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É hora de conhecermos o tema do Contracorrente. Se quiser entrar em direto para nos dar a sua opinião, só tem que ligar 91 002 41 85 ou então enviar-nos a sua mensagem de voz pelo WhatsApp para o mesmo número, 91 002 41 85. Carla. Depois de uma semana de escaramuças com ataques iranianos a navios que navegavam no Estreito de Ormuz e bombardeamentos americanos a alvos no Irão, Trump anunciou o fim do cessar-fogo, o recomeço das operações militares e um novo bloqueio a toda a navegação dirigida a portos iranianos. Mas será que a guerra recomeçou mesmo ou estamos apenas perante um solavanco, mais um, num cessar-fogo que deveria permitir verdadeiras negociações de paz? É isso que vamos tentar perceber no Contracorrente de hoje. Bom dia, José Manuel.

Bom dia.

Isto é uma guerra a sério ou é uma guerra de faz de conta?

Eu acho que é uma guerra a sério. Infelizmente, é uma guerra a sério e aquilo que se tinha de alguma forma percebido sobre os limites daquele famoso memorando de entendimento que permitiria as negociações estão a vir ao de cima. Nós tivemos, de facto, aqui um interregno relativamente longo, um pouco mais de dois meses, desde 7 de abril, mas agora tudo indica que, por um lado, o trânsito no Estreito de Ormuz está praticamente paralisado de novo, do lado daquilo que é o trânsito que estava a circular sobretudo mais próximo de Omã e o trânsito que estava a circular mais próximo do Irão e que se destinava aos portos do Irão também estará paralisado. E os bombardeamentos recomeçaram, não com intensidade, não com a participação de Israel, pelo menos nesta fase, e vamos ver quais são os próximos desenvolvimentos. Há aqui muitos pontos de dúvida para perceber até que ponto é que estamos perante um solavanco com troca de tiros mais intensa do que a troca de tiros que houve quase sempre ao longo destas semanas ou realmente perante um fim de um cessar-fogo. Do ponto de vista formal, o facto de Donald Trump ontem ter enviado ao Congresso a informação relativamente ao reinício das hostilidades é, a meu ver, bastante significativo, pois é um dos passos que o presidente dos Estados Unidos tem poderes executivos durante 60 dias. Foram esses poderes que ele usou na primeira fase deste conflito e agora reiniciou o processo, foi uma espécie de reset e portanto podemos estar numa situação semelhante. A retórica, eu olho sempre para ela com grão de sal, porque em Trump a retórica é sempre superlativa e nunca se sabe o que é apenas para fazer efeito ou o que é para ser levado a sério. Do lado do Irão passou o longo, enfim, foram praticamente duas semanas de exéquias do Aiatolá Khomeini. O regime estará a realinhar-se, mas não é muito certo nem seguro quem é que manda. Eu digo isto por quê? Porque nós desde o princípio que não sabemos exatamente onde é que está o líder supremo. Ele ainda não apareceu, nem sequer apareceu no funeral do pai e o próprio líder supremo, nas declarações que fez sobre as negociações de paz, foi um bocadinho a pôr-se de lado. A dizer que sim, senhor, eu tinha autorizado, mas que estava ali para ver como é que acabava. Não era uma iniciativa dele. E agora estamos num momento em que não se sabe muito bem, e há informações contraditórias, qual é o grau de autonomia que têm os negociadores, qual é a vontade real dos negociadores, que peso é que tem o lado mais radical dentro do regime e inclusivamente se não haverá divisões suficientes para, por exemplo, haver fações mais radicais do Exército Revolucionário, da Guarda Revolucionária, a executar essas ações de ataques no Estreito de Ormuz, de forma a torpedear as negociações. Portanto, é uma situação bastante indefinida, que ontem teve um pequeno volte face, digamos assim, porque o presidente Trump quando anunciou o reinício do bloqueio, disse que ao mesmo tempo os Estados Unidos iriam garantir a circulação no Golfo pelo canal mais perto de Omã e com umas tarifas de 20%. Ninguém percebeu bem se 20% era sobre a carga, se não era, porque isso seria literalmente absurdo. Mas essa indicação caiu ao longo do dia, o que não quer dizer que o tema esteja resolvido. Portanto, há muitas questões aqui que se mantêm em aberto e é difícil também perceber o que é que vai acontecer. É sempre aquela dúvida que há, o que vai acontecer à economia mundial, porque uma parte do petróleo foi desviada para outras rotas, outros centros de produção começaram a produzir e sobretudo o choque petrolífero que se esperava quando a guerra iniciou nunca se chegou verdadeiramente a materializar. E agora que a guerra recomeçou, o preço subiu, mas não subiu como uma flecha, como também alguns previam. Vamos tentar perceber um pouco este labirinto todo depois das 10.

E o que mudou e o que poderá mudar até lá. Até já, José Manuel. 91 002 41 85 para entrar em direto, mas já sabe que também nos pode enviar a sua mensagem de voz através do WhatsApp ou então deixar os seus comentários nas nossas redes sociais ou no nosso site.