Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Bárbara Taborda é a nossa convidada para esta conversa de fim de tarde, onde vamos falar também do seu novo livro, "Slow Aging: um guia para uma vida longa, saudável e feliz". Está aqui conosco, aqui também a mostrar a invejável forma física de Bárbara Taborda e os seus 27 aninhos, como dá para perceber nesta fotografia de capa aqui do seu livro. Bárbara, muito obrigado por ter vindo à Rádio Observador.
Obrigada.
E parabéns também por este livro.
Pelo elogio. Não são 27, mas são quase 47.
Não interessa quantos são, parecem 27.
Mas eu gosto de dizer isso. Exatamente, que é para as pessoas se inspirarem em mim e irem correr comprar o livro.
A Bárbara foi mannequin, dedica-se também há vários anos a esta área do lifestyle, do wellbeing, tem um site, barbara.pt, onde vai deixando também os seus conselhos e as suas experiências. É fundadora do Slow Aging Project. E Bárbara, podíamos começar por aqui. Afinal, o que é isto do slow aging?
Olha, o Slow Aging é um projeto que visa ajudar as pessoas realmente a alcançarem a tão desejada longevidade de uma forma saudável, equilibrada e feliz. O que isso é? Eu comecei a perceber que, de facto, as pessoas, especialmente em Portugal, ainda se tratam muito mal. Ou seja, têm uma má alimentação, vivem uma vida cheia de estresse, não fazem quase exercício físico nenhum. Ou seja, num todo, não têm rotinas que lhes deem qualidade de vida. E o que é que acontece? Quando chegam aos 50, 60, 70 anos, passam a vida em médicos e nos hospitais, à espera, às vezes, como eu costumo dizer, de morrer, em vez de estarem a viver uma vida plena de saúde. E então, houve uma altura da minha vida, mais ou menos por volta dos 40, 41, quando tive o meu segundo filho, que senti que realmente perdi imensa energia, tive ali uma série de questões hormonais e comecei a me interessar muito por esta área da nutrição. E então comecei a estudar a parte da nutrição, a parte do coaching, e comecei a aplicar todo o tipo de ferramentas que estava a estudar em mim. E percebi que ao fim de dois, três meses, toda a minha energia e a minha vitalidade tinham mudado radicalmente. Então achei tão interessante que pensei: "Por que não ajudar outras pessoas também, que têm o mesmo dessentamento, de carências que eu sinto", que praticamente é toda a gente a partir dos 40 anos.
Exato.
Por que não também ajudar outras pessoas? Então comecei a organizar alguns workshops e alguns retiros e comecei a ter imenso sucesso nessa área. Mais à frente pensei: "Por que não escrever um livro que fosse uma espécie de Bíblia, onde as pessoas podem ter todas as ferramentas de uma forma organizada para usarem no dia a dia delas?" Porque para mim era super difícil, cada vez que eu procurava alguma informação, imagina. Ou que tipo de alimentação deveria fazer, ou que tipo de exercício podia ser mais adequado a mim, ou que tipo de práticas de mindfulness, como meditações, podia fazer para mim. Tinha sempre que pesquisar imenso. E as pessoas hoje em dia têm muito pouco tempo. Ao fim de algum tempo, já desistiram completamente de pesquisar o que quer que seja.
Tu de alguma forma achavas que há uma carência em Portugal para esse tipo de conteúdos? Dizias que as pessoas em Portugal às vezes são um bocado preguiçosas e nem sempre têm um estilo de vida tão saudável. Este livro também é uma resposta a isso, ou já há literatura também suficiente sobre esse tema?
De uma forma tão organizada, atrevo-me a dizer que não. Este deve ser o livro mais completo que existe.
É um livro onde tu também por capítulo tens pessoas dessas áreas que te ajudam a explicar.
