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Este é Conquistar o Futuro, o podcast do Observador em parceria com a Universidade Lusíada, onde olhamos para a forma como estamos a preparar e a formar a próxima geração e as lideranças do futuro mais próximo. Os convidados deste episódio são Pedro Passos Coelho e Álvaro Matias. Pedro Passos Coelho, gestor, economista, professor universitário, político. Todos sabemos que foi primeiro-ministro, mas não é nessa qualidade que aqui o temos, antes na de ex-aluno da Universidade Lusíada. E Álvaro Matias, professor economista também, diretor da Faculdade de Ciências da Economia e da Empresa, precisamente da Universidade Lusíada. Eu sou o Paulo Ferreira, dou as boas-vindas a ambos. É um gosto tê-los aqui. Pedro Passos Coelho, começando por si, o nosso sistema de ensino, sobretudo o ensino superior, está a preparar bem os jovens que vão ser líderes do futuro para as exigências de hoje?

É uma pergunta a que é difícil responder com muita segurança. Cada escola fará, com certeza, o melhor que sabe, com a experiência que vai adquirindo para justamente formar o melhor futuro possível para os jovens que procuram a universidade. No caso da Economia, julgo que as escolas enfrentam um desafio bastante grande, que tem que ver com as grandes mudanças que o próprio sistema económico está a viver. Eu costumo dizer que o mundo muda demasiado depressa para aquilo que a universidade pode acolher.

E acompanhar, claro.

E esse desfasamento existe. Basta dizer que, como em tudo, nós temos de ter profissionais que se tenham firmado na área e que possam elaborar uma proposta de acordo com aquilo que os reguladores acham que faz sentido de ensino, pensando com isso preparar os futuros profissionais que depois a economia irá acolher. Simplesmente, a forma como a universidade se vai adaptando às novas exigências é, apesar de tudo, mais lenta, porque tem maior rigidez do que a economia que, apesar de tudo, é mais flexível.

Claro.

Portanto, os desafios são grandes. Não é só na economia, mas são muito grandes, porque o mundo está realmente numa fase de grande mudança. Nós quando olhamos para a economia, percebemos que tudo mudou nos últimos 200, 250 anos. Quando comparamos a história económica do longo prazo, da longa história com o que se passou nos últimos 200, 250 anos, o contraste é imenso. O mundo moderno, como o conhecemos, começou há muito pouco tempo, na verdade, e o mundo começou a crescer significativamente há muito pouco tempo.

Que época é?

No tempo histórico. Ali algures pelo século XIX, depois da grande primeira fase da industrialização. E estamos a viver uma outra fase desse tipo, que não sabemos ainda muito bem como é que vai evoluir com a robotização, com a inteligência artificial. Isso não muda as leis económicas, evidentemente, quando muito, a economia vai mudando e pode trazer outras regras e outras leis. Mas é muito difícil as instituições anteciparem essas mudanças e, sobretudo, prepararem os profissionais para um mundo que ainda não está estabilizado.

Deixe-me pegar precisamente nesse ponto, Álvaro Matias. No ensino concreto da Economia e da Gestão, como é que a evolução se tem dado, nomeadamente no conteúdo dos currículos dos cursos? Em que sentido é que tem sido essa evolução, esta adaptação?

Sim, pegando um pouco no que o professor Pedro Passos Coelho acabou de referir, nós precisamos de aproximar a academia cada vez mais ao mundo empresarial. É uma grande dificuldade no nosso país, tem sido ultrapassada por algumas instituições de ensino superior. No exterior, nas universidades de referência com que nós gostamos de comparar, isso faz-se melhor, nomeadamente nos Estados Unidos e nalgumas instituições europeias anglo-saxónicas. Nós, na Universidade Lusíada, procuramos fazê-lo cada vez melhor. Temos desenvolvido um esforço muito importante de ligação à prática, com estágios, com projetos reais com empresas, duplas titulações e uma grande cultura de proximidade com o corpo docente, que é uma das marcas da casa, é uma matriz nossa.

E a abertura das empresas também para essa ligação às universidades.

Existe cada vez mais, mas é verdade que a cultura em Portugal não tem sido essa nas últimas décadas e é uma dificuldade com que nos defrontamos, mas devo dizer que nos anos mais recentes sente-se cada vez menos. E esse é um aspeto que nos preocupa. Os conteúdos têm que ser cada vez mais exigentes do ponto de vista curricular. Temos que acompanhar as grandes tendências internacionais, temos que ter a preocupação de não perder rigor académico, mas fazer tudo isso em cooperação com o mundo empresarial.

