Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Está na hora de conhecermos o tema do Contracorrente desta quarta-feira. Depois, para entrar em direto e nos dar a sua opinião, basta ligar 91 002 41 85, ou então enviar-nos a sua mensagem de voz pelo WhatsApp. O número é sempre o mesmo: 91 002 41 85. Luís Soares.
Hoje sobre o que nos revelam os casos e casinhos a envolver Luís Neves sobre a Polícia Judiciária e também as restantes polícias. Por exemplo, que segundo o agora ministro, a PJ não consegue fazer certas operações, nomeadamente as que implicam secretismo, se cumprir as regras. Em segundo, que há uma guerra entre polícias. Também precisamos saber mais sobre os bastidores das polícias. E em quarto lugar, e princípio de conversa, Helena Matos, bom dia. Do que é que estamos a falar, afinal, quando falamos de polícias?
Bom dia. Eu acho que estas coisas das notícias e dos casos, como diria o Santana Lopes, eu acho que nós devemos aprender alguma coisa no meio da sucessão de constrangimentos que vamos tendo. E realmente, os sucessivos casos e casinhos envolvendo o nome de Luís Neves acabaram por expor os bastidores de uma polícia, a Polícia Judiciária, da qual nós tínhamos uma noção quase intocável sobre o seu modo de funcionamento, uma certa cultura de informalidade. E sim, como é que são vigiadas as polícias e forças de autoridade? E aí, eu acho que esse é um dos primeiros pontos. Nós pensamos sempre muito em função da PSP, da GNR, também claro, da PJ, mas nós temos muito mais forças de autoridade. Por exemplo, a ASAE. Os inspetores da ASAE até têm possibilidade de usar arma no seu dia a dia e fazem operações muitas vezes muito robustas, por assim dizer. Quem é que vigia a ASAE? Vigia no sentido de escrutinar a ASAE. Sim, porque nós sabemos quem é que escrutina a PSP, quem é que escrutina a GNR, é a ALRE eGAI. Em relação à PJ, já percebemos que não é assim, mas em relação à ASAE, por exemplo, e às polícias municipais que pululam por aí cada vez mais e que até têm grandes discussões sobre se podem ou não deter uma pessoa ou que seja apanhada a fazer um delito e, portanto, ficar depois à espera que chegue a PSP. Sim, quem é que escrutina, avalia estas polícias municipais, que aliás, estão na dependência dos presidentes da Câmara, embora depois tenham uma tutela da PSP e da GNR. E a guarda prisional? Nós, por exemplo, quando foi da fuga de Vale de Judeus, descobrimos um modus operandi dentro daquela prisão, e parece que não era a única, entre os guardas prisionais, no mínimo, para dizer, sugéneres. Temos também, por exemplo, o caso da Polícia Marítima. Ou seja, nós temos várias polícias, várias forças de segurança ou de autoridade, ou autoridades que estão investidas de autoridade, mas depois acabamos por saber muito pouco sobre o seu modo de funcionamento nas operações elas mesmas e nas missões que têm a cabo, seja depois naquelas coisas, como os automóveis, como é que se pagam as viagens. Tudo isto acaba por colocar aqui muitas questões. Depois, sim, é verdade, também será importante perceber o que é que está a acontecer em termos do que é evidente, desta guerra entre polícias, e aqui estou a referir-me sobretudo às questões da PSP/PJ. E dentro da própria PJ, nós estaríamos a assistir a um mal-estar muito grande dentro da própria PJ e depois nas relações da PJ com a PSP, que se note, também tem tido, no caso da PSP, nós temos aqueles relatórios anuais, e uma das coisas pelas quais são vistoriadas as ações da PSP. E nós, infelizmente, tivemos notícias muito grotescas, inesperadas, com o caso da esquadra do Rato. Eu não estou a pôr aqui o caso Odair Muniz, porque Odair Muniz é numa operação. Depois a tentativa de encobrimento é outra coisa, mas é uma operação e há riscos, e há erros. Agora, a esquadra do Rato e aquele grande silêncio daqueles agentes todos, mas isso é muito escrutinado pela EGAI. Agora, o que é que acontece com as outras polícias? E depois, nós precisamos, sim, como eu disse, saber mais sobre os bastidores das polícias e depois perceber muito bem do que é que estamos a falar quando falamos de polícias. Portanto, não é um programa fácil, nem sequer é um programa fácil até de montar em termos da informação, mas eu acho que seria muito importante se nós, de toda esta sucessão de casos e casinhos de Luís Neves, em que ficámos muito surpreendidos com tudo aquilo. Mas, por exemplo, há uma coisa que Luís Neves disse que eu acho que também espero que consigamos discutir. É que, por exemplo, no caso daquela viagem ao Brasil, daqueles inspetores todos da PJ, até porque havia uma suspeita, uma coisa realmente extraordinária, era que o primeiro comando da capital teria infiltrado o consulado português no Rio de Janeiro. Portanto, para se fazer esta operação, cumprindo todos os requisitos administrativos da compra de uma viagem, não seria possível manter o secretismo da operação. E, portanto, houve que recorrer ali a uma habilidade para se conseguir pagar a viagem aos inspetores, para estar claro, mas sem que essa informação...
Pusesse em causa todo o resto.
Toda a operação. E nota, esta questão de que é impossível ou muito difícil ocupar um alto cargo na administração pública portuguesa, seja ele de que natureza for, cumprindo todos os requisitos e todas as regras, isto agora com o Tribunal de Contas, é recorrente. E muitas vezes nota-se até alguma falta de disponibilidade de muitas pessoas. "Ah, mas por que não aceitou?" Não está para isso. Ou seja, é um pouco, por um lado, destes bastidores que conhecemos pouco e depois deste colete de forças administrativo e de normas em que parecem estar muitas das pessoas que estão nestes cargos, mais a mais se forem forças de autoridade, que eu acho que hoje eu gostaria muito que conseguíssemos esclarecer, definir, questionar e tirar algum proveito desta sucessão que nós não estávamos à espera sobre o modo de funcionamento da PJ.
Vai ser depois das 10h. Até já, Helena.
Até já.
91 002 41 85 para entrar em direto, mas também nos pode enviar a sua mensagem de voz através do WhatsApp ou então deixar os seus comentários nas nossas redes sociais ou no site do Observador.