Por quê? Porque eu tenho as ferramentas que eu aplico no meu dia a dia, mas eu não sou uma especialista. Ou seja, não sou médica para dizer às pessoas o que elas devem fazer. Podia dizer que não sou coach, mas sou porque tenho uma certificação. Sou uma pessoa que estuda muito nutrição, mas não sou uma profissional, não sou nutricionista. Portanto, achei que cada capítulo que tem, porque este livro tem seis capítulos, já agora aproveito aqui para dizer, temos uma área da saúde, que é o doutor Manuel Pinto Coelho, que me acompanha, que é um especialista nesta área do antiaging. Na área da nutrição, a Ana Garcês, que é uma nutricionista da área funcional, que é fantástica, que acompanha toda a parte da nutrição. No coaching, também uma psicóloga mesmo e coach da área de desenvolvimento pessoal. Enfim, temos aqui vários grandes especialistas, aqueles que eu considero mesmo dos top no mercado, que apoiam todo o tipo de conteúdos que vêm no livro. Ou seja, para não ser só uma coisa que é a Bárbara que diz. Eu considero que realmente devem ser profissionais que devem sustentar aquilo que eu considero que são as ferramentas certas.
Bárbara Taborda, há bocadinho quando começaste, parecia que estavas a descrever a vida de um jornalista.
A sério? Quer dizer, a minha vida podia ser isso.
Culpado. A nível rebelde, culpado.
Há alguma idade certa para começar a fazer isto ou não? É só mesmo só depois dos 40, podemos começar antes?
Olha, não. Eu vou-te até dizer que eu hoje em dia já educo os meus filhos desta forma. Ou seja, em minha casa, por exemplo, os meus filhos, o Benjamim que tem seis anos e a Constança que tem 14, quase 15, que já é uma adolescente. E os meus filhos têm a mesma alimentação que eu tenho. E para eles isto já é normal. No futuro, eles já vão ser uma geração muito mais preparada e que se sabe alimentar. Porque se formos a ver, a maior parte dos miúdos, até há bem pouco tempo. Porque agora retiraram das escolas os alimentos processados, das máquinas, os Bollycao e aquelas coisas todas, e os sumos, as Coca-Colas, etc. E hoje em dia isso está proibido nas escolas. Mas até este ano, isso era o que os miúdos comiam no bairro. Era o normal. E o que acontece? Eu, pelo menos, acho que já devemos tentar educar as novas gerações a se alimentarem melhor. Porque as pessoas não têm ideia, mas a má nutrição é a maior causa de morte no mundo. E isto, para mim, é uma das coisas que eu mais me foco no meu livro, a área da cozinha e da nutrição. Por quê? Nós passamos a nos alimentar com tudo processado, não consumimos nutrientes que de fato alimentam a nossa máquina, porque o nosso corpo é a nossa máquina. É isso que as pessoas não pensam. Quando nós compramos um carro, nós temos que mimar o carro. Se nós não formos à revisão, se nós não trocarmos os filtros do óleo, o que acontece com o carro? Ele vai avariar, vai ter que ir para o mecânico. E o mesmo se passa com o nosso corpo. O nosso corpo tem que ser tratado como um templo, desde sempre. Ou seja, eu também sou aquela pessoa que uma vez por semana gosta de comer uma pizza, ao fim do dia adora um copo de vinho. Mas o vinho não faz mal, ou faz? É sim, em grandes quantidades faz.
Tudo com moderação.
Tudo com moderação. E eu sou uma pessoa normal, mas 80% da minha alimentação é de nutrientes que eu sei que vão otimizar a minha máquina.
É difícil manter esse nível de alimentação?
É uma disciplina.
Em termos de disciplina, de fazer esse tipo de comida.
