hipótese de apoiar o doutor António José Seguro.
Isabel Moreira, 14 pontos. Não correu mal, em 25 valiam.
Não, e vocês ajudaram imenso.
E acordou às 04:00.
Eu acordei sim.
Como nós.
Eu acordei sim, porque também me parece que sim.
Às 04:00 dava mais quatro pontos, ficava com 19.
Obrigada.
Deixou-se esta cor para alegrar.
É verdade, a alegrar. E alegrou mesmo. Obrigada por ter aceitado o convite.
Obrigado.
A Comissão de Inquérito regressa na próxima terça-feira com Luís Filipe Borges, António Raminhos e Marco Horácio, que amanhã estreiam aqui na Rádio Observador um novo podcast chamado "Homens de Uma Certa Idade". É para ouvir depois do jornal das 11:00 da noite.