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E começa agora a conferência de imprensa das manhãs 360. É sempre por volta desta hora que destacamos artigos ou histórias da imprensa nacional ou internacional. Vou começar com teorias da conspiração, que tal? É uma coisa do vosso agrado.
Teorias da constipação foi na semana passada.
Sim, as da constipação é para amanhã. Estas são da conspiração. E tudo isto relacionado com o facto da administração de Donald Trump ter desclassificado esta semana, na terça-feira, muita documentação relativa à morte de J.F. Kennedy. 2.182 documentos em formato PDF. São mais de 33 mil páginas. Muito documento e muita teoria.
É resma atrás de resma.
Houve alguma pressa em fazer este processo de desclassificação.
Sim, ou apressaram 60 e tal anos.
Sim, mas da decisão à abertura da documentação, isto foi muito rápido, a ordem presidencial. E por isso não estão catalogados, nem estão ordenadas a maior parte destas fotocópias. E estamos a falar de documentos, muitos escritos à mão ou batidos à máquina e muitos, pela passagem do tempo, estão praticamente ilegíveis. Mas não é isso que está a impedir belas teorias sobre o que aconteceu naquele dia de novembro de 1963, no Texas. Muito embora as primeiras impressões confirmem, para já, que nada diga que a versão oficial não seja a mesma. O presidente norte-americano, JFK, foi mesmo morto a tiro por Lee Harvey Oswald. Nas entrelinhas, no entanto, o que se sabe para já, e toda a gente está a tentar procurar, nomeadamente muito trabalho dos jornais norte-americanos de perceber o que aqueles documentos revelam, levantam o véu sobre temas que são habitualmente confidenciais, como espionagem, relações diplomáticas, a articulação entre as agências federais, CIA e o FBI, que parece que nem sempre se dão muito bem. Entre os muitos dados que aparecem, já há uma espécie de lapsos. Foram publicados documentos onde estão números da Segurança Social de funcionários do Congresso e nomes de agentes cubanos que trabalhavam para a CIA aí em Miami. E por isso há quem pergunte se isto não é uma imprudência e não pode pôr em causa algumas pessoas.
Isso é melhor contratar uma empresa que faça essa verificação da gestão de dados.
Proteção de dados.
Proteção de dados. Acho muito importante.
Estás a pedi-las. Há quem pergunte: será que estas pessoas, algumas não estarão vivas ou as famílias não correm risco de vida por causa disto? Há quem aponte responsabilidades a tanto.
E é bem perguntado, Carla.
E não sou eu que o faço, são mesmo os especialistas.
Claro! Estás a dizer que a Carla não era capaz de fazer uma pergunta pertinente como essa? Ó Paulo.
Não me atreveria. Há documentos que estão a surgir muitas referências a Cuba. Foi encontrado um memorando presidencial de 23 de novembro, ou seja, no dia a seguir ao assassinato de Kennedy, que revela pela primeira vez que a CIA interceptou mensagens militares cubanas.
Isto é falar em teorias da conspiração.
E não apareceu nos documentos a teoria do segundo atirador?
Ainda não. Aparentemente, sobre isso ainda não há.
Isto também não são todos os documentos sobre o assunto, não é?
Não, ainda não são todos e ainda não foram todos vistos.
Há umas cartas na posse de um senhor.
Há o quê?
Umas cartas que estão na posse de um senhor que vive no Colorado.
E que sabe.
E que tem lá dentro da sua gavetinha.
Essas ainda não foram desclassificadas.
Essas ainda não foram. Quando isso vier a lume, souber tudo, então aí, sim. A descobrir a verdade sobre o Kennedy.
O que eles mostram para já é uma imagem muito rica do que era a espionagem nos anos 60. Estamos a falar da Guerra Fria e a Reuters escreve mesmo isto: "Funcionam como uma janela para o clima de medo que reinava na altura em torno das relações entre Estados Unidos e União Soviética". E isto, claro, muito pouco depois da crise dos mísseis de Cuba, um ano antes. Há ainda documentos relativos à morte de Martin Luther King. E esses podem ser, dizem já quem os preitou, muito mais interessantes, porque a CIA teve Luther King vigiado durante vários anos, por causa da ligação ao Partido Comunista e aos movimentos antiguerra do Vietname. Portanto, há aqui ainda muito para se saber, mas muitas teorias da conspiração. Há a ideia de um professor norte-americano que diz que Trump teve alguma pressa em desclassificar estes documentos, porque construiu uma coligação de pessoas com mentalidade conspirativa que o apoiam, e isso dá-lhes agora o que querem. Ele dá-lhes teorias da conspiração, ao mesmo tempo que são esses conspiracionistas que o apoiam na sua presidência.
Pronto, então ela por ela, quer dizer.
Mas o princípio de libertar documentos parece-me muito bem.
Claro que sim. Já passou tanto tempo.
O mais rapidamente possível. Claro.
Aliás, devia ter esse efeito, o contrário, que era de desfazer de uma vez por todas as teorias da conspiração.
Eu acho que os conspiracionistas, qualquer coisa serve para continuar a conspiração ou para fazer nascer outra.
Isso ainda mais.