Realmente é mudar o mindset. Há uma coisa que eu gostava daqui dizer, que é muito importante e que as pessoas têm que integrar, e por isso é que o livro aborda várias áreas, que é: nós temos que pensar nisto como um todo. Ou seja, é aquela expressão em inglês body, mind and soul. O corpo, a mente e a alma. Porque se de fato os três não estiverem alinhados, é difícil de fazer isto acontecer. Eu até posso ir ao ginásio três, quatro vezes por semana, mas a seguir eu só como fritos, alimentos processados, nada muito interessantes a nível nutricional para o meu corpo. Eu não me vou sentir bem. É impossível. Ou não durmo bem, tenho uma vida muito estressante. A minha mente está completamente arrasada. Por muito que eu até vá a um ginásio, até tenha alguma alimentação, eu sinto-me mal. Portanto, aqui o ideal é olharmos para isto como um todo e dizer assim: "Eu vou começar passos pequeninos, tipo baby steps, a fazer algumas mudanças na minha vida". E isso é fundamental para nós nos começarmos realmente a sentir bem, porque de outra forma vai ser difícil. E esta pandemia que nós estamos a passar, veio nos mostrar exatamente que o tipo de vida que nós estávamos a viver não funciona. Ou seja, ou nós começamos realmente a cuidar, tanto da nossa saúde física como da mental, ou isto vai ser realmente muito difícil de ultrapassar.
E achas que vamos mudar mesmo, ou não? A perceção que tu tens.
Nós já estamos a mudar.
Há pessoas a irem ter contigo para tentar saber?
Muitas pessoas. Olha, eu tive uma situação super interessante na Feira do Livro, quando estava a apresentar o livro. E foram uma série de pessoas que se foram sentando e estava um senhor, uma pessoa perfeitamente normal, um senhor perto dos seus 70 anos. O senhor estava a olhar para mim, a ouvir a apresentação do livro e no fim pediu para falar. E disse: "Sabe, desde que começou a pandemia, a minha vida mudou completamente. Eu percebi que tinha uma vida completamente estúpida e que não tinha tempo de qualidade nem com a minha família, que trabalhava horas, não exagero, afinal se calhar que não eram necessárias, e decidi mudar radicalmente a minha vida e sou muito mais feliz hoje em dia". Portanto, a pandemia veio me tornar uma pessoa mais feliz.
Essa é uma das mensagens do livro. É preciso ser mais saudável, mas o objetivo é ser-se mais feliz.
O que é ser feliz?
Isso é um conceito difícil também.
O que é ser feliz, na verdade? Ser feliz é de fato estarmos de bem conosco próprios. Mais do que estarmos sempre preocupados com o que vai acontecer lá fora, é o que nós estamos a sentir. Por isso é que isto de nós estarmos realmente alinhados e em equilíbrio e nos sentirmos bem, isso é o estar feliz. É: "Estou saudável, sinto-me porreiro, enérgico, posso ir dar umas voltas, passear, respirar ar puro, estar com os meus amigos, rir, ou sentado com a minha família, se calhar ver um filme". Isso é ser feliz. É não estar permanentemente em ansiedade. Ou a sentir mal porque fisicamente me sinto mal. E essa é a grande chave para isso tudo, porque as pessoas acham que o ser feliz, às vezes, é ter uma conta bancária cheia.
É uma coisa muito dogmática também.
E não é. De fato é realmente nos sentirmos muito bem conosco próprios. E para isso, realmente, é preciso ter alguma disciplina. Eu posso deixar aqui três ou quatro sugestões?
Claro que sim. Força.
Vêm neles, vou apontar.
Vais? Elas estão no livro. Pequenas rotinas de um dia, que isto podem parecer tontas, mas que realmente fazem toda a diferença. Por exemplo, quando acordam de manhã, a primeira coisa que têm que fazer é um exercício da gratidão. O simples ato de agradecer, eu acordei, eu estou aqui, eu estou vivo. Isto nem é uma coisa espiritual.
Não é uma coisa religiosa, Bárbara?
Não é religioso, não é uma religião. Isto é agradecer o fato de acordar, que já é uma bênção. Por que existe este exercício da gratidão? A sensação de gratidão faz com que as nossas hormonas do bem-estar nos façam sentir bem. Portanto, é como ir ao ginásio, só que aqui estamos a treinar, a fazer disparar a nossa serotonina e a nossa mente a habituar-se a este tipo de sensações.
É um miminho que fazemos a nós próprios.
