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É hora de conhecermos o tema do Contracorrente desta segunda-feira. Depois, para entrar em direto, só tem de ligar para nós 91 002 41 85, número que também pode usar para nos enviar a sua mensagem de voz pelo WhatsApp, se preferir. Deixe os seus comentários nas redes sociais ou no nosso site. Carla. O antigo presidente do governo espanhol Zapatero foi a semana passada acusado de corrupção e aquilo que continua a saber-se dos esquemas que montou para enriquecer, ao mesmo tempo que funcionava como uma espécie de agente do regime venezuelano em Madrid, compromete ainda mais o governo de Pedro Sánchez. Tudo isto numa altura em que outros casos de corrupção cercam o Executivo espanhol e o líder, tudo isto numa altura em que Espanha também surge como uma democracia cada vez mais disfuncional, até por não ter orçamentos aprovados nas Cortes há vários anos. É disto tudo que queremos falar no Contracorrente de hoje. João Manel, bom dia. Este caso de Zapatero pode ser fatal para Pedro Sánchez?

Em condições normais seria, porque trata-se de um caso que toca no centro do poder político, até porque um dos escândalos a que está associado é o escândalo do resgate de uma companhia aérea venezuelana, um resgate por ocasião da crise do COVID. Todos nos recordamos das companhias aéreas que precisaram ser resgatadas, só que não se percebe por que razão é que o Estado espanhol alocou umas dezenas de milhões de euros a uma companhia venezuelana com meia dúzia de aviões, completamente secundária nas ligações com a América Latina e mesmo com a própria Venezuela, ligações a Espanha com essas regiões. Portanto, por que razão é que o dinheiro havia de sair do orçamento espanhol? Agora sabe-se que boa parte disso passou pelos empenhos de Zapatero, que além disso funcionou durante muito tempo como uma espécie de advogado do regime de Nicolás Maduro junto de outras instâncias, inclusivamente também como facilitador de negócios que envolviam a China. Tudo isto com esquemas que passavam pela mobilização de próximos dos gabinetes socialistas, ao mesmo tempo que tinha uma influência crescente junto do próprio Pedro Sánchez, numa altura em que Pedro Sánchez, por exemplo, está a ser criticado pela forma como está a lidar com o seu governo e com os seus parceiros de coligação por antigos agentes socialistas, nomeadamente a grande referência que é Felipe González. Zapatero aparecia como aquele que estava sempre ao seu lado, que lhe dava apoio, que era uma espécie de seu mentor. Portanto, além da ligação política muito íntima, há também a ligação de figuras do círculo de Sánchez com Zapatero, numa altura em que o próprio Sánchez está acossado por outros lados. O irmão começará a ser julgado por estes dias. A mulher está acusada noutros casos que também envolvem favoritismos, os seus braços diretos no Partido Socialista e até no governo já estão sentados no banco dos réus. Portanto, tudo isto diz-se que aguentar isto tudo é muito difícil e até bastante improvável. No entanto, Sánchez tem aguentado com mistura de vale tudo para se manter no poder, com aquilo que é indiscutível, que é uma habilidade política, no sentido não de fazer o mais adequado, mas de fazer aquilo que pode ser politicamente mais vantajoso, pelo menos no curto prazo e pelo menos de acordo com aquilo que é claramente a sua prioridade, que é manter-se no poder. Portanto, temos assim uma coligação estranhíssima, em que ele sobrevive com base no apoio de forças claramente extremistas, como é o caso da coligação Sumar e do Podemos e essas forçazinhas todas de extrema-esquerda. Algumas delas tiveram muito poder em Espanha, muita força, estão em crise, mas não deixam de estar coligadas com Sánchez, depois de ele ter dito que isso era impossível que algum dia acontecesse. E também com o apoio mais claro ou menos claro, mais tácito ou mais oportunista dos diferentes nacionalismos separatistas, quer do Basco, quer do Catalão, quer aqueles que se situam politicamente à direita, quer os que se situam politicamente também na extrema-esquerda. Isto enquanto o seu partido, o Partido Socialista Operário Espanhol, o PSOE, vai perdendo eleição regional atrás de eleição regional, em muitos casos obtendo os piores resultados da história do PSOE. Mas ele vai sobrevivendo, como tu disseste, sem orçamentos de Estado aprovados, governando por decreto, usando e abusando do poder que tem, instrumentalizando as instituições a favor do PSOE, procurando alterar as regras do sistema judicial, tornando a Espanha cada vez menos um Estado de direito. Isso é particularmente evidente no que diz respeito ao Ministério Público e ao equilíbrio entre o Ministério Público e o Poder Judiciário. Portanto, tudo isto está a acontecer em Espanha e vale a pena falar do assunto, não apenas porque a Espanha é o nosso principal parceiro, como em muitos aspetos a degradação da democracia espanhola, do Estado de direito espanhol, é algo que não nos devia só inquietar a nós, por ser precisamente o nosso vizinho, mas devia inquietar a Europa. Mas a Europa aparentemente olha para o lado, motivada por outras considerações que têm muito pouco a ver com o respeito pelas regras da democracia e muito mais a ver com equilíbrios políticos e compadrios. Vamos falar um pouco disso tudo depois das 10h00.

Até já, João Manel. Passe parte do Contracorrente, ligue 91 002 41 85. Entra em direto logo a seguir ao jornal das 10h00. Se não puder, enviamos a sua mensagem de voz através do WhatsApp ou então deixe os seus comentários nas nossas redes sociais ou no nosso site.