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Ideias Feitas na Rádio Observador com Alberto Gonçalves. Olá, Alberto, bem-vindo.

Olá, Ricardo. Obrigado.

E hoje queres ir ao protesto e à forma como acabou esta madrugada o protesto na Praça D. João I, no Porto.

É, acabou mal, pelos vistos, pelo menos para quem protestava. Mas antes de serem, e eu gostava de notar aqui um ponto, antes de ser barbaramente escorraçados pela polícia, os campistas que tinham montado as tendas na Praça D. João I, no Porto, para quem não sabe, gritaram um slogan antigo, pelo menos foi o que eu vi num vídeo, e esse slogan, salvo erro, nasceu no Chile de 73, quando do Estado do Pinochet: "O povo unido jamais será vencido, nunca mais será vencido." Há variantes. E neste caso, ao gritarem o slogan, cometeram duas imprecisões. Uma é que os campistas foram vencidos num instante. E a outra imprecisão é que aquilo não era, nem de perto, nem de longe, o povo unido, era apenas uma reunião, imagino eu que da totalidade dos eleitores do Bloco de Esquerda do Distrito do Porto e se calhar guarnecida com alguns elementos simpatizantes do Livre para fazer número e chegar a uma centena ou duas centenas ou lá quantos é que eles eram. De qualquer maneira, o que se constata, desde logo, é que os problemas habitacionais não afetam, pelo menos para aquela banda ideológica, não afetam apenas a hipotética avó das doutoras Joana e Mariana Mortágua. Pelos vistos, os próprios militantes de base do Bloco de Esquerda veem-se obrigados a esgotar o stock da Decathlon, o stock de tendas e sacos-cama, presumo, não sei, e a preencher com o acampamento um bocadinho pequenino ali da Baixa Portuense. E de fato, a habitação está caríssima e é pena que os senhores e as senhoras do Bloco de Esquerda não tenham pensado nisso antes de lutarem pela aprovação daquele adicional ao IMI, também conhecido por Lei Mortágua, antes de terem lutado por medidas que desmotivaram o aluguer e a construção de casas e antes de terem aplaudido a entrada em Portugal de um milhão e tal de imigrantes em poucos anos. Se calhar estas coisas, parecendo que não, complicam e fazem subir os preços da habitação. Outra coisa simpática é que mesmo sem um teto sob o qual dormir, aparentemente, a rapaziada da extrema-esquerda não deixa de se preocupar com o sofrimento alheio, desde que esse sofrimento coincida com o dos habitantes de Gaza e só de Gaza e de mais nenhum lugar do mundo. Aliás, o planisfério daquela rapaziada deve incluir somente uns dois ou três países hoje em dia. Portugal, porque sim, porque vivem cá, Espanha, por causa do senhor Sánchez, que está a um passo de ser canonizado por eles, e o bocado do Médio Oriente onde estão Gaza e a Cisjordânia e onde não deveria estar Israel. O resto, como dizia a canção do Tom Jobim, é mar. E agora falando sério, como dizia outra canção, esta do Chico Buarque, hoje estou em maré de citações de canções brasileiras antigas, o acampamento da Praça D. João I foi a tradução possível e em português do caos em que está afundada alguma Europa. O Bloco de Esquerda, que está mais morto que moribundo, viu nesse caos, no caos europeu, uma oportunidade para ressuscitar, mas infelizmente para eles, tudo o que conseguiram foi juntar umas dúzias de desocupados com escasso apreço, aparentemente, pelo menos pelas imagens que eu vi, pela higiene pessoal e pela saúde pública. E no final vieram reclamar dezenas de feridos, naquele esforço habitual e habitualmente patético de produzir mártires. Não me parece que tenham conseguido, não me parece que uns arranhões em meninos mimados e convencidos de que o mundo lhes deve alguma coisa tenha produzido algum mártir, tenha saído algum mártir da Praça D. João I. E tudo isto, se virmos bem, é um sinal positivo de que em Portugal ainda não atingimos o clima de pré-guerra civil que se instalou em França e infelizmente não só em França. Mas é um sinal negativo daquilo a que a extrema-esquerda está disposta, que é conseguir pela violência o que cada vez menos consegue nas urnas. Não é exatamente uma novidade que os radicais procurem na rua o que outros alcançam através da democracia. O que preocupa é que hoje a extrema-esquerda deixou de fazer o que fez durante algum tempo e que era fingir que respeitava os procedimentos democráticos. Não respeita, nunca respeitou e não vai respeitar. No máximo, serviu-se da democracia enquanto a democracia lhe deu jeito, ou seja, enquanto lhe deu alguns votos. Sem os votos, a extrema-esquerda tende a regressar ao modus operandi natural: distúrbios, destruição, arruaças e por aí fora. É o caos. Tudo somado, é o caos e é o caos que eles desejam. Não conseguiram no Porto ou conseguiram apenas de uma forma muito mitigada, muito moderada, porque eram poucos. Esperemos que continuem a ser poucos e que para a próxima pensem duas vezes antes de sair de casa, a casa que eles, aliás, dizem não ter.

E até amanhã, Alberto.

Até amanhã, Ricardo. Um abraço.

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Penalty.

Não é nada penalty. Mentiroso!

Foi penalty!

Na Rádio Observador, as dúvidas não ficam no ar. Sempre que há jogo, o Pedro Henriques está cá, sem falta, depois de cada relato na Rádio Observador e sempre em podcast.

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Só os distraídos não terão notado. Vivemos num retângulo ralvado à beira mar plantado, um tapete arejado que se estende das redes às outras redes e às conversas de café. Está tudo rolado. Corral lá em ao pé. Liga Portugal Betclic. Em nome do futebol, vamos todos a jogo.

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