É um miminho que fazemos a nós próprios. E isto treina o nosso cérebro para que se sinta uma sensação de bem-estar ao longo do dia. Isto tem um impacto brutal, isto é mesmo real. Portanto, habituar-nos a agradecer coisas pequenas da vida, como por exemplo, o fato de acordar e de poder viver um novo dia. E de se calhar termos uma cama, ter ali uma almofada confortável, vou poder tomar um pequeno almoço, começar a agradecer, a praticar a gratidão. Experimenta. E depois dizem o que acharam. Depois, alongar o corpo mesmo quando acordam.
Alongamentos?
Alongamentos. Eu prefiro fazer ioga, mas para quem acha ioga complicado, alongamentos. Alongar, coisas simples como acordam, esticam para cima, para baixo, a coluna para trás, para a frente. Por quê? Nós passamos sete horas deitados.
Naquela posição.
Naquela posição. O corpo fica completamente adormecido. Ao alongar, vocês ativam completamente a circulação sanguínea. O corpo torna-se muito mais flexível. E há uma coisa que nós dizemos em ioga, porque é verdade, mesmo não praticando ioga e fazendo os alongamentos, o que acontece? Tu ganhas flexibilidade também na forma como vives a tua vida.
Estás a falar de um ponto de vista mental, espiritual?
Mental, também.
Ok.
Quando trabalhamos a nossa flexibilidade, além de ser boa fisicamente, também abre a nossa flexibilidade para a vida. Por isso é que o ioga é tão interessante, porque ele trabalha o corpo e a mente num só. Mas isto agora já dava outra conversa.
E um terceiro conselho?
Um terceiro conselho: uma infusão logo de manhã, aquela clássica da água morna com limão.
Ok.
O limão por quê? Porque além de ter muita vitamina C, que vai te estimular logo a imunidade, também prepara o teu intestino para receber os nutrientes ao longo do dia. Portanto, ativa muito a parte do sistema imunitário e também ajuda a desintoxicar o corpo. Para as meninas que querem perder os quilinhos agora do Natal, é uma dica fantástica. E depois, claro, praticar exercício físico, quem tiver coragem para o fazer, quem não tiver, pelo menos umas caminhadas, porque lá está, temos que nos mexer, é essencial.
Bárbara, eu comecei por olhar o teu livro e logo no início tem um agradecimento especial às tuas avós, o que me leva também à seguinte pergunta: a herança genética não é o mais importante quando procuramos envelhecer melhor ou mais lentamente? Não é aqui um fator?
Olha, eu tenho muita sorte da genética da minha avó, especialmente a minha avó Arlete, que ainda é viva, nos seus 96 anos.
Maravilha!
Que é espetacular. E eu agradeço a elas, porque realmente são duas mulheres fantásticas, que me ajudaram a viver. Para já, que me ensinaram a parte do que é cozinhar. A minha avó Elvira cozinhava superbem e com ela eu aprendi a cozinhar feijoada, os peixinhos da horta, aquelas coisinhas boas que nós adoramos. Mas especialmente, tanto a minha avó Arlete como a minha avó Elvira, tinham uma alimentação espetacular. E a minha avó Arlete é uma prova viva disso, continua aqui fresca e fofa nos seus 96 anos. Mas mais que tudo, são duas mulheres incríveis, muito diferentes para aquilo que se ia esperado na época delas e que me fizeram também querer ser diferente.
Está aí feito esse elogio. Eu encontrei no teu livro também um capítulo interessante dedicado à modulação hormonal. O que é isto e como é que se faz? Fiquei muito curioso.
Olha, a melhor pessoa para te responder a isso deveria ser mesmo o médico, o Manuel Pinto Coelho, mas basicamente o que é a modulação hormonal? Por que isso acontece? As nossas hormonas, quando nós nascemos, estão num nível. E quando nós começamos a envelhecer, o que acontece? Começam a baixar os níveis hormonais. Por isso é que os homens começam a ter queda de cabelo. As mulheres começam a aumentar a zona abdominal.
Os homens também aumentam a zona abdominal.
Também aumentam.
Aliás, eu e o Aníbal podemos comprovar essa teoria.