Claro.

Eu devo dizer que, por exemplo, em duas das nossas licenciaturas, na licenciatura em Turismo, em particular, e também em Marketing, já temos protocolos estabelecidos com diversas empresas, em que os nossos alunos no último semestre, os finalistas, têm a oportunidade de fazer estágios curriculares nas empresas.

E, portanto, passam as pessoas mãos na massa logo.

Exatamente. E de resto, isso tem-se verificado com grande sucesso Demonstrado no fato de, no último ano, no ano que estamos agora a terminar, termos alguns alunos que no final dos estágios, que são de natureza meramente curricular, terem sido convidados para ficar empregados nas próprias empresas, o que nos apraz registrar.

Claro, e abona a favor da empregabilidade, que vamos falar com mais detalhe daqui a pouco.

Ó Paulo, mas já agora, o professor Álvaro Matias estava a falar das evoluções que o ensino tem tido. Eu também fiz o meu curso na Universidade Lusíada, há umas dezenas de anos, e agora também sou lá professor. E noto que, mesmo do ponto de vista curricular, há alterações significativas que foram trazidas pelo que aconteceu no mundo. Eu recordo-me, por exemplo, quando se estudava política econômica há 20 ou há 30 anos, não se falava da estabilidade financeira. Por quê? Porque não tinha havido ainda a grande crise financeira. A maior parte dos livros que os estudantes tinham à sua disposição para estudar política econômica, nem sequer falavam da dimensão financeira da economia. Tirando aqueles alunos que depois seguiam finanças e iam para os mercados financeiros, tirando essa gente, a generalidade dos alunos de economia não fazia ideia nenhuma do que é que eram os desafios, por exemplo, à política monetária da estabilidade financeira. Por quê? Porque isso não se estudava. E diga-se de passagem, os estudos acadêmicos que existiam não estavam integrados numa perspectiva de política econômica, numa perspectiva, portanto, de resposta coordenada da política econômica aos problemas financeiros. Isso hoje acontece.

Pedro, se me permite, tirando o famoso Rubini, ninguém antecipou a crise de 2008.

É verdade, muito pouca gente.

E desde que mesmo o Rubini teve que fazer 10 previsões para acertar em duas ou três.

Exatamente.

E quem fala disto, fala dos problemas da economia comportamental, que se desenvolveu brutalmente nos últimos anos, deu alto nos Prêmios Nobel, e que hoje está integrado razoavelmente no ensino, naquilo que nós ensinamos aos nossos alunos, mas que não existia há uns anos atrás. Ora, nós sabemos que mesmo para aqueles que se dedicam, sobretudo, à macroeconomia, que os fundamentos microeconômicos são importantíssimos nas respostas que, nomeadamente, as políticas públicas podem oferecer. Ora, estas matérias eram pouco estudadas, a não ser por microeconomistas. Não havia uma grande integração destes problemas na área macroeconômica e hoje há. Isso só pra dizer, portanto, que a universidade fez uma evolução bastante grande, integrando nas suas abordagens aquilo que foram grandes acontecimentos que a economia registou nas últimas dezenas de anos, mas evidentemente temos mais dificuldade em antecipar o que aí vem. E, portanto, eu diria o seguinte: a universidade hoje tem um grande desafio, que é sobretudo o de conseguir que os seus alunos aprendam a pensar. É o mais importante que há, porque tudo vai mudando e evoluindo a uma velocidade cada vez maior.

E, portanto, no fundo, é dar ferramentas para que essas ferramentas sejam utilizadas em novas circunstâncias depois.

Tal qual. Por quê? Porque o conhecimento dos factos, se quiser, a dimensão quantitativa, que está, nomeadamente, na base da economia, o essencial da investigação da economia, olhar para os factos, ver o que é que se passou, tentar encontrar explicações, com isso, ver se conseguimos explicar um pouquinho melhor o que vem pra frente, é a natureza da ciência, nem sempre conseguimos, mas tudo isso é cada vez mais facilmente realizado por máquinas, por algoritmos. O que não é feito por algoritmos, julgo eu, é a capacidade de testar hipóteses, de pôr problemas, de abordar racionalmente e inteligentemente as situações.

Novas situações, sobretudo.

