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Vamos às notícias. Notícias das 9, com edição de Carla Jorge Carvalho. Começamos com os protestos pela habitação no Porto. A PSP confirma que foi obrigada a intervir durante a madrugada devido a uma alteração da ordem pública, mas não confirma que haja feridos.
É o que avança à Rádio Observador, fonte oficial da PSP, depois do Movimento pela Habitação no Porto denunciar uma carga policial violenta durante a madrugada, na Praça Dom João I, onde desde sábado estão a decorrer protestos contra a crise na habitação, com os manifestantes a montarem tendas na rua. Numa publicação nas redes sociais, a organização dá conta de 37 feridos, dois deles em estado grave. Relata brutalidade e violência desproporcional por parte da polícia. De acordo com o movimento, a polícia só avançou depois da comunicação social sair do local e entre os feridos está uma pessoa com deficiência e vários participantes na concentração tiveram de ser hospitalizados. Contactada pela Rádio Observador, fonte oficial da PSP explica que a polícia teve de intervir durante uma alteração da ordem pública. Remete mais esclarecimentos para um comunicado que, entretanto, deve ser divulgado. O repórter Miguel Pinheiro Correia está na Praça Dom João I. Miguel, que cenário nos consegues descrever a esta hora, nove da manhã, há vestígios dessa manifestação?
Bom dia, Carla. A praça está completamente vazia, como há muito não se via. Há alguns, mas poucos vestígios desses protestos que aconteceram aqui na Praça Dom João I nos últimos dias. Víamos ainda alguns cartazes molhados pela água que os serviços municipais usaram pra limpar a praça. E há também aqui uma mensagem grafitada numa parede a dizer: "Isto não acabou". A mensagem quase já não se lê, porque os serviços municipais estão a pintá-la, sendo que há outra mensagem dentro desta mensagem, as primeiras quatro letras da palavra "acabou" estão sublinhadas numa referência a um acrônimo em inglês muito utilizado nos protestos contra a polícia. Essa tensão, essa posição de desafio representada também neste grafite, agravou-se ontem à noite e recordo aqui os episódios que levaram a esta nova retirada. Ontem houve uma manifestação aqui na Praça Dom João I, com centenas de pessoas. O movimento, depois dessa manifestação, decidiu voltar a montar as tendas, depois de terem passado os últimos dias aqui a dormir ao relento, desde que na segunda-feira, a polícia retirou pela primeira vez estas tendas. Já ontem, quando falamos com os organizadores, eles disseram que seria inevitável a ação da polícia ou pelo menos a retirada das tendas, porque eles, tal como aconteceu pela primeira vez no fim de semana, não tinham autorização para este acampamento. Houve uma tentativa dos manifestantes, e pudemos comprovar isso ontem à noite, de chamar cada vez mais pessoas para que formassem uma espécie de cordão humanitário e assim tentar evitar, ou pelo menos adiar a ação da polícia. E ontem, da parte da polícia, quando falamos com eles, foi-nos explicado que antes de partirem pra alguma ação, ou seja, antes de retirarem as tendas, iriam sempre tentar resolver este dilema pela via do diálogo, ou seja, numa via mais diplomática, tentando falar com representantes do movimento, que têm esses representantes definidos, para que retirassem eles as tendas e que não fosse preciso avançarem como acabou por acontecer. E a decisão não terá sido acatada. A polícia acabou por atuar. As imagens, entretanto, já têm sido partilhadas nas redes sociais. Nota-se alguma violência que resultou, pelo menos diz o movimento, em dezenas de feridos. Falam em 37. Ainda não há confirmação da polícia e há apenas uma confirmação dos bombeiros sapadores de que há dois feridos graves que foram levados pro Hospital Santo António. A verdade é que, pelo menos para já, aqui na praça, não conseguimos confirmar essa informação, porque já não há membros desse movimento. Eles dizem que hoje estão a descansar depois do que aconteceu na última noite e que eventualmente avaliarão a possibilidade de regressarem aqui com novos protestos. À polícia também ainda aguardamos algum esclarecimento para perceber ao certo o que aconteceu na última noite e tentaremos perceber também se há a possibilidade de isso se repetir.
