Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
É hora de conhecermos o tema do Contracorrente. Para participar, só tem que ligar 91 002 41 85, mas já sabe que também nos pode deixar a sua mensagem nas redes sociais, no site do Observador, ou então enviar-nos o seu áudio através do WhatsApp 91 002 41 85. Luís Soares.
E hoje voltamos à guerra na Ucrânia. As notícias da guerra dão conta dos efeitos do desgaste de russos e ucranianos, mas à medida que o combustível falta na Rússia, os ânimos inflamam-se também na Ucrânia. Fedorov, o antigo ministro da Defesa e arquiteto da guerra tecnológica contra a Rússia, demitido em julho por Zelensky, apela agora abertamente à realização de eleições e anunciou até uma visita aos Estados Unidos. Bem-vinda, Helena. Bom dia.
Bom dia.
Zelensky está a viver os dias mais difíceis desde que começou a invasão russa da Ucrânia?
Essa é uma pergunta a que eu penso que Zelensky poderá um dia responder nas suas memórias, que certamente serão um best-seller mundial. Mas o que se percebe nestes últimos tempos, em primeiro lugar, é um círculo a fechar-se à volta de Zelensky e um círculo muito próximo, mesmo muito próximo, e em que vamos vendo as pessoas a caírem, basicamente por alegações de corrupção. Logo em novembro do ano passado tivemos a demissão do chefe de gabinete, depois foram caindo outras figuras. Muito complicado, em agosto, Zelensky demitiu a embaixadora da Ucrânia em Washington. Ainda por cima estava-se no meio daquela questão toda dos mísseis Patriot. E a embaixadora da Ucrânia em Washington, cujo apelido eu me recuso a pronunciar, tinha como primeiro nome Olga, acaba por sair. Não era um posto qualquer, era o posto em Washington, isto era muito complicado. Depois foram continuando a haver notícias sobre casos de corrupção e agora tivemos, muito recentemente, a demissão de Iryna Mudra, que era uma funcionária, um alto quadro da presidência, e que também foi demitida. Portanto, há aqui uma investigação entre membros do gabinete presidencial e isto é como se fosse um círculo a fechar-se. Por outro lado, estamos numa altura em que é claro que na frente de guerra existe um desgaste, e o desgaste é visível dos dois lados. Nós tivemos até notícias, por exemplo, de que a Rússia está com dificuldades no abastecimento de combustíveis. Por outro lado, a Ucrânia está com dificuldades em conseguir manter o seu equipamento e conseguir o acesso a todo o equipamento que lhe tem sido prometido. E chegou agora exatamente esse nome que referiste, que é Fedorov. Não estamos a falar de um homem qualquer, estamos a falar de um homem que foi ministro da Defesa e a sua demissão por parte de Zelensky gerou grandes manifestações. Fedorov foi ministro da Defesa e não é um homem qualquer. Durante algum tempo, ele foi sendo apresentado como um dos arquitetos da guerra tecnológica. Nós sabemos como estas questões dos drones foram importantes na resposta possível da Ucrânia à invasão da Rússia. E agora vimos Fedorov a desafiar Zelensky, a contestar a ideia de que não se podem realizar eleições na Ucrânia porque o país está em guerra. Aliás, Fedorov diz que o próprio Zelensky já foi eleito num quadro de anormalidade. Não seria exatamente o mesmo quadro de anormalidade que temos agora, digo eu, mas há esta contestação e esta reivindicação muito clara da realização de eleições. E, não menos importante, Fedorov anunciou uma visita aos Estados Unidos. E é esta visita e a interpretação do que esta visita pode simbolizar, ou pode significar mais do que simbolizar neste momento, que está a suscitar todo um conjunto de questões, porque como é óbvio, e como aliás se viu pela própria visita, as primeiras visitas de Zelensky aos Estados Unidos, a ida de um dirigente ucraniano, por assim dizer, mesmo que seja um dirigente simbólico, como é o caso de Fedorov, tem diversas implicações e não se está a falar aqui de ele ser recebido na Sala Oval ou sequer num recantinho qualquer da Casa Branca, mas mesmo essa visita, por mais lateral que a abordagem seja, e não se sabe como é que correrá, implicará um grau de conexão com as autoridades norte-americanas. E aquilo que se pergunta neste momento é se Fedorov pode ser o homem que se segue. Ou seja, que de alguma forma os Estados Unidos comecem a deixar cair Zelensky, com o qual, aliás, a administração Trump tem tido sempre as suas dificuldades de relacionamento, mesmo quando está uma relação mais apaziguada, como acontece agora. E se Fedorov não pode ser visto como o homem que pode ser a pessoa que vai negociar com a Rússia e que vai dizer aos ucranianos que a guerra pode estar a chegar ao fim, signifique isso o que significar. Portanto, eu acho que há muitas razões para falarmos sobre a Ucrânia hoje. Também para tentarmos avançar algumas explicações, porque neste momento sabe-se pouco. Agora respondendo, e para acabar a tua pergunta inicial, eu não sei, eu presumo que aqueles primeiros dias aquando da invasão terão sido, sem dúvida, terríveis, porque Zelensky estava literalmente a lutar pela vida, mas estes dias, muitas vezes, em que da frente da guerra se passa para a frente interna da política, são mais dolorosos.
E vamos saber tudo isso depois das 10:00. Até já, Helena.
Até já.
Ligue 91 002 41 85 e dê-nos a sua opinião em direto no Contracorrente, que começa como sempre depois do jornal das 10:00. Tem também as nossas redes sociais, o nosso site, e pode sempre enviar-nos a sua mensagem de voz, o seu áudio por WhatsApp 91 002 41 85.