Mas isso tem a ver com o quê? Realmente com algumas hormonas que começam a perder o seu power. Por isso é que os bebês têm aquele cheirinho muito...
Cheira a bebê!
Cheira a bebê, que é um cheiro alcalino.
Não há um perfume disso. Podia haver um creme que cheirasse a isso.
Ah, aquela colônia.
Há? Há uma colônia que cheira a bebê?
Aquela colônia da Johnson's.
Ok, sim. Desfarço.
E as pessoas de idade têm um cheiro que as pessoas já não acham tão agradável, por quê?
Tem a ver com isso.
Com a acidificação do corpo. E então modulação hormonal, o que faz? Faz com que as hormonas se mantenham jovens.
Ok.
E o que acontece? Tu também não vais envelhecer tão rápido. Tu atrasas o processo de envelhecimento. E isso faz-se através de uma modulação hormonal. Ou seja, é pôr as tuas hormonas no nível aos 40, aos 50, como se tivessem 30 anos.
Muito bem.
Bárbara, estou aqui a ler o que o homem passou, e em termos de informação, eu estava aqui.
Eu li.
Porque eu li mesmo.
Eu li slow age.
Eu ainda não li. Falas aqui, tu estavas a falar da alimentação. O que é isto da alimentação flexitariana?
Eu fico muito curioso com esta também. Tu fazes isto, não é?
Eu faço isto. Não, mas eu vou vos explicar o que é um flexitariano. É alguém que é 80% vegetariano e nos outros 20%, ou seja, de vez em quando como carne ou peixe. Ou seja, eu não sou 100% vegetariana. O flexitariano é aquele que tem alguma flexibilidade.
Ok.
Mas tem que ser uma percentagem pequenina.
Mas por semana, qual é a introdução da carne e do peixe na tua alimentação?
Eu não como carne, basicamente. Como aves de vez em quando, mas tenho que ter certeza que são biológicas, porque o resto não é carne. Peço desculpa de dizer isto, porque é assim, um frango que custa, num supermercado, um euro e meio.
Estamos de acordo.
De venda ao público, portanto, aquilo que custou ao supermercado, não sei, 20 cêntimos ou 50 cêntimos, aquilo é uma coisa com pernas, mas não é carne. Portanto, quando forem comer esses franguinhos e esses porozinhos, pensem que o que estão a ingerir é uma ração cheia de antibióticos e de hormonas que vai intoxicar as vossas células e que vai criar doenças no vosso corpo. Portanto, desculpa.
Não comam.
Não comam. Portanto, se comerem realmente carne, escolham comer uma carne que saiba.
De origem biológica.
Pronto, biológica, porque sabem que comeu ali Basicamente eu não como carne. Tenho uma relação com a carne difícil. Mas peixe eu como. Eu gosto muito de comer peixe e como peixe duas, três vezes por semana e dou peixe aos meus filhos.
20%, mais ou menos.
Pronto, 20%. Mas além de ser saudável, também temos que ter uma consciência da sustentabilidade. O mundo e o planeta não vão aguentar que toda a gente coma bifes todos os dias. Nem o corpo precisa disso.
Bárbara, eu estava aqui a talhar um pouquinho porque estamos a ficar sem tempo.
Sem tempo. Isto dava para estarmos aqui horas.
Dava. Eu ficava aqui uma hora a falar sobre isto. Há vários tipos de dietas ou de alimentação. Ainda agora falávamos dessa que tu segues, particularmente. Mas como é que alguém pode saber qual é que é mais indicada para si? Se calhar para os seus objetivos também.
É fácil. Há uma dieta que é indicada para todos, que é comer uma dieta o mais da origem da terra, ou seja, sem estar processada. Todos nós precisamos de comer muitos vegetais, todos os dias. Não é comer uma folha de alface. É comer vegetais à hora do almoço, ao jantar. Eu como vegetais ao pequeno-almoço, porque eu bebo aqueles batidos verdes. É assim, comer muitos vegetais e muita fruta. Evitar alimentos processados, evitar açúcares processados, refinados. Se nós evitarmos isto, nós já estamos a fazer meio caminho andado para não ficar doentes. E depois não comer carne todos os dias, nem peixe todos os dias. Escolher uma das refeições por dia para comer.