É importante percebermos, de facto, o que pode acontecer a partir de agora, Miguel Pinheiro Correia, e também o que se passou exatamente na última noite. Para já, o repórter do Observador descreve uma praça vazia depois dos protestos que começaram no último sábado contra os preços da habitação. Os manifestantes exigem medidas como a reversão da lei do arrendamento, o fim do despejo das pessoas sem habitação alternativa e também tetos às rendas.
Também a marcar a atualidade, o governo procura um consenso para privatizar a totalidade da TAP e avisa que seria um erro histórico não avançar com a venda a 100%.
O ministro das Infraestruturas fala de uma obrigação moral para atingir o objetivo de vender a TAP na totalidade. Afirma que será o melhor para o país. Em entrevista à TVI e CNN Portugal, Miguel Pinto Luz avisa que quem bloquear o processo está a desperdiçar uma grande oportunidade.
Nós temos que encontrar esse consenso. Temos que apelar ao Partido Socialista, temos que apelar a maiorias na Assembleia da República que permitam isso com humildade. Este governo não é um governo majoritário, é um governo de maioria, mas relativa, e portanto, nós precisamos desses consensos. Como conseguimos construir o consenso para os 49,9? Mas agora temos tangível em cima da mesa uma proposta, uma proposta de sermos o segundo maior acionista do quarto maior operador do mundo e devolver aos portugueses 3,2 mil milhões de euros. Repare, um partido político que se coloque fora desta possibilidade está a perder a oportunidade de poder devolver aos portugueses os 3,2 mil milhões de euros, de ser acionista do grupo maior e de fazer da TAP, de facto, uma grande companhia.
Miguel Pinto Luz, ontem em entrevista à TVI e CNN Portugal. No mesmo sentido, na RTP, o ministro das Finanças avisa que seria um erro histórico não avançar com a privatização total da TAP e pede à oposição para que não bloqueie o processo.
Há a possibilidade apresentada pela própria Lufthansa, e a Air France também o fez, de uma segunda fase em que o Estado português se tornaria o segundo maior acionista da Lufthansa, com 5%. Seria um erro histórico para o país se isso não acontecer, e eu estou convencido que o país percebe o extraordinário valor que foi criado, a grande oportunidade. A aviação é muito importante em Portugal. Esta é uma oportunidade extraordinária que o país não pode perder.
Declarações do Ministro das Finanças à RTP no dia em que avançou a privatização parcial da TAP.
Este é um tema em destaque a esta hora no site do Observador e vai estar em análise já a seguir no Explicador. Recebemos Hugo Espírito Santo, secretário-geral de Estado das Infraestruturas. Mas primeiro, Carla, que outras notícias marcam a atualidade?
Uma nova sondagem da Intercampus para o Correio da Manhã, CMTV, Negócios e Now revela que há um empate técnico entre PS, Chega e AD nas intenções de voto dos portugueses para eleições legislativas. O Partido Socialista aparece no primeiro lugar com 22,5%, uma vantagem muito curta para o Chega, que reúne 22,1% das intenções de voto. A AD está em terceiro com 20%. Toma hoje posse o novo secretário-geral do Ministério da Administração Interna, o major-general Nuno Parreira da Silva, sucede a Ricardo Carrilho, que foi afastado por Luís Neves. Uma substituição marcada pela polêmica. O agora ex-secretário-geral do Ministério da Administração Interna fala no ato de retaliação e acusa Luís Neves de pressões ilegítimas. A marcar a atualidade internacional, o presidente da Ucrânia diz que se sente pessoalmente traído por Donald Trump, ao fim de quatro anos de guerra. Volodymyr Zelensky acusa o presidente norte-americano de tomar o partido da Rússia. Ao mesmo tempo, Donald Trump recusou classificar Vladimir Putin como um ditador. Foi num comício no Arizona. O presidente dos Estados Unidos diz que está em negociações para acabar com a guerra e que, por isso, não pode ridicularizar o líder russo.
E é o ponto final no Jornal das Nove, edição de Carla Jorge Carvalho. Já a seguir temos Explicador com Hugo Espírito Santo.