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Começa agora uma nova conferência de imprensa das manhãs 360. Trago-vos uma story aqui na Sic Notícias sobre um arquipélago onde é proibido nascer e morrer. É norueguês, chama-se Svalbard.

E o Trump quer comprá-lo.

É o mais certo. Do arquipélago, faz parte da cidade mais próxima do Polo Norte, por isso é bem provável que sim, e as 2400 pessoas que lá vivem são prova viva da capacidade de adaptação do ser humano à natureza. Isto porque é um sítio perigoso. Avalanches, tempestades de neve, quatro meses de escuridão e frio, e frio à séria. Estamos nós a queixar-nos com os cinco graus de manhã. As temperaturas chegam a ultrapassar os 30 graus negativos. Tem creches, escolas, um polo universitário, aeroporto, turismo.

É o Polo Norte.

Dali não há voos comerciais e até ao Polo Norte há uma imensidão gelada. Podemos viajar durante meses por esta terra sem vermos uma única pessoa. Os filipinos representam a maior comunidade estrangeira, onde convivem mais de 50 nacionalidades. Para trabalhar no arquipélago, não é preciso visto, os salários são altos e os impostos baixos. Um dos entrevistados é um filipino que trabalha nas limpezas e diz que o seu salário equivale ao de um membro do governo nas Filipinas, um senador ou uma coisa assim, dos salários mais altos. Recebe não como alguém das limpezas e percebe-se porque nem toda a gente quer viver ali. Os que vivem sabem que estão sempre só de passagem. Isto porque uma das razões para ser proibido nascer e morrer é o facto de o hospital ter apenas duas camas. Mais, não tem os serviços para dar à luz ou para fazer, por exemplo, uma autópsia. As grávidas são obrigadas a deixar o arquipélago quatro semanas antes do parto. Os doentes graves são encaminhados para a Noruega continental. Há quase 70 anos que os enterros foram proibidos em Svalbard, desde que os investigadores descobriram que os corpos não se decompõem devido à camada de gelo do subsolo e, portanto, há receio de que o degelo traga à superfície bactérias adormecidas dentro dos corpos. Em outubro, com o inverno polar à porta, Svalbard começa a perder 15 minutos de luz por dia, até que a noite se instala. As viagens de barco são nessa altura suspensas. Só é possível viajar em motas de gelo. As temperaturas começam igualmente a cair até chegarem aos tais mais de 30 graus negativos e com isto surgem os quatro meses de total escuridão. Não consigo imaginar quatro meses à escuro. É nesta altura, dizem os habitantes, que as pessoas procuram muito mais umas às outras para conviverem. Com a escuridão e o frio, todos sentem que há consequências não só físicas como mentais. Duas mil e quatrocentas pessoas aguentam tudo isto na cidade mais próxima do Polo Norte. Está na Sic Notícias.

E se calhar bebem muito vinho.

Ah, bebem muitos vinhos.

Esquecem-se de si mesmos um bocado.

E devem ler muito, não é? Pelo menos na Islândia, são grandes leitores. Não há nada para fazer.

É isso.

Muito desagradável, mas obrigada.

Por falar em bebidas, a Ryanair, a companhia aérea, quer proibir a venda de mais do que duas bebidas alcoólicas nos aeroportos.

Nos embarques, nos aeroportos.

Nos aeroportos.

Uma pessoa que não goste de andar de avião, não se pode acalmar.

Não, não se pode acalmar. E isto porquê? Porque a companhia aérea anunciou, informou, deu mais detalhes sobre um processo que interpôs para recuperar cerca de 15 mil € de custos relacionados com o desvio de um avião, aparentemente devido ao comportamento de um passageiro desordeiro. E a companhia aérea pediu às autoridades europeias para estabelecer novos limites ao consumo de bebidas alcoólicas já nos aeroportos, porque, como sabem-

As pessoas depois podem entrar já com um grau a mais.

Exatamente, um bocadinho. É verdade que as companhias aéreas têm o direito de não deixar entrar no avião pessoas que-

Com sinais, não é?

