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08h19, hora de conhecermos o tema do Contracorrente. Depois, já sabe, para entrar em directo, basta ligar 910 002 4185, número que também pode usar para nos enviar a sua mensagem de voz pelo WhatsApp. Carla. Helena Matos, queremos ouvir-te sobre o futuro do Partido Socialista e a tal reconfiguração que os socialistas estão a preparar. Será que querem mesmo um partido ao centro?

Digamos que os desígnios do eleitorado socialista são mais ou menos como os desígnios do som. São misteriosos e nunca se percebe porque é que às vezes funcionam e outras vezes não.

E não se controlam.

E não se controlam. Uma pessoa esforça-se. Voltando ao Partido Socialista, eu creio que para lá dessa grande questão em torno daquele que é o eleitorado do Partido Socialista, e que está de facto a ficar envelhecido, a mudar até socialmente, mas aquilo que neste momento nos ocupa, ou ocupará hoje no Contracorrente, é mais o que é esse centro ao qual o PS diz querer voltar e se realmente o PS quer, e ainda pode voltar ao centro. Para já, temos uma coisa, o PS tem-se mostrado muito mais disponível para apoiar líderes, quase com um carácter de caudilho. Isso aconteceu com José Sócrates, aconteceu com António Costa e aconteceu com Pedro Nuno Santos e continuaria a acontecer, não se desse o caso deste desastre eleitoral. Ou seja, o PS parece ter-se sentido bem perante líderes que lhe prometiam e garantiam, e conseguiram durante muito tempo, malhar na direita e independentemente daquilo que esses líderes faziam, no caso de José Sócrates, ou não faziam do ponto de vista governativo, António Costa, e portanto, o PS parece estar a ficar um pouco mais messiânico de um caudilho. E mostrou-se pouco disposto a apoiar, por exemplo, líderes com um perfil mais moderado, mais de centro, menos caudilho, como foi o caso de António José Seguro, que na verdade, foi quase levado ao colo por Cavaco Silva durante aquela crise do irrevogável e até podia, muito provavelmente, ter sido primeiro-ministro de Portugal, caso o PS tivesse apoiado esse seu líder de centro e essa opção pelo centro. Não foi isso que aconteceu. Como bem sabemos, agora José Luís Carneiro diz que quer levar o partido para o centro, mas a grande questão, ou a questão que aqui se coloca, é se José Luís Carneiro conseguirá ser mais que um líder, um gestor de uma grande crise. E portanto, nesse sentido, gestor de uma grande crise e que mal passado este estado de choque em que o PS se encontra, voltarem aqueles que se sentem líderes naturais do Partido Socialista, ou seja, alas mais esquerdistas, mais fortes nessa afirmação do vamos malhar na direita, como são as alas mais à esquerda, de que talvez o exemplo mais evidente neste momento, seja Alexandre Aleitão. Cabe também dizer que o PS está a ficar muito messiânico e começa já a ter um novo Doutor Bastião, que é Duarte Ribeiro, e cabe aqui talvez pensar se se calhar estamos num entretempo do Partido Socialista, ou pode ser que não. Pode ser que aqueles que se apresentam como moderados e que na verdade são grandes perdedores dentro do PS, não só porque não têm conseguido vingar, mas também porque acabaram a patrocinar a candidatura de Pedro Nuno Santos, julgando assim que enterravam o costismo. Vamos ver se esta é a sua hora de conseguirem lembrar ao PS que o centro é o ciclo onde o PS já participou.

Boa discussão que vamos ter depois das 10:00. Até já, Helena Matos. Faça parte do Contracorrente, ligue 910 002 4185 e entre em directo logo a seguir ao Jornal das 10.