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A principal ideia que me ocorre é o combate à escassez de talento, que é necessário para a nossa indústria e que reúne alguns desafios. Eu acho que os grandes desafios são, que toda a gente já identificou, o envelhecimento da população ativa em Portugal. Por outro lado, estando numa universidade, também acompanho de perto este fenômeno da imigração de jovens qualificados. Não é uma imigração, diria eu, de forma muito estruturada, porque acho que é muito mais experiências no estrangeiro e depois estes jovens acabam por voltar com uma qualificação ou, pelo menos do ponto de vista da sua experiência, diferente. É muito claro para mim, existe algum déficit de competências, sobretudo técnicas e ao nível do digital. E obviamente, uma coisa que não podemos esconder, nem fazer de conta que não sabemos, que são salários pouco competitivos em muitos setores. E por isso, acho que no caso das empresas portuguesas, elas até enfrentam uma coisa que eu chamo de paradoxo, porque precisam de alguma forma de inovar e automatizar, mas depois falta este talento. E aqui é que eu acho que a universidade pode ter um papel particularmente relevante no combate a esta escassez de talento industrial. E porque acho que reúne, na realidade, e no caso da Universidade do Minho, reúne particularmente características que acho que pode ajudar. Uma delas é uma forte ligação à indústria, que é uma das marcas identitárias da nossa universidade e, portanto, permite fazer esta ponte de forma mais breve, se tivermos esta forte ligação e este conhecimento do que é a realidade industrial. Depois também acho que as universidades, e aqui de uma forma genérica, têm, de facto, capacidade científica na área da engenharia e das tecnologias de informação, que permite atacar esta área mais crítica. E, por outro lado, também no caso do Minho, a proximidade que temos a uma das regiões mais industrializadas da Península Ibérica e provavelmente uma das mais industrializadas também ao nível europeu. Não significa que o contexto é o melhor possível, significa, de facto, que tem grande raiz industrial, mas com desafios grandes, porque, como eu disse antes, é também uma região das mais pobres e mais críticas, exatamente por muito do sistema económico estar assente num sistema retributivo aos trabalhadores com níveis salariais muito baixos. Mas eu diria que, como ideias principais que me ocorram rapidamente, é que a formação nas universidades esteja de facto alinhada com aquilo que são as necessidades industriais. Isto nem sempre acontece, sobretudo na universidade, temos uma visão muito mais acadêmica e gostamos de desenhar os nossos cursos muito mais nos objetivos acadêmicos e de alto nível, se quisermos. E portanto, muitas vezes, a nossa sensibilidade não é a melhor para o contexto industrial e vice-versa. Também temos indústria, até pelo tecido empresarial maioritário que temos, é um tecido empresarial que, de facto, tem sempre alguma desconfiança da academia e é quebrar esta confiança ou a falta dela, que também nos parece importante fazer.

O Conselho Industrial dá voz a protagonistas importantes da economia portuguesa, que o Observador reuniu em torno da Cimeira da Indústria. É uma parceria com a AEMinho, com o apoio do Município de Braga, PwC, Tabaqueira, Siemens, Elior e Derichsburg Facility Services, Universidade Católica Portuguesa e BPI.