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Começa agora a conferência de imprensa das manhãs 360. Olhemos para algumas notícias que lhe possam ter escapado.

E eu vou aqui a uma notícia, o tema deve ser do agrado de muitos portugueses e não só. Agora, o conteúdo da notícia é que é capaz de ser um pouco preocupante. Estou a falar de gelados. Quem é que não gosta de um geladinho?

Já até penso.

E não só no verão. Antigamente havia aquele hábito.

Lá em casa comemos lá do ano todo.

Do ano todo. E muitos portugueses consomem cada vez mais gelados durante o ano todo. Só que há aqui um problema: é que os sabores tradicionais, aqueles preferidos dos portugueses, podem estar em risco devido ao cultivo, às alterações climáticas e também a outros problemas. Esta notícia está no Público. O Público ouviu uma professora da Faculdade de Ciências de Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto, a Ada Rocha, sobre este tema. E, por exemplo, o chocolate, quem é que não gosta de um geladinho de chocolate?

Eu não.

Claro que sim.

Não gostas?

Não.

Não gostas de chocolate, mas gostas de baunilha.

Baunilha, sim. Gosto mais de nata. Entre baunilha e nata, eu gosto mais de nata.

Esse acho que não está em perigo.

Não há problemas.

Pronto, safa. Pode continuar a engordar.

O chocolate, que é um dos sabores mais apreciados a nível mundial, pode estar em risco. O cacau é uma cultura característica de regiões com temperaturas médias superiores a 15 graus e é muito sensível, quer ao aumento das temperaturas, quer ao estresse, ao chamado estresse hídrico. E também tem havido alguns problemas que derivam dessas alterações. Baixou a oferta global devido a essas condições climáticas adversas, a árvores envelhecidas, pragas, doenças, e nós sabemos como o preço do chocolate, o cacau, tem aumentado brutalmente nos últimos anos. É verdade. Em 2023, o preço do cacau negociado em Londres disparou mais de 45%, no nível mais elevado nos últimos 46 anos. E em 2024 e 2025, os preços aumentaram ainda mais. Isto é a lei do mercado a funcionar, há menos oferta, aumentam os preços. Já o cultivo da baunilha também requer condições muito específicas para garantir a produção de alta qualidade. O maior produtor mundial de baunilha, não sei se sabem.

Não sei, por acaso não sei.

É Madagáscar. É verdade, e tem sido vítima de ciclones e tufões nos últimos anos, o que põe em causa o cultivo da baunilha. Em 2012, isto é impressionante, o preço do quilo desta especiaria rondava os €42. Em 2012. Em 2018, este valor ascendeu a €500. É verdade. Eu não fazia a mínima ideia. E claro que o aumento do valor destas plantações de baunilha provocou, em Madagáscar, um aumento de uma onda de assaltos e violência, aquilo é como se fosse ouro. Mas nem só os fenômenos meteorológicos extremos têm causado a destruição de centenas de plantações. Há a constante busca por solo fértil, que tem levado também à progressiva destruição da floresta. O café tem tido problemas semelhantes. Também temos acompanhado a evolução do preço do café, tem aumentado bastante, e também é um dos sabores nas geladarias portuguesas, muito apreciado pelos portugueses. E o Brasil é o maior produtor do mundo e as más colheitas também têm efeitos no preço. O aumento da temperatura global tem dificultado o cultivo de variedades delicadas de café. Em 2021, o Brasil também enfrentou uma seca severa, que desencadeou um aumento de 70% dos preços de café. Todos nós temos sentido no bolso. Este consumo, que em Portugal é elevado e não é, claro, só pelos gelados, nem é sobretudo pelos gelados, tem um impacto ambiental. O nível de consumo dos portugueses pode levar à destruição de 2700 ha de floresta em várias regiões do mundo, o consumo total de café. No entanto, por agora, e esta é a parte boa da notícia para quem gosta de gelados, os sabores favoritos de gelados estão salvaguardados. O Público contactou diversas geladarias portuguesas e a resposta foi que não têm, para já, existido quebras no fornecimento de ingredientes que afetem a produção. As coisas poderão mudar.