Sem dúvida. De alguma forma, vamos continuar nos Estados Unidos, porque os analistas, aqui falamos de analistas de mercado, de mercado de capitais, de bolsas, não se lembram de uma marca automóvel que tenha perdido tanto valor em tão pouco tempo, tão rapidamente, como está a acontecer com a Tesla, precisamente. E de facto, a subida de Elon Musk ao poder em Washington não tem sido aquele combustível que os investidores esperavam para as ações da Tesla. Toda a gente dizia: "Ele vai para lá para beneficiar os negócios dele". Muita gente começou a comprar ações da Tesla, à espera de ir à boleia dessa subida, mas tem acontecido precisamente o contrário. As ações caíram mais de 40% desde janeiro, desde o início do ano, e desta forma anularam todo aquele que foi chamado o Trump Bump, isto é, a subida, o empurrão com a eleição de Trump que o mercado de capitais teve, e as ações nessa altura ganharam mais de 90% após o dia das eleições. Só recordar que aritmeticamente, para anular uma subida de 100%, basta uma queda de 50%. É verdade, aritmeticamente. Nós estamos em 100. Uma coisa que sobe 100% vai pra 200. Para restar aos 100, é uma queda de 50%. E portanto, estes números parecem-
Ó Paulo, caramba!
Tu realmente fazes uma boa peça. Não é o primo, ele é que é o engenheiro. Tu és a desenhista, falta-te um rinho.
Falta-me meio rim.
Eu como vim de Letras-
Realmente falta-me meio rim.
Eu como vim de Letras, tudo isso me fascina, ó Paulo. Diz-me mais coisas dessas.
Fica quietinho, Bruno, que agora vais ouvir a história até ao fim.
Tem um rio e três montes.
E depois ofereço-te um chupa no final. Basicamente, desde janeiro, a queda anulou a subida forte do final do ano passado. Musk tem basicamente uma grande parte da sua fortuna em ações da Tesla, ele perdeu potencialmente, e potencialmente apenas, porque não perdeu de fato, 111 mil milhões de euros. Por que não perdeu de fato?
Não constou?
Não, só perderia se tivesse vendido as ações mais baratas. Se não venderes, elas podem vir a subir ainda, não perdes.
Exatamente, podem voltar a valorizar.
Vai só fazendo contas, é uma coisa que podia acontecer e não aconteceu.
Mas estás a falar só das ações, não estás a falar da venda, porque isso também baixou.
Não, claramente. O que é que aconteceu, de fato? Por que esta rápida ascensão de Musk, que é um território oligárquico, não está a ajudar o seu bebê empresarial? Há duas razões principais. Primeira, as vendas da Tesla estão a cair a pica em todo mundo. Segundo, o seu CEO, Musk, anda distraído com outras coisas e não está a fazer nada para o impedir. No ano passado, a empresa registou a primeira queda de sempre nas vendas globais e este ano não se afigura nada de muito melhor. Os analistas de Wall Street, de bancos, instituições conceituadas como a UBS, a Goldman Sachs ou o JP Morgan, cortaram as suas previsões radicalmente sobre a empresa.
Mas Paulo, o ano passado já teria a ver com a ligação dele a Trump, ou não? É uma coisa isolada?
Sim, porque o engagement político dele começou muito grande, muito antes na campanha, e sobretudo no X, no Twitter, onde ele vai para lá disparar sobre tudo e mais alguma coisa. Na China, em particular, a Tesla está a lutar para competir com os fabricantes de automóveis chineses, que são muito fortes. No mês passado, as vendas da Tesla na China caíram 49% em relação ao ano anterior. As vendas na Europa também estão a cair, em especial na Alemanha, onde os consumidores ficaram indignados com o apoio de Musk ao Partido Nacionalista de extrema-direita, agora no período eleitoral, um partido que tem ligações neonazis. E no mês passado, as vendas na Alemanha caíram 76% em relação ao homólogo do ano passado. Portanto, a Tesla quase varrida do mercado alemão. As notícias não estão a melhorar nos últimos dias. O rival chinês número um, que é a BYD, Build Your Dreams, chinesa.
Isso é mandarim, não é?
É mandarim, como se diz em bom mandarim, constrói os teus sonhos. Também dava uma boa música.
Olha, dava.
De certeza que alguém já fez.
Os Imagine Dragons.
Por exemplo.
Imagine Dragons, Build Your Dreams.
A BYD, de fato, revelou agora um sistema de carregamento elétricos que pode revolucionar os últimos modelos, que é carregar em apenas cinco minutos o suficiente para andar 400 km.
Em cinco minutos?
Em cinco minutos. Isto é duas vezes mais rápido que a taxa de carregamento da Tesla, que já é considerada uma das melhores do mercado. E portanto, todas estas dores de cabeça seriam um problema grave para a Tesla, mesmo que tivesse um diretor-executivo normal, mas não, neste momento é direto. É assim que está na CNN, de fato. Isto está na CNN portuguesa, mas a peça original vem da CNN internacional, portanto, americana.
E ontem mais notícias de Teslas incendiados, não é?
Também, exatamente. E o mercado em segunda mão dos Tesla também está completamente virado do avesso. A Tesla, neste momento, diz esta peça, é dirigida por Musk, cuja marca pessoal passou de "ok, ele é um tipo um pouco estranho" para agora, "ok, ele está a publicar umas teorias da conspiração racistas e antissemitas em 2025 no Twitter". O artigo é mais extenso, mas no fundo dá-nos bem a ideia desta queda da Tesla.
Está na CNN.