E os algoritmos são ferramentas fortíssimas à nossa disposição para podermos ser mais bem-sucedidos. Mas não são, por enquanto, julgo eu, os algoritmos que resolvem estes problemas. Portanto, se nós conseguirmos que os nossos alunos sistematicamente tenham uma abordagem diferente a pensar, se souberem problematizar as questões e aprender o caminho adequado pra lhes dar resposta, depois será mais fácil com as ferramentas que hoje existem, ser mais bem-sucedidos.

Deixe-me pegar no tema da tecnologia. Álvaro Matias, a tecnologia é vista como uma ameaça, isto em contexto acadêmico, se quiser, uma ameaça como uma prioridade a incorporar na universidade. Como é que olham para esta dualidade?

Com muita naturalidade. Eu, aliás, vou pegar nas palavras do professor Pedro Quaresma Passos Coelho, cuja excelência do ponto de vista do desempenho político nós já conhecemos, mas a sua excelência acadêmica é um fenómeno mais recente e temos um gosto muito especial em o ter conosco na Universidade Lusíada há já alguns anos e esperamos que muitos mais. O que eu vou te dizer sobre esta questão dos nossos novos desafios tecnológicos, das novas formas de abordar questões complexas, da utilização da inteligência artificial, e foi, de resto, referido um aspecto que pra mim é crucial, que é: o que nós mais proporcionamos nas universidades é ensinar os alunos a pensar, porque hoje em dia o conhecimento, os dados, a tecnologia, é de livre acesso. E, portanto, não é tanto isso que as universidades devem proporcionar, mas sim os elementos para permitir que os alunos fiquem dotados de instrumentos para que assim que a evolução os ultrapassar, a tecnologia, a inovação, eles tenham, de facto, a capacidade de pensar sobre novas situações e as ultrapassar. Há 10 anos nós não falávamos de inteligência artificial, de ESG, de plataformas digitais, de modelos de negócios baseados em dados.

Algoritmos, essa coisa. Algoritmo era um termo antigo.

Exatamente, era tudo novo. Hoje em dia os nossos alunos têm que estar preparados pra essa exigência e pra resolver problemas novos. E é muito nisso que nos focamos. Pensando concretamente em coisas como o ChatGPT, como é que se adequa ao ensino universitário.

Nomeadamente a questão da fraude, que é uma grande preocupação do mundo académico.

Sim, mas antes disso eu diria que é um instrumento pedagógico e tem que ser encarado como tal. Eu costumo dizer aos meus alunos, eu ensino com base também no ChatGPT nas minhas aulas e recomendo isso aos nossos professores, porque é uma inevitabilidade, faz parte do nosso dia a dia. Eu diria que a revolução que o Google nos trouxe aqui há umas décadas atrás, nós falamos muitas vezes em perguntar ao senhor Google, agora é perguntar ao senhor ChatGPT, e ele dá-nos as respostas se nós soubermos fazer as perguntas. Portanto, a investigação, tudo o que tem que ver com as atividades de criação de valor acadêmico, tudo isso hoje tem que ser feito com recurso também a estas novas tecnologias que não podem ser ignoradas, sob penas de ficarmos atrasados no tempo.

Claro, têm que ser incorporadas. Pedro Passos Coelho, temos que incorporar a tecnologia no ensino, sem dúvida, mas de uma forma muito aberta e às vezes deixando de ter receio daquilo.

Isso é um grande desafio a vários níveis. Em primeiro lugar, como o professor Álvaro Matias estava a dizer, é pressuposto que os alunos hoje tenham uma grande facilidade em recorrer a essas tecnologias, tal como os professores, mas enfrentam dificuldades diferentes no acesso a essas tecnologias. Os professores, quanto mais velhos são, mais dificuldade têm em lidar com estas novas ferramentas. E, no entanto, têm muitas outras coisas importantes a dar à academia e aos alunos. E, portanto, eu julgo que as instituições devem fazer um esforço também de procurar auxiliar os seus professores, sobretudo os professores mais velhos, em poder aceder com mais facilidade a essas tecnologias. Aqueles que o fizerem terão mais vantagem, porque terão professores que mais facilmente integrarão o recurso a essas ferramentas nas suas aulas.

Claro, vão prestar um melhor serviço.