Acaba é de ficar mais caro, não é?

Pois, passa por aí, o aumento dos preços, mas pelo menos os sabores estão lá.

Vão andar por aí.

Capaz de pesar um pouquinho mais no bolso.

Na carteira.

Eu por acaso do chocolate e do café tinha noção, da baunilha não tinha esta noção.

Mas é um preço, não fazia a mínima ideia do aumento.

Então desse aumento de 2012 para 2018.

Olha, eu trago um tema mais pesadinho. Peço desculpa.

Sim, faz parte, é do nosso dia a dia.

E numa altura em que a Rússia intensifica as operações militares na Ucrânia e parece também cada vez mais longe um cessar-fogo na região, com as trocas de argumentos que temos visto entre Donald Trump e Vladimir Putin, por exemplo. Eu fui ao El Mundo, que tem em destaque uma reportagem na frente da guerra na Ucrânia. O jornal visitou dois hospitais de campanha na frente mais dura, à frente de Pokrovsk, naquilo que é descrito como um triturador de carne. Este é o título desta reportagem.

E as imagens são bem impressionantes.

São impressionantes. O enviado do El Mundo teve 48 horas para estar em dois hospitais diferentes, sob duas condições: a primeira, não perturbar a equipa, naturalmente, a outra, não revelar também os locais em que esteve. E o jornalista conta que, exaustos, em menor número e submetidos a terríveis privações e perigos constantes, os soldados ucranianos continuam a lutar sem abandonar as posições por semanas, numa luta sangrenta contra o invasor russo. E num dos hospitais de campanha, por exemplo, um dos médicos pergunta ao jornalista sem perder o sorriso: "Quer ver a guerra de verdade? Bem, este é o lugar e esta é a hora". Nestes hospitais, há uma espécie de triagem implícita. Quem consegue gritar não está assim tão mal, porque quem precisa de atenção imediata é quem já não consegue reclamar. Portanto, acaba por ser uma triagem quase natural, numa altura em que muitas pessoas continuam a chegar a estes hospitais de campanha a todo minuto. Por exemplo, no dia anterior, em que o jornalista esteve neste hospital de campanha, foram atendidas mais de 100 pessoas. Naquele dia eram esperadas ainda mais do que essas, sendo que os médicos dizem que em todo este tempo de guerra, já são quase quatro anos, nunca viram tantos militares a chegar em tão poucas horas. Portanto, isto mostra bem o intensificar do conflito e o intensificar das operações militares da Rússia na Ucrânia. A equipa médica admite que está exausta, mas vai tentando manter o bom humor no meio de tudo isto. É uma longa reportagem com fotografias, como dizias, Maria João, impressionantes.

É mesmo logo a abrir.

Logo a abrir, pessoas feridas em macas, em várias zonas destes hospitais improvisados, quase. E lembra-se também que a operação especial militar russa, que deveria durar três dias, já está no quarto ano. Donald Trump prometeu acabar com a guerra em 24 horas, já parece estar a recuar. E a deixar nas mãos do novo papa aquilo que se vai passando na Ucrânia. No entanto, este jornalista escreve que o povo ucraniano continua a lutar por cada centímetro da sua terra. Há soldados recrutados com mais de 50 anos, que se misturam com voluntários na faixa dos 20, num esforço hercúleo para manter posições estratégicas. Este é um trabalho que vale a pena ler no El Mundo, porque já são muitos anos de conflito. A tendência é acabarmos por perder um pouquinho este fio do que se passa na linha da frente, quando temos a dar essas notícias da troca de argumentos, o está louco, não está louco, e depois esquecemos do terreno.

E mesmo quando se fala dos ataques, e há notícias sobre ataques, sobretudo dos ataques russos sobre a Ucrânia, nunca se tem uma ideia tão precisa como, por exemplo, logo no início da guerra, em que víamos imagens e em que havia uma atenção muito maior e muito mais detalhada.

E o El Mundo faz agora esse trabalho e volta a estes hospitais de campanha e fazer esta descrição do que se passa no terreno.

Vale a pena ver, sim.