Com sinais exteriores de consumo de álcool excessivo. Mas a Ryanair pretende que nos aeroportos haja essa limitação, usando, por exemplo, como se faz para fazer as compras nas lojas, o cartão de embarque. E assim já se sabe se a pessoa consumiu mais bebidas ou não. A companhia aérea disse que não percebe por que nos aeroportos os passageiros não estão limitados a estas duas bebidas alcoólicas, porque isto, na perspetiva da companhia, iria resultar num melhor comportamento dos passageiros. E tem havido várias notícias ao longo do tempo de comportamentos desordeiros de passageiros, alguns por estarem alcoolizados, outros porque são só estúpidos. Mas existe, no entender da companhia, por exemplo, quando há atrasos nos voos, uma grande propensão para os passageiros consumirem álcool em excesso enquanto esperam. Este mês a Ryanair revelou que estava a processar um passageiro, que não foi identificado, por 15 mil €, numa tentativa de recuperar os custos por causa de um voo que ia de Dublin para Lanzarote e foi desviado para o Porto e a companhia teve custos de 7 mil € em hotel para as dormidas dos passageiros e da tripulação, 2500 € pela aterragem e também pelos custos no aeroporto do Porto e cerca de 1800 € também pelo custo de substituir a tripulação e também por causa de restrições nas horas de voo. A Ryanair está também a exigir a este passageiro cerca de 800 € por Excesso dos gastos com o combustível e também por ter perdido uma estimativa de €750 naquelas vendas dentro do avião, no interior do avião, aquelas vendas das companhias aéreas, e ainda mais de €2.500 em custas legais em Portugal. E diz a Ryanair que nada disto teria acontecido se houvesse este limite ao consumo de bebidas alcoólicas. É um apelo que a companhia aérea faz. É verdade, têm existido vários destes problemas.

Sabes que vamos começar a beber em casa, ao pequeno-almoço.

Mas isso se calhar já não entra no aeroporto.

O dia já não vai dar para ver.

Não entra no aeroporto. Bem, uma coisa é certa, a Ryanair está a processar este passageiro que causou os problemas. Não sabemos se vai haver daqui alguma medida por parte das autoridades para impor algum tipo de restrição, mas fica a sugestão, claro, do interesse da companhia aérea e, eu diria, do interesse também dos outros passageiros que, bebendo ou não bebendo, se comportam e não causam o desvio de aviões da sua rota normal.

E querem ter direitos ao destino, como é evidente. Não é? Só uma nota muito breve.

Acabar só beber mais um copinho.

Mais um, mais um. Três, vá. Pronto.

Podemos beber à saúde do Oliviero Toscani. À saúde, à memória, já. E de facto, essa nota de obituário, se quisermos, a notícia foi de ontem, é um nome que não dirá muito a gerações mais novas, este de Oliviero Toscani, fotógrafo italiano.

Não é o nosso caso.

Não é o nosso caso.

Podes falar à vontade.

É verdade. Ele tornou-se uma pop star, verdadeiramente, nos anos 80 e 90. Por quê? Porque ele foi o responsável, era o fotógrafo responsável pelas campanhas publicitárias da Benetton, da marca de roupa Benetton, italiana, consideradas na altura muito revolucionárias e muito provocadoras. Ele nasceu em fevereiro de 42, portanto, norte de Itália, em Milão, tinha 82 anos, e ele construiu a carreira com base mesmo na provocação. Já agora, a Benetton, nos anos 80 e 90, era uma marca de roupa aspiracional.

Completamente. Isto está no seu auge.

Muito mais do que é hoje. No auge. Havia poucas lojas.

Era uma camisola da Benetton.

Exato, era status ter uma camisola da Benetton. Aliás, havia o Benetton escrito, havia um modelo escrito em grandes letras na frente das T-shirts e dos polos. E portanto, tinha o status que não tem hoje. A par da Nike, na altura, também, que estava a crescer imenso. Havia a histórica Adidas, a Nike estava a crescer. E portanto, ter uma Benetton, uma camisola Benetton, uma roupa Benetton, era status. E de facto, as campanhas mexeram o mundo, tiveram uma escala mundial, desde mostrar uma mulher negra a amamentar uma criança branca em 89, um homem a morrer de Sida no leito de morte com a família ao lado, uma freira a abraçar um jovem padre em 92, reclusos no corredor da morte dos Estados Unidos já em 2000, e uma jovem que sofria de anorexia em 2007. Tudo imagens choque, de alguma maneira, ou que abalavam os status, e dentro daquele slogan United Colors of Benetton, que era ao mesmo tempo um slogan a apelar, de facto, à inclusão e a temas que vieram a ter mais força depois. Morreu, então, o Oliviero Toscani. Ele que dizia que não tinha medo de morrer. "Não tenho medo de morrer", dizia ele, "desde que não seja doloroso." Morreu devido a uma doença degenerativa. E é um ícone dos anos 80 e 90 que ficará para sempre.

E fica a imagem, exatamente. E as campanhas da Benetton ficam mesmo.

Mesmo, sim. Falávamos imenso sobre elas, não era?

Sempre.

Está no Observador.

Neste caso, está no Observador.