Nem todos têm essa possibilidade. Mas há um segundo aspecto muito importante e que tem relevância pedagógica. É que de cada vez que nós damos um salto quântico, e este que estamos a dar é um salto quântico, na utilização destas ferramentas, isso tem um potencial enorme para aumentar brutalmente as desigualdades. Digamos que o talento, que é, por definição, uma característica inata que as pessoas têm, há pessoas que têm mais talento do que outras para certas coisas. Não há ninguém que tenha talento para tudo, como é evidente. Mas quando estamos a falar, por exemplo, no ensino da economia, em gente que, muito talentosa, tem hoje possibilidade de aceder a estas ferramentas de uma forma mais inteligente, dispõe de melhores condições para progredir do que os outros. E se nós, na universidade, não temos que estar, em primeira linha, preocupados com as desigualdades que se geram, porque elas não são promovidas pela universidade, estas, no entanto, a universidade pode ajudar a aumentar. E mais uma vez, isto não se faz limitando a capacidade de progressão dos mais talentosos, como é evidente.

Isto é, não se pode nivelar por baixo.

Ora aí está. Mas temos de ter uma resposta a pensar naqueles que, tendo menos talento, precisam de ter alguma ajuda para poder retirar o melhor proveito destas ferramentas também.

Para cumprir esse gap.

É o problema da integridade académica. Hoje não é difícil ver quem são os bons alunos que fazem bons trabalhos recorrendo ao ChatGPT e quais são os maus alunos que fazem maus trabalhos recorrendo ao ChatGPT.

E também aí se vê a diferença.

Os trabalhos, claro, resultam de uma forma muito diferente. A integridade académica é tão facilmente detectável no fim do dia, para quem disponha também das ferramentas adequadas para o fazer, quando é mal utilizada, quando há batota, digamos assim, como antigamente, para qualquer outro processo. O problema aqui está em que os alunos não têm o mesmo proveito a utilizar, como dizia o professor Álvaro Matias, e muito bem, saber fazer as perguntas e saber dar as instruções aos algoritmos faz muita diferença para o trabalho que eles depois nos podem devolver. E, portanto, a universidade também tem um papel importante a desempenhar a este nível. Agora, há uma coisa que convém dizer aqui, julgo que todos estaremos de acordo, é que as universidades recebem jovens a partir dos 18 anos. Mas aos 18 anos, as pessoas já têm razoavelmente a sua personalidade formada, já foram treinadas ou para pensar ou para repetir, ou para se aliarem das coisas. E há um trabalho muito importante que as universidades só podem fazer se os níveis de ensino que estão a montante da universidade também o fizerem. E, portanto, as universidades serão tão mais bem-sucedidas quanto as escolas do ensino básico e secundário forem também nestes aspectos que nós estamos aqui a falar, sendo que não é possível introduzir ou não é desejável introduzir estas ferramentas em qualquer tempo dos diversos níveis de ensino.

Claro, isso é uma questão de matéria-prima também.

Tal qual.

Álvaro Matias, como é que está a empregabilidade dos licenciados nestas áreas de economia e gestão? Tem ideia da facilidade maior ou menor que há em entrar no mercado de trabalho?

Poderei falar melhor da minha própria faculdade.

Sim, sem dúvida. Vamos ficar, falar da Lusíada, nomeadamente da faculdade de Economia.

No nosso caso, na Faculdade de Ciências Económicas e Empresariais, estamos muito bem a esse respeito. Em média, isto são dados de 2020 a 2023, os que eu tive acesso, temos uma empregabilidade superior a 97% em todos os cursos.

É quase total.

É quase total, com destaque para o curso de Gestão de Turismo, com 98,4%. E isto leva-me a voltar a falar de algo que já referi há pouco, que é a nossa preocupação com a proximidade com as empresas e com o mercado de trabalho.

Também ajuda a empregabilidade, depois.

Ajuda muito.

Não só na preparação, como em outras.

Nós temos um programa de estágios curriculares para alunos finalistas, de que já falei. Este ano tivemos, por exemplo, 30 vagas protocoladas. Não sei se posso referir alguns exemplos. Julgo que é merecedor, dado que são empresas que trabalham diretamente conosco e conosco colaboram. Neste caso, Portucale, Hotelsnal, nomeadamente o Palácio do Governador aqui em Lisboa, a Top Spa, o Wine & Books, o Grupo Pestana, são exemplos, há mais, de grupos que protocolaram conosco.

E que é um setor em forte crescimento e, portanto, nós sabemos que precisa também de profissionais.

Exatamente, e que nós temos feito isso.

E de mais qualificações, de pessoas mais qualificadas, porque nós só podemos crescer no turismo em valor e, portanto, para crescer em valor é preciso ter capital humano. E essa, a universidade tem boas condições para oferecer.

