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E hoje vamos tentar perceber se será que as monarquias estão a ser postas mais uma vez à prova, enquanto a Noruega se despede de Harald V e entroniza Haakon VIII. Várias monarquias europeias, a começar precisamente pela norueguesa, vivem sucessões difíceis, também divergências internas e alguma tensão política. Bom dia, Helena Matos. Para lá dos rituais, importa perceber o que está a acontecer nas monarquias europeias?
Os rituais talvez sejam o ir para lá e o ficar lá, porque os rituais são fundamentais. Isso talvez faça parte desses mesmos rituais, o fascínio que em boa parte as monarquias exercem e também a sua capacidade de permanecer no tempo. Eu acho que as monarquias são grandes máquinas de sobrevivência. E quem as achar distraídas e apenas interessadas ou ativas naqueles momentos que geralmente associamos, mais glamorosos, casamentos, batizados, tudo isso, e depois estes grandes rituais da morte, que é o funeral de reis em funções. Vimos isso com a rainha Isabel de Inglaterra, estamos agora a ver isto com o rei da Noruega, o rei Harald V. E vemos como todo o ritual renasce naquele momento, mesmo num país que parece e que é, de facto, muito despojado, todo ele muito cidadão nestas coisas em que a família real é passível e é encontrável nas ruas de Oslo. Mas depois há aqui toda esta questão, toda esta ritualização, também a religião associada aqui no caso de Harald V, e de Haakon VIII, o seu filho, que agora é o rei da Noruega. Portanto, há aqui questões que a nós nos parecem de outro tempo, mas que são absolutamente deste tempo, e nós temos neste momento monarquias em diferentes países da Europa, e o pretexto aqui claramente é a morte do rei da Noruega e a entronização do novo rei. Nota-se uma monarquia que vive momentos particularmente difíceis por causa de vários escândalos, nomeadamente envolvendo a nova rainha, Mette-Marit. Escândalos de natureza de vida privada antes de ser rainha, nomeadamente o seu conhecimento e o seu contacto com Epstein, um homem envolvido em vários escândalos de natureza sexual, que já morreu. E depois o seu próprio filho, porque ela tinha um filho antes do casamento, que foi preso, julgado, condenado por coisas como consumo de drogas, violações, violência. Há aqui este lado, mas pode dizer-se: "bem, mas isso é um lado muito privado". Bem, mas agora quando passamos para outros países e podemos ir à Inglaterra, onde neste momento há tensões muito grandes dentro da família real, nomeadamente entre os dois irmãos, William and Harry. E depois temos aqui ao nosso lado a Espanha, aí num lado muito mais político, em que vemos neste momento como a monarquia é aquilo que une um país que tem enormes tensões internas e em que neste momento se discute, por exemplo, por que o rei ainda não foi a Ceuta, quando é que o rei vai a Ceuta, por que o rei não pode ir a Ceuta e em que se sabe, é público e notório, que existem tensões grandes entre o rei Felipe VI e o primeiro-ministro Pedro Sánchez. Já tinham acontecido algumas no passado, mas neste momento a tensão é grande e há um mal-estar com rumores diferentes nas redes sociais sobre até quando e como esse tipo de enfrentamento pode vir a chegar. Note-se, no caso espanhol, e não só, em geral, as monarquias davam-se bem, às vezes até melhor, com governos socialistas do que com governos mais à direita. Era proverbial, e foi proverbial, a excelente relação entre Juan Carlos e Felipe González, depois mais tarde com outros primeiros-ministros socialistas dos diferentes monarcas de Espanha. Portanto, não é como se pudesse pensar num primeiro momento, uma questão política, mas é algo que é muito importante para as casas reais, nomeadamente para a espanhola, que é a unidade do Reino de Espanha. E isso, neste momento, seja com os independentismos na Catalunha, seja com a enorme crise de Ceuta, e também Melilha, mas aquilo que está em causa neste momento são as pretensões marroquinas a Ceuta e Melilha, para lá de toda a crise que se vive com a entrada de 70 mil pessoas em Ceuta, provenientes de Marrocos, embora nem todas sejam marroquinas, há aqui este momento de tensão. Portanto, engana-se muito claramente quem pensar que isso das monarquias, e aqui estamos a falar das europeias, é uma coisa só para as revistas do social, do cor-de-rosa, dos vestidos, das tiaras e essas coisas. Sim, também é isso, mas é também muita política, porque como qualquer primeiro-ministro de Inglaterra, de Espanha também, da Noruega, da Dinamarca, da Suécia, da Bélgica, saberá muito bem, é que os primeiros-ministros passam, mas os reis ficam. E esse é um dos lados, essa capacidade de permanecer, quer dizer que estamos diante de grandes máquinas, como disse, de sobrevivência, de adaptação. E olha, agora que estamos a falar em "ranterias" políticas, também de fazer da vida uma permanente "ranteria". Portanto, é disso que vamos falar hoje no Contracorrente.
É depois das 10h. Até já, Helena.
É, exatamente. Até já.
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