Por nós e pelo planeta, também.
Por nós e pelo planeta.
Muito bem. Só para finalizar, tens um conselho para o novo ano? É sempre uma altura de resoluções. Aquelas resoluções que se fazem: "é este ano que eu vou pro ginásio ou me vou iniciar numa prática desportiva".
Olha, em vez de vos dar uma dica, vou dar um conselho, uma forma diferente, que é: não se desafiem a fazer uma grande mudança, porque as grandes mudanças normalmente nunca acontecem.
E desmotivamos também.
É verdade. Por quê? Porque são muito difíceis. Então aquilo começa a ser muito difícil, há falta de resistência e tu desistes. Então qual é o truque aqui? Baby steps. Ou seja, escolham uma mudança pequenina. Imagina, a partir de 1 de janeiro não consumo açúcar. Retiram o açúcar. Ao fim de uma semana, sentem-se bem. "Ok, check, consegui retirar o açúcar. Agora vou retirar alimentos fritos". Retiram os fritos. Ou seja, fazerem isso de forma gradual, porque ninguém consegue alterar tudo de uma vez pronta. Ginástica. Não vão começar logo três vezes por semana, vão se sentir todos partidos e vão estar cheios de dores e já não vão voltar ao ginásio. Comecem a fazer coisas pequeninas, objetivos pequenos. Cada vez que conseguem concretizar um objetivo pequeno, vão se sentir tão realizados que já vão fazer o seguinte. Mas façam escolhas de mudanças pequeninas, porque assim vão ter sucesso. Começarem com grandes mudanças, depois nada acontece.
Muito bem, Bárbara Taborda, nossa convidada nas conversas de fim de tarde a propósito deste livro, "Slow Aging: um guia para uma vida longa, saudável e feliz". E aqui tem dicas de alimentação, de exercício, mas também muito sobre saúde mental, que é muito importante. E neste pós-pandemia foi um assunto também que todos percebemos que temos que dar alguma atenção. E esta pode ser uma boa forma de olharem para esse tema aqui com o novo livro da Bárbara Taborda. Não resisto a fechar esta conversa com o "Elixir da Eterna Juventude" do Sérgio Godinho. Pode ser?
Acho ótimo.
Uma música aqui que é uma espécie de slow aging cantada há já vários anos pelo Sérgio Godinho. Bárbara, muito obrigado. Tens vindo à Rádio Observador. Muitos parabéns.
Ok, obrigada.
Bom ano.
E um bom ano a todos, cheio de saúde. É o que eu desejo.
Obrigado.
Ah, que estou arrependido. De ter feito e de ter tido. Ai, ora são horas, seja como a que eu vi na igreja. Mea culpa, mea culpa. Minha máxima desculpa. É ter vindo para o presente conservado em aguardente. Quero ser para sempre jovem. As minhas células movem. Uma campanha eficaz, água benta e água raso. O elixir da eterna juventude é o que quero que todo mundo, para que tudo fique igual, estava amarrado, falsificado, é desleal. Vou implorar aos apóstolos, mas é pior que desgostos. Com tanto pecado junto, não lhes pega nenhum santo. Vou recorrer aos macetos, esses ao menos são tetos. Cada vez não me acuda, senão ainda tenho Buda. Maomé vai à montanha. O Papa ninguém o apanha. A Rússia rato roia roia, venha o dia a vida escolhe. O elixir da eterna juventude é o que quero que todo mundo, para que tudo fique igual, estava amarrado, falsificado, é desleal.
Olá, eu sou a Ana Filipa Rosa. Obrigada por ouvir este podcast. Se gostou, pode sempre partilhá-lo com alguém e ouvir a Rádio Observador. Estamos online, mas também no FM, na Grande Lisboa em 98.7 e no Grande Porto em 98.4. Obrigada.