Muito bem, vamos chegar ao fim deste nosso episódio. Pedro Passos Coelho, um conselho a um aluno de primeiro ano de Economia e Gestão, para que venha a ser um bom economista ou um bom gestor.

Ora bem, eu acho que devemos, isto é muito discutível, mas devemos sempre olhar para os factos. O melhor que um economista pode fazer é olhar para os factos e depois tentar interpretá-los, contextualizá-los, com certeza, isso ajuda-nos a perceber o que está a acontecer, mas não ignorar os factos. Eu direi tão importante para os economistas, para os futuros economistas, como para os futuros decisores. O wishful thinking é uma péssima ideia, porque todos aqueles que já levam preconceitos demasiado enraizados, abstraem-se, às vezes, daquilo que é e focam-se apenas naquilo que gostariam que fosse. Mas as coisas só são como nós gostaríamos que fossem, ou só se aproximam daquilo que gostaríamos que fossem, se pelo menos soubermos como é que é. E, portanto, olhar desapaixonadamente para os factos, para os números e reconhecê-los é a primeira fase do sucesso, de ser bem-sucedido.

Muito bem.

E, portanto, não se deixar enganar. E a segunda coisa, como eu já disse aqui há pouco, é treinar a abordagem das coisas criticamente. E, portanto, saber pensar, saber fazer as perguntas e depois, evidentemente, essa é a última coisa, mas muito importante, e eu creio que em qualquer área disciplinar e, portanto, na universidade de um modo geral, ter valores. Porque nós temos muitas formas de atingir objetivos. Na vida, como na política, como na economia, como na gestão, não há apenas uma resposta para um problema que possa existir, há várias respostas, todas têm as suas vantagens, todas têm os seus inconvenientes, mas quem decide, quem está a preparar decisões, quem está a propor caminhos, tem que ter valores. Tem que saber para que é que quer obter as respostas e como é que quer que as coisas se passem. E isso reflete os princípios que temos e os valores que temos. Há muitas maneiras de fazer as coisas e nós provavelmente não gostaríamos, de uma boa parte delas, de ficar associado a essa maneira de resolver problemas. Portanto, ter um bom sistema de valores e de princípios é fundamental. Isso não cabe à universidade ensinar, evidentemente, mas cabe recomendar aos alunos que sigam princípios e valores, porque é isso que dá sentido à vida.

Álvaro Matias, a mesma questão, para terminar.

Sim, a minha tarefa fica facilitada, porque vou pegar nas últimas palavras do professor Pedro Passos Coelho, porque de facto este aspeto dos valores é fundamental. Nós, na Universidade Lusíada, temos uma visão humanista, de integridade, de compromisso social, que procuramos passar aos nossos alunos. Aliás, é importante dizer que temos uma matriz própria, mesmo em termos dos conteúdos curriculares. Eu refiro aqui duas disciplinas que se mantêm conosco há dezenas de anos e manterão para o futuro. Uma é Ética e a outra é a História da Cultura Portuguesa, que julgo que, tanto quanto sei, não são ensinadas na concorrência.

Não são, pelo menos em volume, claro.

Porque tem a ver com isso, tem a ver com formar pessoas, para além de formar alunos, porque o acesso ao conhecimento hoje é mais fácil. Agora, as qualidades humanas, os valores, são muito valorizados no mercado de trabalho. E outro aspeto que nós não podemos esquecer é que a evolução atualmente é de tal forma rápida que muitas vezes, quando os nossos alunos terminam os seus percursos académicos, de três ou de cinco anos, e cada vez mais são cinco anos, devido aos mestrados integrados ou não, é difícil ir para o mercado de trabalho sem mestrado. Quando se termina o percurso académico e nos dirigimos ao mercado de trabalho, muitas vezes a realidade já mudou e aquilo que nós estudamos já não é exatamente o que vamos encontrar. Possivelmente, aqui há não mais do que sete ou oito anos, nós não pensávamos em profissões que hoje existem, como seja gestor de redes sociais, o que é isso, não é? Portanto, os alunos têm que estar preparados para usar os seus conhecimentos em situações novas e, lá está, eu julgo que terminaremos como começamos. É importante ensinar os alunos a pensar, isso é o que eles levam da nossa universidade e é a grande ferramenta para o futuro.

Muito bem, foi um gosto tê-los aqui, Álvaro Matias, Pedro Passos Coelho, neste podcast. Este é o "Conquistar o Futuro", o podcast do Observador em parceria com a Universidade Lusíada. Voltaremos proximamente com novos convidados e novo tema. Até lá.